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3 CONCEITOS DE MULTIDÃO, PÚBLICO, AUDIÊNCIA E MASSA

No documento Teoria da Comunicação (páginas 31-35)

FIGURA 4 - AGRUPAMENTOS SOCIAIS

FONTE: <https://www.marketing365.com.br>. Acesso em: 25 nov. 2019.

Falamos para quem? Precisamos definir os nossos ouvintes. Saber para quem estamos falando, pois só assim pode haver comunicação. Agora está no momento de definir esses receptores, que podem ser agrupados em povo, público, multidão ou massa. Vamos ver as definições e as diferenças.

Para o nosso estudo, esses termos específicos são importantes e nos indicam como os meios de comunicação atingem as pessoas, qual o nível de influência que exercem na sociedade.

A sociologia nos ensina a entender os agrupamentos e o que eles podem sinalizar e facilita a compreensão dos efeitos da mídia na sociedade. Vamos ler essa parte que tem por objetivo definir os conceitos e clarear nossas ideias sobre esse assunto bastante próprio para nossos estudos.

Vamos entender esses termos, pois serão usados durante o nosso estudo, principalmente quando falarmos de comunicação massiva e os efeitos das mensagens sobre a massa.

Multidão

Caiu balão? Acidente de trânsito? Gritos? Todos olham para um mesmo lugar. Para esse grupo de pessoas chamamos de multidão. Definindo: aglomeração ocasional, sem objetivo previamente definido; reunião de pessoas por conta de um acontecimento.

As pesquisadoras Eva Maria Lakatos e Marina Marconi (1999, p. 112) usam o conceito de “ideia fixa”: “sua atenção (da multidão) focaliza-se sobre uma única coisa”. A idéia fixa pode ser um terremoto ou um vendedor decorando uma vitrine. O aspecto emocional e a força do grupo implicam uma condição de anonimato aceita ou tomada pelo indivíduo.

Essas três forças – o anonimato, o poder do grupo, a ideia fixa – podem afrouxar as amarras morais, levando o indivíduo a fazer, na multidão, atos que não realizaria sozinho. Apesar do aspecto impulsivo e espontâneo, a multidão nem sempre é imediata. Estas são as formas básicas de multidão, a partir das autoras acima:

● Multidão em pânico: gerada por um “perigo comum”, que exalta a intensidade dos estímulos entre os indivíduos;

● Multidão casual, que se reúne para observar um acidente, uma construção;

● Arruaça ou conflito, em manifestações de ruas, conflitos étnicos;

● Turba, multidão momentânea, como pessoas se aglomerando em torno de uma atriz famosa, ou para ver a prisão de um assassino. A turba pode se transformar em tumulto. Este, no entanto, é hostil e tem motivações anteriores;

● Multidão expressiva (Orgia): Lakatos e Marconi afirmam que sua função é aliviar a tensão, através de festas e rituais como o carnaval.

Público

Vamos assistir a uma peça de teatro? Talvez possamos ir ao estádio ver o jogo de seu time preferido? Nesses casos, temos o público.

Público é uma aglomeração marcada pela intencionalidade de aproximação. Segundo Dias (2001, p. 337), “um público passa a existir quando há um assunto social relevante que canaliza a atenção”. Público é um conjunto de pessoas, em geral dispersas geograficamente, que tem um interesse em comum. O público nem sempre atua em conjunto, mas, individualmente, podem tomar decisões homogêneas. O fato de “criar”, “tomar”, “manter”

decisões, mostra que há um nível de racionalidade no Público que inexiste em outras coletividades.“Opiniões formadas através de tal discussão rapidamente encontram uma saída na ação efetiva, mesmo contra – quando necessário – o sistema dominante de autoridade”; “Instituições autoritárias não penetram o público, que nisto é mais ou menos autônomo em sua operação”.

Dias afirma que “o público pode aceitar líderes [...], mas não lhes confere autoridade legítima para falar em seu nome” (DIAS, 2001, p. 337). O resultado das discussões e do pensamento do público se configura na opinião pública, que pode ser influenciada através da mídia.

