• Nenhum resultado encontrado

Componentes principais da cadeira de rodas

Os principais componentes de uma cadeira de rodas são a estrutura, as rodas

motrizes e os rodízios. Os assentos, costas, protecção de rodas, sistemas de travões,

apoios de pés e de braços são importantes mas não interferem directamente no desempenho da cadeira.

Página | 83 Os tipos de cadeiras de rodas sem ser de competição ou de desporto dividem-se em dois grandes grupos, estruturas de fecho e rígidas. Ir-se-á apenas referir as cadeiras de fecho vertical e não as de fecho horizontal por se considerar que as de fecho horizontal se podem enquadrar nas rígidas com rebatimento do encosto e extracção das rodas. As de estrutura rígida são utilizadas em casos muito específicos (hospitais pela sua grande durabilidade) e com mais desvantagens do que qualquer das duas referidas. Nas seguintes figuras mostram-se dois exemplos destes tipos de cadeiras que iremos considerar no estudo por serem as mais representativas.

Figura 15. Cadeira activa rígida com rebatimento das costas (Cyclone)

Página | 84 Dos dois grandes tipos de cadeiras de rodas apresenta-se uma tabela comparativa de algumas características associadas a factores de resistência ao rolamento, controlo e manobrabilidade e arrumação e transporte.

Na imagem 1 pode-se observar a estrutura de uma Invacare atlas lite com fecho vertical tipo realizador. Se se comparar com a anterior foto da Figura 15 percebe-se a maior complexidade da estrutura, igualmente bem patente na Figura 16.

Imagem 1. Estrutura de uma Invacare atlas lite com apoios de pés

Existe ainda a de fecho vertical clássico mas não se fará referência a essa estrutura por ser menos comum actualmente.

Tabela 3. Comparação entre os dois tipos de estruturas (adaptada de (Rodrigues&Arlindo, 2000)) Característica Resistência ao rolamento Controlo e manobrabilidade Arrumação e transporte Fecho vertical

+

-

+

Rígidas com fecho

Página | 85 Pela tabela se percebe que a estrutura rígida tem mais vantagens pela facilidade de rolamento ao não apresentar folgas e consequentes desalinhamentos. Associado a este factor existe o facto do controlo e manobrabilidade serem também afectados negativamente quando a cadeira de rodas apresenta folgas e alguma instabilidade da estrutura decorrente das “braçadas” do utilizador. Nas cadeiras rígidas por mais forte que seja a “braçada” a cadeira mantém-se rígida facilitando o controlo e diminuindo a resistência ao rolamento. Em relação à arrumação e transporte já depende um pouco das preferências individuais do utilizador, sendo os dois tipos de cadeiras de rodas definidas como as melhores neste aspecto.

Todas as outras cadeiras que não rebatam as costas no caso de estruturas rígidas ou que não fechem verticalmente apresentam uma má solução para arrumação e transporte. Haverá sempre a possibilidade de se apresentarem novas soluções de construção de cadeiras para que sejam facilmente transportáveis, mas de momento as que existem não se apresentam suficientemente implementadas e divulgadas comercialmente de forma a poderem ser consideradas neste estudo.

Rodas motrizes

As rodas motrizes de uma cadeira de rodas para adulto podem ir de 24 a 26 polegadas e a espessura dos pneus variar de 7/8 a 2 polegadas. Podem ser removíveis (quick-release) ou não, o que veio modificar por completo o uso e transporte das cadeiras rígidas. Normalmente fabricadas em alumínio, podem ser utilizados outros materiais como fibras de carbono/resinas epoxy. Peças em aço não são aconselhadas, especialmente nos raios, porque oxidam e partem com muita frequência, sendo necessária uma maior manutenção.

Existe uma enorme variedade de marcas comerciais, podendo os preços variar aproximadamente entre 20 a 300 euros para cada jante. Os factores mais importantes são a durabilidade, a resistência aos impactos e a componente estética (pela enorme variedade de cores e formas no mercado). Os aros podem ter que funcionar em estruturas com ângulo de camber até 3 graus (valor máximo normalmente usado entre utilizadores de cadeiras de rodas). Caso sejam precisos ângulos mais pronunciados (cadeiras de rodas de desporto) as rodas terão que ter um cubo mais largo para que os raios apresentem também um maior ângulo para suportarem os esforços acrescidos.

Página | 86 Os pneus podem ser maciços, com câmara-de-ar ou semi-pneumáticos. Não se irá estudar as características de materiais para os pneus, mas apenas referir algumas características importantes implementadas por alguns fabricantes de pneus, especialmente para as cadeiras de rodas.

Basicamente um pneu com câmara-de-ar que se apresente com uma pressão muito elevada terá um comportamento idêntico ao maciço, isto é, menor resistência ao rolamento mas pior desempenho na absorção de choques provocados pelo pavimento. A pressão do pneu deverá ser adaptada ao tipo de utilização e utilizador de forma a proporcionar a melhor relação entre o conforto e a resistência ao rolamento.

Existem ainda no mercado pneus que têm uma protecção anti-furo na zona de contacto do pneu com o pavimento o que aumenta o seu peso aproximadamente 150 gramas, mas oferece alguma protecção. Uma outra característica importante de alguns pneus é a superfície do pneu, lisa e sem atrito, que se posiciona entre a jante e a zona de rodado. Quando o aro de tracção está perto da roda é normal parte da mão tocar no pneu, o que pode implicar um contacto doloroso na zona de contacto da mão, especialmente se for de forma repetida. Uma superfície de contacto no pneu preparada para estes casos previne o uso de luvas ou cuidados especiais. O pneu maciço apresenta sempre a mesma dureza e resistência ao impacto, menor conforto e uma maior tendência para saltar da jante.

Os aros de tracção são escolhidos em função do utilizador e do seu grau de deficiência. Podem ser fabricados de diversos materiais, normalmente metálicos e revestidos com uma película mais ou menos aderente de forma que possibilite uma melhor aderência às mãos. Também neste caso depende da força de mãos que o utilizador apresente para impulsionar a cadeira. Alguns aros apresentam ainda a possibilidade de serem fixados mais perto ou afastados da roda. Quanto menor for o diâmetro do aro de tracção maior será o impulso da cadeira mas a força da braçada terá que ser também superior.

Rodízios

Os rodízios são suportados por um eixo conectado a um garfo que por sua vez faz a ligação à estrutura da cadeira através de dois rolamentos atravessados por um eixo que deverá estar sempre perpendicular ao solo. O ângulo do garfo em relação ao pavimento

Página | 87 possibilita que o rodízio corrija a sua trajectória em função da linha de deslocação da cadeira, mantendo assim a sua estabilidade. São normalmente colocados na parte da frente da cadeira de rodas. O diâmetro das rodas dos rodízios pode variar entre 3 e 8 polegadas. As rodas podem ser pneumáticas ou sólidas, sendo as pneumáticas mais aconselhadas para a absorção das irregularidades do pavimento. No entanto devido à sua maior dimensão não são usadas em cadeiras de rodas de pessoas activas.

As rodas maciças de 4 a 6 polegadas, apesar de não serem pneumáticas possibilitam uma baixa resistência ao rolamento, ocupam pouco espaço quando é preciso arrumar a cadeira dentro do carro e absorvem relativamente bem os impactos. Se o utilizador for uma pessoa activa e conseguir colocar a maior parte do seu peso sobre as rodas motrizes então os rodízios pouco impacto irão sofrer das irregularidades do piso, e consequentemente o utilizador da cadeira.