10. RESULTADOS E DISCUSSÕES
10.3 Componentes Nutricionais
Figura 15 - Frequência da variável “Quanto tempo você fica nas telas por dia”
na amostra.
Figura 16 - Histograma da variável Peso
Manter um peso saudável em idosos é importante pois ajuda a diminuir o risco de condições de saúde e limitações de vida (FRANÇA et al., 2012; ROBINSON et al., 2013). Quanto mais cedo o peso for controlado, mais fácil e rápido se aproveitar os resultados relacionados à saúde. Não é preciso muito para notar a melhora. Por exemplo, no caso de um idoso que está acima do peso, a perda de 5 kq tem como resultado a diminuição da pressão arterial em 5 mmHg (GALMICHE et al., 2019; PAYETTE, 2005). De forma semelhante, esse controle pode ajudar significativamente a aumentar o colesterol HDL e reduzir os triglicerídeos (FRUTUOSO; BISMARCK-NASR; GAMBARDELLA, 2003; GILL; BARTELS;
BATSIS, 2015). A perda ou ganho de peso saudável requer comer uma dieta equilibrada e praticar de atividade física regularmente.
No processo de envelhecimento ocorre um declínio no metabolismo. Os músculos envelhecidos podem perder o tônus, limitando a capacidade de se exercitar regularmente e de manter os níveis diários de atividade física, alterações hormonais estas que podem resultar em redistribuição de peso e perda muscular (OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013; SOUZA et al., 2019). Indo além, estar acima do peso pode limitar a mobilidade e tornar a manutenção da independência mais
Tabela 15 - Estatísticas descritivas da variável Peso na amostra.
desafiadora devido à tensão nas articulações das extremidades inferiores (FRUTUOSO; BISMARCK-NASR; GAMBARDELLA, 2003; GILL; BARTELS;
BATSIS, 2015; GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016).
Para alguns idosos, o contrário também é verdadeiro, pois em geral as doenças crônicas tem como consequência a diminuição do apetite; de forma semelhante, o declínio do estado mental podem tornar a alimentação e a absorção de nutrientes um desafio, resultando em perda de peso significativa e, muitas vezes, danosas para o corpo (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; PEREIRA;
SPYRIDES; ANDRADE, 2016a). Para esses idosos, ganhar peso suficiente para se manter saudável é muitas vezes difícil (FRANÇA et al., 2012).
Outro aspecto a se considerar é a eventual perda de estrutura óssea. O corpo costuma construir mais do que perder ossos até os 30 anos, fato que muda a partir dos 35, em que a degradação óssea ocorre mais rapidamente do que o acúmulo ósseo, o que causa uma perda gradual de massa óssea (LAROCHE et al., 2017;
MASUNARI et al., 2012; WILKINSON; PIASECKI; ATHERTON, 2018). Os idosos também podem perder massa muscular magra, um tipo de massa saudável, mas ganhar gordura, um tipo de massa não saudável. Esta é uma condição chamada sarcopenia.
A sarcopenia é caracterizada por uma diminuição da massa muscular, o que leva à fraqueza e fragilidade e à diminuição da altura (KIM et al., 2021). A osteoporose, também muito comum entre idosos, faz com que os ossos se tornem fracos e fraturam, o que também pode fazer com que uma pessoa fique mais baixa (LAROCHE et al., 2017).
Perder um pouco de altura à medida que envelhece é normal (WANNAMETHEE, 2006). Ao longo dos anos, os discos entre as vértebras da coluna se achatam, os músculos começam a perder massa e os espaços entre as articulações se estreitam (CHEN et al., 2021). Partindo desta análise, foi questionado aos participantes sua altura, e a média dos participantes ficou entre 1,6 metros.
Figura 17 - Histograma da variável Altura.
