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Conceitos de Marx sobre Alienação

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CAPÍTULO II – ALIENAÇÃO E LIBERDADE

3. Conceitos de Marx sobre Alienação

O conceito de Marx sobre socialismo é a emancipação da alienação, desejando a volta do homem para si mesmo.

O socialismo para Marx é uma sociedade que permite a efetivação da essência do homem superando sua alienação. É nada mais, nada menos, que a criação das condições para o homem verdadeiramente livre, racional, ativo e independente; é a consecução do objetivo profético: a destruição dos ídolos. (FROMM, 1979, p.64)

Com a expansão da divisão do trabalho, o mesmo perde sua característica de expressão do poder do homem, levando o trabalho e seus produtos a assumirem uma existência à parte, deixando de ser da natureza e do seu criador, ou seja, o trabalhador existe para o processo de produção meramente como mão-de-obra.

... o trabalho alienado afasta do homem o objeto da produção, também afasta dele sua vida como espécie, sua objetividade real como ente- espécie, e muda sua superioridade sobre os animais em uma inferioridade, na medida em que seu corpo inorgânico, a natureza, é

afastado dele. (FROMM, 1979, p.54)

“Para Marx, a alienação no processo do trabalho, do produto deste e das circunstâncias, está inseparavelmente ligada à alienação de si próprio, de seus semelhantes e da natureza”. (FROMM, 1979, p.57)

Segundo Demo (2006), a libertação preconizada por Marx é a do trabalho espoliado no modo de produção capitalista, pois não existe realização humana sem trabalho, porque ele é a energia fundamental deste processo histórico.

O conceito chave da alienação de Marx tem quatro aspectos principais:

1. O homem está alienado da natureza (relação do trabalhador com o produto do

seu trabalho);

2. Está alienado de si mesmo (relação do trabalhador com a atividade da

produção);

3. Alienação de seu “ser genérico” (de seu ser como membro da espécie

humana);

4. O homem está alienado do homem (dos outros homens).

3.1. O Homem Alienado da Natureza

O homem necessariamente depende da natureza para poder criar, para extrair a matéria-prima e realizar o seu trabalho (o modo humano de existência é inconcebível sem as transformações da natureza realizada pela atividade produtiva).

O homem vive da natureza, ou também, a natureza é o seu corpo com o qual tem de manter-se em permanente intercâmbio para não morrer. Afirmar que a vida física e espiritual do homem e a natureza são interdependentes significa apenas que a natureza se inter-relaciona consigo mesma, já que o homem é uma parte da natureza. (MARX, 2005, p.116).

Ao realizar o seu trabalho, o homem põe a sua energia, criatividade, o seu melhor na sua obra, pois ao trabalhar, o homem está transformando o seu mundo interior e colocando a sua vida na realização do seu trabalho.

Marx é o fato, assumido, de que o homem, parte específica da natureza (isto é, um ser com necessidades físicas historicamente anteriores a todas as outras), precisa produzir a fim de se manter, a fim de satisfazer suas necessidades. Mas só pode satisfazer essas necessidades primitivas criando necessariamente, no curso de sua atividade produtiva, uma complexa hierarquia de necessidades não-físicas, que assim se tornam condições igualmente necessárias à satisfação de suas necessidades físicas originais. (MÉSZÁROS, 1981, p.75)

Quando a realização do trabalho se torna um objeto externo ao homem, ocorre a alienação do trabalhador do seu produto, ou seja, o trabalho assume uma existência externa e se torna estranho e hostil ao homem.

... significa não só que o trabalho se transforma em objeto, assume uma existência externa, mas que existe independentemente, fora dele e a ele estranho, e se torna um poder autônomo em oposição a ele; que a vida que deu ao objeto se torna uma força hostil e antagônica. (MARX, 2005, p.112)

Desta forma, o trabalho aliena a natureza do homem como forma de não realização do ser espiritual, que o mantém conectado com a vida.

3.2. O Homem Alienado de Si Mesmo

Quando analisa-se a relação do trabalhador ao objeto da sua produção, na verdade está-se analisando a realização do trabalho e o seu produto, ou seja, o seu resultado final.

Porém, se o homem está alienado do resultado do seu trabalho, isso significa que o mesmo também está alienado ao processo de produção, da própria atividade produtiva.

