HIPÓTESES PRÁTICAS DE PROCESSO PENAL FDUCP
COMPETÊNCIA MATERIAL E FUNCIONAL DOS DIFERENTES TRIBUNAIS
COMPETÊNCIA FUNCIONAL DO TRIBUNAL E COMPETÊNCIA DOS JUÍZES QUE COMPÕEM O TRIBUNAL
Os arts. 10º e 18º CPP disciplinam apenas a competência material e funcional dos tribunais, mas não tratam da competência funcional de cada um dos juízes que integram o órgão jurisdicional quando de composição plural – tribunal colectivo ou do júri.
Assim, as normas dos arts. 301º, 312º, 322º, 345º, 372º/1, 372º/2 respeitam à competência funcional dos juízes e jurados que compõem o tribunal. A competência é primariamente do tribunal, mas tratando-se de órgão de composição plural importa também a competência de cada um dos membros do tribunal.
A LOFTJ dispõe sobre a competência do Presidente, dos Vice-Presidentes e Presidentes das secções do STJ (arts. 52º e 55º) e das relações (arts. 69º, 70º e 71º) e o art. 139º sobre a competência do presidente do tribunal colectivo.
COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE INSTRUÇÃO CRIMINAL/JUÍZ DE INTRUÇÃO
Os tribunais de instrução criminal são tribunais de 1ª instância de competência
especializada e singulares. Porque singulares é indiferente que se refiram a tribunais ou
a juízes: a LOFTJ refere-se aos juízos de instrução criminal (art. 111º a 113º) e o CPP a juiz de instrução (art. 17º).
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Compete ao tribunal de instrução criminal (ou ao juiz de instrução): proceder à instrução, decidir quanto à pronúncia e exercer as funções jurisdicionais relativas ao inquérito (art. 17º CPP e art. 111º LOFTJ).
COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL SINGULAR
O tribunal singular tanto pode ser tribunal de competência genérica (tribunal de comarca) como tribunal de competência especializada (juízos de media e pequena instância) - arts. 132º e 133º LOFTJ.
Os tribunais singulares de competência genérica e os juízos de média e pequena instância têm a mesma competência em matéria criminal, competindo-lhes nos termos do art.16º CPP, julgar os processos que respeitem a crimes:
a) Que não couberem na competência de tribunais de outra espécie (critério meramente residual; cabem na competência do tribunal singular todos os crimes que não caibam na competência de tribunais de outras espécies); b) Previstos no capítulo II do título V, do livro II do CP (adopta-se o critério
qualitativo, em atenção a que apreensão da prova não oferece grande
dificuldade, é um critério perigoso, pois não é possível estabelecer a priori quais os crimes relativamente aos quais a apreensão de prova não oferece grande dificuldade; os crimes contra a autoridade pública que podem ser puníveis isoladamente com penas de máximo superior a 5 anos e em concurso com penas até 25 anos)
c) Cuja pena máxima, abstractamente aplicável, for igual ou inferior a 5 anos de prisão;
d) Que devam ser julgados em processo sumário
e) Os crimes de competência normal do tribunal colectivo ou do júri, em razão da pena aplicável, quando o MP entender que não deve ser aplicada, em concreto, mesmo em caso de concurso, pena de prisão superior a 5 anos.
COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL COLECTIVO
O tribunal colectivo de 1ª instância tanto pode ser tribunal de competência genérica (tribunal de comarca) como tribunal de competência especializada (tribunal criminal) e de competência específica (varas criminais). Competem-lhe julgar os processos que (art. 14º):
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1. Não devendo ser julgados pelo tribunal do júri, respeitarem a crimes contra a paz e a humanidade (arts. 239º a 246º CP) e contra a segurança do Estado (arts. 308º a 346º CP)
2. Não devendo ser julgados pelo tribunal singular, respeitarem a crimes:
a) Dolosos ou agravados pelo resultado, quando for elemento do tipo a morte de uma pessoa e não devam ser julgados em processo sumário;
b) Cuja pena máxima, abstractamente aplicável, for superior a 5 anos de prisão, mesmo quando, no caso de concurso de infracções, seja inferior o limite máximo correspondente a cada crime e não devam ser julgados em processo sumário.
COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI
O tribunal do júri só intervém quando a sua intervenção for requerida pelo MP, pelo assistente ou pelo arguido (art. 13º).
O requerimento para intervenção do tribunal do júri é irretratável (art. 13º/5) e deve ter lugar no prazo para a dedução da acusação, quando for do MP ou do assistente, e no prazo para requerimento da instrução, quando for do arguido. Havendo instrução, o requerimento do assistente que não tenha deduzido acusação e do arguido devem ter lugar no prazo de 8 dias a contar da notificação da pronúncia (art. 13º/3).
Compete ao tribunal do júri julgar os processos que respeitem a crimes:
a) Contra a paz e a humanidade, contra a segurança do Estado e previstos na Lei Penal Relativa à Violação do Direito Internacional Humanitário (art. 13º/1); b) Cuja pena máxima, abstractamente aplicável, for superior a 8 anos de prisão,
desde que não devam ser julgados pelo tribunal singular (art. 13º/2).
Exceptuam-se da competência do tribunal de júri os crimes de terrorismo e os que se refiram a criminalidade altamente organizada – art. 111º LOFTJ
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A ressalva do art. 13º/2 – não devendo ser julgados pelo tribunal singular – respeita à possibilidade que o art. 16º/3 confere ao MP de atribuir competência ao tribunal singular relativamente a alguns crimes que, atendendo à pena aplicável em abstracto, seriam da competência do tribunal colectivo e aos crimes previstos na alínea a) do nº 2 do art. 16º, mesmo que puníveis com pena máxima superior a 5 anos (art. 141º LOFTJ e art. 207º/1 CRP).
COMPETÊNCIA DOS JUÍZOS DE PEQUENA INSTÂNCIA CRIMINAL
Os juízos de pequena instância criminal são tribunais de competência especializada que têm por competência preparar e julgar as causas a que corresponda a forma de processo sumário, abreviado e sumaríssimo.
COMPETÊNCIA DAS RELAÇÕES
O plenário das Relações (art. 12º/1) tem a competência que lhe é atribuída por lei (art. 55º LOFTJ). É necessário analisar cuidadosamente o art. 12º.
COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
O plenário do STJ (art. 11º/1) tem a competência que lhe é atribuída por lei (art. 41º LOFTJ): julgar os recursos de decisões proferidas pelo pleno das secções e exercer as demais competências conferidas por lei. É ncessário analisar cuidadosamente o art. 11º.
FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA PELO MÉTODO DA DETERMINAÇÃO CONCRETA – ART. 16º/3