Embora existam parques tecnológicos com características específicas, que podem diferenciar-se em alguns aspectos, em essência todos partilham de características básicas comuns. Dentre elas, pode-se destacar as seguintes: um parque tecnológico é fundamentado numa propriedade imobiliária que possui áreas ou construções, existentes ou planejadas, destinadas preferencialmente para atividades de P&D (pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico) do setor público ou privado e empresas fundamentadas na ciência e na alta tecnologia, bem como a serviços de suporte a essa atividades e empresas; é propriedade de universidade ou de outras instituições de ensino superior ou de pesquisa, ou deve ter relacionamento operacional com uma ou mais dessas entidades; pode ser uma instituição com ou sem fins lucrativos; promove atividades de P&D da universidade em parceria com a
46 Segundo o autor a implantação possui dez etapas que acompanham o produto desde sua concepção até o acompanhamento do seu uso. São elas: (1) concepção do produto; (2) localização e escolha do terreno; (3) anteprojeto de arquitetura; (4) projeto legal de arquitetura; (5) projeto executivo; (6) vendas; (7) planejamento de comunicação; (8) planejamento de comercialização; (9) acompanhamento de obra; e (10) acompanhamento de uso.
indústria, oferecendo assistência ao desenvolvimento econômico, e auxilia a transferência de tecnologia e habilidades empresariais entre universidade e empresas residentes no parque (FIGLIOLI, 2013).
As diferenças, acima descritas, motivam as diversas denominações encontradas, tais como Parques de Ciência (Science Parks), Parque tecnológico (Technology Park) e Parque de Pesquisa (Research Park; University Research Park)47.
Entre as definições de Parques Tecnológicos, neste trabalho destacam-se as adotadas por associações de Parques, seja de âmbito internacional como a International Association of Parks (IASP), e a Association of University Research Parks (AURP), e de associações de países como a United Kingdom Science Parks Association(UKSPA) – Reino Unido, e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC) do Brasil.
Segundo a definição da United Kingdom Science Park Associations (UKSPA) – Reino Unido, um parque tecnológico:
é uma organização, gerida por profissionais especializados, cujo objetivo fundamental é aumentar a riqueza da comunidade em que se insere mediante a promoção da cultura da inovação e da competitividade das empresas e instituições geradoras de conhecimento, instaladas no parque ou a ele associadas (UKSPA, 2003, s/p).
Para tal fim o parque tecnológico deve estimular e gerenciar o fluxo de conhecimento e tecnologia entre as universidades, instituições de pesquisa, empresas e mercado, estimular a criação e o crescimento de empresas (startups) inovadoras mediante mecanismos de incubação e geração de empreendimentos (spin-off) e oferecer outros serviços de valor agregado além do espaço e das instalações de qualidade.
Segundo a definição da ANPROTEC,
Um parque de ciência é uma iniciativa cujo principal propósito é apoiar a criação e desenvolvimento de empresas inovadoras, de base tecnológica, mediante fornecimento de infraestrutura e serviços de suporte que incluem incubação de empresas e mecanismos de relacionamento entre o setor empresarial e as instituições de ensino e pesquisa de excelência, bem como uma gerência engajada na transferência de tecnologia e habilidades empresariais para empresas apoiar empresas de pequeno e médio porte (ANPROTEC, 201-, s/p).
47 Parques de Ciência envolvem as estruturas de pesquisa da Instituição Mantenedora – dedicada a spin-offs e startups da própria universidade, Parque tecnológico, pode ser apenas um empreendimento imobiliário para implantação de empresas de base tecnológica sem vínculo direto com uma ICT – permitem produção em escala, Parques de Pesquisa normalmente recebem as Unidades de Pesquisa das empresas, não as empresas em si e não permitem produção em escala. Parques de Ciência e Tecnologia (PCT) são espaços híbridos destinados a promover a articulação entre o setor produtivo e as instituições de ciência e tecnologia em busca da inovação de produtos e processos.
