Activos fixos tangíveis, modelo do custo
ARTIGO 46.º Conceito de Mais-Valias e de Menos-Valias
1 — Consideram-se mais-valias ou menos-valias realizadas os ganhos obtidos ou as perdas sofridas mediante transmissão onerosa, qualquer que seja o título por que se opere e, bem assim, os decorrentes de sinistros ou os resultantes da afectação permanente a fins alheios à actividade exercida, respeitantes a:
a) Activos fixos tangíveis, activos intangíveis, activos biológicos que não sejam consumíveis e propriedades de investimento, ainda que qualquer destes activos tenha sido reclassificado como activo não corrente detido para venda;
b) Instrumentos financeiros, com excepção dos reconhecidos pelo justo valor nos termos das alíneas a) e b) do n.º 9 do artigo 18.º
2 — As mais-valias e as menos-valias são dadas pela diferença entre o valor de realização, líquido dos encargos que lhe sejam inerentes, e o valor de aquisição deduzido das perdas por imparidade e outras correcções de valor previstas no artigo 35.º, bem como das depreciações ou amortizações aceites fiscalmente, sem prejuízo da parte final do n.º 5 do artigo 30.º
3 — Considera-se valor de realização:
a) No caso de troca, o valor de mercado dos bens ou direitos recebidos, acrescido ou diminuído, consoante o caso, da importância em dinheiro conjuntamente recebida ou paga;
b) No caso de expropriações ou de bens sinistrados, o valor da correspondente indemnização;
c) No caso de bens afectos permanentemente a fins alheios à actividade exercida, o seu valor de mercado;
d) Nos casos de fusão ou cisão, o valor de mercado dos elementos transmitidos em consequência daqueles actos;
e) No caso de alienação de títulos de dívida, o valor da transacção, líquido dos juros contáveis … f) Nos demais casos, o valor da respectiva contraprestação.
4 — No caso de troca por bens futuros, o valor de mercado destes é o que lhes corresponderia à data da troca.
5 — São assimiladas a transmissões onerosas:
a) A promessa de compra e venda ou de troca, logo que verificada a tradição dos bens;
b) As mudanças no modelo de valorização relevantes para efeitos fiscais, nos termos do n.º 9 do artigo 18.º, que decorram, designadamente, de reclassificação contabilística ou de alterações nos pressupostos referidos na alínea a) do n.º 9 deste mesmo artigo.
6 — Não se consideram mais-valias ou menos-valias:
a) Os resultados obtidos em consequência da entrega pelo locatário ao locador dos bens objecto de locação financeira;
b) Os resultados obtidos na transmissão onerosa, ou na afectação permanente nos termos referidos no n.º 1, de títulos de dívida cuja remuneração seja constituída, total ou parcialmente, pela diferença entre o valor de reembolso ou de amortização e o preço de emissão, primeira colocação ou endosso.
2. Comentário
2.1 - A mais-valia, traduz-se num ganho ocasional e imprevisto, sem qualquer ligação com o exercício da actividade desenvolvida, razão por que não se considera um rendimento-produto mas um rendimento-acréscimo, é hoje considerada rendimento fiscal da empresa, nos termos da alínea h) do nº 1 do art. 20º. Dá-nos o artigo em anotação o conceito das mais-valias ou menos-mais-valias, consideradas como tais os ganhos obtidos ou as perdas sofridas resultantes da transmissão onerosa, qualquer que seja o título por que se opere, dos elementos do activo fixo tangível, activos intangíveis, activos biológicos que não sejam consumíveis e propriedades de investimento e ainda alguns investimentos financeiros. Num conceito alargado, considerou
também o legislador os ganhos resultantes de sinistros e os resultantes da afectação permanente dos mesmos elementos a fins alheios à actividade exercida.
O que se refere quanto às mais-valias vale também quanto às menos-valias sofridas que constituem, assim, custos do exercício, tal como consta da alínea l) do nº1 do art. 23º.
2.2- Convém frisar que o cálculo das mais-valias e menos-valias fiscais não coincide, em todos os casos, com aquele que se apura na contabilidade, designadamente, ao nível das contas 787 – Rendimentos e ganhos em investimentos não financeiros e 687 – gastos e perdas em investimentos não financeiro 694 - Perdas em Imobilizações. Assim sendo, no apuramento do lucro tributável, é necessário expurgar do resultado líquido as mais-valias e menos-valias contabilísticas, efectuar a sua conversão em mais-valias fiscais, as quais serão sujeitas a tributação no exercício da sua realização, excepto nos casos de reinvestimento a que se refere o arigo 48º.
