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Medida da competitividade brasileira e de seus concorrentes

4. MATERIAL E MÉTODOS

4.2. MÉTODOS

4.2.3. Medida da competitividade brasileira e de seus concorrentes

4.2.3.1. Market share

O market share é a parcela de mercado atendida por uma entidade específica e pode ser utilizado como uma medida da competitividade. Esta medida deve ser calculada pela razão entre as vendas executadas por uma entidade e as vendas totais do mercado. A definição do mercado, porém, não é uma tarefa banal, e deve ser feita cuidadosamente, pois pode interferir de forma significativa nos resultados obtidos (Farris et al., 2012).

Neste trabalho o market share foi calculado de duas formas diferentes. Na primeira, partiu-se do pressuposto de que as castanhas-do-brasil com e sem casca dividem o mesmo mercado. Já na segunda, foram considerados dois mercados diferentes, um para o produto com casca e outro para o produto sem casca.

O cálculo para um mercado único foi feito de acordo com a Equação 10, enquanto o market share para dois mercados diferentes foi calculado de acordo com a Equação 11. Ambos utilizaram tanto dados de valor real exportado em dólares americanos, quanto dados de quantidade exportada, medida em quilogramas. As duas equações foram baseadas no conceito de parcela de mercado apresentado por Farris et al. (2012), tendo sido alterado apenas a definição do mercado da castanha- do-brasil em cada uma.

(10)

Onde MS é o market share, Xij são as exportações do produto i (castanha

com casca ou sem casca) pelo país j (Brasil, Bolívia ou Peru), e XTotais é a somatória

das exportações brasileiras, bolivianas e peruanas dos dois tipos de castanha.

(11)

Onde Xi é a somatória das exportações do Brasil, da Bolívia e do Peru do

Os resultados para os dois tipos de market share calculados serão apresentados e discutidos na forma de gráficos e tabelas. Porém, apenas os market

shares em valor e em quantidade para um único mercado serão utilizados no ajuste

de modelo econométrico descrito no próximo item.

4.2.3.2. Constant Market Share

O modelo de Constant Market Share (CMS) é um método desenvolvido por Richardson (1971) que atribui a variação das exportações às forças estruturais ou às de competitividade.

Neste trabalho, o CMS foi calculado para as exportações de castanhas-do- brasil seguindo a Equação 12 descrita por Leamer e Stern (1970):

(12)

(a) (b) (c) (d)

Onde:

= Valor exportado pelo país em questão (Brasil, Bolívia ou Peru) no período 0;

= Valor exportado pelo país em questão (Brasil, Bolívia ou Peru) no período 1;

r = Taxa de crescimento das exportações do mundo (Brasil + Bolívia + Peru) entre os períodos 0 e 1;

i = Castanha-do-brasil com casca ou castanha-do-brasil sem casca; j = País de destino das exportações.

O efeito crescimento (a) corresponde ao primeiro termo da Equação 12 e indica a parte da variação das exportações do país que foi causada pelo crescimento das exportações mundiais do produto, neste caso, ao crescimento do mercado mundial de castanhas-do-brasil (LEAMER; STERN, 1970, p. 173).

Para que o efeito pauta (b) seja positivo é necessário que o país tenha exportado mais de um produto com taxa de crescimento mais favorável que as médias mundiais (LEAMER; STERN, 1970, p.174). Isto ocorre quando a taxa de

crescimento das exportações mundiais deste produto (ri) é maior que a taxa de

crescimento média das exportações mundiais de todos os produtos que compõe a pauta estudada (r).

Neste trabalho a pauta de exportações de cada país é composta por castanhas-do-brasil com casca e castanhas-do-brasil sem casca. Assim, o efeito pauta é positivo para aqueles países que exportarem o tipo de castanha cuja exportação mundial (ri) tenha crescido mais que a média mundial dos dois tipos (r).

Apesar de muitos trabalhos que estudam a competitividade de um produto retirarem o efeito pauta do cálculo do CMS (COELHO; BERGER, 2004; DIZ, 2008; ALMEIDA, 2010; PARAPINSKI, 2012; SILVA et al., 2013), neste trabalho a castanha-do-brasil não será nem considerada como um produto homogêneo. Dado que existem diferenças de aceitabilidade, preço e taxas de crescimento das exportações de castanhas com casca e sem casca no mercado internacional, optou- se por deixar o efeito pauta no modelo para verificar como o tipo de castanha mais exportado pelo país influencia em sua competitividade.