A atividade produtiva é, portanto, o mediador na “relação sujeito-objeto”, entre homem e natureza. Um mediador que permite ao homem criar um modo humano de existência, assegurando que ele não recuará para o estado natural, não se dissolverá no “objeto”.

...a atividade produtiva é, portanto, a fonte da consciência, e a “consciência alienada” é o reflexo da atividade alienada ou da alienação da atividade, isto é, da auto-alienação do trabalho. (MÉSZÁROS, 1981, p.76, grifo do autor)

Como se viu anteriormente, a vida humana não existe se não houver atividade. A partir do momento em que o homem se aliena da atividade produtiva surge uma sensação negativa, tendo em vista que a atividade torna-se obrigatória e dirigida contra ele, provocando a auto-alienação (o trabalho tem sentido apenas para satisfazer as necessidades externas do indivíduo).

“... é a relação do trabalhador com a própria atividade como sofrimento (passividade), a força como impotência, a criação como emasculação1, a própria energia física e mental do trabalhador, a sua vida pessoal”. (MARX, 2005, p.115).

Esta situação gera alienação, onde o trabalhador repudia o próprio trabalho, não se satisfaz, se degradando e negando a si mesmo (perda do sentido, do prazer em trabalhar).

3.3. Alienação do seu “Ser Genérico”

Segundo Marx (2005) o homem é um ser genérico “... no sentido de que ele se comporta diante de si mesmo como a espécie presente, viva, como um ser universal e, portanto, livre”.

O homem é um ser lingüístico que o diferencia dos demais animais por ter um nível de consciência mais desenvolvido que outras espécies, além do ato de pensar, mas, principalmente, por ser capaz de produzir o seu meio de vida de forma consciente.

Para Marx (2005), ao produzir, o animal constrói apenas para atender o padrão e a necessidade da sua espécie. Já o homem, de acordo com o seu grau de lucidez, além de construir a necessidade, incorpora também valores de beleza. Ao produzir o

meio de vida através do seu trabalho de forma livre, o homem produz sua própria vida material e se torna um ser genérico.

A consciência que o homem tem da própria espécie, altera-se por meio da alienação.

“O trabalho alienado inverte a relação, uma vez que o homem, enquanto ser lúcido, transforma sua atividade vital, o seu ser, em simples meio de sua existência.” (MARX, 2005, p.116)

Quando o produto do nosso trabalho se separa de nós mesmos, nos distanciamos e nos alienamos da própria comunidade.

“A alienação inventa a solidão humana, transforma cada um de nós em seres irreconhecíveis perante o outro, sem par perante a própria espécie”. (CODO, 1988, p.33).

3.4. O homem Alienado do Homem

O trabalho alienado transfere a natureza do homem, o homem de si mesmo, o homem da sua espécie, transformando sua vida genérica em meio da vida individual, acarretando uma oposição com os outros homens.

“A alienação do homem e além de tudo, a relação em que se encontra consigo mesmo, realiza-se e traduz-se inicialmente na relação do homem com os outros homens”. (MARX, 2005, p.118)

Diante das reflexões de Marx até aqui apresentadas sobre a alienação do trabalho, pode-se afirmar que o homem desde os tempos mais remotos quando ocorreu a divisão de classes, enxerga o produto do seu trabalho como algo externo a si mesmo,

cuja propriedade está nas mãos de outro homem, que detém o poder da propriedade privada.

... a propriedade privada constitui assim, o produto, o resultado, a conseqüência necessária do trabalho alienado, da relação externa do trabalhador com a natureza e com si mesmo.

A propriedade privada decorre-se, portanto da análise do conceito de trabalho alienado, da vida alienada, do homem estranho a si próprio. (MARX, 2005, p. 120)

Só há um comentário a ser introduzido pela história no conceito marxista de alienação. Marx (2005) acreditava ser a classe operária a mais alienada, daí a emancipação da alienação ter de começar necessariamente pela libertação dessa classe. Marx não previu até que ponto a alienação chegaria a ser o destino da vasta maioria das pessoas no mundo do trabalho, inclusive o empregado do escritório, o diretor da empresa, que hoje estão tão alienados quanto o operário da produção.

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