4 DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE
Analisaremos o delineamento histórico do crime de responsabilidade, no Império Greco-Romano, nos Estados Unidos, e por fim no Brasil. E temos a certeza que este instituto transcorreu ao longo de muitos anos, e permanece em no ordenamento jurídico brasileiro.
Chega-se ao núcleo do trabalho, nosso principal objeto de estudo.
E por fim, o escritor Alexandre de Moraes (2010, p.487) delineia sobre os crimes de responsabilidade:
Crimes de responsabilidade são infrações político-administrativas definidas na legislação federal, cometidas no desempenho da função, que atentam contra a existência da União, o livre exercício dos Poderes do Estado, a segurança interna do País, a probidade da Administração, a lei orçamentária, o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais e o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Conclui-se que, não há como relatar, descrever sobre os crimes de responsabilidade sem haver a associação com o artigo 85 da Constituição Federal e a lei nº 1.079/50. Pois, no artigo supracitado relata a matéria do crime de responsabilidade, o rol do instituto.
O rol que está presente no artigo 85 da Constituição Federativa do Brasil prevê os crimes de responsabilidade que podem ser cometidos pelo Presidente da República, porém há discussões doutrinárias se este é exemplificativo ou taxativo.
Relata sobre este assunto, o escritor José Cretella Júnior (1992, p.39):
há cerca de um século crimes de responsabilidade são todos os casos enumerados taxativamente pela regra jurídica constitucionalmente vigente e definidos pela lei especial regulamentadora, que estabelece e fixa as respectivas normas de processo e julgamento do Presidente da República.
Assim ocorreu, em 8 de janeiro de 1892 e em 10 de abril de 1950, quando as leis dessas datas, a de n.30 e a de n.1079, regulamentaram as Constituições vigentes. Desse modo, a Constituição enumera e dá os parâmetros; a lei ordinária especial define, exemplifica e regulamenta a regra jurídica constitucional básica.
Assim, percebe-se que o escritor José Cretella Junior acredita ser o rol do artigo 85 da Constituição Federal, um rol taxativo, na qual só poderá ser configurado como crime de responsabilidade o que está definido no texto constitucional.
Assegura o doutrinador que a Constituição só enumera, define de forma taxativa quais são os crimes de responsabilidade, e a lei ordinária especial, a Lei nº 1.079/50, apenas obedece aos parâmetros definidos pela Lei Maior.
Acerca deste assunto, e de maneira e posição semelhante, descreve o autor Walber de Moura Agra (2007, p.437):
Discordamos que a elencação desses crimes seja absolutamente exemplificativa. Pode a lei infraconstitucional acrescer novas tipificações, desde que se relacionem com o gênero individualizado pela Constituição, pois, caso contrário,estar-se-ia adicionando tipificações nas vislumbradas pela Carta Magna, com quebra da supremacia constitucional.
Mais um doutrinador descreve sobre as tipificações dos crimes de responsabilidade, analisa sobre o rol do artigo 85 da Constituição Federal, porém não de uma forma absoluta, pois acredita não ser um rol exemplificativo, pois apenas a Lei maior poderá definir quais são os crimes de responsabilidade, mas ao mesmo tempo afirma que a lei infraconstitucional poderá enquadrar e adicionar os crimes de responsabilidade.
Sendo tal afirmação no mínimo conflitante, pois se apenas a Constituição Federal poderá definir e tipificar quais são os crimes de responsabilidade, por que motivo poderá também a lei infraconstitucional definir os crimes de responsabilidade? Percebe-se que neste momento, Walber de Moura Agra (2007, p. 437) faz referência ao parágrafo único do art.85 da Constituição Federal.
Art.85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
[...]
Paragrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.
Por mais complexo que seja o pensamento do doutrinador Walber de Moura Agra, este prioriza o princípio da supremacia constitucional, na qual a mesma não poderá ser violada, por está acima de qualquer tipo de lei infraconstitucional, emendas à Constituição, decretos legislativos e deve os mesmos obedecer e submeter ao que está previsto na Carta Magna.
Assim, analisa-se que os autores José Cretella Júnior e Walber de Moura Agra, seguem a corrente de que o artigo 85 da Constituição Federal que descreve e tipifica os crimes de responsabilidade, é um rol taxativo, ou seja, só será o Chefe do Poder Executivo submetido ao que está tipificado no texto constitucional.
Resta agora, comentar sobre os doutrinadores e autores que afirmam ser o artigo 85 da Constituição Federal, um rol meramente exemplificativo.
Os doutrinadores Ricardo Cunha Chimenti, Fernando Capez, Márcio F.
Elias Rosa e Marisa F. Santos (2006, p.299) elucidam que:
A Constituição Federal exemplifica crimes de responsabilidade do Presidente da República no seu art.85, enquadrando na tipificação os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal, em especial contra a probidade na Administração, o livre exercício dos Poderes Legislativo, Judiciário e do Ministério Público, o cumprimento das leis e decisões judiciais, o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, a segurança interna do País, ainda que na forma tentada (v.LC nº90/1997) e a Lei Orçamentária.
A visão dos doutrinadores acima discriminados é de que o artigo 85 da Constituição Federal de 1988 é um rol meramente exemplificativo, na qual a Constituição Federal poderá ser completada por lei especial, conforme descrito no parágrafo único do art.85 da Lei Maior.
Outros dois autores concordam com que o artigo 85 do texto constitucional é um rol exemplificativo, Leda Pereira Mota e Celso Spitzcovsky (2004, p.225): “trata-se, pois, de um rol meramente exemplificativo, uma vez que outros poderão ser passíveis de idêntico enquadramento desde que afrontadores da Carta Magna”.
Tais doutrinadores concordam ser um rol exemplificativo, desde que as leis infraconstitucionais sigam o que esta pré-determinado na Constituição, e por ter a lei especial a possibilidade de criar novas tipificações de crime de responsabilidade, desde que respeitada as diretrizes da Carta Magna.
Para o atual Vice Presidente da República, Michel Temer em sua obra (2001, p.163) afirma que:
Essa enumeração é exemplificativa, pois o Presidente poderá ser responsabilizado por todos os atos atentatórios à Constituição Federal. Mas essa exemplificação ressalta a convicção de que somente certas pessoas, no exercício de certas funções, “podem” praticar crimes de responsabilidade.
Este autor também segue a corrente de que o artigo 85 da Constituição Federal de 1988 é um rol exemplificativo, e afirma que o Presidente da República pode ser responsabilizado pelos crimes de responsabilidade definido em Lei Maior.
E por fim, ilustra também acerca do mesmo assunto o doutrinador Alexandre de Moraes (2010, p.487):
A Lei Maior prevê, no art.85, rol meramente exemplificativo por todos os atos atentatórios à Constituição Federal, passíveis de enquadramento idêntico ao referido rol, desde que haja previsão legal, pois, o brocardo nullum crime sine typo também se aplica.
Assim, analisa-se que os doutrinadores Ricardo Cunha Chimenti, Fernando Capez, Marcio F. Elias Rosa, Marisa F. Santos, Michel Temer, Leda Pereira e Celso Spitzcovsky e Kildare Gonçalves Carvalho seguem a corrente de que o artigo 85 da Constituição Federal é um rol meramente exemplificativo e que pode ser definido e acrescentado por lei especial, guardada seus devidos parâmetros para com a Constituição Federal.
Conclui-se que tal corrente é a predominante, na qual o rol é meramente exemplificativo e que a lei especial poderá determinar quais são os crimes de responsabilidade.