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COMPUTADOR NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DO INDIVÍDUO COM ESPECTRO AUTISMO

No documento Anais do II COPEGS (páginas 34-36)

Ednael Macedo Felix15 Jéssica de OliveiraMaia16 Jéssica Oliveira Ferreira17 RESUMO

O Transtorno do Espectro Autista – TEA é uma síndrome do comportamento humano, sendo caracterizada por uma disfunção na linguagem/comunicação, no convívio social, além de variações no comportamento, podendo ser classificada como: leve moderada ou severa. Tal síndrome desafia os pesquisadores que buscam, não somente tratamentos, mas soluções definitivas (GOMES, 2014). Os desafios encontrados na aprendizagem ficam a cargo de como desenvolver e manter a comunicação, intersubjetividade, imaginação e raciocínio. Evidenciam-se controvérsias sobre qual método educacional seria adequado para cada indivíduo. Neste artigo objetiva-se estudar os benefícios da adesão do computador como instrumento de aprendizagem, por monitores e pais de indivíduos autistas, que atuam dando suporte na educação de crianças com TEA. A técnica utilizada para este estudo, foi Grupo Focal. Com questionário aplicado entre abril e maio d 2018. Fundamentando-se em estudos e bibliografias que tomam por embasamento a Teoria do Contrucionismo baseada na realização de uma ação concreta que resulta em um produto palpável, desenvolvido com o concurso do computador.

PALAVRAS-CHAVE: Espectro Autismo, Tecnologias de ensino-aprendizagem, Métodos educacionais.

INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) atualmente é definido como um distúrbio do desenvolvimento neurológico, que deve estar presente desde a infância, apresentando déficits nas dimensões sociocomunicativa e comportamental (APA, 2013). Utiliza-se da palavra espectro para indicar a existência de diferentes níveis do transtorno, mediante essa afirmação evidencia-se a problemática da educação brasileira, pois a criança autista deve ser compreendida na sua singularidade, contudo o modelo de educação pública tende a disponibilizar a mesma metodologia arcaica de ensino para todos os estudantes.

É de extrema importância, propor a reflexão e adesão de ambientes educacionais estruturados de forma a torná-los agradáveis a criança, rejeitando punições e “premiando” o comportamento desejado. Tal ambiente deve ser propiciado não apenas nas sessões domiciliares como também na

15 Mestrando em Administração de Empresas pela UNIFOR. 16 Graduanda em Sistemas de Informação pelo IFCE. 17 Graduando em Sistemas de Informação pelo IFCE.

Encontros Científicos FVS V.1, N.2, 2019, ISSN: 2595-959X

35 escola, pois é possível implementar os recursos tecnológicos de forma a facilitar tanto o aprendizado como a inclusão social. Segundo ANJOS (2015) a problemática aqui abordada afeta aproximadamente 1 em cada 200 indivíduos, estão também entre os com maior carga genética entre os transtornos de desenvolvimento, há riscos de recorrência entre familiares entre 2 a 15% se for adotada uma definição mais ampla de critério diagnóstico. Os indivíduos com necessidades especiais tendem a serem mantidos as margens da sociedade, assim torna-se imprescindível o desenvolvimento de pesquisas e métodos que possam vir a auxiliar no desenvolvimento da criança.

Mediante as condições de trabalho impostas aos professores de escolas públicas, os mesmos encontram-se em um cenário onde é de sua responsabilidade, ministrar uma aula de qualidade para salas geralmente com excedente de estudantes, tornando a observação da individualidade superficial e ineficaz. Mesmo nesse contexto a introdução de recursos tecnológicos não encontra aceitação, pois há poucos profissionais que possuem o apoio necessário, indo desde a estrutura física da instituição até a formação acadêmica dos docentes.

Levando em consideração a realidade social, torna-se controverso, apesar de todas as adversidades, negar a utilidade do computador como instrumento de aprendizado. Barbosa (2002, p.76), enfatiza a dificuldade dos professores em aceita-lo:

[...] a resistência às mudanças surge no processo como uma forma de expressão, por parte das pessoas, a respeito de suas dificuldades em abrir mão de alguns dos seus significados de base de sua personalidade, ou da construção de seus esquemas cognitivos. É uma atitude de defesa de não verem destruídos os modelos que aprenderam no passado e que a seus olhos, deram certo. As pessoas se vêm diante de um dilema: se aceitar significa destruir algo em que acredita. Se rejeitar significa atrair represálias.

De acordo com Silva (2007, apud ANJOS, 2015) a grande problemática da aplicação da informática na escola está fundamentada na formação dos professores, onde não há a percepção, que o uso do computador no processo de aprendizagem é imprescindível para a construção de um ensino de qualidade e para o desenvolvimento do raciocínio lógico dos alunos.

Teoria do Construcionismo

Na concepção de Papert (1994), o Construcionismo seria uma extensão do Instrucionismo, pois os esquemas ou estruturas cognitivas seriam construídos de modo especialmente venturoso, quando apoiados em algo tangível. A Teoria do Construcionismo não é uma concepção puramente mentalista, uma vez que ela reúne o trabalho intelectual do aluno e sua externalização por meio de diversos recursos disponíveis.

A informatização dos meios tradicionais de ensino se faz necessária. É nessa perspectiva que o computador surge como ferramenta educacional. Valente (1993, p.12) explica que segundo esta

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36 modalidade, o computador não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo, e, portanto, a aprendizagem ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por meio do computador.

Segundo Costa (2010) através do “computador ferramenta” o aluno será o sujeito promotor de uma ação, ou seja, seu lugar deixa de ser o de espectador e passa a ser o de agente. O aluno passa a ter uma postura ativa em relação ao conhecimento, e não mais passiva como antes.

De acordo com Papert (1994) as novas tecnologias abrem um portal para uma nova era, a era da informação. E as novas tecnologias conduzem-nos para um ambiente propício para a aprendizagem e, consequentemente, para o ensino por excelência.

Plano de Ensino Individualizado - PEI

O método utilizado no processo de ensino aprendizagem tornou-se um assunto bastante debatido entre familiares, educadores e médicos. A ABA (Análise do Comportamento Aplicada) baseia-se em princípios científicos, a fim de possibilitar à melhor intervenção a criança diagnosticada com autismo. Mediante tal análise é elaborado um plano de ensino individualizado, buscando desenvolver e/ou consolidar os potenciais do aluno. A estimulação visual viabilizada pelo computador favorece o aprendizado uma vez que funciona como reforçador, onde a criança sente-se atraída a realizar a atividade a qual foi submetida.

No documento Anais do II COPEGS (páginas 34-36)