• Nenhum resultado encontrado

Comportamento humano quanto a saúde ocupacional

No documento Meio Ambiente e Qualidade de Vida (páginas 28-36)

Estudamos a relação entre comportamento humano, meio ambiente e qualidade de vida. Vimos implicações diretas e indiretas que estas têm sobre a saúde do homem. Processos industriais, desastres ambientais e poluição foram alguns dos assuntos tratados.

Nesta produção iremos refletir acerca da influência do comportamento humano na saúde ocupacional. Até aqui percebemos que o indivíduo em busca de melhores condições de vida, principalmente no que se refere à questão financeira, menospreza os demais domínios que fazem parte do seu bem-estar.

Como consequências do capitalismo e da globalização vivemos em um mundo conectado, em que novas informações surgem a todo momento e nos levam a consumir cada vez mais. Os bens materiais tornaram-se descartáveis e ultrapassados pelo rápido avanço tecnológico.

Nessa busca incessante pelo mais moderno, pela falsa sensação de comprar felicidade, trabalhamos exaustivamente sem nos preocupar com um dos bens mais preciosos: nossa saúde.

Como comentamos anteriormente, a satisfação dos trabalhadores está diretamente ligada à entrega de melhores produtos/serviços. Por este motivo as organizações estão cada vez mais preocupadas em garantir melhores níveis de qualidade de vida e saúde ao trabalhador.

Algumas empresas utilizam-se de artifícios um tanto quanto inusitados na busca por essas melhorias, dentre eles pode-se citar o dia nacional de levar o cachorro ao trabalho, comemorado nos Estados Unidos desde 1999, ou até mesmo uma área dentro da organização para que os funcionários possam cochilar. Será que estas medidas têm efeitos benéficos sobre a saúde ocupacional?

ACESSE:

Leia a matéria “Dormir no trabalho pode? Deve!” acessando o link https://epocanegocios.globo.com/Empresa/

noticia/2018/07/dormir-no-trabalho-pode-deve.html e veja como e por que as empresas têm investido em espaços adequados para que seus funcionários tirem um cochilo durante o expediente. (Acesso em: 13 fev. 2020)

Um dos principais assuntos tratados na saúde do trabalho é o estresse ocupacional. Trata-se de uma alteração que “pode ocasionar incapacidade para o trabalho, gerando custos, perda de renda vitalícia e aposentadoria antecipada, além do risco de suicídio” (PRADO, 2016, p.

285). Veja algumas dicas para melhorar o dia a dia e lidar com o estresse no trabalho (ISMA-BR, 2017, p. 23):

1. Identifique seus limites. 2. Não extrapole seus limites por períodos frequentes ou prolongados. 3. Se fizer uma jornada mais longa, compense dormindo e comendo bem. 4. Liste os projetos e estabeleça prioridades. 5. Delegue tarefas, não centralize as responsabilidades. 6. Aprenda a dizer “não” para evitar sobrecarga. 7. Evite buscar a perfeição. 8. Para se acalmar, inspire pelo nariz dilatando os músculos do abdômen. Expire contraindo os músculos. 9. Faça um exercício físico ao menos três vezes por semana. 10. Ria com frequência, mesmo que forçado.

Além do estresse, o Brasil reporta números alarmantes da síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional (veja a Figura 7). Muito comentado nos dias atuais, este distúrbio emocional está ligado às condições de tensão e estresse a que os trabalhadores se submetem durante a execução de suas atividades.

Figura 7 – Cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome de burnout.

Fonte: Freepik

SAIBA MAIS:

Ouça a entrevista da psicóloga, doutora em psicologia clínica, comunicação verbal e presidente da International Stress Management Association (ISMA-BR), Dra. Ana Maria Rossi sobre a síndrome de burnout através do player disponível no link http://radios.ebc.com.br/tarde-nacional- amazonia/2019/06/brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-indice-de-estresse-relacionado-ao (Acesso em 13/02/2020).

Esta síndrome apresenta sintomas físicos como: cansaço; dores de cabeça e musculares; pressão alta; problemas gastrointestinais; alteração nos batimentos cardíacos; e mentais como: desgaste emocional;

sentimentos de fracasso e insegurança; negatividade constante;

sentimentos de derrota, desesperança e incompetência; alterações repentinas de humor; isolamento (MS, S.d.).

Ansiedade e depressão também fazem parte do quadro de saúde mental de inúmeros trabalhadores brasileiros. Longas jornadas de trabalho, ritmo frenético, insatisfação profissional, são vários os motivos que levam ao adoecimento.

Além do desgaste mental, o trabalho também pode ocasionar cansaço físico e nos piores casos doenças, acidentes e até mesmo mortes. Lembra-se do que comentamos na primeira unidade da disciplina acerca das principais doenças que acometem os trabalhadores no Brasil?

Os cânceres, transtornos mentais, Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) são as doenças ocupacionais que mais atingem os brasileiros (BRASIL, 2019).

As doenças, acidentes e mortes no ambiente laboral também tem como causa as demandas físicas das tarefas. Seria possível afirmar que as vítimas têm parcela de culpa sobre os episódios que lhes acometem?

Sabemos que cada indivíduo possui um perfil comportamental e age de diferentes formas frente a uma situação.

