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ALUNOS GESTÃO

2.1 COMPLEXIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE

A palavra ‘complexidade’ vem do latim ‘complexus’, que significa ‘o que rodeia’ e ‘o que inclui’ (FERREIRA, 1986). Nesta língua, no particípio passado de ‘complexus’, ‘complecti’ significa ‘rodear’ e ‘abraçar’ e, quando se coloca o prefixo ‘com’, que significa ‘junto’, mais o sufixo em latim ‘plectere’, na formação da palavra ‘complectere’, chega-se ao significado do termo complexo que é o ‘tecer junto’, em conjunto, e ao mesmo tempo ‘entrelaçar’, estar e fazer em rede (MORIN, 2007b). Desta maneira, a palavra complexidade significa ‘aquilo que é tecido junto’, e dentro do significado da palavra ‘aquilo’ se encontra as certezas e as incertezas, o que é dito como certos e os seus contrários, as pessoas, o mundo e o sistema, que inclui sem parcimônia, agregando para complementar o que, até então, era separado.

A fim de possibilitar uma aproximação da teoria do pensamento complexo a um exercício do fazer complexo, traduzido em ações e comportamentos, Edgar Morin organizou alguns operadores, os quais foram desenvolvidos por autores de várias áreas ao longo do tempo, de acordo com Mariotti (2007), e apresentou-os como um conjunto de instrumentos de ampliação do pensamento, assim como a recomendação de Pascal (apud Mariotti, 2007, pg. 01), no sentido de ‘Trabalhar para pensar bem’.

A complexidade tem por fundamento a negação da simplificação e pressupõe a intencionalidade de dialogar com as ambiguidades, os equívocos, as diversidades, por meio dos operadores cognitivos do pensamento complexo. Pensamento esse mais amplo, sistêmico e relacional. Por sua vez, a transdisciplinaridade, buscando religar o que a ciência moderna fragmentou e nutrida pela complexidade, se apoia

na busca de um novo olhar sobre a realidade, no uso da lógica do terceiro incluído, diferente da lógica binária aristotélica.

A epistemologia da complexidade, proposta por Morin (2008b), pode nos ajudar nesse sentido, enquanto aporte teórico norteador, capaz de sustentar o transcender rumo a uma análise do “ser” em uma perspectiva multidimensional - social, ecológico, econômico, político, histórico, místico, espiritual e cósmico, bem como multirreferencial, guiado pelo movimento promovido por uma lógica nutrida pelos “operadores cognitivos do pensamento complexo [que] são os instrumentos ou as categorias de pensamento que nos ajudam a pensar e a compreender a complexidade e a colocar em prática esse pensamento” (MORAES e VALENTE, 2008, p.35).

O presente projeto de pesquisa compreende a metodologia como um caminho, um rumo para o investigador e a investigação dialogarem, algo que deverá ser criado e construído no caminhar da pesquisa, considerando suas emergências e especificidades. Por ser uma pesquisa qualitativa (GONZÁLEZ REY, 2005), assume- se o método, como diálogo entre o caminho e o caminhante.

Os operadores cognitivos do pensamento complexo são, segundo Moraes e Valente (2008, p. 35), os instrumentos ou as categorias de pensamento que nos ajudam a pensar e a compreender a complexidade e a colocar em prática esse pensamento. São também chamados de operadores de religação por permitirem e facilitarem a religação de saberes advindos dos pensamentos linear e sistêmico.

Estes operadores facilitam a compreensão das diversas formas de intervenção a partir de um processo investigativo e faz com que os sujeitos envolvidos neste processo busquem religar os saberes oriundos do pensamento linear e possibilite um pensamento mais abrangente e profundo. Segundo Mariotti (1999), os operadores permitem a busca e o estabelecimento de conexões entre sujeitos, objetos, dados e as situações, antes não vistas como conexas. Facilitam o entendimento de que os processos e os fenômenos influenciam uns aos outros se auto-organizam e se auto-regulam, originando outros diversos tipos de interações.

