2 A EVASÃO DISCENTE
2.1 Breve Histórico
2.1.4 Conceito e terminologia
A conceituação do fenômeno evasão varia de acordo com o contexto, porém, Costa (1991) assevera que consiste na saída do aluno da universidade ou de um dos seus cursos, definitiva ou temporariamente, por qualquer motivo, exceto a diplomação.
Por outro lado, Silva Filho et al (2007, p.2) tentam enfocar o conceito da ―evasão
sob dois aspectos similares, mas não idênticos.‖
1. A evasão anual média mede qual a percentagem de alunos matriculados num sistema de ensino, em uma IES, ou em um curso que, não tendo se formado, também não se matriculou no ano seguinte (ou no semestre seguinte, se o objetivo for acompanhar o que acontece em cursos semestrais). Por exemplo: Se uma IES tivesse 100 alunos matriculados em certo curso que poderiam renovar suas matrículas no ano seguinte, mas somente 80 o fizessem, a evasão anual média no curso seria de 20%.
2. A evasão total mede o número de alunos que, tendo entrado num determinado curso, IES ou sistema de ensino, não obteve o diploma ao final de um certo número de anos. É o complemento do que se chama de índice de titulação. Por exemplo, se 100 estudantes entraram em um curso em um determinado ano e 54 se formaram, o índice de titulação é de 54% e a evasão nesse curso é de 46%.
Para os autores, os dois conceitos não estão diretamente ligados, em decorrência da dependência dos fatores como níveis de reprovação e de taxas de evasão por ano ao longo
do curso, que variam semestre a semestre ou ano a ano, no entanto, asseveram que a taxa de ocorrência do fenômeno em todo o mundo, no primeiro ano de curso, é de duas a três vezes maior do que a dos anos seguintes.
O INEP prioriza a taxa de conclusão na publicação anual dos dados da educação superior, enquanto a taxa de evasão fica subtendida, ou melhor, implícita entre os dados
Percentual de conclusão na graduação presencial (Perc_Concl) é calculado pela razão entre o total de concluintes de um ano (Concl j ) e o de ingressantes quatro anos antes [Ingres (j-4)]. Indiretamente, apresenta uma aproximação do número de alunos que evadiram ou não concluíram seus cursos no tempo médio de quatro anos para formação.
____Conclj_ Perc_conclj = ingres (j-4)
Os dados de evasão calculados pelo INEP consideram o número de ―ingressantes
―(n) com ano de ingresso dos concluintes que ingressaram quatro anos antes.
Discutir o fenômeno evasão discente torna-se mais compreensível à medida que o conhecimento do significado dos termos que o definem por fato e os conceitos que permitem classificar suas derivações são esclarecidos.
Vale salientar que as universidades federais, denominadas Instituição Federal de Educação Superior (IFES), são autarquias federais de educação superior, vinculadas diretamente ao Ministério da Educação (MEC). Como são universidades federais, gozam de autonomia didático-científica, disciplinar, financeira e administrativa, cuja missão é exercida por meio de estatuto, regimento geral, resoluções e provimentos da própria instituição, baseados na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), e tem a competência para criar os próprios mecanismos para otimizar o desempenho de suas funções, diferenciando-se uma das outras, sobretudo voltados à redução da evasão.
A evasão discente, contudo na qualidade de o fenômeno presente em todas as instituições, possui uma terminologia específica que define as diferentes situações, independentemente de instituição. O que pode ser diferenciado é a forma de percepção do fenômeno pela instituição. Cada uma possui a liberdade de tratá-lo de acordo com o que ele representa. Nesse sentido, são resolvidos os casos de abandono de cada instituição de acordo com as próprias resoluções.
Cislaghi (2008) assevera que o problema da evasão pode ser interpretado e conceituado por diferentes ângulos ou que podem ser adotadas conceituações distintas,
resultando em avaliações diferentes quanto a sua dimensão. Esse é o caso de expressões técnicas diferentes.
Evasão da instituição - significa a transferência do estudante da instituição
para outra, dando continuidade ao mesmo curso a outro.
Evasão do sistema - é o afastamento definitivo do estudante de sua intenção
original em obter uma formação superior.
Evasão do curso - não significa necessariamente o abandono dos estudos ou
transferência. Pode representar uma mudança efetiva na busca por uma formação em outra área, em nova perspectiva de qualificação para o desempenho de outra atividade profissional.