Por sua vez, o efeito destino (c) indica se o país em questão exportou mais para mercados em rápido crescimento ou estagnados, quando comparados à taxa de crescimento das exportações mundiais do período (LEAMER; STERN, 1970, p.174). No cálculo deste efeito devem ser computados todos os países que importaram cada produto, porém, aqueles com menores participações podem ser agrupados na categoria “outros” como foi feito por Coelho e Berger (2004), Almeida (2010), Parapinski (2012).

Dessa forma, no cálculo deste efeito para cada país exportador (Brasil, Bolívia e Peru) foram avaliados separadamente os países importadores que fizeram parte dos CR4 de cada um entre 1998 e 2012, tanto para a castanha com casca

quanto para a sem casca (Apêndices 1 a 6, TABELAS 20 a 25). Como as exportações dos três foram consideradas altamente concentradas (<75%) em quase todos os anos, isto garante que os destinos mais representativos de cada um foram devidamente contemplados pelo modelo. Os demais países importadores foram agrupados na categoria “outros”, que também entrou no modelo.

Finalmente, o efeito competitividade (d) corresponde ao resíduo da equação (LEAMER; STERN, 1970, p. 175). Isto significa que a perda ou o ganho de market

share que não puder ser explicado por nenhum dos outros três efeitos são atribuídos

que o termo é calculado subtraindo o crescimento das exportações que o país efetivamente teve ( ) do crescimento que deveria ter ocorrido caso ele tivesse mantido seu market share ( , seguindo o crescimento do mercado mundial de cada produto, para cada destino.

4.2.3.2.1. Período de análise do Constant Market Share

Ao aplicar o modelo CMS, diferentes autores adotaram critérios diversos para a definição dos anos ou períodos a serem utilizados para a análise. Assim, enquanto alguns escolheram avaliar os resultados do CMS de um ano para o outro (ALMEIDA, 2010; PARAPINSKI, 2012), outros utilizaram valores médios de períodos compostos por dois ou mais anos nos cálculos (CARVALHO, 1997; SEREIA; NOGUEIRA; CÂMARA, 2002; COELHO; BERGER, 2004; DIZ, 2008; CORONEL; MACHADO; CARVALHO, 2009; SILVA et al., 2013).

Diz (2008) explica que a utilização de médias anuais para o cálculo do CMS evita que sejam computadas variações drásticas que podem ter ocorrido na produção ou na exportação de um bem, como uma quebra de safra em um ano específico. Seguindo esta lógica, neste trabalho, assim como no de Diz (2008), serão utilizadas três médias trienais, distribuídas ao longo da série de 15 anos.

Além disto, existem também diferentes critérios para a definição de quais períodos serão comparados. Alguns autores dividiram suas séries de dados em subperíodos de mesmo tamanho ou de tamanhos diferentes, mas de forma a abranger todos os anos da série (SEREIA; NOGUEIRA; CÂMARA, 2002; COELHO; BERGER, 2004; CORONEL; MACHADO; CARVALHO, 2009; SILVA et al., 2013).

Outros não incluíram em seus períodos todos os anos da série temporal. No caso destes, alguns critérios utilizados foram acontecimentos históricos importantes para o mercado estudado (CARVALHO, 1997) ou períodos importantes para a pesquisa, de acordo com dados primários coletados (ALMEIDA, 2010). Diz (2008), por sua vez, escolheu três triênios com distâncias que ele considerou significativas entre si ao longo de sua série temporal.

Neste trabalho os triênios foram distribuídos de forma eqüidistante, de três em três anos, ao longo da série de dados de 15 anos, baseado no trabalho de Diz

(2008). O primeiro triênio corresponde ao início da série, de 1998 a 2000. Em seguida foi feito um intervalo de três anos, e escolhido o segundo triênio de 2004- 2006. Finalmente, três anos depois do segundo período, foi estabelecido o último, de 2010 a 2012, que também corresponde ao final da série de dados.

Os três triênios escolhidos correspondem ainda a fatos importantes do mercado internacional de castanha-do-brasil, assim:

 De 1998 a 2000 – No ano de 1998 a União Européia estabeleceu seus limites máximos de aflatoxinas por meio da EC 1525/98, em valores menores que aqueles praticados por outros países do mundo, como os EUA e o Brasil.

 De 2004 a 2006 – Em 2003 a U.E. restringiu por meio da EC 493/03 as importações de castanhas-do-brasil com casca vindas do Brasil. Esta regulamentação teve impactos na estrutura do comércio internacional do produto, e seus efeitos podem ser vistos nas exportações brasileiras principalmente a partir de 2004.

 De 2010 a 2012 - Em 2010 a U.E. estabeleceu novos limites de aflatoxinas para as castanhas-do-brasil (EC 165/10), aumentando o teor máximo permitido. Este período corresponde ainda ao início da recuperação dos mercados mundiais após a crise econômica de 2008.