Nº EIXO/INDICADOR 4 Eixo 4: POLÍTICAS DE GESTÃO
5 Eixo : INFRAESTRUTURA FÍSICA 1 Instalações administrativas.
2.4 GESTÃO DO CONHECIMENTO: MÉTODOS, TÉCNICAS E FERRAMENTAS APLICÁVEIS À GESTÃO UNIVERSITÁRIA
2.4.2 Conceitos de Conhecimento e de Gestão do Conhecimento
multiplicar na medida em que é compartilhado.
Os ativos imobilizados, ditos tangíveis, passam a ter menor valor que a capacidade intelectual e de serviços de pessoas e organizações, caracterizados como ativos intangíveis. Neste sentido, tem-se convergência ao afirmar que “o conhecimento é a fonte de poder, [...] e a chave para futuras mudanças” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 5), o que coloca indivíduos, organizações e governos como fatores de inestimável importância no sentido de liderar estratégias de desenvolvimento, com foco em um mundo global e com visão de futuro, com vistas à agregação de valor aos novos produtos e serviços e à sustentabilidade de seu crescimento e do bem-estar social de sua população. (SANTOS, 2009).
2.4.2 Conceitos de Conhecimento e de Gestão do Conhecimento
O conceito de conhecimento vem evoluindo ao longo do tempo. Uma definição, aceita ainda hoje, segundo Pessoa Jr. (2010) foi desenvolvida por Sócrates e aparece nos diálogos de
Platão. Segundo esta análise, “o conhecimento é uma crença verdadeira e justificada” (PLATÃO - 428-347 a.C, 2001) apud (PESSOA JR., 2010). No Teeteto, a crença verdadeira acompanhada de razão é conhecimento, e, desprovida de razão, está fora do conhecimento (PESSOA JR. 2010). Locke (1689) apud Pessoa Jr. (2010) definiu o conhecimento como a percepção da concordância ou discordância de duas ideias.
Garcia (1988) apresenta sua definição de conhecimento como um produto do intelecto humano e que lhe permite entender, à sua maneira, o mundo que o cerca e, ao mesmo tempo, desenvolver técnicas para melhor viver nele.
“Conhecimento é uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações” (DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p. 6).
Para Queiroz (2001, p. 20), “Conhecimento é o conjunto de insights, experiências, e procedimentos que são considerados corretos e verdadeiros e que guiam pensamentos, comportamentos e a comunicação entre pessoas [...]”.
Conforme Matos (2001), em essência o indivíduo pensa a partir dos seus múltiplos conhecimentos e estabelece a configuração conceitual final. O homem, como agente da ação é, ao mesmo tempo, gerador e depositório de conhecimento.
Zapelini (2002, p. 52) corrobora com Davenport e Prusak, dizendo que:
[...] o conhecimento é consequência de um processo que envolve, captura de dados, tabulação que remete para uma informação e sua análise/síntese. Este conhecimento implica numa competência (sabedoria) para tomada de decisão, que por sua vez, define uma ação com determinado resultado. Neste processo evolutivo, ocorre a agregação de valor e de entendimento [...].
Ainda, segundo Cruz (2002, p. 31), “Conhecimento é o entendimento obtido por meio da inferência realizada no contato com dados e informações que traduzem a essência de qualquer elemento”.
Takeuchi e Nonaka (2008, p. 21), enfatizam que:
Criar novos conhecimentos significa quase que literalmente, recriar [...] em um processo contínuo de auto-renovação organizacional e pessoal. [...] não é apenas uma questão de aprender com outros ou adquirir conhecimentos externos. O conhecimento deve ser construído por si mesmo, muitas vezes exigindo uma interação intensiva e laboriosa.
Vê-se que a importância do conhecimento há muito é reconhecida. No entanto, no que se refere ao contexto das ciências sociais aplicadas, os estudos e aplicações são recentes, mas têm suscitado interesse da academia, de consultores e de organizações. (SANTOS, 2009).
Também, “O conhecimento é o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido”. (ARANHA; MARTINS,1993 apud TOSTA, 2012, p. 59).
Ao longo da história de nossa civilização, a filosofia vem buscando um significado único para o conceito de conhecimento. Sabe-se que são muitas as definições e cada uma delas apresenta avanços e limites, em função de que esse construto não possui um único significado.
Outros autores contemporâneos, também têm formulado as suas definições sobre conhecimento. O Diagrama 05, a seguir, apresenta alguns conceitos de conhecimento, do mundo ocidental contemporâneo.
Diagrama 5 - Conceitos contemporâneos de conhecimento Fonte: Conceitos extraído dos autores citados. Figura elaborada pela pesquisadora (2015).