Evidências crescentes indicam que o encolhimento mais rápido pode ser um sinal de preocupações médicas mais sérias (GARCIA; ROMANI; LIRA, 2007; GILL;
BARTELS; BATSIS, 2015). De acordo com uma série de estudos recentes, quanto maior a perda de altura, maior o risco de fratura de quadril, doenças cardíacas e até declínio cognitivo (FERNIHOUGH; MCGOVERN, 2015; HUANG et al., 2013).
Enquanto nossos genes desempenham o papel principal na determinação de nosso eventual pico de altura, a perda de altura é mais um reflexo das nossas escolhas de estilo de vida, visto seu alto impacto na nossa saúde(WANNAMETHEE, 2006; YOUNG; RELETHFORD; CRAWFORD, 2008). Uma dieta saudável evita que os músculos se deteriorem e mantêm os ossos fortes para evitar a osteoporose (CASE; PAXSON, 2008; FERNIHOUGH; MCGOVERN, 2015).
Com os resultados de peso e altura disponíveis, seguiu-se o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), este feito por meio da divisão do peso com a altura em metros ao quadrado (Peso / Altura2 = IMC).
O IMC é um sinalizador inicial da saúde geral. As diretrizes recomendam que todos os idosos mantenham seu IMC entre 22 e 27 kg/m2 (LIPSCHITZ, 1994;
PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016a; TAVARES; ANJOS, 1999). Apesar do aviso direcionado a um grupo específico, existem certos riscos associados a ter um Tabela 16 - Estatísticas descritivas da variável Altura na amostra.
IMC alto em qualquer idade, como doenças cardíacas, hipertensão arterial, diabetes e acidente vascular cerebral (BAHAT et al., 2012; OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013; TAVARES; ANJOS, 1999).
Em conformidade com isso, pesquisadores do American Journal of Clinical Nutrition analisaram, em 2014, os dados de IMC de 32 estudos anteriores. A análise incluiu 197.940 participantes adultos (todos com mais de 65 anos) que foram acompanhados por pelo menos cinco anos. A conclusão é que há um risco maior de morte quando o IMC estava abaixo de 23 ou acima de 33 (WINTER et al., 2014).
Vários estudos descobriram que estar abaixo do peso aos 65 anos estava associado a problemas de saúde e menor expectativa de vida (KVAMME et al., 2012; OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013; PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016a; SANTOS; SICHIERI, 2005; TAVARES; ANJOS, 1999). Em contrapartida, estar acima do peso ou obeso aos 65 anos foi raramente associado a piores resultados de saúde ou menor expectativa de vida em comparação com aqueles que estavam com peso saudável aos 65 anos.
Os resultados no quesito IMC nesta pesquisa tiveram uma média de 29 kg/m2, com o mínimo 23,1 kg/m2 e máximo 35,9 kg/m2
Figura 18 - Histograma da variável IMC.
Tabela 17 - Estatísticas descritivas da variável IMC na amostra.
Estar acima ou abaixo do peso é um fator de risco para várias condições de saúde (BAUMGARTNER; HEYMSFIELD; ROCHE, 1995; VAGETTI et al., 2017).
Muitas vezes, doenças médicas podem levar à perda ou ganho de peso, o que dificulta o alcance de um IMC saudável para as pessoas idosas (OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013).
Embora o IMC seja amplamente utilizado para avaliar sobrepeso e obesidade, ele não distingue os tipos e as diferentes distribuições de gordura (AMANKWAA et al., 2022; OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013). Isso significa que o IMC pode superestimar ou subestimar a gordura corporal em pessoas idosas, já que estas não têm muito tecido muscular (ESTRELLA-CASTILLO; GÓMEZ-DE-REGIL, 2019;
VILLAREAL et al., 2005).
Apesar dessas limitações, o IMC continua a ser a medida mais comumente usada nos serviços de saúde por seus resultados ainda se mostrarem relevantes para o cuidado de idosos. Além de ser um resultado de fácil e rápida obtenção, também e auxilia com medidas preventivas contra o excesso de peso e possibilita de forma antecipada iniciar um rastreio para a desnutrição (JAVED et al., 2020;
LARRIEU et al., 2004; OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013).
