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Product Emotion Measurement instrument (PrEmo)

III.6 Design emocional Técnicas de análise

III.6.3 Product Emotion Measurement instrument (PrEmo)

O modelo PrEmo desenvolvido por Pieter Desmet em 2002 e publicado como tese de Doutoramento no seu livro Designing Emotions (Desmet, 2002) usa imagens animadas

Página | 72 para representar um conjunto de 14 emoções escolhidas entre as iniciais 347 propostas por Davitz (1969), Frijda (1970) e Fehr & Russell (1984). Desenvolvido para tentar perceber as emoções que os produtos causam nos utilizadores, tem a vantagem de poder ser utilizado em qualquer País sem necessitar de adaptações à sua cultura ou estrutura social, uma vez que as emoções são representadas não por palavras mas sim por imagens. Para este método é necessário o uso de computadores que vão apresentando as imagens animadas e que se pontuam numa escala de 3 pontos, consoante se sinta a emoção fortemente, de alguma forma ou nada. Para além das imagens foram acrescentados estímulos sonoros, expressões vocais das emoções (desenvolvidas por actores) que acompanham as imagens para uma melhor percepção das mesmas. O método é baseado nos estudos das emoções em duas dimensões desenvolvidas por Wundt (1905) e pela abordagem de Clore (1994) sobre a intensidade das emoções. Das emoções básicas propostas por Ekman (1971), Izard (1977), Plutchik (1980) e Tomkins (1984) verifica-se uma desproporção entre o número de emoções positivas e negativas. Verifica-se que para cada emoção positiva se encontram três negativas (Ellsworth & Smith, 1988), o que causa um grande desequilíbrio quando aplicadas ao estudo de produtos. Depois de escolhidas as 14 emoções do teste, as figuras animadas representando as emoções foram validadas em pessoas provenientes de Países como o Japão, Estados Unidos, Finlândia e Holanda.

A vantagem deste método é, como foi dito, uma aplicabilidade multi-cultural com boa aceitação entre novos e mais velhos. Porém apresenta algumas desvantagens importantes que não podem deixar de ser referenciadas. A primeira é a falta de adaptabilidade aos produtos de uma forma geral, ao contrário do que acontece com o método Kansei. As emoções são sempre as mesmas 14, independentemente do produto analisado, o que obriga a uma interpretação individual das questões e do significado de cada emoção por parte dos entrevistados. Esta análise pode-se revelar um factor decisivo, anulando assim a aplicabilidade multi-cultural do método ao introduzir as maiores ou menores capacidades de análise do entrevistador ao analisar as respostas.

Apesar de dar indicações gerais das preferências das pessoas em função da quantificação das emoções definidas, não nos dá a sua interpretação pessoal, essa sim realmente importante para a compreensão dos resultados. Assim, ao serem fixadas as 14 emoções e facilitando a comparação de resultados entre análises de diferentes investigadores introduz também um factor qualitativo dependente do produto a analisar

Página | 73 e do significado atribuído pelas diferentes pessoas tanto às emoções como ao produto pelas emoções propostas. Por outro lado as emoções apresentadas como têm que ser adaptadas ao produto em questão pelo(a) entrevistado(a) obriga a algum esforço mental o que retira a espontaneidade aos resultados. O tempo utilizado para a realização do PrEmo também é superior aos outros métodos e requer o acesso a computadores, o que restringe a sua utilização na maior parte dos cenários.

Apesar destas apreciações menos positivas, o método apresentou uma selecção de emoções direccionadas para produtos de uma forma geral, com sete positivas e sete negativas. Esta relação é importante porque algumas pessoas não conseguem perceber o diferente significado das emoções em relação ao produto, conotando-as pouco mais do que positivas ou negativas, o que dá uma distribuição equitativa entre positivas e negativas, sem ser preciso atribuir diferentes correlações a cada uma delas.

III.7 Sumário

Ao longo do capítulo foram abordados diversos conceitos que relacionam os aspectos funcionais e a relação emocional que os utilizadores manifestam na sua interacção com um produto. Foi integrado o modelo da experiência do Design de Rhea e a visão de Attfield que permitem uma clarificação da relação do indivíduo com os produtos através de uma abordagem quantitativa. A integração de aspectos funcionais com emocionais adquire uma enorme importância neste processo, onde o Design tem a possibilidade e o dever de trabalhar com as várias áreas de conhecimento de forma a melhorar a relação do utilizador com o produto.

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Página | 81 IV - O DESAFIO DO DESIGN DE UMA CADEIRA DE RODAS - UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO

IV.1 Introdução

É necessário classificar a cadeira de rodas quanto aos seus principais parâmetros conceptuais para que numa fase posterior se consiga perceber a implicação de cada um destes parâmetros na construção de um protótipo. Será feita uma primeira aproximação através de um modelo digital e questionados utilizadores e não utilizadores. São definidos os parâmetros conceptuais mais importantes a ter em conta para uma análise futura de um modelo conceptual e expressivo.