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5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

5.2 Descrição e análise de conteúdo: categorias e subcategoria

5.2.4 Comprometimento organizacional

5.2.4.2 Comprometimento instrumental

A análise dos depoimentos colhidos nas entrevistas indicou que as principais subcategorias relacionadas ao Comprometimento Organizacional instrumental dizem respeito à necessidade de trabalho, ao abandono do emprego e às opções de trabalho no mercado.

Nesse sentido, os entrevistados destacam a necessidade e vontade de trabalhar. Trabalhar é uma necessidade de subsistência do indivíduo, pois é por meio do trabalho que se conseguem os recursos necessários à manutenção da vida. Esses profissionais relataram que há atrasos no pagamento e falta de reajuste há mais de 4 ou 5 anos, mas que mesmo assim não deixam de fazer o seu melhor. Com relação ao desejo pelo trabalho, observou-se que muitos desejavam a profissão de bombeiro e, por isso, consideram um “sonho realizado”. O trabalho desempenhado por eles torna- se gratificante, uma vez que trabalham para assistência e salvamento da população, ou seja, além de exerceram seu trabalho, contribuem também para a segurança e bem-estar de alguém, conforme expressam alguns entrevistados:

Hoje é um desejo, mas eu iniciei por necessidade e logo quando entrei já virou desejo, mas muitos entram por necessidade outros por desejo. E eu acho difícil uma pessoa que entrar por necessidade não virar desejo porque é muito gratificante ser bombeiro. Apesar do atraso no pagamento e a falta de reajuste que já vem de muitos anos, 4 a 5 anos, eu não sei. A expectativa é que vai continuar, mas mesmo com estes pontos negativos a gente não deixa de atuar e fazendo o nosso melhor. (N6)

No momento é uma necessidade. Não deixa de ser um desejo, mas é necessidade porque eu tenho a minha família e os meus negócios que tenho que ajudar e acaba que uno o útil ao agradável, pois faço uma coisa que gosto e ao mesmo tempo consigo sustentar minha família. O desejo que fica nisso tudo aí é a vontade de ajudar as pessoas de fora e amigos também. (N14)

Quanto ao “abandono da organização”, identificou-se que todos os entrevistados, caso deixassem a organização, passariam por um momento de desestruturação, devido às dificuldades de adaptação à dinâmica de trabalho de outro local. Os entrevistados relataram que as pessoas constroem fortes laços emocionais e afetivos no trabalho e que, por isso, quando entram em período de férias, costumam sentir necessidade de voltar rapidamente ao trabalho. Tais fatos podem ser corroborados na seguinte fala: “Fatídico. Seria até fatal. Porque aqui virou minha vida e é aqui que fico feliz. No dia de folga eu vou com a consciência tranquila porque sei que fiz um bom serviço, mas sei que volto” (N14). Por outro lado, com um possível rompimento trabalhista os aspectos de ordem financeira e emocional poderiam ser prejudicados, como evidenciado nos relatos abaixo:

Difícil. Porque assim, igual já te disse, o trabalho é muito bom, a gente que está aqui na linha de frente o trabalho é cansativo, é estressante, mas no final das contas ele é muito bacana assim, poder ajudar mesmo as pessoas diretamente, que é o que a gente faz. Então isso recompensa muito, todo o esforço. (N3)

Seria difícil porque eu gosto muito do que eu faço, me dá prazer, é uma coisa que eu fico feliz se puder ter ajuda de uma pessoa que seja, isso me traz uma satisfação pessoal muito grande, é um retorno financeiro que me ajuda, é um sustento da minha família, então é nesse sentido. (N15)

Adiante, no que se refere às “opções de trabalho”, os bombeiros relatam que se deixassem a corporação iriam seguir a profissão de formação acadêmica, – já que muitos disseram possuir formação superior - mesmo sabendo das dificuldades que encontrariam ao se inserirem em um novo mercado. Apenas dois entrevistados não pretendiam seguir outra carreira. O primeiro porque já estava aposentado e retornou à corporação por gostar da profissão; o segundo porque está perto de aposentar e faz

planos de descasar e aproveitar a vida, já que considera ter contribuído muito. Alguns relatos exemplificam tais questões:

Sim, eu tinha uma profissão anterior, comecei a fazer um curso também que é uma área que eu gosto muito, que é a área de informática, então eu acho que se acontecer alguma coisa, que se eu tivesse que sair da instituição, eu acho que conseguiria me inserir no mercado de trabalho novamente. (N4) Sinceramente não queria trabalhar mais. Eu penso assim, que me dedico ao máximo aqui e fora daqui... até pode ser que mais para frente porque sei que colegas de trabalho aqui saíram e querem voltar. Eu diria que queria aposentar e viver. Aproveitar a vida o máximo que puder e não pensar mais em trabalho. (N5)

No contexto do comprometimento instrumental, no que toca à necessidade de trabalho, ao abandono do emprego e às opções de trabalho no mercado, percebe-se que os entrevistados necessitam e desejam trabalhar na instituição e que não pretendem deixá-la. A maioria dos entrevistados teria outra opção de trabalho, pois tem formação superior, contudo, alguns acreditam que passariam por um momento de desestruturação, devido às dificuldades de adaptação à dinâmica de trabalho em outro local. Além disso, citam a necessidade dos recursos financeiros proporcionados pelo trabalho e o desejo de contribuir para o bem-estar da população. Nessa direção, Bastos (1994) ressalta que, na base instrumental, o comprometimento é apresentado como o papel das gratificações e dos custos relacionados como a condição de se integrar à organização. Diz respeito a uma estrutura psicossocial, em que os efeitos de ações anteriores restringem as ações futuras. Portanto, o trabalhador, ao continuar na organização, evita perder os investimentos feitos nela e demonstra que o comprometimento instrumental deve ser considerado positivo.