Em relação ao conhecimento organizacional, Nonaka e Takeuchi (1997) dizem que a empresa tem capacidade de criar conhecimento, disseminá-lo na organização e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas.
A conversão do conhecimento individual em recurso disponível para outras pessoas é atividade central das organizações do conhecimento. Esse processo de transformação ocorre continuamente em todos os níveis da organização. A inovação, conforme afirmam Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80- 81), ilustra dois tipos muito diferentes de conhecimento, o tácito e o explícito. Daí esses autores serem categóricos ao postular a premissa básica de que: “a criação do conhecimento organizacional é uma interação contínua e dinâmica entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito”.
Na visão de Davenport e Prusak (1998) é necessário fazer uma diferenciação entre dado, informação e conhecimento. O dado se define como uma simples observação sobre o estado do mundo; a informação corresponde aos dados dotados de
relevância e propósito; e o conhecimento é uma informação valiosa combinada com a experiência, com o contexto e com a reflexão.
O caráter inovativo da gestão do conhecimento, para Davenport e Prusak (1998) não está em reconhecer o conhecimento como algo novo, mas em trata-lo como um ativo corporativo, o que requer o desenvolvimento de mecanismos de gestão e avaliação.
Para Morin (1999), mesmo sendo considerado individual e tácito, o conhecimento humano pode ser comunicável, interpretável e verificável, pois existe “entre indivíduos de uma sociedade, uma relação de inerência/separação/comunicação que permite não somente o conhecimento mútuo, mas também a partilha, a troca e a verificação dos conhecimentos” (MORIN, 1999, p. 227).
Silveira (2000, p. 37) afirma que “as novas organizações de aprendizagem estão focando suas estratégias à identificação, captura e alavancagem de seus ativos de conhecimento”.
No entendimento de Terra (2001), o conhecimento como recurso está desempenhando um papel fundamental na sociedade contemporânea, nas dimensões econômica e social. Para o autor, os países e as organizações que estão compreendendo a importância do conhecimento, colocam a gestão desse recurso em suas políticas, diretrizes e práticas. Para Terra (2001), no Brasil, esse caminhar encontra-se, ainda, muito lento e com bastante diferença entre as regiões geográficas.
Ainda, o autor, diz que efetuar a gestão do conhecimento, isto é, captar e gerenciar o conhecimento tácito, transformando-o em explícito é uma tarefa difícil e complexa. Basicamente, a gestão do conhecimento é um conjunto de práticas que criam, organizam e alavancam conhecimentos individuais e coletivos no sentido de melhorar o desempenho organizacional. (TERRA, 2001).
Segundo Angeloni (2002), diversos autores e teóricos definiram as organizações da era do conhecimento, como: Botelho (1994) – como organizações inteligentes; Senge (1990) – como organizações de aprendizagem; Takeuchi e Nonaka (2008); Sveiby (1998); Stewart (1998) – como organizações de conhecimento.
Ainda, “na sociedade baseada no conhecimento, o diferencial competitivo das organizações refere-se ao tratamento dispensado aos valores intangíveis e aos trabalhadores intelectuais alinhados ao negócio” (MENDES, 2003, p. 67). Defende, o autor, o entendimento de que a essência da gestão do conhecimento é centrada nas pessoas, requerendo a criação de um ambiente adequado e o uso de métodos e técnicas específicos como meios de compartilhamento do conhecimento.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) entende que o conhecimento, de certa forma, pode ser apropriado e comercializado como commodity. [...] observa, ainda, que o conhecimento deve ser codificado, a fim de ser compartilhado com um maior número de pessoas ou grupos, pois o conhecimento não codificado/sistematizado permanece com seu detentor (OECD, 2006).
Santos (2009) acredita que a gestão do conhecimento é uma estratégia organizacional que transforma bens intelectuais, informações registradas e o talento do seu capital humano em maior produtividade, novos valores, sustentabilidade e aumento da competitividade.
Segundo Gariba (2011), a necessidade de identificar e utilizar, criar e gerir os recursos de conhecimento de que as organizações dispõem, ou daqueles que podem se apropriar ou comprar, é altamente significante, face ao atual contexto competitivo em que elas operam. Tal preocupação,
[...] emerge como socialmente relevante, despertando interesse e originando numerosas publicações junto da comunidade científica, já que a mudança em curso interpela o saber instituído, implica re- equacionar práticas e teorias organizacionais, assim como contribui para que novas questões de investigação sejam colocadas (GARIBA, 2011, p. 31).