É importante insistir e lembrar que uma dieta equilibrada e controlada em calorias é eficaz para um IMC saudável (SANTOS; SICHIERI, 2005). Ao fazer trocas simples para alimentos mais saudáveis, reduzir o tamanho das porções e controlar os alimentos e bebidas com alto teor calórico, é mais provável que os idosos alcance um IMC saudável (PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016a; TAVARES; ANJOS, 1999).
Outro aspecto de relevância para manter a saúde do idosos é o consumo de água (DAVIDHIZAR; DUNN; HART, 2004; GODFREY et al., 2012). A hidratação é vital porque mantém os eletrólitos equilibrados, o volume sanguíneo normal, auxilia na digestão, no transporte de nutrientes e no funcionamento dos rins (JÉQUIER;
CONSTANT, 2010). Nos idosos, por sua vez, a desidratação traz o risco adicional de confusão mental (PALMER et al., 2014). Esse risco é maior entre idosos porque o processo de envelhecimento leva à perda da sensação de sede (ARMSTRONG;
JOHNSON, 2018), o que faz com que pessoas idosas possam não perceber a necessidade de hidratação, particularmente considerando que a sede por si só é uma indicação de desidratação precoce (POPKIN; D’ANCI; ROSENBERG, 2010;
SHEEHY; PERRY; CROMWELL, 1999).
Não se sabe exatamente o que causa essa redução da sede, mas as consequências disso são bem conhecidas: a desidratação é uma causa comum de hospitalização entre idosos (DAVIDHIZAR; DUNN; HART, 2004; JÉQUIER;
CONSTANT, 2010). Visto isso, foi incluído no componente nutrição o tópico consumo de água. Dos entrevistados, 38,9% informaram consumir apenas 3 a 4 copos de água por dia, 30,5% mais que 5 copos, enquanto 28,4% bebem de 1 a 2 copos e 2,1% alegaram não consumirem água.
Figura 19 - Frequência da variável “Quantos copos de água você consome por dia” na amostra.
Esse resultado é preocupante e serve de alerta, particularmente ao considerarmos que os sintomas de desidratação em idosos geralmente não são reconhecidos. Os primeiros sinais, como boca seca, fadiga, tontura e cãibras musculares, não são específicos e podem ser facilmente atribuídos a outras condições médicas, o efeito colateral de medicamentos ou os efeitos naturais do próprio envelhecimento (PALMER et al., 2014; POPKIN; D’ANCI; ROSENBERG, 2010).
Tabela 18 - Frequência da variável “Quantos copos de água você consome por dia” na amostra.
A falta de água nos idosos pode agravar sintomas de demência, causa fadiga mental, mudanças repentinas de humor, confusão e problemas para processar informações (JÉQUIER; CONSTANT, 2010; PICETTI et al., 2017), assim como pode levar a náuseas, perda de equilíbrio e dores de cabeça. Em casos graves, a desidratação pode levar à insolação e até mesmo à inconsciência (KENNEY; CHIU, 2001; SHEEHY; PERRY; CROMWELL, 1999).
A água é necessária para quase todas as funções corporais, desde a lubrificação das articulações até a regulação da temperatura corporal e o bombeamento de sangue para os músculos (GODFREY et al., 2012; SCHOLS et al., 2009). Portanto, não obter hidratação o suficiente pode ter sérias consequências para a saúde (PICETTI et al., 2017; UYANIK; DAĞHAN, 2021).
Por outro lado, um cérebro bem hidratado pode melhorar a concentração, a manutenção da função da memória, o equilíbrio do humor e mesmo a qualidade do sono (JÉQUIER; CONSTANT, 2010; POPKIN; D’ANCI; ROSENBERG, 2010). A água também é essencial para a saúde do coração e para a função das articulações, que são necessárias para se manter fisicamente ativo e o cérebro oxigenado (ARMSTRONG; JOHNSON, 2018; SHEEHY; PERRY; CROMWELL, 1999).
