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A discussão sobre a competitividade dos países na produção de determinados bens começou com as teorias econômicas de comércio internacional que discutiam a vantagem comparativa dos países. Assim, David Ricardo, em 1817, propôs a Teoria da Vantagem Comparativa, que dizia que um país tem vantagem comparativa na produção de um bem quando tem menor custo de oportunidade para produzi-lo. Por meio dessa teoria, ele aprimorou a idéia de Adam Smith de que um país deve se especializar na produção do bem em que apresentar maior vantagem absoluta (KRUGMAN; OBSTFELD, 2009, p.8).

Dessa forma, Ricardo explicou que um país pode ter vantagem absoluta na produção de todos os bens, pois esta depende do menor custo do trabalho, mas não pode ter vantagem comparativa na produção de todos os bens, pois esta depende do custo de oportunidade do país com relação aos outros. Para Ricardo, o trabalho era o único fator de produção (KRUGMAN; OBSTFELD, 2009, p.8).

Por sua vez, a teoria de Heckscher-Ohlin utiliza dois fatores para explicar a competitividade: os recursos disponíveis em cada nação e a intensidade com que eles são utilizados. Assim, a vantagem comparativa do país é determinada de acordo com as proporções com que o país utiliza os fatores e a disponibilidade deles em seu território (KRUGMAN; OBSTFELD, 2009, p.49).

Apesar da importância das teorias de comércio internacional na explicação da vantagem comparativa, o conceito de competitividade vai além das explicações dadas por elas. Ao longo dos anos diversos autores deram novas definições para a palavra e fatores como as estratégias das empresas, a diferenciação dos produtos, os incentivos governamentais, a política macroeconômica de cada país, dentre outros passaram a fazer parte da definição de competitividade.

Assim, a ausência de um conceito preciso da palavra competitividade e de um consenso quanto às metodologias que devem ser utilizadas para medi-la é tratada em grande parte dos trabalhos sobre o assunto. Na maioria dos trabalhos, a competitividade vem sendo abordada como uma medida que pode assumir duas naturezas. A primeira, de desempenho, expressa a participação de um país ou de uma indústria em determinado mercado (market share). Já a segunda, de eficiência, tenta traduzir a competitividade por meio da relação insumo-produto praticada por determinada indústria (FERRAZ; KUPFER; HAGUENAUER, 1995).

A competitividade medida pelo conceito do desempenho é um conceito ex-

post e é mensurada de acordo com a participação de determinada indústria ou país

no mercado externo. Trata-se de um conceito amplo e de fácil medição, que aborda além das condições de produção, fatores como a valorização cambial, a eficiência dos canais de comercialização, os acordos internacionais, dentre outros. Segundo este conceito, para que uma indústria seja considerada competitiva ela deve ampliar sua participação nas exportações do produto em questão (HAGUENAUER, 1989).

Farina (1999) complementa que ao ser abordada sob um conceito ex-post a competitividade é determinada por vantagens competitivas já adquiridas no passado. Siggel (2007) diferencia os dois tipos de abordagens dizendo que enquanto o conceito ex-post reflete o resultado da competição, o conceito ex-ante mede o grau de preparação para a competição, ou a competitividade potencial.

Assim, quanto à competitividade pelo conceito da eficiência, Haguenauer (1989) explica que o aumento nas exportações é visto como uma conseqüência da competitividade e não como uma forma de expressá-la. Assim, a competitividade é

vista de um ponto de vista estrutural, em que uma indústria é capaz de produzir um determinado bem com menor aporte de insumos ou maior eficiência que outra. Nessa abordagem, costumam ser medidos fatores como os preços e a qualidade dos produtos, a tecnologia empregada e a produtividade.

Um dos principais autores que defendem a competitividade do ponto de vista da eficiência é Michael Porter. Em Porter (1999), o autor fala que enquanto o conceito de competitividade visto do ponto de vista macroeconômico, enquanto competitividade de um país, não é um conceito muito claro, o conceito de uma empresa competitiva é nítido.

Assim, Porter (1999) acredita que se a competitividade nacional dependesse de critérios como taxa de câmbio, taxa de juros, mão-de-obra, e intervenção governamental, todos os países cujas economias estão em ascensão deveriam apresentar características macroeconômicas semelhantes, o que não ocorre na realidade. O autor afirma ainda que um país não pode ser competitivo em todas as áreas de sua economia. Ele propõe, dessa forma, que para estudar competitividade o foco seja dado aos diferentes setores da economia de um país, para que se tente entender porque um setor é mais competitivo em um país do que em outro.

Para responder à questão da competitividade de cada indústria, Porter (1999) apresentou uma teoria conhecida como o “diamante de Porter”. O diamante define quatro atributos que definem o ambiente nacional para a competitividade de um setor: condições de fatores, condições de demanda, setores correlatos e de apoio, e estratégia, estrutura e rivalidade das empresas.

Apesar de haver uma grande aceitação das duas abordagens de competitividade, alguns autores defendem que existe mais no conceito de competitividade do que somente desempenho e eficiência.

Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1995), defendem que as abordagens do desempenho e da eficiência são limitadas por serem estáticas, ou seja, por analisarem apenas indicadores, não são capazes de esclarecer as relações causais entre a evolução presente e futura da indústria e a competitividade. Os autores propõem que além da análise de fatores como preços, custos, salários e taxas de câmbio, a indústria seja analisada também do ponto de vista da gestão, da inovação, da produção e dos recursos humanos.

Haguenauer (1989), porém, adverte que mesmo os autores que incorporam em suas análises outros elementos à competitividade enfatizam o papel da

exportação no conceito. Um exemplo é Fajnzylber (1988, p.13) que diz que a competitividade consiste na capacidade de um país para manter e expandir sua participação nos mercados internacionais e elevar simultaneamente o nível de vida de sua população.

Fajnzylber (1988, p.13) explica, entretanto, que quando esta participação de mercado for aumentada apenas por meios como o protecionismo, o controle cambial, a mão de obra barata e sem pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ela pode ser considerada espúria, pois pode ocasionar sérios malefícios sociais e econômicos para o país.

Existe ainda na literatura referente à competitividade uma linha de autores que defendem que não existe competitividade de um país, pois quem compete no mercado internacional são empresas, não as nações (KRUGMAN, 1994). Assim, Krugman (1994) acredita que o objetivo dos governos dos diferentes países não é competir uns com os outros no comércio internacional, e que os problemas econômicos e sociais das nações não podem ser resolvidos somente buscando a liderança dos mercados.

Dieter e Englert (2007) também mencionam que a competitividade não é uma característica de um setor e nem da economia como um todo de um país, mas sim de cada empresa individualmente. Os autores dizem que se uma empresa é capaz de manter sua participação no mercado e ao mesmo tempo receber um lucro real no longo prazo, ela é competitiva. Porém, falam que um setor da economia pode ser afetado por mudanças nas configurações legais, institucionais ou sociais de um país, afetando assim a competitividade das empresas.