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1.2. A relação de emprego: sujeitos e elementos

1.2.3. Conceito de empregado

Diversos são os conceitos apresentados pelos autores, muitos dos quais

retratam apenas a definição legal. Outros vão além, buscando acrescentar mais elementos

que facilitem a identificação da relação de emprego. Cita-se exemplificativamente apenas

alguns, sem com isto querer dizer que outros não possam retratar bem o que seja a relação

de emprego,

Para José Augusto Rodrigues Pinto, “empregado é a pessoa física que

coloca sua energia pessoal à disposição de empregador para utilização por este, em caráter

permanente, mediante subordinação e retribuição”^*’.

Para Eugênio Péres Botija, a relação de emprego importa “actividad

personal, prestada mediante contrato, por cuenta y bajo dirección ajena, em condiciones de

dependencia y subordinación”

Para este estudo adotaremos a defínição de empregado proposta por Amauri

Mascaro Nascimento, segundo a qual “empregado é a pessoa física que com ânimo de

emprego trabalha subordinadamente e de modo não-eventual para outrem, de quem recebe

salário”^*.

PINTO, .íosé Augusto Rodrigues, Curso de direito individual do trabalho. p,l 15.

'■ BOTIJA, Eugênio Perez, ( tnso de Derecho dei Trabajo. 6, ed, Madrid: Editorial Tecnos, 1960. p, 26 - 'Atividade pessoal, prestada mediante contraio, por conta e sob direção alheia, eni condições de dependência e subordinação'" (tradução livre).

A expressão empregador, utilizada pela CLT, tem também outras

denominações. Assim, são conhecidos os termos patrão (ainda usado hodiernamentej,

chefe de empresa, principal e dador de trabalho (utilizado pelos italianos). O termo empregador, contudo, tem sido o mais aceito pela doutrina e legislação, até mesmo por se

contrapor ao termo empregado"^.

O texto da CLT, além de trazer o conceito de empregado, também traz o de

empregador em seu artigo T: “Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva,

que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação

pessoal de ser\'iços”.

Os profissionais liberais e as entidades sem fins lucrativos são equiparados a

empregador, embora não enquadrados como empreendedores de atividade econômica

(artigo 2°, § r da CLT). Melhor teria sido se o legislador dissesse que toda pessoa ou

entidade sem fins lucrativos será empregador se a relação jurídica existente com o

prestador de serviços for de emprego.

A CLT define empregador com sendo a empresa individual ou coletiva. Por

empresa se entende, tecnicamente, o conjunto de pessoas e bens, materiais e imateriais,

organizado para buscar determinado fim econômico. A empresa não tem personalidade

jurídica. Quem a possui é a pessoa física ou jurídica que está na titularidade da mesma.

A CLT foi infeliz ao adotar a expressão empresa*^', que o legislador veio a

corrigir por ocasião da definição de empregador rural, na lei 5.889/73, ao considerá-lo 1.2.4. O empregador

GOMES, Orlando, GOTFSCHALK. iílson. Curso de Direito do Trabalho, p. 106-7. CAMINO, Cannen. op. cit., p. 102-3.

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“pessoa física ou jurídica”. Ao definir a empresa como empregador, foram-lhe atribuídas

qualidades subjetivas de titularidade de direitos e obrigações, quando, na verdade, a

empresa não é sujeito de direito, mas objeto de direito de uma pessoa natural ou jurídica^'^.

No início do século XX a regra geral era que a própria pessoa do

empregador comandasse a prestação dos serviços, uma vez que a maior parte das empresas

tinha número pequeno de empregados. Atualmente, existem empresas com milhares de

empregados e a direção dos trabalhos é feita por prepostos, aos quais cabe desempenhar o

papel do empregador, qual seja, a direção da prestação dos serviços. O empregado já não

consegue mais identificar que é o empregador, como nas pequenas empresas. A prestação

de serviços do empregado é feita sob o comando desta pessoa física ou jurídica que está no

comando. Assim, mesmo se houver aheração na propriedade ou estrutura jurídica da

empresa, o trabalhador permanecerá integrado á empresa. A esta peculiaridade da relação

de emprego se denomina de despersomlização do empregador.

Ocorrendo alteração na titularidade ou na estrutura jurídica da empresa, os

direitos do empregado não serão afetados e a relação de emprego não sofre solução de

continuidade, ainda que mude a pessoa do empregador. Essa aheração do sujeito

empregador numa mesma relação de emprego caracteriza a sucessão de empregadores.

A CLT também assegura ao empregado que haverá solidariedade entre as

empresas de um mesmo grupo econômico em relação às obrigações trabalhistas

decorrentes do contrato de trabalho firmado com uma das empresas, posto que se

beneficiam, ainda que indiretamente, da força de trabalho entregue pelo empregado de

cada uma das empresas.

A conceituação de empregador está intimamente relacionada com a de

empregado, posto que são figuras opostas de uma relação jurídica, vinculadas, portanto,

pelos elementos caracterizadores da relação de emprego.

Orlando Gomes afirma que “a expressão empregador designa, na técnica do

Direito do Trabalho, a pessoa natural ou jurídica que utiliza, dirige e assalaria os servãços

de outrem, em virtude de contrato de trabalho”

Para José Augusto Rodrigues Pinto “empregador é a pessoa física ou

jurídica que utiliza, em caráter permanente, a energia pessoal de empregados, mediante

retribuição e subordinação, visando a um fim determinado, econômico ou não” ^"*.

Para Evaristo de Moraes Filho “empregador é a pessoa natural ou jurídica

que utiliza serviços de outrem em virtude de um contrato de trabalho”*’^.

Existem, ainda, diversos outros conceitos de empregador. Para este estudo,

interessa, principalmente, a relação de emprego existente e, portanto, passível de

terminação por iniciativa do empregador. Deste modo, se adotará a definição de Mozart

Victor Russomano, para quem “empregador é a pessoa natural ou jurídica que contrata

empregados”*''’.