Algumas patologias, em idosos, tem como consequência um controle e quantidade diversificado da hidratação; por isso é importante ter sempre o acompanhamento de um profissional da nutrição, visto que esse profissional tem a capacidade de avaliar a real necessidade de cada idoso conforme suas condições de saúde (DAVIDHIZAR; DUNN; HART, 2004; PICETTI et al., 2017).
Uma das alternativas recomendadas para idosos que tem uma dificuldade em consumir a quantidade de água necessária é incluir alimentos ricos em água em todas as refeições, como pepinos, melancia, alface, morangos, tomates e aipo.
Sopas, caldos e ensopados também são uma boa maneira de aumentar a ingestão de líquidos (KLOTZ-SILVA; PRADO; SEIXAS, 2016; SCHOLS et al., 2009; UYANIK;
DAĞHAN, 2021). Fundamentando-se nessas recomendações, a pesquisa buscou verificar como era o consumo de frutas desse idosos. 69,5% da amostra consome de 1 a 2 frutas por dia, enquanto 22,1% de 3 a 4 frutas, 8,4% responderam que não consomem frutas todos os dias.
Figura 20 - Frequência da variável “Quantas frutas você consome por dia” na amostra.
Foi demonstrado que um maior consumo de frutas e vegetais diminui o risco de doenças cardíacas, derrames, câncer e pressão arterial mais baixa, além de ter um efeito positivo sobre o açúcar no sangue (SAHYOUN; ZHANG, 2005; SOUZA et al., 2019). Comer uma variedade de frutas e vegetais diferentes fornecerá ao corpo a mistura de nutrientes para saúde ao mesmo tempo que mantém o idoso satisfeito e a digestão normal (DUARTE, 2019; SAHYOUN; ZHANG, 2005; SHAI et al., 2004).
Existem várias frutas e vegetais que foram classificados como
“superalimentos”. Isso significa que eles representam uma fonte totalmente natural de vitaminas, minerais e outros nutrientes propícios a uma vida saudável (SECAFIM et al., 2016; SOUZA et al., 2019). Como esses alimentos são ricos em nutrientes, são ideais idosos já que muitas vezes estes tem como desafio atingir a ingestão diária necessária (DUARTE, 2019; SILVEIRA et al., 2015). Apesar do fato de que esses superalimentos são ricos em nutrientes e ajudam o corpo de várias maneiras, eles não devem ser considerados uma dieta completa (BROMBACH et al., 2017;
SOUZA et al., 2019). Equilíbrio e moderação são vitais quando se trata de todos os Tabela 19 - Frequência da variável “Quantas frutas você consome por dia” na amostra.
aspectos do bem-estar físico, e o consumo de frutas e vegetais não é exceção (BROMBACH et al., 2017; COUTINHO et al., 2016; DEAN et al., 2009).
Por serem baixas em calorias e ricas e fibras, as frutas podem ajudar a manter o peso sob controle (DUARTE, 2019; FRUTUOSO; BISMARCK-NASR;
GAMBARDELLA, 2003). Isso se faz importante visto que uma alimentação saudável pode transformar qualquer estilo de vida (DUCHESNE; ALMEIDA, 2002; JUNIOR;
MELO, 2006).
As evidências mostram que há benefícios significativos para a saúde em obter pelo menos 5 porções de uma variedade de frutas e vegetais todos os dias (MAK;
CALDEIRA, 2014; NATIONAL RESEARCH COUNCIL (US) COMMITTEE ON DIET AND HEALTH; NATIONAL ACADEMIES PRESS (US), 1989; SOUZA et al., 2019), que devem incluir uma variedade de frutas e legumes. Isso ocorre porque diferentes frutas e vegetais contêm diferentes combinações de fibras, vitaminas, minerais e outros nutrientes (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; SILVEIRA et al., 2015).
