• Nenhum resultado encontrado

Conceitos e Princípios do pensamento educacional brasileiro

2.2 EDUCAÇÃO EM PAUTA

2.2.1 Conceitos e Princípios do pensamento educacional brasileiro

Inicialmente podemos iniciar os fatos destes pensamentos direcionados para as bases pedagógicas brasileiras por meio da herança pedagógica constituída por uma pedagogia Jesuítica no período colonial. Como pontua Ghiraldelli (1994, p. 20) a pedagogia de cunho religioso-católico jesuítica foi responsável pelo ensino inicial brasileiro nos seus mais de duzentos anos, onde suas políticas educacionais foram norteadas pelo Ratio Studiorum1, e que mesmo com a expulsão da Companhia de

Jesus do Brasil, no ano de 1759, boa parte dos professores da Primeira República (1889-1930), religiosos ou leigos, tinha os seus pensamentos pedagógicos incrustados ainda através do Ratio Studiorum (que se baseava na matéria pela matéria, pelo método e pelo professor), mesmo um século depois. Essa questão aponta para uma certa incapacidade do pensamento educacional que ainda não era desvinculado da religião e que não supera uma organização forjada pelo catolicismo no Brasil.

Durante a Primeira República acontecem diferentes transições deste pensamento educacional, onde se destacam três linhas, descritas e desmembradas por Ghiraldelli (1994, p. 20) como a Pedagogia Tradicional, que estava associada diretamente ao pensamento de intelectuais ligados à oligarquia e dirigentes de Igrejas; Pedagogia Nova, movimento ligado a burguesia e classe média para encontrar uma forma de reestruturação e modernização do estado e sociedade Brasileira; e a Pedagogia Libertária, que diferente as duas primeiras não estava ligado à classes dominantes e sim aos movimentos sociais populares do período e que desejam uma transformação social.

1 Organização e plano de estudos da Companhia de Jesus, publicado em 1599. (GHIRALDELLI,

Entre 1984 e o início dos anos 10, o entusiasmo pela educação estava amortecido. Este fator de falta de interesse à educação estava ligado diretamente à ordem econômica, no qual os interesses do período direcionados apenas para as políticas oligárquicas2.

Durante a Primeira Guerra Mundial, acontece uma recuperação deste entusiasmo, promovido por boa parcela dos intelectuais para questões ligadas ao desenvolvimento do país e também à problemáticas educacionais. Ainda referente a tomada de iniciativa para a educação, Ghiraldelli afirma que:

No final dos anos 10 do século 20 registra-se um relativo crescimento industrial e um novo patamar de urbanização da sociedade brasileira. Isso significou novas pressões em favor da escolarização. (GHIRALDELLI, 2000, p. 20).

É neste período que acontece o espanto com a taxa de analfabetismo brasileiro, que de certa forma era generalizado. Ghiraldelli (2000, p. 18) traz os dados que respaldam este espanto, onde em 1920, 75% da população era analfabeta, o que de certa forma causa um grande impacto social e consequentemente caminhos para ressuscitar o entusiasmo pela educação. Através deste entusiasmo criaram-se várias ligas para erradicar o analfabetismo do país, tais como “Liga de Defesa Nacional” (1916) e da “Liga Nacionalista do Brasil” (1917).

Na década de 30, como é ressaltado por Ghiraldelli (2000, p. 39) são fortalecidos e ressaltados projetos para uma elaboração de uma nova política educacional do país, dentro de mudanças propostas pela Segunda República. As atitudes do governo Vargas, logo após o encerramento da Primeira República, vieram para controlar duas tendências do pensamento pedagógico, estruturadas na década passada. De um lado estava o pensamento tradicional, e de outro o pensamento de profissionais da educação que ansiavam mudanças significativas nas políticas públicas, tanto de forma qualitativa quanto quantitativa.

É no período da década de 1930 que Vargas cria o Ministério da Educação e Saúde Pública, sendo o ano 1931 palco da “IV Conferência Nacional de Educação”, organizado para discutir o tema sobre as diretrizes da educação popular, conforme fomenta Ghiraldelli (2000, p. 41).

2 Essa oligarquia citada corresponde aos cafeicultores, no qual “colocavam os seus interesses próprios

como interesse da nação. Recorriam aos banqueiros internacionais para financiamento de suas lavouras, logo endividando o estado”. (GHIRALDELLI, 1994, p. 17).

Sobre as leis orgânicas voltadas para o ensino, começam a serem estruturadas por meio do Estado Novo, se completando após o seu término. Estas leis, identificadas por Ghiraldelli (2000, p. 83) dentro de uma chamada Reforma Capanema, apresentaram seis decretos que abraçavam o ensino primário, secundário, industrial, comercial, normal e agrícola. Ghiraldelli (2000, p. 83) ainda continua com a reflexão sobre o sistema educacional do país, que até então não existia, onde o período do Estado Novo também fortalece a criação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), Instituto Nacional do Livro, Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem (SENAI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC).

Em meio a mudanças, no dia 20 de dezembro de 1961, pela Lei nº. 4.024 acontece o firmamento da primeira Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional que já tramitava no Congresso há 13 anos, e que só é implementada em 1971 e atualizada em 1996. A LDB determina o que antes não estava respaldado legalmente, que a educação seja um direito e, deve ser assegurado pelo poder público, reforçando principalmente a obrigatoriedade do ensino primário para todos.

Com a Constituição de 1988, é criada uma terceira versão da lei que traz como base a educação brasileira. Até os dias de hoje, vigoram as Leis de Diretrizes e Bases, sancionada em 20 de dezembro de 1996 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Com essa nova versão aconteceu a inserção da educação infantil na educação básica; o reconhecimento da educação à distância; a criação do Plano Nacional de Educação; e a obrigatoriedade da formação profissional para atuar na educação básica. Com a

Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) firmada, a educação básica começou a ganhar um protagonismo e a se constituir em: Educação infantil, ensino médio e educação de jovens e adultos.

Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), pensa também a educação de base, o acesso e permanência na escola e se apresentam atualmente como direitos garantidos pela Constituição Federal (1988), pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9.394/96) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069/90.

Documentos relacionados