Batista (2012), estudando modelos de gestão do conhecimento identificou uma pesquisa efetuada por Heisig (2009), que trata dos componentes de GC e suas diferenças e semelhanças. O autor da pesquisa chegou às seguintes conclusões:
Os processos de GC (identificar, criar, armazenar, compartilhar e aplicar conhecimento) e as dimensões de GC: i) dimensão humana (categorias: cultura, pessoas e liderança); ii) dimensão de organização (categorias: estruturas e processos); iii) dimensão de tecnologia; iv) dimensão gestão de processos (categorias: estratégia e controle) identificados por Heisig no seu estudo são relevantes tanto para organizações privadas como públicas (BATISTA, 2012, p. 13).
Para melhor compreensão sobre o que a literatura tem falado sobre gestão do conhecimento, Helou (2015, p. 77-98) apresenta vários modelos de GC, os quais se encontram resumidos no Quadro 6, a seguir.
Autor Modelo Concepção de cada Modelo Von Krogh e Ross (1995) Modelo epistemológico organizacional de Gestão do Conhecimento
Adotam uma perspectiva conexionista para o conhecimento organizacional. [...] O conhecimento é um fenômeno emergente que deriva da interação social dos indivíduos e reside na mente dos indivíduos, mas também nas conexões entre os mesmos.
Nonaka e Takeuchi (1997) Modelo holístico de criação de conhecimento
Baseado na concepção de que o conhecimento tácito e explícito forma a dimensão epistemológica - bem como, o indivíduo, o grupo e a organização, que formam a dimensão ontológica de compartilhamento e de difusão do conhecimento – são necessários para criar novo conhecimento e produzir inovação. Apresentam seu modelo no diagrama da Espiral do Conhecimento.
Autor Modelo Concepção de cada Modelo Choo (2006) Modelo da Gestão do Conhecimento de Choo
Este modelo salienta o senso de direção, a criação do conhecimento e a tomada de decisão. Enfatiza que a criação do conhecimento pode ser vista como a transformação do conhecimento pessoal entre indivíduos, a partir do diálogo, discurso, compartilhamento storytelling. Boisot (1998) Modelo do ciclo de aprendizagem social pela informação O modelo é fundamentado no conceito de boa informação. Enfoca que um bom conhecimento é aquele que possui um contexto dentro do qual ele pode ser interpretado. [...] incorpora a fundamentação teórica da aprendizagem social e serve de uma maneira eficaz, para unir o conteúdo, as informações e a Gestão do Conhecimento. Wiig (1993b) Modelo do Ciclo da Gestão do Conhecimento de Wiig
O modelo está fundamentado na criação, abastecimento (sourcing), compilação, transformação, disseminação, aplicação. Tem por objetivo atribuir valor ao processo produtivo, permitindo que a organização possa agir de forma inteligente. O ciclo de gestão do conhecimento compõe-se de quatro passos: o desenvolvimento do conhecimento, a retenção do conhecimento, e seu compartilhamento e, finalmente, o uso do conhecimento. Modelo ICAS (Bennet e Bennet, 2004) Modelo da Gestão do Conhecimento baseado na Inteligência Organizacional Definem os processos-chave do modelo ICAS, que são: Entendimento; Criação de novas ideias; Resolução de problemas; Tomada de decisão; Ações que vão chegar aos resultados desejados. Enfatiza o trabalhador do conhecimento individual e sua competência, capacidade e aprendizagem. [...] Resume a GC
Autor Modelo Concepção de cada Modelo em quatro grandes frentes: criatividade, resolução de problemas; tomada de decisão e implementação. Probst, Raub e Romhardt (2002) Modelo dos Processos de Gestão do Conhecimento
Este modelo é composto de seis processos quais sejam: Identificação do conhecimento; Aquisição do conhecimento; Desenvolvimento do conhecimento; Partilha/distribuição do conhecimento; Retenção do conhecimento; Utilização do conhecimento. Bukowitz e Williams (2002) Modelo BW de Gestão do Conhecimento
Definem a gestão do conhecimento como o processo pelo qual a organização gera riqueza, a partir do seu conhecimento ou do capital intelectual. Utiliza o conhecimento para criar processos mais eficientes e efetivos. Para os autores, o ciclo da gestão do conhecimento está estruturado em dois tipos de processos simultâneos: um da utilização de conhecimento no dia-a- dia; dois o da combinação do intelectual com as exigências estratégicas. APO (2009) (Nair e Prakash, 2009) Modelo de Gestão do Conhecimento da APO
O método define quatro etapas para a implementação de gestão de conhecimento, sendo: Descoberta;
Concepção e Projeto;
Desenvolvimento; Implementação. Descreve a abrangência de cada uma das etapas.
APO (2009)