Um dos operadores importantes é o princípio sistêmico-organizacional e que nos apresenta a inseparabilidade do todo e suas respectivas partes, permitindo uma melhor compreensão para a compreensão da realidade e a necessidade do movimento ao contrário: o de religar as partes ao todo e o todo a cada uma das partes. Para Morin (2008b) juntar as partes não significa encontrar um todo maior que as mesmas. O todo pode ser de diferente, maior ou menor que a soma das partes, de acordo com o momento vivido, experienciado, dependendo da sinergia e da auto-organização de cada uma das partes envolvidas no processo.

A ideia de um todo nos remete à ideia da existência de partes, e não há inaceitabilidade da existência dessas partes. O que não pode acontecer é a tentativa de entender o todo independente das interações com as partes e vice-versa. Não há sentido em procurar observar a parte por si mesma, pois ela estaria descontextualizada do todo, não tendo sentido próprio, senão em interação com as outras partes componentes. Tal perspectiva refuta a visão simplificadora e fragmentadora proposta pela ciência moderna e que fica claro, segundo Moraes (2008), quando explica que

a Física Quântica nos mostra que o observador, o objeto observado e o processo de observação implicam uma totalidade, pois são inseparáveis em função do acoplamento estrutural e da interpenetração sistêmica em termos de energia, matéria e informação que ocorre. (p. 97)

Em pesquisa, deve ser percebida a intrínseca relação existente entre aquele que observa (o sujeito), o que é observado (o objeto) e o processo escolhido (o método) para realizar esta observação. Todos estão implicados numa mesma totalidade, justificada pela inseparabilidade da estrutura da qual fazem parte. Desta forma, todos estão relacionalmente imbricados e vão se modificando mutuamente durante o processo da pesquisa. O conhecimento resultante da pesquisa depende de cada sujeito e de suas relações com o objeto.

Esta relação estabelecida entre todos os componentes de uma observação possibilita a exploração de diversas outras realidades até então desconhecidas. É a necessidade da compreensão relacional do objeto com agentes outros que influencia a sua ocorrência, revelando a inseparabilidade de tudo o que nos envolve,

onde tudo está relacionado com tudo o que o cerca e o habita. Um todo comprometido com a existência do tudo que nele habita, integra e compartilha a existência. Desta forma, a inseparabilidade dos contrários se justifica quando, nesta totalidade existe convivência, embora nem sempre harmoniosa, mas sempre conjugada entre o que desencadeia algum fenômeno e o que, ao mesmo tempo, impede sua ocorrência.

Uma visão analítica e sintética são necessárias para se ter uma visão do todo, como dito até agora, para não se perder as qualidades emergentes provenientes da dinâmica do todo, ou seja, para não perder todas as possibilidades de percepção do objeto estudado. Essa visão analítico-sintética implica o conhecer a relação entre o todo e as partes, relacionando-as a fim de se compreender os fatos a serem estudados, analisados e pesquisados.

Segundo Morin (2000a, p. 99), é o princípio hologramático “que coloca em evidência o paradoxo dos sistemas complexos em que não somente a parte está no todo, mas o todo está também inscrito nas partes”. Este princípio vai além do reducionismo que percebe somente as partes e não o todo, e como também vai além do holismo, que percebe o todo, porém separado de suas partes e não atento à sua dinâmica. Tudo está relacionado com o todo nos diversos níveis, apresentando interações, ou melhor, inter-relações. Como exemplo, deve-se voltar os olhos para a sociedade, formada por pessoas, indivíduos, representando cada uma das partes que a compõe, mostrando que sem estes a sociedade não se constitui, nem se forma. Faz-se necessário voltar, também, os olhos para cada indivíduo, que traz dentro de si as representações sociais do ambiente no qual está integrado, o que é possível perceber através da sua fala, do seu comportamento, da sua obediência ou não às regras, aos costumes e a cultura do seu povo. Para Morin (2000), este princípio se aplica tanto para a compreensão dos fenômenos sociais, quanto dos físicos ou biológicos. Para Moraes (2008),

o todo se encontra virtual ou informacionalmente presente em cada uma das partes e esta compreensão precisa ser examinada com cuidado no momento em que estamos planejando estratégias ou criando procedimentos de pesquisa a serem adotados. (p. 99)

Ao se desenvolver uma pesquisa, deve-se estar atento a esta questão: como que o todo está sendo influenciado, virtual e informacionalmente, pelas partes? E mais, que aspectos agem de forma preponderante para a ocorrência de tal fenômeno estudado? Estas questões impõem ao pesquisador cuidado e rigor criterioso no levantamento de indicadores importantes nos fenômenos estudados e atenção cuidadosa na verificação de cada um deles.