Neste trabalho usa-se o entendimento de Spolidoro e Audy (2016, s/p) sobre Parques Tecnológicos, descrevendo-os como
complexo industrial de base científico-tecnológica planejado, de caráter formal, concentrado e cooperativo, que agrega empresas cuja produção se baseia em pesquisa tecnológica desenvolvida nos centros de P&D vinculados ao Parque; ou ainda um empreendimento promotor da cultura da inovação, da competitividade e do aumento da capacitação empresarial fundamentado na transparência do conhecimento e tecnologia, com o objetivo de incrementar a produção de riqueza.
No que tange à realização de atividades para implantação das estruturas físicas e de serviços de um parque tecnológico, pode-se considerar as seguintes fases de desenvolvimento do empreendimento (LUGER; GOLDSTEIN, 1991; TADEU, 2002; FIPASE, 2006):
Concepção do projeto – envolve estudos preliminares de diagnóstico de vocação da cidade e região, concepção do conceito do parque, definição das organizações interessadas em participar do projeto;
Planejamento – definição das estruturas físicas e de serviços, definição da área, estruturação jurídica do empreendimento, constituição legal da organização gestora, estudos ambientais, projeto urbanístico, com definição de faseamento, elaboração de planejamento econômico detalhado e de plano de captação de recursos;
Implantação – negociação com investidores, formalização de contratos de financiamento, construção da infraestrutura básica, de edifícios institucionais e de negócios, infraestruturas tecnológicas, áreas verdes e sociais; prospecção e divulgação do projeto para atração de empresas; disponibilização de terrenos/salas para implantação de empresas;
Operação – fase em que as empresas já estão instaladas no parque e existe a criação e a manutenção dos serviços prestados pelo parque às empresas residentes e manutenção / ampliação dos elementos constitutivos.
Todas essas etapas se assemelham igualmente à implantação de outros projetos de grande porte e impacto especialmente na fase de projeto, conforme demonstra a Tabela 1 a seguir, desenvolvida por Spolidoro e Audy (2008), referente aos grupos e características quanto à base física de um parque tecnológico, mostrando que a natureza do arranjo depende do conjunto de ativos e disponibilidades de cada área de implantação:
Tabela 1: Tabela descrevendo Grupos e características quanto à base física de um Parque Tecnológico
Grupo Características Casos típicos
internacionais Casos típicos nacionais
Tipo da Base Física
Uma área exclusiva Stanford Research Park Tecnovates Diversas áreas exclusivas Parque Tecnológico
universidades ou centros de P&D Stanford Research Park TECNOSINOS
Fora do campus de universidade ou
centro de P&D Sophia Antipolis Alfa/SC
Dimensões
Até 10 hectares Tidel Software Park OCEANPARK
De 10 a 100 ha Cambridge Science Park TecnoUNISC
De 100 a 1000 ha Stanford Research Park
Sapinens Park – Florianópolis
Acima de 1000 ha ResearchTriangle Park PQTec- São Jose dos Campos/SP
Substrato
Terreno no meio urbano Tidel Software Park Parque Tecnológico de Pelotas na periferia das cidades e áreas rurais e conjuntos desativados
Parque Tecnológico
Rennes TECNOPUC
Fonte: Adaptado de Spolidoro e Audy (2008)
Atualmente os parques científicos e tecnológicos podem ser considerados um dos tipos de Ambientes de Inovação (AIs), junto a novos modelos e abordagens, como Cidades Inteligentes, Distritos de Inovação, Comunidades de Inovação e clusters, entre outros.
No Brasil, abordagens mais recentes estão adotando o conceito de Ecossistemas de Inovação, como equivalentes (algumas vezes como sinônimo) a Áreas de Inovação. Conforme Audy e Piqué (2016, p. 22),
Esse conceito visa estabelecer um paralelo com a biologia e os ecossistemas naturais, onde a vida se cria, se adapta e evolui, com intensa interação e sinergia.
