3. O SISTEMA TRIBUTÁRIO BRASILEIRO
3.1. Aspectos teóricos da tributação
3.1.2. Componentes do Sistema Tributário Brasileiro
Os Tributos e suas espécies
Tributos são as receitas derivadas que o Estado recolhe do patrimônio dos indivíduos, baseado no seu poder fiscal, mas disciplinado por normas de direito público que formam o Direito Tributário.
O Código Tributário Nacional define tributo como a toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Os tipos de tributos previstos pela legislação brasileira são: imposto, taxa, contribuição de melhoria, contribuições sociais e empréstimos compulsórios.
Imposto
A instituição do Imposto está prevista no artigo 145, da Constituição de 1988, que determina que sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. É facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitando os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
Imposto, como definido pelo artigo 16 do CTN, é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.
O contribuinte fica adstrito ao adimplemento da prestação pecuniária independentemente de qualquer ato do Poder Público. Somente pelo fato da conduta do particular estar regulada pela hipótese de incidência, a obrigação tributária passa a existir. Assim, como explica ATALIBA (1990, p. 137), ``não se terá imposto quando a exigência formulada pela lei revestir a figura de exação vinculada, ou seja, quando a hipótese de incidência consistir numa atuação estatal, atual ou potencial, referida ao obrigado´´.
Portanto, no caso da cobrança do imposto, o Estado não necessita criar nenhum serviço nem oferecer qualquer atividade especial ao contribuinte em troca do seu pagamento, uma vez que não há no imposto, a contrapartida requerida pela taxa. Basta que a pessoa jurídica de direito público tenha competência e crie o imposto por lei.
O imposto pode ser direto ou indireto. O imposto direto permite graduar diretamente a quantia devida por um contribuinte, de acordo com a sua capacidade contributiva (exemplo típico é o IR). O imposto indireto, por sua vez, estabelece a relação entre o ônus tributário e um evento jurídico ou material e não dispõe de um parâmetro direto para apurar a capacidade econômica do contribuinte. Um exemplo é o IPI, o indivíduo que comprar a mercadoria, rico ou pobre, pagará o mesmo quantum. Entretanto, por meio de certas categorias da técnica de tributação, o legislador procura corrigir esses aspectos utilizando-se de não incidências, isenções, imunidades ou graduação das alíquotas de incidências, em função da natureza e destinação dos produtos ou mercadorias.
Taxa
A taxa, artigo 145 da Constituição, é de competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e que só pode ser arrecadada em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos efetivamente à sua disposição.
A competência em relação às taxas é comum, todavia, cada pessoa jurídica de direito público poderá cobrá-las em razão de exercício regular do poder de polícia, o que significa somente quando exercer poder de polícia que lhe tenha sido conferido pela Constituição. A mesma regra se aplica aos serviços prestados ou postos à disposição dos contribuintes que deverão se restringir, evidentemente, àqueles constitucionalmente atribuídos ao respectivo governo tributante. Caso o poder de polícia não seja regular ou o serviço não seja de atribuição do ente federativo tributante, a taxa não terá legitimidade.
É adequado esclarecer, que o termo ``atividade discricionária da administração´´, não tem o significado de arbitrária já que dentro do estado de direito não existe campo para o arbitrário. O termo significa, que quando há várias formas legais de proceder em determinada situação, é dada à administração a faculdade de escolha, ou seja, o exercício do poder discricionário.
Deve-se esclarecer, ainda, o significado da expressão ``pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição´´. Para que o Poder Público possa exigir a taxa é preciso que o serviço esteja em efetivo funcionamento, de forma que mesmo quando o contribuinte dele não se utilizar, deve contribuir para sua manutenção.
Contribuição de melhoria
O artigo 145, inciso III, da Constituição estabelece que compete à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios instituir contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. O CTN, artigo 81, dispõe que a contribuição de melhoria ``é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorre valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada, e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado´´.
CRETELLA (1990, p. 3487) esclarece o que distingue contribuição de melhoria da taxa. Para a cobrança da primeira, é necessária a realização da obra e sua influência positiva sobre o imóvel, ‘benefício’ ou ‘valorização’, enquanto que a taxa decorre de serviço já existente, utilizado ou não pelo contribuinte. Além disso, a taxa traz benefícios para imóveis, primeiro, depois para os proprietários, quando ocorre valorização.
Contribuições Sociais
Como dispõe a Constituição de 1988, artigo 149, é competência exclusiva da União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas. Por estarem incluídas no Sistema Tributário Nacional e dependerem das normas gerais em matéria de legislação tributária, a doutrina dominante as classifica como tributo4.
Empréstimos Compulsórios
O Empréstimo Compulsório é uma espécie tributária de competência exclusiva da União, cuja finalidade é atender despesas de calamidade pública, de guerra externa, ou sua iminência, ou caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse
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nacional, como estabelece o artigo 148 da Constituição (que como, as anteriores, não o submeteu ao conceito de tributo).
A doutrina dominante considera o empréstimo compulsório como um tipo de imposto, por essa razão, deve-se considerar normal o legislador tê-lo inscrito no capítulo do Sistema Tributário Nacional.