Retroação traz a ideia de retroalimentação, a qual realiza modificações no próprio comportamento do sistema, causadas pelas respostas à ação de um sujeito, ou órgão, sobre a realidade que o cerca. Para Moraes (2008, p. 99), “o fenômeno da retroação é também compreendido como feedback e que, por sua vez, reflete a causalidade circular de natureza fechada, não espiralada”. Retroalimentar é dar

feedback, é devolver para alguém, a própria pessoa ou outra, uma resposta reativa

da consequência do seu comportamento. Este movimento não se caracteriza por ser espiralado, mas sim circular, demonstrando o retorno de tudo o que é feito incidido sobre o próprio autor da ação, sem contar que, não estando sozinho, este autor leva esta consequência a todos aqueles que partilham do mesmo ambiente do qual faz parte.

Este princípio retroativo rompe com a causalidade linear, ou seja, com a ideia de que os eventos e fatos caminham em uma só direção, em um só sentido, e que não provoque consequências retroativas nas ações individuais e coletivas. Este tipo de pensamento provoca uma corresponsabilidade das pessoas às suas ações, provocando uma reflexão interior das possíveis causas dessas ações nas pessoas que estão à sua volta, isto sem dizer, nas consequências para o todo organizado na qual esta pessoa geradora desta ação vive, levando em consideração, aqui, o mundo eco-bio-psico-social ao qual pertence e que está intrinsecamente envolvida, mesmo sem estar ao par deste envolvimento.

Retroação é o que tem efeito para trás, ou seja, o que tem relação com o ocorrido. É a força ou validade de uma ação sobre uma época anterior, agindo sobre o próprio sujeito, o qual se torna, ao mesmo tempo, sujeito e sujeitado do seu próprio comportamento.

Este retorno provoca no indivíduo uma alteração na forma de atuar no meio, produzindo modificações no agente provocador da ação, possibilitando uma reflexão para um desenvolvimento superior das formas de ação do indivíduo no meio. Podemos, então, dizer que as causas e os efeitos se transformam mutuamente num circuito retroativo, num sentido de auto-regulação.

A dinâmica do princípio recursivo está no fato de que todo produto é produtor daquilo que o produz. Segundo Moraes (2008), o indivíduo que produz a sociedade é também, por ela, produzido. Existe aqui uma diferença básica da ideia estabelecida no princípio retroativo, que explica a noção de autorregulagem, cabendo a esse quadro a noção de auto-organização. Enquanto o princípio retroativo tem uma imagem dinâmica circular, esse princípio traz consigo a imagem de uma dinâmica circular espiralada, demonstrando a evolução do sistema, que vai de um ponto menos organizado para outro imediatamente mais amplo e superior ao anterior, transformando, ao mesmo tempo, a ideia de auto-regulação (princípio retroativo) em direção à espiral auto-organizador que caracteriza o princípio recursivo.

Segundo Maturana (1999), o ser e o fazer estão profundamente imbricados, estruturalmente acoplados e este retorno para a auto-organização nos remete à ideia de que somos pessoas em constante reorganização interna de nossas ações que se desdobram em novas interações e comportamentos futuros. Este imbrincamento entre o ser e o fazer vai além da autorregulação descrita no princípio retroativo, pois possui natureza autopoiética. Isto quer dizer que o indivíduo, a sociedade, a natureza e o cosmo são autoprodutores de sua própria organização.

Neste sentido, uma ação ofensiva, por meio de uma atitude física, verbal ou mental emitida, pode retornar ao sujeito que a proferiu na mesma intensidade manifestada, ou mesmo de outra maneira qualquer, porém produtora de reações semelhantes no sujeito que as produziu em um primeiro momento. Percebe-se aí que tudo o que é causa, é também causante. Primeiro, no sentido da emissão de tal ação para o receptor da mesma, e depois, no sentido contrário, estando de volta para si mesmo, toda a ação, com sinergia igual ou modificada.