Sob este pensamento estudos têm sido conduzidos no sentido de identificar comportamentos de risco e inseguros no ambiente de trabalho.

Desrespeito às normas, imprudência e não utilização de EPIs são alguns exemplos das causas de acidentes (observe a Figura 8).

Figura 8 – A utilização correta dos EPIs garante segurança nas atividades laborais, reduzindo o risco de acidentes.

Fonte: Freepik

A própria norma regulamentadora de cadastro de acidentes de trabalho (NBR 14280) classifica as causas em três tipos, com a presença do fator pessoal – o famoso erro humano:

• Fator pessoal de insegurança (fator pessoal): Causa relativa ao comportamento humano, que pode levar à ocorrência do acidente ou à prática do ato inseguro;

• Ato inseguro: Ação ou omissão que, contrariando preceito de segurança, pode causar ou favorecer a ocorrência de acidente;

• Condição ambiente de insegurança (condição ambiente):

Condição do meio que causou o acidente ou contribuiu para a sua ocorrência (ABNT, 2001, p.3).

Dentre os fatores que levam ao erro humano pode-se citar: falha de comunicação, falta de treinamento eficaz, falha de memória, negligência, equipamentos mal projetados, cansaço, fadiga, ignorância, condições de trabalho ruidosas, outros fatores pessoais e ambientais (ZAMBON, 2010).

A fim de resguardar a saúde do trabalhador, as empresas têm investido em programas de segurança comportamental. Cooper (2009) traça componentes chave a segurança comportamental: 1) identificação de comportamentos inseguros através de registros; 2) desenvolvimento de checklists de observação; 3) treinamento; 4) avaliação contínua de segurança através de observações comportamentais; 5) fornecimento de feedback.

A auditoria comportamental também é uma ferramenta voltada à eliminação de riscos no trabalho que consiste na abordagem do funcionário em suas atividades laborais, identificação dos aspectos de risco e conscientização. Observe no Quadro 2 categorias e subcategorias utilizadas na identificação de desvios comportamentais.

Quadro 2 - Categorias e subcategorias da Auditoria Comportamental.

Fonte: Simioni e Patrocínio (2015, p. 12)

Físico-Corporais Eventos coletivos A. Reação das pessoas A1- Mudando de posição

A2- Parando o serviço A3- Ajustando o EPI B. Posição das pessoas B1- Ser atingido

B2- Ficar preso B3- Risco de queda B4- Postura inadequada

B5- Choque elétrico B6- Risco de queimadura

B7- Inalar contaminantes C. Ferramentas e equipamentos C1- Ferramenta imprópria para

serviço.

C2- Uso incorreto / Inseguras.

D. Procedimentos D1- Procedimento inadequado D2- Procedimentos não

documentados E. Limpeza, arrumação e ordem E1- Local sujo

E2- Local desorganizado E3- Local com vazamento e

poluição ambiental

O cuidado com a saúde no trabalho é promovido não só pelo setor privado, dentro dos próprios ambientais laborais, mas também pelo público através do estabelecimento das normas regulamentadoras (NRs). Tais normas consistem em direitos e deveres a serem cumpridos pelos empregadores a fim de garantir o trabalho seguro e sadio e prevenir possíveis doenças e acidentes.

Dentre estas pode-se citar a NR 5, que prevê o estabelecimento e manutenção de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) nas empresas privadas. A CIPA “tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador” (BRASIL, 1978, p. 1).

Provavelmente você já deve ter visto uma placa com dizeres semelhantes a “estamos trabalhando há xx dias sem acidentes”. Esta recebe a denominação de placa CIPA e tem por objetivo mostrar o empenho da empresa na prevenção de acidentes de trabalho.

SAIBA MAIS:

Leia a reportagem “Burnout: mais próximo do setor da saúde do que se imagina” publicada na nona edição da Revista FEHOESP 360 e aprofunde seus conhecimentos sobre esta síndrome do mundo moderno. Disponível no link http://www.ismabrasil.com.br/img/estresse105.pdf (Acesso em 13/02/2020).

RESUMINDO:

Caro aluno, encerramos mais uma etapa. O que você acha de verificarmos se você assimilou todos os conhecimentos repassados? Neste material você estudou sobre a influência do comportamento humano na saúde ocupacional. Em busca de melhorias nas condições financeiras e consequentemente no nível de qualidade de vida, muitos cidadãos se submetem a jornadas exaustivas de trabalho, sacrificando um dos bens mais preciosos: a saúde. Como consequências têm-se o desgaste físico e mental, ataques de ansiedade, depressão, e até mesmo ocorrência de doenças ocupacionais como a síndrome de burnout. Você viu que esta síndrome tem atingido milhões de trabalhadores brasileiros e está ligada às condições de tensão e estresse vivenciadas nos ambientes laborais. As

:

demandas físicas das tarefas também levam à ocorrência de doenças, acidentes e até mesmo mortes. Estes episódios ligados aos processos de trabalhos podem ter como causa fatores pessoais, os famosos erros humanos, desencadeados por elementos como a falta de atenção, treinamento, descumprimento de normas e regras. Com relação a este assunto estudamos os comportamentos de risco e programas de segurança comportamental.

Identificando sistemas de gestão em

No documento Meio Ambiente e Qualidade de Vida (páginas 28-36)

Documentos relacionados