Dessa forma a próxima análise é sobre a questão do consumo de vegetais e legumes. Neste caso, 65,3% dos entrevistados responderam que consumem de 1 a 2 porções de vegetais e legumes por dia, 18,9% de 3 a 4 porções por dia, 12,6%
não consomem porções diárias de vegetais e legumes e apenas 3,2% consomem mais que 5 porções.
Figura 21 - Frequência da variável “Quantas porções de vegetais e legumes você consome por dia” na amostra.
Vegetais e legumes representam um dos componentes mais importantes da dieta humana (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; HONRATH; WAGNER;
RHEE, 2018), particularmente porque legumes são importantes fontes de proteína para a dieta. Vegetais, por sua vez, também têm sido associados como parte de uma alimentação saudável, reduzindo o risco de algumas doenças crônicas (COUTINHO et al., 2016; FRUTUOSO; BISMARCK-NASR; GAMBARDELLA, 2003;
SÁNCHEZ-CHINO et al., 2015).
O consumo adequado de vegetais e legumes pode auxiliar na prevenção de doenças crônicas como diabetes, câncer, obesidade, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares, além de melhorar os fatores de risco relacionados a essas doenças (CRUJEIRAS; GOYENECHEA; MARTÍNEZ, 2010; MINISTÉRIO DA SAÚDE; BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE, 2014).
Outra fonte nutricional importante é o leite e os laticínios em gerais, que oferecem muitos benefícios para pessoas na faixa dos 60 anos ou mais (DU; OH;
NO, 2019; ROZENBERG et al., 2016). Algumas pesquisas demostram que beber leite com baixo teor de gordura retarda o envelhecimento biológico, enquanto a abstinência de leite ou o consumo de leite com alto teor de gordura acelera o processo (BONJOUR et al., 2013; CASTANEDA et al., 1995; DREWNOWSKI, 2011).
A desnutrição também no envelhecimento leva à piora na qualidade de vida.
Cálcio (Ca), fosfato (P), vitamina D e proteínas são nutrientes essenciais para o corpo humano e afetam a massa e a qualidade muscular (DUARTE, 2019;
MCGREGOR; POPPITT, 2013). Os produtos lácteos são ricos nesses nutrientes, o que implica que os produtos lácteos podem ser ideais para a população idosa (ROZENBERG et al., 2016; SANTOS; DELANI, 2015).
Levando em consideração esse aspecto, os idosos foram questionados sobre o “consumo de leite ou derivados”; como resposta, 54,7% consumiam de 1 a 2 porções por dia, 24,2% não consumiam, 17,9% de 3 a 4 e apenas 3,2% acima de 5 porções diárias.
Tabela 20 - Frequência da variável “Quantas porções de vegetais e legumes você consome por dia” na amostra.
Figura 22 - Frequência da variável “Quantas porções de leite ou derivados você consome” na amostra.
Muitos profissionais recomendem o leite como parte de uma dieta saudável para idosos, visto que o teor de proteína relativamente alto do leite é uma boa maneira dos idosos aumentarem a quantidade de proteína na dieta (BONJOUR et al., 2013; GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016). Em contrapartida, também existem várias dietas que incentivam os idosos a evitar completamente o leite
Uma das principais razões pelas quais os laticínios são frequentemente recomendados para idosos é seu alto teor de cálcio (ROZENBERG et al., 2016;
SILVA et al., 2017). Isso se faz importante porque sem a ingestão adequada de cálcio idosos podem desenvolver osteoporose, uma condição que faz com que os ossos se tornem quebradiços e quebrem facilmente do que o comum para um osso saudável (DU; OH; NO, 2019; LAROCHE et al., 2017; MCGREGOR; POPPITT, 2013).