Audiência

Audiência é um termo que se refere, genericamente, aos receptores da mensagem. O conceito de audiência evoluiu com o tempo. A audiência surgiu no século XV, junto com a invenção da imprensa. A leitura privada é outro fenômeno que acompanha o desenvolvimento da indústria gráfica (BRIGGS; BURKE, 2004) – e que caracteriza a audiência.

No século XIX, a proliferação de veículos impressos diferencia as audiências, segundo faixa etária, sexo etc. Em 1920, tem início a radiodifusão, que identifica a audiência com líderes políticos. Na mesma época, surge o cinema,

“primeira audiência genuína de ‘massas’”, e que identifica a audiência consigo mesma.

A atitude tem sido um fator essencial nos estudos de audiência e recepção.

Nas décadas de 1940 e 1950, com a ideia da passividade dos indivíduos e da forte influência dos media emerge o conceito de audiência de massa. Atualmente, considera-se que há uma pluralidade de audiências, e que as novas ferramentas tecnológicas de comunicação estão alterando o comportamento dessas.

Massa

Há muitas ideias e sentidos quando se fala em massa. Para nós, que estamos estudando o processo da comunicação, interessa o conceito de massa como a aglomeração marcada pela homogeneidade de comportamento social e pela passividade e pela heterogeneidade de classes sociais, em termos de composição social desigual.

Atualmente, podemos dizer que há dois pensamentos sobre a massa.

O primeiro considera múltiplas coletividades em oposição a um aglomerado único, e a existência de pessoas e grupos que não reagem de forma homogênea aos estímulos da mídia. O que nos interessa neste conceito é sua relação com a comunicação. Assim, para Lakatos e Marconi (1999), massa é “uma coleção abstrata de indivíduos”, “uma pluralidade indiferenciada de receptores”. A massa sofre forte influência dos agentes institucionais.

A existência da massa implica uma elite reduzida, pensante, ativa, governante. Ela é provocada, orientada, por esses formadores de opinião. Não há, ou é mínima, a circulação de informações, o que torna “reduzida a formação da opinião através da discussão” (LAKATOS e MARCONI, 1999).

Segundo Mauro Wolf, a origem do uso da palavra mídia encontra-se nas pesquisas norte-americanas sobre mass media, termo utilizado a partir dos estudos sobre voto durante as campanhas eleitorais e a opinião pública entre os

A mídia, plural latino de médium, meio, será aqui entendida como o conjunto das instituições que utiliza tecnologias específicas para realizar a comunicação humana. Vale dizer que a instituição mídia implica sempre a existência de um aparato tecnológico intermediário para que a comunicação se realize. A comunicação passa, portanto, a ser uma comunicação midiatizada. Esse é um tipo específico de comunicação que aparece tardiamente na história da humanidade e constitui-se em um dos importantes símbolos da modernidade. Duas características da comunicação midiatizada são a sua unidirecionalidade e a produção centralizada, integrada e padronizada de seus conteúdos.

Concretamente, quando falamos da mídia estamos nos referindo ao conjunto das emissoras de rádio e de televisão (aberta e paga), de jornais e de revistas, do cinema e das outras diversas instituições que utilizam recursos tecnológicos na chamada comunicação de “massa”

(LIMA, 2004).

Entender o termo mídia e sua relação com o termo massa é muito importante, principalmente quando atentarmos que os estudos de comunicação de massa serão um constante objeto de pesquisa da área. Afinal, os meios de comunicação (também chamados de mídia) trabalham em função de seu público, unificando em mídia de massa (mass media).

ATENCAO

Você percebeu que há diferenças nesses termos utilizados na comunicação?

Quando entrarmos nos estudos das correntes teóricas, vai entender melhor esses conceitos, pois há períodos em que se privilegia a ideia de massa e depois começam a compreender melhor o significado de audiência e preocupação com os receptores que se tornam cada vez mais seletivos em relação a produtos midiáticos.

No documento Teoria da Comunicação (páginas 31-35)