2 A EVASÃO DISCENTE
2.4 Avaliação Institucional
2.4.3 O SINAES e a responsabilidade social das IES
A sistemática de avaliação do MEC, regulamentada pelo Decreto Nº 2.026/96 foi alterada pelo Decreto Nº 5.773, de 9 de maio de 2006, que explicita critérios e procedimentos para a avaliação, pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), do atual processo de avaliação das instituições de educação superior brasileiras – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), instituído pela Lei Nº 10.861, de 14 de abril de 2004.
O SINAES é coordenado e supervisionado pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES), a quem compete estabelecer diretrizes, critérios e estratégias para o processo avaliativo da educação superior. Em cada IES existe Comissão Própria de Avaliação (CPA), à qual cumpre realizar a avaliação interna, nomeada pelo reitor ou ordenador legal da instituição.
O SINAES encerra no seu escopo princípios e dimensões de avaliação institucional que norteiam as IES para o aperfeiçoamento acadêmico e melhoria da gestão universitária, viabilizando melhores resultados na prestação de contas do seu desempenho para a sociedade.
Caracterizado como um sistema de avaliação global e integrada das atividades acadêmicas, o SINAES é composto por três diferentes processos: avaliação de IES; avaliação dos cursos de graduação e avaliação de desempenho dos estudantes.
O novo sistema é fundamentado na busca da excelência da educação superior brasileira a ser alcançada de acordo com os Princípios fundamentais do SINAES:
1. responsabilidade social com a qualidade da educação superior; 2. reconhecimento da diversidade do sistema;
3. respeito à identidade, à missão e à história das instituições; e
4. globalidade, isto é, compreensão de que a instituição deve ser avaliada com base num conjunto significativo de indicadores de qualidade, vistos em sua relação orgânica e não de forma isolada; continuidade do processo avaliativo.
O SINAES integra três instrumentos de avaliação, aplicados em diferentes momentos.
1. Avaliação das Instituições de Educação Superior (AVALIES) – é o centro de referência e articulação do sistema de avaliação que se desenvolve em duas etapas principais:
autoavaliação - coordenada pela Comissão Própria de Avaliação
(CPA) de cada IES, que teve início a partir de 10 de setembro de 2004;
avaliação externa - realizada por comissões designadas pelo INEP,
segundo diretrizes estabelecidas pela CONAES.
2. Avaliação dos Cursos de Graduação (ACG) – avalia os cursos de graduação por meio de instrumentos e procedimentos que incluem visitas in loco de comissões externas.
A periodicidade dessa avaliação depende diretamente do reconhecimento e renovação de reconhecimento a que os cursos estão sujeitos.
3. Avaliação do Desempenho dos Estudantes (Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes – ENADE) – aplica-se aos estudantes do
primeiro ano ―(ingressantes)‖ e do último ano do curso (concluintes),
estando prevista a utilização de procedimentos amostrais. Anualmente, o Ministro da Educação, com base em indicação da CONAES, define as áreas que participarão do Exame. Para o ENADE do ano de 2009, foi decidido pela Portaria Normativa Nº1 de 29 de janeiro de 2009 do Ministério da Educação, que seriam avaliados todos os estudantes matriculados nos cursos avaliados em 2006, além os de outros cursos incluídos posteriormente.
Dentre os três instrumentos de avaliação, no entanto, o ENADE é o mais complexo para obtenção de dados que produzem indicadores de qualidade. Em primeiro lugar, a dependência do nível de qualidade do curso às informações dos estudantes
participantes, haja vista que o referido exame propõe ―aferir o rendimento dos estudantes em
relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências‖, porém as questões do questionário socioeconômico abordam aspectos institucionais que discorrem sobre a infra- estrutura incluindo desde estrutura física, equipamentos e corpo docente para compor o Conceito Preliminar do Curso (CPC). Em segundo lugar, é a abrangência de algumas áreas de conhecimento, por exemplo, a de Design que contempla oito subáreas com 288 cursos, classificados entre bacharelado e tecnológicos. Em terceiro lugar, o desinteresse do estudante na participação do exame, que geralmente se sente obrigado, e sua falta prejudicará o CPC. E nesse aspecto, a IES tem o papel de mostrar ao estudante a importância da sua resposta, pois estão em jogo a qualidade do curso, da instituição, a renovação do credenciamento, e os recursos financeiros.
Além dos instrumentos avaliativos, o SINAES é regido por dez dimensões estabelecidas no artigo 30 da Lei N0 10.861/2004, dentre as quais se destaca a dimensão 3, que explica a concepção de responsabilidade social para a IES, e de muita importância para as IFES
A responsabilidade social da instituição, considerada especialmente no que se refere à sua contribuição em relação à inclusão social, ao desenvolvimento econômico e social, à defesa do meio ambiente, da memória cultural, da produção artística, do patrimônio cultural. (CONAES, 2006).
Preconizada pelo SINAES como princípio fundamental e dimensão de avaliação para qualidade da educação, a responsabilidade social tem de ser entendida como um compromisso das IES, em relação à sociedade e à humanidade.
Biazus (2004) acentua que o conceito de responsabilidade social se refere aos relacionamentos entre a instituição e os membros que formam a comunidade universitária, fornecedores, clientes internos e externos, tendo em vista o envolvimento com a comunidade, meio ambiente e os segmentos que compõem a sociedade no contexto no qual se encontra inserida, estabelecendo uma grande teia social; e acrescenta que a responsabilidade social de uma IES consiste no comprometimento permanente da instituição em praticar ações que promovam o desenvolvimento econômico, social, cultural e da sustentabilidade para a melhoria da vida da comunidade acadêmica (docentes, estudantes e servidores técnico- administrativos) como da sociedade.
A resposta às demandas sociais das IFES brasileiras, todavia, pode ser encontrada na formação social, humana, científica e tecnológica de milhares profissionais brasileiros, nas pesquisas científicas e inovações tecnológicas que até o ano de 2004 atingiram 94% das produções científicas do país, segundo Panizzi (2004).
As contradições sociais existentes no País, no entanto, dificultam a superação do acesso à educação superior pública e, a vulnerabilidade econômica e social se apresenta como obstáculo que precisa ser saltado sistematicamente, mesmo para aqueles que conseguiram vencer o primeiro, o vestibular, e uma das etapas da responsabilidade social das IFES é vencer o principal desafio educacional – a evasão. A luta por verbas públicas para promoção de políticas de permanência aos estudantes de baixa renda que conseguiram saltar o primeiro obstáculo seria um ponto de partida.