Independente do modelo adotado, o desenvolvimento de uma AI necessita de uma série de fatores para ter sucesso no processo de transformação econômica, social e urbana onde atua.
Logo, ainda que uma mudança no perfil esteja ocorrendo, os parques tecnológicos têm se caracterizado mais pelo enfoque nos resultados econômicos que suas atividades geram nas localidades onde atuam, do que pelas transformações que sua implementação aporta no espaço urbano, mesmo nos casos em que as operações imobiliárias constituem o grande diferencial do projeto.
Ainda com base em Audy e Piqué (2016, p. 10), “os espaços físicos diferenciados de uso compartilhado funcionais e abertos caracterizam os parques científicos e tecnológicos desde o seu surgimento”. Além da questão física e do design, eles estimulam um novo comportamento das pessoas, pois os novos ambientes de inovação envolvem atores com interesses comuns e apresentam características e serviços diferenciados, tais como presença de empresas inovadoras de diversos portes; gestão da propriedade Intelectual; acesso a redes internacionais; contato com investidores e acesso a capital de risco; uso compartilhado de laboratórios de pesquisa e desenvolvimento; relação com universidades e centros de pesquisa;
uso de tecnologias limpas; espaços de convivência e descompressão.
Em relação ao que considera os atributos de sucesso dos Parques Tecnológicos Hauser (et al., 2015) nos oferece um resumo através de fluxograma adaptado de Giulianni (2011, p.
68), como segue (Figura 3):
Figura 3: Atributos de sucesso de Parques Tecnológicos
Fonte: Giuliani (2011, p. 68 apud Hauser et al., 2015)
Além desses fatores, os PCTs possuem também características estruturais comuns a estes ambientes (ANPROTEC, 2014), são instituições híbridas, com gestão profissional, frutos de iniciativas conjuntas dos governos, empresas e universidades; geram intervenções urbanas de impacto onde se situam, com repercussões nos instrumentos públicos do seu ambiente; incorporam em suas estruturas diversos mecanismos de geração de novos empreendimentos inovadores e de base tecnológica como incubadoras de empresas, aceleradoras, espaços de coworking e living labs.
Essas características peculiares indicam que os PCTs necessitam de amplos estudos prévios para sua implantação, pois mesmo em países e regiões mais desenvolvidos, segundo Lacerda (2015, p. 332), “não se implantam tais estruturas em qualquer espaço. Em geral, os parques tecnológicos se localizam nas grandes cidades, por serem esses elementos, por excelência, de integração com o sistema econômico global”.
Ao mesmo tempo, as grandes cidades oferecem oportunidades em termos de disponibilidade de locais de grande porte e com infraestrutura necessária a suportar o volume de pessoas, recursos e demandas que compreendem aos recursos para gerar inovação, sejam sítios históricos ou não. Sobre a oferta de infraestrutura urbana que podem ser adaptadas para novos usos, Fernandes (2015, p. 332) ainda destaca os investimentos públicos necessários para adaptação dos locais:
Tal conversão não se faz, entretanto, sem investimentos públicos de variadas fontes para suprir a lista de novas infraestruturas (particularmente a oferta de rede digital), a recuperação de antigas, a requalificação de edificações e a construção dos requisitos em termos de serviços de apoio às atividades inovativas das empresas, entre outros aspectos, com inevitáveis repercussões sobre a dinâmica imobiliária local.
De forma que, mesmo quando não estão localizados em áreas de maior visibilidade como Centros Históricos, as estruturas construídas para atender a implantação de um PCT criam uma nova centralidade, uma nova área com um modus vivendi48 e um modus operandi49 diferenciados, porém abertas às conexões com o entorno.
Walter Gropius (1919, p. 147) disse que não há na arquitetura nada de definitivo50 – apenas transformação contínua, certamente o mesmo pode ser dito sobre os ambientes de Inovação.