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O Valor do Trabalhador na Sociedade do Ter

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CAPÍTULO IV – RACIONALIDADE E BUSCA DE SENTIDO: MODERNIDADE E

2. O Valor do Trabalhador na Sociedade do Ter

Percebe-se que o trabalhador não ingressa no universo capitalista como um produtor dotado de necessidades de subsistência e de capacidade criativa, mas sim como um fornecedor de uma mercadoria abstrata que é a sua força de trabalho. Voltando à época do artesão, o mesmo desenvolvia o seu trabalho e impunha o seu próprio ritmo, ou seja, o artesão era dono do seu tempo.

Observa-se numa fábrica que o ritmo é imposto e o homem não tem mais a decisão sobre o tempo utilizado no seu trabalho. A fábrica iguala os homens apesar de suas diferenças, e ao mesmo tempo diferencia os homens, apesar das suas semelhanças.

Quando o indivíduo consegue o seu primeiro trabalho, a princípio ocorre um ato de liberdade, pois deixa de ser economicamente dependente da família e começa a

fazer parte da população ativa do país (possibilidade de decidir sobre o seu destino). Mas ao mesmo tempo ocorre um ato de escravidão, pois quando o homem entra no mundo do trabalho, o indivíduo se curva diante de um poder superior a ele, e passa a ser regido por um conjunto de valores que exigem um direcionamento comportamental voltado aos interesses dos donos do capital, relegando a um segundo plano o seu próprio objetivo e o pior, ocorre a alienação do homem em relação ao conhecimento que ele produz.

“Aquele conhecimento a que eu me referi continua existindo, só que ao invés de você se apropriar dele, foi ele que se apropriou de você. Quem diria, o trabalho que é o meio de se dominar o mundo, dominou você!”. (CODO, 1988, p.17)

Essa situação ocorre na sociedade capitalista, com a transformação do trabalho em mercadoria, regulado pela lei da oferta e da procura.

“O trabalho, modo de sobrevivência do homem, transformou-se em modo de exploração de um homem pelo outro”. (CODO, 1988, p. 29)

O valor do trabalhador varia na sociedade capitalista conforme a oferta e procura de mão-de-obra, e sua vida é considerada em proveito do capital. O trabalhador deixa de utilizar a sua criatividade e passa a ser visto apenas como força de trabalho (mão- de-obra).

Destaca-se que ao observarmos os donos do capital - a classe denominada burguesa - encontra-se tão ou mais alienada que a classe operária.

Apesar do excelente nível de vida material, vivem num estado de escravidão para manutenção e multiplicação do capital, não percebem os verdadeiros valores humanos e espirituais. Ricos em ter, mas pobres no ser. O capitalista defendendo os seus interesses, busca contratar o trabalhador com o menor custo possível, com o objetivo de aumentar a sua riqueza. O impulso cego da burguesia pela multiplicação da

sua riqueza, por um lado escraviza o próprio dono do capital que se torna refém da sua usura pelo dinheiro e por outro lado, o distancia da sua fonte universal divina.

Assim, fechamos o ciclo da alienação: de um lado o trabalhador oprimido, explorado, alienado e do outro, o capitalista escravizado e refém do capital..

Apresenta-se até o presente momento uma visão da modernidade e as conseqüências da racionalidade, provocando a perda do sentido. Encontra-se através de Weber um processo de “desencantamento do mundo”, que nada mais é do que a tomada de consciência de que a criação do homem nos leva a perda do significado e do sentido. A perda do sentido é tão profunda que ocorre de forma ampla e gera valores, crenças, etc.

Esse afastamento da essência do ser humano remete o homem à sociedade do ter onde o status é super valorizado, e a um sistema de consumo que visa sobretudo alimentar a estrutura capitalista.

Na luta insana pelo trabalho com o objetivo único do lucro, criam-se novas necessidades de consumo, fazendo com que o homem esteja cada vez mais dependente do dinheiro na busca contínua de satisfazer “necessidades do ter” que nunca preenchem o vazio da “necessidade do ser”.

Observa-se que a pós-modernidade é fluida em virtude da descentralização do poder, o que permite a organização de redes e ausência de barreiras e fronteiras.

O pós-moderno busca na sua essência uma desconstrução para a verdadeira liberdade do homem na construção da sua vida.

“Essa desconstrução quer na verdade, expressar um rechaço ontológico da filosofia ocidental e também uma espécie de obsessão epistemológica com os fragmentos e fraturas” (TEIXEIRA, 2005, p. 91)

Com a eclipse inexorável da razão instrumental, a pós-modernidade busca romper com o racionalismo, provocando uma ressaca de Deus, da história e do sujeito (não existe mais o sujeito e o ser é um projeto que se finda com a morte).

Na pós-modernidade desaparece o fundamento e ocorre o fim da história, que se transforma em estória, ou seja, evento. Desta forma, encontra-se na pós-modernidade o humanismo, que coloca o homem dentro de uma abertura consigo mesmo.

O humanismo busca emancipar o homem por meio de uma nova linguagem, que recaptura o sentido dentro de uma nova hermenêutica.

Segundo Cavalcanti, 1999, estudos humanísticos propiciam uma visão ou universo humanístico que é marcado profundamente pelo homem e a sua realidade contra os abusos dos paradoxos políticos. Trata-se de uma metamorfose na busca da construção de sentido.