Em contrapartida, o leite também tem uma grande quantidade de gordura saturada, um tipo de gordura encontrada em muitos produtos de origem animal que leva ao aumento dos níveis de colesterol (DREWNOWSKI, 2011; OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013). Da mesma forma, desenvolver uma intolerância à lactose é Tabela 21 - Frequência da variável “Quantas porções de leite ou derivados você consome” na amostra.
um problema bastante comum entre os idosos (FLEET; SCHOCH, 2010; MATTAR;
MAZO, 2010). A lactose é um tipo de açúcar encontrado no leite, e as pessoas que não conseguem digeri-lo geralmente experimentam inchaço, diarreia, cólicas estomacais, arrotos e flatulência (BATISTA et al., 2018).
Se o leite é ou não saudável para um sujeito depende das necessidades de saúde únicas de cada idoso (MCGREGOR; POPPITT, 2013; WANDRAG et al., 2015). Apesar dos vários benefícios da ingestão do leitor, pode haver também desvantagens, e por isso a análise individual demonstra um grande diferencial no atendimento nutricional. O mesmo se aplica sobre a alimentação completa, principalmente a quantidade de refeições. Nesta pesquisa foi observado que 73,7%
dos idosos fazem de 3 a 4 refeições principais por dia, 21,1% de 1 a 2 refeições e 5,3% mais que 5 refeições por dia.
Figura 23 - Frequência da variável “Quantas refeições você faz por dia” na amostra.
Tabela 22 - Frequência da variável “Quantas refeições você faz por dia” na amostra.
É natural começar a comer menos à medida que envelhece, pois a pessoa se torna menos ativa fisicamente e, portanto, o corpo se adapta e se ajusta à ingestão geral de alimentos (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; SIL
VEIRA et al., 2015). Pessoas idosas precisam fazer refeições menores com mais frequência e com lanches nutritivos no meio, como por exemplo café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia (CARVALHO; LUZ;
PRADO, 2011; DEAN et al., 2009).
É importante comer regularmente, pelo menos três vezes ao dia (COUTINHO et al., 2016; OLIVEIRA AZAMBUJA et al., 2013), e uma variedade alimentícia que todos os grupos alimentares pode ajudar a fornecer os nutrientes que uma pessoa precisa à medida que envelhece (MINISTÉRIO DA SAÚDE; BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE, 2014; SAHYOUN; ZHANG, 2005). Um plano de alimentação saudável enfatiza frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura ou sem gordura; inclui carne magra, aves, peixe, feijão, ovos e nozes; por sua vez, é pobre em gorduras saturadas, gorduras trans, sal (sódio) e açúcares adicionados (PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016b; SILVEIRA et al., 2015).
As necessidades nutricionais variam de uma pessoa para outra (COUTINHO et al., 2016), mas existem estratégias podem ajudar idosos de forma geral a manter uma alimentação saudável (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; SILVEIRA et al., 2015). Dito isso, outro ponto primordial é o que se come, já que é importante que idosos limitem a quantidade de alimentos ricos em 'calorias vazias' como biscoitos, bolos, salgadinhos, doces, entre outros (CARVALHO; LUZ; PRADO, 2011;
COUTINHO et al., 2016). Esses alimentos são ricos em calorias, gordura, açúcar e sal, e por isso não devem ser consumidos com frequência (FRENCH et al., 2019;
GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016).
Nesta pesquisa, ao serem questionados sobre o consumo de balas, chocolates, salgadinhos ou bolachas/biscoitos, 43,2% alegaram não consumir diariamente, 40% alegaram consumir de 1 a 2 vez por dia, 12,6% de 3 a 4 e 4,2%
consomem mais que 5 vezes por dia.
Figura 24 - Frequência da variável “Quantas vezes você consome balas, chocolates, salgadinhos ou bolacha/biscoito” por dia na amostra.
