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3. REVISÃO DA LITERATURA

3.4 Estilos de Aprendizagem

3.4.3 Conceitos Fundamentais da Aprendizagem Segundo Kolb

A aprendizagem parte da seguinte premissa: todo desenvolvimento profissional prospectivo decorre da aprendizagem atual, assim como o desenvolvimento já constituído é imprescindível para o aprendizado.

Aprender pela experiência não significa que qualquer vivência implique em aprendizagem. Assim sendo, aprendizagens oriundas das experiências demandam esforços contínuos de ação e reflexão.

De acordo com a teoria de Kolb, o homem é um ser político, isto é, vive em sociedade e pode aculturar-se, sendo capaz de aprender partindo de sua experiência; ou de sua reflexão sobre esta experiência. Uma pessoa aprende motivada por seus próprios objetivos, isto é, empenha-se na aquisição de certos “aprendizados” que lhe faça sentido. Segundo Kolb, aprendizagem é: “o processo por onde o conhecimento é criado através da transformação da

experiência. Esta definição enfatiza que o conhecimento é um processo de transformação, sendo continuamente criado e recriado. A aprendizagem transforma a experiência tanto no seu caráter objetivo como no subjetivo. Para compreendermos aprendizagem, é necessário compreendermos a natureza do desenvolvimento, e vice-versa”. (1984, p. 38)

Por esse aspecto, compreende-se que a aprendizagem não manifesta apenas no aspecto cognitivo, mas também na reflexão das experiências, de modo a petrifica-las em aprendizagens, é mister também se considerar os sentimentos, as emoções e as intuições que perfazem o funcionamento psicológico, ou seja, em uma estrutura sistêmica composta de cognição, percepção, afinidades e ação.

A teoria de Kolb tem no seu postulado histórico-cultural (Piaget e Vygotsky entre outros seguidores) uma fonte de inspiração. Com vistas à qualificação profissional, Kolb afirma que o cerne do desenvolvimento profissional encontra-se no processo de aprendizagem, em alusão a princípios e conceitos de Vygotsky e Piaget, e define mais uma vez. "Aprendizagem é o processo por onde o desenvolvimento ocorre" (Kolb, 1984, p. 132). Segundo esta linha de raciocínio, à semelhança do que trata a abordagem determinística, aprendizagem resulta da ação humana sobre o ambiente. Consoante o indivíduo se torna capaz de criar um significado as suas experiências, revisando-as e planejando o futuro, como se fosse uma simbiose entre o indivíduo e o ambiente onde está inserido.

A aprendizagem da ênfase a interdependência entre características intrínsecas do aprendiz e características externas do ambiente, entre conhecimento adquirido de caráter pessoal e social. A aprendizagem é individualizada na medida em que toda ação educativa é uma liberação de forças, tendências e impulsos existentes no indivíduo.

Toda educação é social, adquirida de uma maneira de agir comum. Nada se pode ensinar nem se aprender, senão através de uma compreensão coletiva ou de um uso comum. O conhecimento é social, afirma o autor, "não existe somente em livros, fórmulas matemáticas ou sistemas filosóficos; requer aprendizagem interativa para interpretar e elaborar estes símbolos" (Kolb, 1984, p. 122). "O processo de aprendizagem advindo da experiência determina e atualiza o desenvolvimento potencial. Esta aprendizagem é um processo social; portanto, o curso de desenvolvimento individual é determinado pelo sistema cultural e social de conhecimento" (Kolb, 1984, p. 133).

Kolb sustenta esse postulado no conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky, Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), é um conceito elaborado por Vygotsky, e define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro adulto ou não. Quer dizer, é a série de informações que a pessoa tem a potencialidade de aprender mas ainda não completou o processo, conhecimentos fora de seu alcance atual, mas potencialmente atingíveis. Ainda segundo Kolb "Através de experiências de imitação e de comunicação com outras pessoas e de interação com o ambiente físico, as potencialidades de desenvolvimento são estimuladas e postas em prática até que internalizadas como desenvolvimento efetivo [real] independente" (Kolb, 1984, p. 133).

Na visão de Kolb, a experiência é primordial para o desenvolvimento. Faz parte de um processo histórico e continuo de aprendizagem, presente diuturnamente ao longo da vida do indivíduo. As experiências de aprendizagem levam ao desenvolvimento porque buscam um objetivo específico de aprendizado.

Em termos de parâmetros educacionais, a contextualização de Kolb de aprendizagem e desenvolvimento tem a intenção de serem antagônicas as teorias racionalistas e outras teorias cognitivistas, que possuem uma ênfase à aquisição, manipulação e uso de símbolos abstratos, e de teorias comportamentais de aprendizado que renegam qualquer papel à consciência e à experiência subjetiva no processo de aprendizado.

Kolb antagoniza às abordagens historicamente marcadas pelo caráter na dimensão cognitiva e não aceita a perspectiva linear de desenvolvimento. Para Kolb, o maior problema do processo de cognição é delegar ao conhecimento o papel de superestrutura, como se ele governasse todo o comportamento humano, convertendo o desenvolvimento em um curso previsível linear e progressivo. Do ponto de vista de Kolb, a cognição não progride separadamente das outras dimensões de desenvolvimento, haja vista que a inteligência humana é oriunda de conflitos e diálogo entre cognição, percepção, afinidades e ação. Aprender é um processo contínuo e ascendente, impulsionado pela experiência (KOLB, 1984).

Na concepção de Kolb, o desenvolvimento é representado por três níveis, a saber: aquisitivo, especializado e integrativo, correspondentes a três esferas qualitativamente

distintas de consciência, conforme a complexidade das ações e dos processos reflexivos de cada ser singular, em cada momento de seu desenvolvimento.

A transição entre os níveis é variável, dependendo das experiências sociais e culturais de cada individuo em sua vivencia. Devido às estas oscilações de um nível para o outro pendularmente, não se pode avaliar os profissionais segundo um único modo de aprender. Pode-se tomar como exemplo: um piloto de F1 que não pilota avião terá um nível integrado de consciência quanto às operações aprendidas para pilotar carros de corrida; em contrapartida, terá um nível aquisitivo para pilotar uma aeronave. No entanto, somente ao dar início ao aprendizado de pilotar aeronaves, tornar-se-á explícita e factível a maneira como o nível integrativo para pilotar auxilia no novo empreendimento.

O nível de aquisição de aprendizagem se caracteriza por adquirir habilidades básicas que estão na base das estruturas cognitivas, isto ocorre com experimentos reais, ou seja, na experimentação feita pelo individuo. Os resultados desse desenvolvimento são a lógica de raciocínio e o processo de construção de hipóteses e deduções lógicas. Kolb define esta capacidade, “que permitem imaginar dentro de um sistema puramente simbólico e de testá-los na realidade, convergindo em aprendizagem pela transformação de uma dada compreensão por extensão a outros setores de conhecimento" (Kolb, 1984, p. 142).

Segundo a autora Alessandra Pimentel em seu texto intitulado A teoria da aprendizagem experiencial como alicerce de estudos sobre desenvolvimento profissional. Para Kolb, a consciência estruturalmente integrada deve-se à reunião de diferentes ações, operações e significações num nível holístico. O integrativo é o estágio mais complexo do desenvolvimento, manifesto tanto pela segurança e auto-afirmação decorrentes da capacidade de reconhecer as próprias competências quanto pela necessidade de novas mudanças, em aspectos que a pessoa julga importante alterar aprimorar, transformar ou destituir.