• Nenhum resultado encontrado

APÊNDICE E – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ESPECIALISTAS EM OPEN SOURCE DESIGN

2.1 Conceitos básicos de Open Source Design

2.1.1 Comunidades Open Source Design

Comunidade é “uma rede de laços interpessoais que proporciona sociabilidade, apoio, informação, sentimento de pertencer a um grupo, e identidade social” (WELLMAN; BOASE; CHEN, 2002, p. 153). No contexto OSD, essas comunidades possuem uma forma autônoma, em que os esforços estão direcionados para realizar um processo de design de produtos manufaturados de forma aberta, convidando as pessoas por meio de chamadas públicas a trabalharem em um regime copyleft em uma rede peer-to- peer. Na maioria das vezes, não há uma recompensa monetária direta, como é o caso da E-nable e RepRap, o objetivo é permitir que qualquer pessoa tenha autorização para modificar e agregar seu conhecimento a uma base existente.

Muitas expressões têm sido cunhadas para delimitar este fenômeno. Em parceria com Macul et al. (2014) a autora desta tese investigou os rótulos dados ao fenômeno de inovação em desenvolvimento de produtos, por meio de comunidades de usuários e colaborativo por meio da web.

As expressões encontradas na literatura foram: open innovation, integração virtual do cliente, lead-user, cocriação, co-inovação, colaboração em massa, crowdsourcing, open design, open-source development, comunidades de criação, commons-based peer production (CBPP), web-based interactive innovation (WII) e open source design. A seguir uma breve apresentação do conceito de cada termo mencionado:

Open innovation: envolve o uso de entradas e saídas intencionais de conhecimento para estimular a inovação interna e expandir os

mercados para uso externo das inovações (CHESBROUGH; CROWTHER, 2006);

 Integração virtual do cliente: o produtor define claramente os tipos e segmentos em que os consumidores deverão ser integrados, as comunidades online são identificadas, a interação virtual é projetada e os consumidores avaliados e convidados a participarem (FÜLLER; MATZLER; HOPPE, 2007);

Lead–user: membros de uma população de usuários, que se encontram na vanguarda de importantes tendências do mercado, contribuindo para a inovação dos produtos e serviços que utilizam (FRANKE; VON HIPPEL; SCHREIER, 2006);

 Cocriação: compreende o valor cocriado por interação e emoção dos membros (TU; ZHANG, 2013); resultando na junção da criação de valor pela empresa e consumidor, permitindo ao consumidor co- construir a experiência de serviço para ajustar ao seu contexto (PRAHALAD; RAMASWAMY, 2004);

 Co-inovação: uma plataforma para a aplicação de novas ideias e abordagens de fontes internas e externas para criar novo valor ou experiência aos stakeholders (VON HIPPEL; OGAWA; JONG, 2011);  Colaboração em massa: uma atividade coletiva de um grande número

de pessoas para desempenhar uma tarefa (PANCHAL; FATHIANATHAN, 2008);

Crowdsourcing: atividade online participativa, em que um iniciador7 propõe a um grupo de indivíduos heterogêneos por meio de uma chamada aberta e flexível, um acordo voluntário para realização de uma tarefa (modular e de complexidade variada), cabe à multidão, que participa contribuir de alguma forma (por meio do trabalho, dinheiro, conhecimento e/ou experiência), implicando sempre em benefício mútuo. A recompensa dada ao contribuidor trata-se do atendimento a um determinado tipo de necessidade (econômica, reconhecimento

7

Deve ser entendido como: um indivíduo, uma instituição, uma organização sem fins lucrativos ou ainda uma empresa (ESTELLES-AROLAS; GONZALEZ-LADRON-DE-GUEVARA, 2012).

social, autoestima, desenvolvimento de habilidades individuais) (ESTELLES-AROLAS; GONZALEZ-LADRON-DE-GUEVARA, 2012);

Open design: trata-se de uma reestruturação organizacional realizada por uma instituição estabelecida que cria diálogo com uma comunidade online para a criação e desenvolvimento de produtos e informações afins(KOCH; TUMER, 2009). Os autores evidenciam como as organizações podem drasticamente reduzir seus custos e aumentar a sua inovação, uma vez que a linha que separa o usuário de um desenvolvedor é praticamente “apagada” pela internet, permitindo que os usuários sejam envolvidos no processo de desenvolvimento através de sugestões ou deixando seu feedback em um projeto open, viabilizando a criação de uma pesquisa virtual e um time de desenvolvimento a custo baixo;

Open source development: remete a um grande contingente de indivíduos e/ou organizações que compartilham a carga de trabalho, ao passo que as propriedades de um bem público são preservadas nos resultados (BRUIJN, 2010);

 Comunidades de criação: um espaço social em que a produção de conhecimento e o processo social reguladores da interação são fortemente entrelaçados (RULLANI; HAEFLIGER, 2013);

Commons-based peer production: possui características de empreendimentos cooperativos, em que entradas e saídas do processo são compartilhadas, livremente e condicionalmente em um sistema de produção que depende das ações dos indivíduos que é auto- selecionada e descentralizada (BENKLER, 2006);

Web-based interactive innovation: aborda um desenvolvimento de produto em que os mecanismos pelos quais ideias ou designs inovadores derivam dos consumidores via web, sem proteção da propriedade intelectual (WEI, 2013);

Open Source Design: O termo open source originalmente se refere ao livre acesso ao código fonte de programas de computador (PATOKORPI, 2014), evoluindo para o open source design observa-se uma forma não-estruturada de desenvolvimento de produtos ou

pacotes de software, todas as informações do processo de desenvolvimento do produto são livres para uso e modificação fonte (KOCH; TUMER, 2009). A seção 4.1 especificará as dimensões que caracterizam OSD.

A variação de termos e definições existentes decorre da dificuldade em delimitar as fronteiras deste fenômeno. Os trabalhos que abordam o tema apresentam uma significativa variação em termos de escopo do que está sendo tratado. Deve-se notar que um fenômeno é o envolvimento do usuário (externo), ou uma comunidade de usuários, no processo de desenvolvimento de produtos coordenado por uma única organização, promotora do envolvimento (há estruturada e formalizada). Outra possibilidade, em extremo oposto se dá quando não há um papel claro de coordenação central ou algum tipo de validação. Neste caso a comunidade é a responsável não apenas pelo uso ou informação ou necessidade, mas também, de maneira distribuída, dirige o desenvolvimento que passa a ser regulado de maneira “orgânica”, isso é por meio da interação entre os agentes sem uma governança previamente definida. Entre os dois extremos, uma miríade de situações intermediárias pode ocorrer e efetivamente estão acontecendo, visto que se trata de um fenômeno eminentemente social.

A variedade resulta em um conjunto de definições muito próximas, mas que se mostram significativas quando se trata de “conceber” instrumentos de governança e gestão. Conclui-se que mesmo sendo este fenômeno com significativa produção científica, faz-se necessário identificar uma definição específica e um escopo claro para investigações no tema. No caso deste trabalho essa discussão é apresentada na seção 4.1.