As escolhas alimentares das pessoas idosas podem ter grande impacto no seu bem-estar (FRANÇA et al., 2012; VIANA, 2012). Por exemplo, hábitos alimentares saudáveis podem melhorar os níveis de energia, aumentar o sistema imunológico e fazê-las se sentir bem (JUNIOR; MELO, 2006; QUAIOTI; CRISTINA, 2006). O bem-estar alimentar é definido como uma relação psicológica, física, emocional e social positiva com a comida, tanto a nível individual quanto a nível social (ABDEL-HADI, 2012; MAK; CALDEIRA, 2014; PANTIC, 2014)
O cérebro precisa de muitos nutrientes para funcionar e se manter ativo (HOLDER, 2019; MUJCIC; J OSWALD, 2016), e por isso uma alimentação equilibrada e personalidade para as necessidades do sujeito pode ajudar a reduzir o risco de problemas de saúde física, como doenças cardíacas e diabetes (BROMBACH et al., 2017; DEAN et al., 2009). Semelhantemente, também ajuda nos padrões de sono, nos níveis de energia e na saúde geral (HOLDER, 2019).
O humor geralmente afeta os tipos de alimentos que as pessoas idosas escolhem, bem como o quanto se come (CORNIL; CHANDON, 2016; GOMES;
SOARES; GONÇALVES, 2016). Estudos mostram que quanto mais as pessoas Tabela 23 - Frequência da variável “Quantas vezes você consome balas,
chocolates, salgadinhos ou bolacha/biscoito” por dia na amostra.
melhoravam suas escolhas alimentares, mais diminuía sua depressão (BLANCHFLOWER; OSWALD; STEWART-BROWN, 2013; DE WIT et al., 2011;
MCCANN R, 2002). A comida está ligada ao hipocampo, uma área chave do cérebro envolvida na aprendizagem, memória e saúde mental. Pessoas com dietas saudáveis têm mais volume hipocampal do que aquelas com dietas não saudáveis (KANOSKI; GRILL, 2017; STEVENSON; FRANCIS, 2017).
Outra pesquisa demostrou que pessoas que consumem alimentos saudáveis experimentaram o que é chamado de "afeto positivo", um termo que se refere a estados emocionais positivos, como alegria, interesse e atenção. Em outras palavras, as pessoas que comem alimentos saudáveis são mais propensas a se sentirem emocionalmente felizes (WHITE; HORWATH; CONNER, 2013).
A nutrição também desempenha um papel vital na capacidade do corpo de criar hormônios que controlam o humor (HOLDER, 2019; ZHAO et al., 2018).
Quando as células não estão recebendo o combustível de que precisam, desencadeiam sensações de irritabilidade, depressão, ansiedade e/ou estresse (VIANA, 2012; WAHL et al., 2017).
Além disso, o autocuidado também está relacionado à nutrição (GONZÁLEZ et al., 2013; RENNER et al., 2012), e por isso uma nutrição adequada desempenha um papel vital na capacidade de prosperar emocionalmente. Esse equilíbrio é depende da percepção que o sujeito tem da alimentação (CORNIL; CHANDON, 2016). De certo, boa nutrição não é fazer dieta restrita ou privar-se dos alimentos as quais trazem conforto para as pessoas idosas. Na verdade, manter uma dieta rigorosa tende a ser exatamente o oposto de uma boa nutrição e autocuidado (ASSIS; ANAHAS, 1999; PHILIPPI; ALVARENGA; SCAGLIUSI, 2011). A comida deve trazer sentimento de prazer, satisfação e bem-estar (MUJCIC; J OSWALD, 2016).
Comer conscientemente em um ambiente livre de distrações e focar na comida promove uma experiência mais estimulante (FRANÇA et al., 2012; VIANA, 2012). Comer mais devagar e com atenção também melhora a digestão, o que significa que absorção dos nutrientes dos alimentos terá mais eficiência (ALVARENGA M et al., 2015; QUAIOTI; CRISTINA, 2006).