A causalidade circular dos sistemas complexos é promovida pela manifestação destes dois princípios, o retroativo e o recursivo, e explica a circularidade e a não linearidade que estes princípios trazem para a compreensão do pensamento complexo. A causalidade circular está presente nas interações de todos os seres vivos, fenômenos, eventos ou processos, conduzindo, naturalmente, à auto-regulação e à auto-organização. Moraes (2008) nos mostra que, quando em sinergia, a causalidade circular pode, a partir de processos auto-eco-organizadores regeneradores, produzir novas emergências ou criar novos sistemas emergentes.

A dialogia, outro operador cognitivo relevante, deve ser percebida desde o princípio do universo, já que, para organizar algo, esse deve ser, ou estar, de acordo com o ponto de vista de quem o percebe, desorganizado, pois não há a possibilidade da existência da ordem sem a existência da desordem. A primeira deve sua existência à segunda e vice-versa, sem a necessidade de ter que se preocupar com o aparecimento de qualquer uma delas, ordem ou desordem, em primeiro ou em segundo plano. Não cabe aqui tecer um comparativo de importância, mas a discussão da necessidade de convivência dos opostos, em uma mesma situação, nos dá uma visão da associação inseparável de dois processos que, aparentemente, são antagônicos, mas complementares em seu dinamismo de ação. Essa complementaridade e indissociabilidade de noções aparentemente antagônicas acontecem a todo instante nos mundos bio-físico-psico-social. Para Keim (2008),

A dialética se constitui como um processo que parte de uma posição - a tese; para enfrentá-la e questioná-la, surge uma posição contrária - a antítese (anti–tese). Na dialética, o confronto entre essas duas posições contraditórias entre si gera uma nova posição, que é a solução para esse dilema - a síntese. Esta solução/resposta, a síntese, não anula a tese e a antítese. Assim, a tese se confronta, na dialética, com a antítese, gerando uma síntese. A dialógica se diferencia da dialética pelo fato de ser o debate entre duas posições contrárias, com o propósito de manter e ampliar as contradições entre opostos e conflitantes. Na dialógica, ocorre o debate entre posições pertinentes a um mesmo contexto, mas que são antagônicas por natureza, sem o propósito de anulá-las ou de alcançar uma posição de consenso; na dialógica, reforçam-se os opostos e os diferentes. (p. 173)

Ainda, para esse autor (2008), a diferença entre a dialógica e a dialética está no fato de a primeira ser o debate entre duas posições que se contradizem, e tem como intenção a manutenção e ampliação entre a contradição existente entre os opostos. No sentido dialógico, o debate ocorre entre as posições antagônicas, pertencentes a um mesmo contexto, e não tem o intuito de se chegar a uma ideia consensual, mas destacar a complementaridade existente entre essas ideias aparentemente opostas, reconhecendo sua importância.

O conceito de dialogicidade entendido a partir de um dos operadores cognitivos do pensamento complexo, o princípio dialógico, compromete o indivíduo no sentido de estar atento à necessidade de compreender as relações entre o sujeito e o objeto, entre o indivíduo e seu contexto, evidenciam-se a impossibilidade de separação dos contrários, do que é antagônico por natureza, sem a intenção de anulá-los, respeitando-se suas diferenças (princípio da dialogicidade), bem como percebendo-se na relação estabelecida. Revela-se, assim, a impossibilidade de separação do sujeito investigador do objeto investigado, já que o todo se compõe das partes e cada parte traz, em si, o todo representado. Os aspectos formativos estudados (princípio sistêmico-organizacional) estão relacionados com o todo em diversos níveis (princípio hologramático); os atos cometidos em uma investigação retornam ao sujeito emissor numa ação de auto-organização (princípio retroativo) em que toda ação, física ou mental, foi produto e produtora do que o produz (princípio recursivo); o sujeito-investigador se autoinvestiga quando no processo da sua investigação e, ao perceber os resultados desta, entra em contato com os resultados de suas ações como pessoa e como espécie, com o olhar voltado às possíveis soluções para a melhoria do desenvolvimento humano e das condições da vida.

