HIPÓTESES PRÁTICAS DE PROCESSO PENAL FDUCP
II CONCURSO DE CRIMES
4. A P.S.P é competente para proceder ao primeiro interrogatório de Bento? Atendendo ao art 144º (primeiro interrogatório do arguido em liberdade),
nomeadamente ao nº2, tal terá de ser realizado pelo MP, sendo que o PROF. JOSÉ LOBO MOUTINHO equaciona que mesmo neste caso também deveria poder ser realizado pelo juíz de instrução na medida em que se encontram em casusa direitos fundamentais (direito de defesa). O interrogatório do arguido é um único acto obrigatórico do inquérito e consta do art. 272º.
Atendendo ao art. 144º/2, a PSP poderá proceder ao primeiro interrogatório do arguido, mas as suas declarações não poderão ser usadas nos termos do art. 141º/4 al. b)
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Duarte apresenta denúncia contra Eduardo, imputando-lhe a prática de um crime de falsificação de documentos (art. 256.º, n.º 1, do Código Penal), que lhe causou um prejuízo no valor de € 10.000. Terminado o inquérito o Ministério Publico profere despacho de arquivamento, por considerar não existirem indícios suficientes da responsabilidade criminal de Eduardo. Inconformado, Duarte requer a sua constituição como assistente, deduzindo ainda requerimento de abertura de instrução. O juiz de instrução rejeita a pretensão de Duarte, por considerar que o bem jurídico tutelado pelo crime de falsificação de documentos gira em torno da fé pública, da verdade da prova, da segurança, da credibilidade do tráfego jurídico probatório, ou seja, à volta do interesse público e nunca do prejuízo sofrido pelos particulares. Acrescenta ainda que a qualidade de ofendido depende da titularidade dos interesses que a lei penal quis especialmente proteger com a incriminação, não bastando, para o efeito, a invocação da existência de prejuízos decorrentes da prática do crime.Concorda com a decisão do juiz?
(Acórdãos do S.T.J. n.º 1/2003, n.º 8/2006 e 10/2010)
A constituição de asistente encontra-se consagrada no art. 68º e tem de ser realizada pelo ofendido na medida em que é a ele que cabe a titularidade do direito de queixa, ou seja é o titular dos direitos que a lei visa proteger. Tem de existir um interesse de que seja titular um particular; se for um interesse colectivo não pode. O estado, por exemplo, nunca se pode constituir como assistente (é representado pelo MP). Num crime de traição à pátria ninguem se pode constituir como assistente.
No crime de falsificação de documentos pretende-se proteger a fé pública, não existindo qualquer interesse susceptivel de ser concretizado no portador. Contudo é necessário atender ao art. 256º da CP que se refere à intenção de causar prejuizo: se for a uma pessoa particular este poder-se-á constituir como assistente. O interesse do particular é protegido ao mesmo nível.
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A Câmara Municipal de Vila Nova das Beiras apresenta denúncia contra Eduardo pela prática de um crime de desobediência, em virtude de não ter acatado um embargo municipal de uma obra que estava em construção. Concluído o inquérito o Ministério Público profere despacho de arquivamento. Pode o Município constituir-se assistente no processo, para posteriormente requerer a abertura da instrução?
(Ac. da Rel. de Évora, de 25/01/05, C.J., t. 1, pp. 263 e segs. Acórdão do S.T.J. n.º 2/2005)
Acórdão de 2003: este acórdão refere-se à legitimidade para se ser constituido como assistente em particular nos crimes em que o interesse a ser tutelado é supra estadual. Em regra, um particular não se pode constituir como assistente. Contudo é necessário atender ao critério que este acórdão prevé tendo sido posteriormente reproduzido nos acórdãos 8/2006 e no 10/2010: saber se a norma, ao memso nivel que preve a tutela de bens colectivos tambem visa a tutela de bens jurdicos particulares.
Acórdão 8/2006: estava em causa o art. 365º CP, sendo o crime contra a justiça. Tal refere-se a interesses colectivos e ao interesse particular que assenta no bom nome da pessoa caluniada (interesse ao mesmo nível). A pessa caluniada pode-se constituir como assistente.
Acórdão 10/2010: estava em causa o crime de desobediência e visava proteger o bem jurídico supra estadual. No caso tratava-se de uma providência cautelar pedida por uma pessoa. O STJ admitiu a constituição desta pessoa como assistente, porque os seus interesses estavam a ser protegidos ao mesmo nivel.
No caso coloca-se a questão de saber se o MP poder-se-ia constituir como assistente nos termos do art. 68º. Qual o bem jurídico que se pretendia tutelar no crime de desobediência? Note-se que o lesado pode não ser necessariamente o ofendido (exemplo: A empresa o carro a B que atropela um peão e este estraga o vidro do carro).
No caso a Camara não é concreta titular de um interesse juridico tutelado ao mesmo nivel? O estado já é representado no processo pelo MP. Trata-se-se aqui de uma pessoa colectiva. Não há vários órgãos do estado a serem titulares de determinados interesses: o titular é o estado (por exemplo, o ministro das finanças não se poderia constituir como assistente num crime de fraude).
Cabe ao MP representar o Estado num processo criminal, sendo que as pessoas públicas não podem constituir-se como assistentes. A opinião do presidente da camara é irrelevante.
Em suma: se é verdade que a Camara Municipal tem a tutela de tais interesses, verdade é também que ela não é titular dos interesses que visa proteger. Contudo, quando é património da camara ela já e poderá constituir como assistente.
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Luís apresenta queixa crime conta Manuel, imputando-lhe a prática de um crime de emissão de cheque sem provisão. Notificado durante o inquérito nos termos e para os efeitos previstos no art. 75.º do C.P.P., Luís manifesta o desejo de deduzir pedido cível contra Manuel, pois pretende ser ressarcido do valor do constante do mesmo cheque, € 20.000,00, que Manuel lhe deve e ainda não pagou.