2.3 As mais ou menos-valias são determinadas pela forma indicada no nº 2 deste artigo 46º do CIRC que contempla mais-valias reais e não quaisquer mais-valias potenciais. O seu valor é constituído pela diferença entre o valor de realizacão considerado este como o valor recebido líquido dos encargos inerentes, e o valor de aquisição deduzido das perdas por imparidade e outras correcções de valor previstas no artigo 35.º, bem como das depreciações ou amortizações aceites fiscalmente, sem prejuízo da parte final do n.º 5 do artigo 30.
2.4 As depreciações a que se refere este nº 2 são as fiscalmente aceites.
2.5 Tratando-se, porém, da alienação de bens em que se havia concretizado o reinvestimento total do valor de realização será tributado apenas em 50%.
4. Doutrina
4.1 Cálculo das mais-valias
As mais-valias realizadas que relevam em sede de IRC não coincidem, em regra, com as mais-valias contabilísticas, designadamente em caso de revalorização dos activo, dado que,
enquanto aquelas são determinadas em função do valor de aquisição, estas têm como base este valor revalorizado e portanto diferente.
As amortizações referidas no nº 2 do artigo 46º do CIRC reportam-se ao valor de aquisição não coincidindo, havendo revalorização, com as contabilizadas, não relevando o facto de terem excedido os limites legais.
Para calcular as mais-valias e menos-valias fiscais deve ser tomada em consideração a actualização feita nos termos do artigo 47º que incidirá sobre o e o valor de aquisição deduzido das perdas por imparidade e outras correcções de valor previstas no artigo 35.º, bem como das depreciações ou amortizações aceites fiscalmente, sem prejuízo da parte final do n.º 5 do artigo 30.
ARTIGO 47.º
Correcção monetária/mais-valias e menos-valias
1. O valor de aquisição corrigido nos termos do n.º 2 do artigo 47º será actualizado mediante aplicação dos coeficientes de desvalorização da moeda para o efeito publicados em portaria do Ministro das Finanças, sempre que à data da realização tenham decorrido pelo menos dois anos desde a data da aquisição, sendo o valor dessa actualização deduzido para efeitos da determinação do lucro tributável.
2. A correcção monetária a que se refere o número anterior não é aplicável aos investimentos financeiros, salvo quanto aos investimentos em imóveis e partes de capital.
2. Comentário
2.1 Conforme referimos nos comentários ao artigo 46º, a mais-valia ou menos-valia tributável difere da apurada contabilisticamente. Efectivamente, do ponto de vista fiscal, determina-se a actualização do valor de aquisição, deduzido das amortizações praticadas e, no caso de bens em que se concretizou o reinvestimento, do valor das mais-valias não tributadas.
Assim sendo, a mais-valia susceptível de tributação é-nos dada pela diferença entre o valor de realização e o valor líquido de aquisição actualizado de acordo com coeficientes de desvalorização da moeda para o efeito publicados em Portaria do ministro das Finanças, diferença essa que, em muitos casos, será menor do que a contabilística.
A actualização pressupõe o decurso de dois anos entre a data de aquisição e a data da realização, sendo o valor dela resultante deduzido para efeitos da determinação do lucro tributável.
2.2 O artigo 47º exclui da correcção por desvalorização monetária a aquisição de investimentos financeiros, salvo quanto aos investimentos em imóveis. Importa, todavia, distinguir entre os investimentos em activos puramente monetários e activos financeiros de participações no capital de outras empresas, dado que tal distinção se impõe quer pela natureza das realidades compreendidas em cada uma das espécies de tais instituições, quer pelo efeito que sobre os respectivos valores pode resultar das desvalorizações da moeda. O valor das acções e das quotas sociais depende essencial ou predominantemente dos elementos constitutivos da situação patrimonial da empresa, sendo por isso, fortemente dependentes dos efeitos da oscilação monetária sobre o valor da aquisição dos bens do activo fixo tangível. Já, porém, tal efeito se não produz com os títulos obrigacionistas, uma vez que a taxa de juros integra já uma componente de actualização do capital. Em conformidade, mantêm-se excluídos da correcção por desvalorização monetária unicamente os investimentos de natureza monetária, incluindo-se as acções e partes de capital no regime geral da correcção.