A partir desta ideia, conceitos como o imaginário, a intuição e a sensibilidade, devem ser levados em consideração, juntamente com a lógica, a razão e os fatos concretos ao se analisar uma determinada realidade, seja ela de ordem pessoal ou social. Para Morin (2000a), a dialógica ocorre para dar lógica associativa ao que era mantido pela lógica da exclusão. Por acreditarem no paradigma tradicional, que a ideia de oposição, de certa forma, comungava com a ideia de exclusão de

possibilidades de relações entre si, excluindo também a possibilidade de ampliação da percepção da realidade de maneira complexa.

O conceito de dialogicidade compromete o indivíduo a estar atento à necessidade de compreender as relações entre o sujeito e o objeto, entre o indivíduo e seu contexto, bem como perceber-se na relação estabelecida para a investigação a que se pretende incursionar, lembrando da impossibilidade da separação do sujeito investigador do objeto investigado. Já que o todo se compõe das partes e cada parte traz em si o todo, os aspectos formativos do sistema estudado (princípio sistêmico-organizacional), indica que tudo está relacionado com tudo, em seus diversos níveis (princípio hologramático), e que os atos cometidos em uma investigação retornam ao sujeito emissor numa ação de auto-organização (princípio retroativo), revelando que toda ação, física ou mental, é produto e produtora do que a produz (princípio recursivo).

A partir desta compreensão, não se faz mais possível, e porque não dizer, completamente desnecessário e antinatural, separar os elementos antagônicos por natureza, pertencentes ao mesmo sujeito, (princípio da dialogicidade). Assim, o sujeito-investigador se auto-investiga quando no processo de sua investigação e percebe os resultados ao entrar em contato com os resultados de suas ações enquanto pessoa e membro da espécie humana, tendo seu olhar voltado para o encontro de possíveis soluções para a melhoria do desenvolvimento humano e das condições de vida.

Sabemos que o sujeito investigador está intrinsecamente vinculado ao seu estudo, pois é, ao mesmo tempo, parte do seu objeto de investigação, representante do todo processual presente no objeto investigado. Ele traz consigo as representações do social do qual faz parte, sofre diretamente as consequências das ações cometidas por ele na sua investigação, é causa e consequência dos fatos ocorridos à sua volta e, ao mesmo tempo, convive com a dialogicidade de sua existência no mundo, não tendo como se distanciar do seu objeto, sendo ele mesmo seu próprio objeto de análise para compreender o mundo que o cerca. Pensar desta forma é trazer para dentro do ser humano toda a gama de dialética que, pelo

paradigma tradicional, não estava integrado ao ser humano e conviver com uma nova maneira de pensar o ser humano e suas relações existenciais.

De acordo com Morin (1990), existe uma relação de autonomia/dependência, na qual a autonomia de um sujeito é inseparável de sua dependência. Isto se explica, a partir do princípio da auto-eco-organização, a partir do qual um sujeito só pode ser autônomo quando suas relações, em um determinado contexto em que vive, se tornam fluxos nutridores que o nutrem. Desta forma, há a criação de estruturas próprias e novas formas de ação, a partir dos componentes envolvidos nas relações desenvolvidas.

Todo sistema vivo muda continuamente a sua estrutura para se manter vivo. Ele traz consigo a capacidade de auto-transformar-se continuamente e de auto- organizar-se sempre que necessário. Essa auto-organização acontece, nesse sistema vivente, por inteiro, não acontece em partes, ou em apenas algumas de partes que o compõe. Percebe-se, então, que essa capacidade de transformação está intrinsecamente ligada aos princípios retroativo e recursivo, que possibilitam o processo de auto-organização e de autorregulação, respectivamente. Esses princípios acontecem quando todo o dinamismo do organismo vivo em questão encontra-se envolvido num padrão de rede não-linear e complexa em processo de sinergia ou de convergência.

As mudanças estruturais internas e externas que acontecem num organismo vivo decorrem das interações com o meio, que inicia, mas não determina que mudanças ocorrerão, o que depende da constituição de cada sistema vivo, dos seus mecanismos internos, determinando assim, segundo Maturana e Varela (1995) as alterações no sentido de dentro para fora, do interior de cada estrutura organizacional para o externo do sistema vivente. Desta forma, não se instrui um sistema vivo, ele se auto-organiza, se autorregula e se autotransforma. Cada experiência de cada sujeito não se assemelha, em momento algum, a nenhum outro