... uma idéia de “metamorfose” que seja capaz de criar uma nova ética hermenêutica que tenha a capacidade de ocupar o lugar social que ocupava a religião. Pode-se dizer que a pós-modernidade é uma apologia do sentido, ou nesta se insere. (TEIXEIRA, 2005, p. 107)

O homem contemporâneo vê-se envolvido por uma inquietação, pois tem a sensação de poder fazer tudo, por outro lado tem a sensação de limitação de não poder fazer grande coisa, e conseqüentemente sente-se angustiado.

“A angústia, argumenta Heidegger, é um tipo de náusea ontológica que se apodera de você sempre que você chega perto de compreender a instabilidade inerente de sua existência”. (RÉE, 2000, p.38)

Depara-se diariamente com o niilismo econômico com o desespero humano na cobiça por mais dinheiro, com o niilismo político, na busca insana pelo poder, niilismo social, que para libertar é preciso invadir, guerrear e matar, niilismo familiar, que transfere para outras instituições o mister de educar, niilismo do ser, na busca

desenfreada pelo ter esquecendo cada vez mais do ser. Niilismo da educação, aonde a escola significa a retro-alimentação do sistema capitalista e não ensina a pensar, apenas adestram para repetição a continuar servindo o sistema.

O desemprego estrutural que afeta os países, é uma situação que a sociedade não pode aceitar com resignação, pois caso algo não seja feito, estaremos alimentando um processo perigoso de degradação social, cujas conseqüências no futuro poderão ser nefastas. A sociedade necessita reagir frente aos problemas sociais e encarar a situação do desemprego, como um fenômeno social, que pode ser resolvido com vontade política daqueles que estão no poder. Pensando no caso específico do Brasil, essa gama de trabalhadores desempregados, poderia ser utilizada caso tivéssemos políticas de desenvolvimento, somos um país carente quanto a construção de escolas, hospitais, malha viária, portos, infra-estrutura em geral e estas necessidades poderiam absorver os trabalhadores desempregados.

Precisa-se aproveitar os aspectos positivos da globalização, pois se de um lado ela contém aspectos negativos, por outro lado, ela trouxe inúmeras possibilidades e oportunidades para o ser humano crescer e se desenvolver.

A globalização do mundo abre outros horizontes sociais e mentais para indivíduos, grupos, classes e coletividade, nações e nacionalidades, movimentos sociais e partidos políticos, correntes de opinião pública e estilos de pensamento. (IANNI, 1997, p.123).

O passo mais importante para o processo de mudança é a consciência da situação, percebe-se o sentimento existente em segmentos da sociedade sobre a necessidade de mudanças. Ao tomar conhecimento da realidade em que se vive depara-se com as verdadeiras necessidades humanas, interferindo, desta forma, nas circunstâncias existentes. Acredita-se que para contribuir com a mudança desse processo, é necessária a evolução da consciência humana.

Para que isso aconteça, a ciência precisará romper os laços com os sistemas social, econômico e político dominante, os quais causam influências nos limites e nas prioridades científicas. A ciência atual somente nos permite estudar os fenômenos e atuar no presente (o homem só enxerga aquilo que acredita).

Isso permite refletir que o ser humano tem um potencial muito grande de aprendizado e que novos campos de estudo da ciência poderão emergir.

Destaca-se que a cisão que ocorreu na Europa Medieval entre o mundo científico e a igreja provocou um afastamento da ciência com relação aos fenômenos que esta ciência podia explicar. Desta forma, a igreja tomou posse do invisível e a ciência através da racionalidade assumiu o papel de desenvolver o saber.

Não faz mais sentido para ciência seguir carreira solo pela racionalidade, desconsiderando inúmeras outras explicações e possibilidades que poderão ajudar a humanidade. Acredita-se que o planeta terra está estruturado e planejado para evolução do homem e essa evolução pode ser realizada com todo o respeito à natureza e ao homem. Pode-se colocar para reflexão que, além do homem estar fadado a lidar com a natureza consigo mesmo e com o outro, existe um quarto componente que vem a ser amalgama desse tripé: o divino. Atualmente, encontra-se um movimento entre cientistas e religiosos que vem preencher a fenda entre a racionalidade e o invisível, na busca de desvendar o grande mistério da vida (explicação científica para a espiritualidade).

O dilema do trabalho seja pelo viés da alienação ou do desemprego é apenas um aspecto e uma situação caótica da sociedade moderna.

Verifica-se um número crescente de problemas:

- possibilidade de modificações climáticas irreversíveis, devido às ações indevidas do ser humano;

- progressiva escassez de água potável;

- pobreza em larga escala e a fome que assola várias regiões; - problemas sociais diversos: crimes, drogas, terrorismo etc;

- instabilidade econômica com ameaças de conflitos internacionais, em que se faça uso de armamento nuclear;

- ou seja, uma situação caótica.

A grande questão é se a sociedade pós-moderna tem capacidade de curar a si mesmo da “patologia da separatividade”.

Apesar das incertezas existentes, observa-se ao longo dos últimos anos, movimentos de transformação pessoal e social, possibilitando acreditar num futuro melhor.

Existe uma revolução silenciosa e pacífica com:

- movimentos pela consciência ecológica;

- movimentos pela paz mundial, pela justiça social;

- reconhecimento da existência das potencialidades do espírito divino do homem; - efervescência de novos valores, conceitos e visão do mundo, por um número cada vez maior de pessoas;

Na sociedade contemporânea pós-moderna a humanidade vive um momento de crise da perda do sentido e a alienação desdobra-se em vários segmentos da sociedade.

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