Existe uma relação simbiótica entre comida e emoções: as emoções podem mudar a maneira como se pensa e se deseja a comida, e a comida pode afetar as emoções (JUNIOR; MELO, 2006; KLOTZ-SILVA; PRADO; SEIXAS, 2016; RENNER
et al., 2012), visto que está imbuída de emoção como parte da biologia; um incentivo adicional para comer e sobreviver (CARVALHO; LUZ; PRADO, 2011; VIANA, 2012).
Visto isso, é importante analisar como os idosos pensam sobre si; não que exista necessariamente um certo ou errado, mas a percepção de si também reflete no auto cuidado e na promoção da saúde (MAK; CALDEIRA, 2014; QUAIOTI;
CRISTINA, 2006; VISWANATH; BOND, 2007). O questionamento “Em comparação a outras pessoas da mesma idade que a sua, você considera sua saúde boa teve três possibilidades de resposta (sim; não; não tenho certeza), em que era permitido escolher somente uma opção, 51,6% responderam que sim; 38,9% não tem certeza e 9,5% responderam que não.
Figura 25 - Frequência da variável “Em comparação a outras pessoas da mesma idade que a sua, você considera sua saúde boa?” na amostra.
Outro aspecto analisado por esta pesquisa é se os próprios participantes acreditam ter algum problema nutricional. A pergunta seguiu o padrão de três respostas possíveis com a limitação de uma única escolha. Dos entrevistados 51,6%
Tabela 24 - Frequência da variável “Em comparação a outras pessoas da mesma idade que a sua, você considera sua saúde boa?” na amostra.
afirmaram não ter certeza; 36,8% responderam que não e apenas 11,6% acreditam ter algum problema nutricional.
Figura 26 - Frequência da variável “Você acredita ter algum problema nutricional?” na amostra.
De forma contraditória, mesmo que na pergunta anterior a maioria considerou ter uma saúde boa, quando questionados sobre a nutrição, a maioria alegou não ter certeza.
As responsabilidades e atividades diárias do nutricionista incluem trabalhar para ajudar as pessoas a alcançar um estilo de vida mais saudável por meio de educação nutricional, que leva a escolhas alimentares saudáveis (FRANÇA et al., 2012; VIANA, 2012; ZIYLAN et al., 2015). Os nutricionistas tendem a usar uma abordagem holística considerando fatores como bioquímica, meio ambiente, saúde mental, patologias, comportamento e outros (BROMBACH et al., 2017; CARVALHO;
LUZ; PRADO, 2011). Em suma, não como é possível separar a saúde da nutrição e vice e versa, mas o grupo pesquisado, de forma expressiva, demonstrou não possuir esse discernimento. Isto levanta algumas questões sobre a saúde pública: Será que os idosos fazem acompanhamento com nutricionistas? Será que a população tem Tabela 25 - Frequência da variável “Você acredita ter algum problema
nutricional?” na amostra.
conhecimentos sobre as competências desse profissional? Será que existe a compreensão de que o profissional pode atuar de forma preventiva e corretiva?
De certo, não há como responder essas perguntas, e nem é este o objetivo principal desta pesquisa, mas a nutrição em relação às pessoas idosas merece destaque visto que o comportamento alimentar de muitos idosos muda negativamente com o envelhecimento (ZIYLAN et al., 2015), com padrões como a redução do apetite (FRANÇA et al., 2012), a redução da ingestão de alimentos (SILVEIRA et al., 2015), a diminuição do paladar (SEGALLA; SPINELLI, 2013), a perda de peso não intencional (PEREIRA; SPYRIDES; ANDRADE, 2016a), limitações físicas e fisiológicas (KIM et al., 2021), alterações metabólicas e algumas patologias (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; PEREIRA; SPYRIDES;
ANDRADE, 2016a). Sem o devido acompanhamento nutricional algumas consequências evitáveis acabam tendo desfechos nocivos, o que resulta na perda de qualidade de vida (GOMES; SOARES; GONÇALVES, 2016; TAVARES; ANJOS, 1999).