Ristoff (1999) assegura que a evasão como abandono dos estudos é diferente de mobilidade, que consiste em uma migração temporária do estudante de um curso para outro, mantendo sua condição de aluno em busca de sua formação de nível superior de qualidade, mas com vínculo à instituição de origem. Parte significativa dos processos tratados como evasão, na realidade, não, são, pois existem vários processos que produzem o afastamento do aluno do curso ou da instituição, sem caracterizar-se por abandono:
a transferência oficial de um aluno para outra instituição;
a mobilidade acadêmica que permite o aluno conhecer outras áreas do
conhecimento em outra instituição, sem desligar-se da sua de origem;
a mudança de curso, processo que permite o ingresso de um aluno em outro
curso na mesma instituição, mas cancela a matricula do curso anterior;
desistência da vaga é um processo que é realizado de acordo com a solicitação
do estudante; produz cancelamento definitivo da instituição.
Nesse sentido, Ristoff (1999, p. 125) assevera que:
[...] mobilidade não é fuga, não é desperdício, mas investimento, não é fracasso, nem do estudante, nem do professor, nem do curso ou da instituição, mas uma tentativa de busca do sucesso ou da felicidade, de conhecimento em outras áreas, aproveitando as revelações que o processo natural do crescimento dos indivíduos, faz sobre suas reais possibilidades.
Estudo desenvolvido por Costa (1991) sobre a evasão nos cursos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) corrobora a compreensão e explicação da terminologia do fenômeno. Segundo o autor, a evasão da IES se caracteriza em três tipos: definitiva, temporária e de curso, de acordo com a seguinte definição dos termos técnicos
Evasão – saída do aluno da universidade ou de um dos seus cursos, definitiva
ou temporariamente, por qualquer motivo, exceto a diplomação.
Evasão definitiva – é a saída definitiva da universidade, ou seja, é aquela pela
qual o aluno se afasta da instituição por abandono, desistência definitiva do curso ou transferência para outra universidade e compreende
abandono - é o caso do aluno que não compareceu à matrícula nem
requereu o trancamento nos prazos previstos no calendário escolar; ou ainda, a do aluno que não requereu a readmissão ou renovação do trancamento
desistência definitiva é o desligamento do curso em que está
matriculado, mediante pedido formal do aluno à IES, e
transferência para outra IES – é o desligamento do aluno da instituição,
mediante pedido formal, com a finalidade de ingressar em outra IES.
Evasão temporária é toda e qualquer saída temporária da instituição,
considerando-se todo tipo de trancamento, isto é, a interrupção do curso – de um até dez semestres;
Trancamento voluntário é o afastamento temporário do curso,
solicitado pelo aluno, deferido pelo curso, não podendo a soma dos períodos de afastamento ultrapassar quatro anos; o aluno com matrícula trancada poderá requerer renovação de trancamento desde que seja obedecido o limite máximo citado.
Evasão ex-officio é o caso do aluno já integrante do corpo discente de um dos cursos da IES que, aprovado em novo vestibular, não solicita o desligamento do curso em que estava matriculado no prazo estabelecido para a pré-matrícula.
Evasão de curso consiste na mudança de curso; é a passagem de um
As situações evidenciam a falta de consenso entre os autores sobre o conceito de evasão. Portanto, o conceito de evasão adotado para o desenvolvimento deste estudo é o abandono, por se tratar de um fato consumado, em que os estudantes evadidos, sujeitos da pesquisa, faziam parte de uma lista dos que tiveram matrícula cancelada por falta do cumprimento do dever do aluno a cada semestre, que consiste em participar do processo de matrícula.
2. 2 Reflexões e Fundamentação Teóricas: Modelos e Teorias
O foco deste estudo, a evasão discente, buscou conhecimento nas pesquisas desenvolvidas pelos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, pelo reconhecimento do avanço nos estudos sobre os problemas da educação superior desses países. Foram selecionados estudos de relevância, dentre os autores das teorias e modelos que há quarenta anos vêm dando suporte às inovações de outros pesquisadores.
Foram escolhidos para fundamentar esta pesquisa os estudos que analisam a evasão discente nas três diferentes abordagens e os principais teóricos: a primeira, com explicação sociológica: Tinto (1975, 1987, 1993, 1997), Nora, Barlow e Crisp (2005); a segunda, psicológica: Bean (1980) e Pascarella e Terenzini (1980); Astin (1985) e a terceira, econômica: Cabrera et al (1992). Entre os estudos brasileiros, foram selecionados os estudos de Andriola (2003), Andriola et al (2005; 2006), Biazus (2004), Rovaris Neto (2002), Cislaghi (2008) e Cislaghi et al (2008).
A literatura sobre o assunto, no Brasil, é bastante escassa, a maioria da bibliografia é internacional e se encontra disponível em páginas eletrônicas dos portais de pesquisas acadêmicas, bem como os estudos brasileiros. Os estudos internacionais disponíveis na internet são restritos aos usuários dos periódicos da CAPES.