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A competitividade global das empresas

Depois de ler este capítulo, vai estar apto a:  Compreender a relação entre produtividade e competitividade;

4.2 A competitividade global das empresas

As empresas podem aumentar a sua competitividade utilizando várias estratégias e não apenas uma. Michael Porter, um especialista desta matéria que já realizou um estudo sobre a competitividade da economia portuguesa a pedido do governo e de empresários portugueses, na sua obra “Vantagem Competitiva“ indica três estratégias possíveis para as empresas aumentarem a sua a competitividade, a saber:

(1) Uma estratégia de baixos custos;

(2) Uma estratégia de diferenciação dos produtos e serviços;

(3) Uma estratégia a que ele chama “enfoque” que é uma estratégia de selecção de apenas um nicho (pequena parcela) do mercado para assim poder melhor servir os consumidores desse segmento de mercado. Actualmente, devido a uma concorrência crescente, as empresas são obrigadas a definir estratégias de resposta às exigências do mercado, orientando-se numa linha de competitividade global que pode traduzir-se nos seguintes termos:

A qualidade significa adequação ao uso, ou seja, consiste em proporcionar bens e

serviços que vão ao encontro das necessidades dos utilizadores. A qualidade competitiva compreende não só a criação de novos produtos que satisfaçam as

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necessidades dos utilizadores mas engloba também a melhoria continua dos produtos e a redução dos seus defeitos.

Neste domínio, insere-se a inovação que, segundo a OCDE, é caracterizada pela "transformação de uma ideia num novo produto vendável ou melhorado, ou num processo operacional na indústria ou no comércio ou num novo método de serviço social".

De acordo com essa acepção, o processo de inovação ultrapassa largamente a fase da investigação e desenvolvimento, distinguindo a OCDE seis actividades suplementares que podem ser integradas neste processo de desenvolvimento:

 a comercialização de novos produtos;

 os trabalhos respeitantes à obtenção de patentes;

 os trabalhos de obtenção de financiamento de inovação;

 a especificação final de um produto a fim de verificar se responde às exigências do mercado e da produção;

 a preparação da produção efectiva do produto ou do novo serviço;

 os custos para desencadear a nova produção (designadamente custos de formação).

A procura incessante do controlo e da melhoria da qualidade, leva a um retorno a princípios simples, sintetizada nos cinco objectivos a atingir, designados pelos "cinco zeros", a saber:

 zero avarias;  zero atrasos;  zero defeitos;  zero existências;

 zero papéis.

Além disso, a melhoria da qualidade competitiva tem reflexos na organização, derivada da aplicação dos seguintes princípios, geralmente apresentados:

 a qualidade competitiva está centrada nas necessidades e na satisfação dos utentes;

 a qualidade competitiva significa fazer bem a primeira;

 a qualidade competitiva requer um balanço sistemático da concorrência;  a qualidade competitiva vai para além da venda;

 a qualidade competitiva envolve um novo relacionamento com os clientes e com os fornecedores;

 a qualidade competitiva baseia-se em padrões mensuráveis;

 a qualidade competitiva obriga a ir ao âmago dos problemas da qualidade. Daí decorre também uma nova relação dos quadros e do pessoal na empresa, uma vez que a qualidade competitiva começa com o envolvimento dos quadros superiores, requer a responsabilidade de todas as funções e abarca todas as pessoas da empresa.

Com a expressão serviço pretende-se abreviadamente significar estar ao serviço do

utente, ou seja, dar-lhe a resposta adequada ao que pretende, respondendo às seguintes questões:

 O que quer?  Como quer?  Onde quer?

A produtividade resulta do efeito combinado de um grande número de factores

distintos, mas interdependentes, que pode sinteticamente traduzir-se na seguinte expressão:

No que se refere à tecnologia é reconhecido que o progresso técnico é um dos

principais factores explicativos do crescimento e do aumento da produtividade. Para além das tecnologias que têm aplicação num único sector, desenvolveram-se nas últimas décadas tecnologias genéricas universais, de que são exemplo as tecnologias de informação, as quais constituem um conjunto de inovações revolucionárias (os computadores, a microelectrónica e as telecomunicações). A organização é orientada para a simplificação das estruturas e para a

flexibilização da empresa, procurando-se através destes meios encurtar os prazos de resposta da empresa ao mercado e tomando menos rígidos os processos de fabrico, por meio de:

 criação de grupos semi-autónomos;  aumento da responsabilização;  descentralização; e

 gestão local de dimensão humana.

Os locais de trabalho são reestruturados em novos moldes - passando do "fordismo" (adoptado em 1935 para os trabalhadores não qualificados e baseado no "taylorismo") para o "toyotismo" em que cada trabalhador da cadeia de montagem de automóveis deve tomar iniciativas - e utilizando novas técnicas de gestão da produção, como o "just in time" e o "kanban", com efeitos positivos na participação e criatividade dos trabalhadores envolvidos nas várias actividades produtivas da empresa.

Actualmente, o acréscimo de produtividade obtêm-se através da concretização das múltiplas melhorias, tomadas possíveis devido designadamente ao progresso tecnológico, valorização dos trabalhos pelo recurso a uma adequada formação profissional, à melhoria da comunicação interna e através da contribuição activa, participada e criativa dos membros da empresa, o que pressupõe uma estrutura de organização personalizada.

A produtividade é basicamente um problema de organização e de motivação. Para

melhorar a produtividade é preciso vencer resistências, tornando-se necessário proceder a uma adequada informação e motivação do pessoal que permita acolher os novos processos, definindo objectivos e programas de progresso que venham a ser devidamente implementados.

Procura-se acumular experiência ao tomar-se em conta os resultados da curva de experiência, que se traduzem na redução dos custos a medida que cresce a produção, a fim de aumentar a vantagem concorrencial da empresa.

Para que esta redução do custo total se verifique é necessário que exista um estímulo para a melhoria da produção, um interesse pelos acréscimos de produtividade e um ambiente de abertura às iniciativas e às sugestões que são apresentadas.

A organização que aprende de forma continuada (learning organization) está a impor-se nas empresas industriais. Nestas organizações a formação e a aprendizagem ocupam uma posição central, bem como a perseverança, para que a aprendizagem se tome um objectivo permanente da empresa. Segundo Peter Drucker, "a produtividade é o primeiro critério para aferir a competência da direcção da empresa, a qual é responsável pela maior parte dos avanços da produtividade que se realizam ou se podem realizar".

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