3. REVISÃO DA LITERATURA
3.4 Estilos de Aprendizagem
3.4.4 Learning Style Inventory (LSI)
Este modelo classifica as preferências por aprender das pessoas a partir de dois eixos: 1) como elas percebem a informação, sendo um extremo a experiência concreta e o outro a concepção abstrata e,
2) como elas processam a informação, de um lado por observação reflexiva e de outro pela experimentação ativa.
Figura 1: Como se processam as informações nas pessoas.
1. Explicações das Dimensões
Experiência Concreta (Concrete Experience - CE): enfatiza envolvimento com pessoas em situações cotidianas. Nesta dimensão, o aprendiz tende a se apoiar mais em intuições e percepções que em uma abordagem sistemática para as situações com que se defronta. Em um ambiente de aprendizagem, a habilidade do aprendiz em manter a mente aberta, ser flexível e se adaptar às mudanças são características importantes. Nessa dimensão, as pessoas devem aprender através das experiências específicas envolvendo pessoas e devem fazer uso de suas intuições e percepções. Para atender esse modo de aprendizagem, o professor deve incluir atividades de ensino personalizadas.
SENTIR
PENSAR
PERCEBER
Pessoas percebem pela impressão que a informação causa - Experiência Concreta
Pessoas percebem raciocinando e ponderando
sobre a nova experiência - Conceptualização Abstrata
FAZER PROCESSAR OBSERVAR
Envolvimento pessoal e ativo
Experimentação Ativa
Prestando atenção e observando
Observação Reflexiva (Reflective Observation - RO): as pessoas agrupam idéias e situações a partir de diferenciadas perspectivas. Em uma situação de aprendizagem, o observador reflexivo está apoiado na paciência, na objetividade e no julgamento cuidadoso. Esses aprendizes dependem de seus próprios pensamentos e percepções para formar uma opinião. Em outras palavras, essas pessoas aprendem observando e escutando. Elas devem observar cuidadosamente antes de tomar decisões. Elas vêem as questões sob diferentes perspectivas e procuram o significado das coisas. Durante as atividades de ensino, o professor deve oferecer ao aprendiz oportunidades para exercitar a reflexão.
Conceptualização Abstrata (Abstact Conceptualization - AC): o aprendizado de uma pessoa envolve o uso da lógica e de idéias, em vez de intuições e percepções para entender problemas ou circunstâncias específicas. Tipicamente, esse aprendiz utiliza de planejamento sistemático e desenvolve teorias para resolver problemas. Essas pessoas analisam as idéias logicamente, planejam sistematicamente e agem segundo seu entendimento intelectual da situação. Este tipo de aprendiz precisa de tempo para analisar a informação apresentada.
Experimentação Ativa (Active Experimentation - AE): a aprendizagem envolve experimentar, intervir ou provocar mudanças em uma situação. Os experimentadores ativos têm uma abordagem pragmática e sua preocupação é com o que funciona na prática, e não com a simples observação de uma situação. Eles valorizam “o fazer” e ver os resultados de sua intervenção e de sua criatividade. Este tipo de pessoa aprende fazendo e tem a habilidade de fazer coisas. Experimentadores ativos definitivamente aceitam correr riscos, e influenciam pessoas e eventos através da ação. Para acomodar este tipo em uma situação de aprendizagem, aos estudantes devem ser oferecidas muitas oportunidades para atividades práticas, onde os estudantes efetivamente “ponham a mão na massa” (hands-on).
Figura 2: Dimensões de Kolb
2. Os Estilos de Aprendizagem de Kolb
O modelo de KOLB assume que a Experimentação Ativa (EA) e a Observação Reflexiva (OR) são modos opostos de aprender, e que a Conceptualização Abstrata (CA) e a Experiência Concreta (EC) também o são, conforme figura apresentada a seguir. Cruzando o eixo de como a informação é percebida com o eixo de como a informação é processada, e combinando esses quatro modos de aprendizagem, surgem os quatro tipos de estilos de aprendizagem definidos por KOLB:
EXPERIÊNCIA CONCRETA (CE) CONCEITUALIZAÇÃO ABSTRATA (CA) OBSERVAÇÃO REFLEXIVA (RO) EXPERIÊNCIA ATIVA (AE) OBSERVADOR ATIVO FORTES VALORES PESSOAIS ESTRATÉGIA: OBSERVAÇÃO CUIDADOSA TRABALHAR COM O REAL
OBTER RESULTADOS PRÁTICOS ESTRATÉGIA: TESTAR AS SITUAÇÕES
ORGANIZAÇÃO LÓGICA E FORMAL (INFORMAÇÕES E CONCEITOS) VALORES PESSOAIS SECUNDÁRIOS
ESTRATÉGIA: ANÁLISE DE IDÉIAS SELECIONAR ESTÍMULOS AMBIENTAIS
VALORIZAR RELACIONAMENTO INTERPESSOAL
SENTIR (E.C.)
FAZER (E.A.) OBSERVAR (O.R.)
PENSAR (C.A.) E SE? ACOMODADORES SIMULAÇÃO AUTO-DESCOBERTA POR QUE? DIVERGENTES QUESTIONAMENTO DESENVOLVER RELAÇÕES COMO? CONVERGENTES TUTORIA TRANSFERIR HABILIDADES O QUE? ASSIMILADORES EXPOSIÇÃO TRANSMITIR CONHECIMENTO
Figura 2A: Estilos de Kolb
Divergentes: o divergente tem forças de aprendizagem opostas ao do convergente e é melhor na Experiência Concreta (EC) e na Observação Reflexiva (OR). Seu grande potencial reside na habilidade imaginária. O divergente tem grande habilidade para ver situações concretas de muitas perspectivas diferentes. O nome divergente foi dado porque uma pessoa com esse estilo tem melhor desempenho em situações que requerem a geração de idéias, como em uma sessão de brainstorming. Os divergentes estão interessados em pessoas e tendem a ser imaginativos e emocionais. Eles têm interesses culturais amplos e tendem a se especializar em artes.
Assimiladores: as habilidades de aprendizagem dominantes do integrador são a Observação Reflexiva (OR) e a Conceptualização Abstrata (CA). Seu maior potencial está na habilidade de criar modelos teóricos. Eles são excelentes no raciocínio indutivo - em integrar observações diferentes e distintas reunindo-as em explanações integradas. Como o convergente, o integrador é menos interessado nas pessoas e mais voltado para conceitos abstratos. Para esse tipo de pessoa, é mais importante que a teoria seja logicamente correta e precisa. Ciências básicas em vez de ciências aplicadas são favorecidas.
Convergentes: as habilidades dominantes do estilo convergente são Conceptualização Abstrata (CA) e Experimentação Ativa (EA). Sua maior capacidade está na aplicação prática de idéias. Este estilo de aprendizagem é chamado “convergente” porque uma
pessoa com esse estilo busca uma solução rapidamente, e parece ter sucesso em situações tais como testes convencionais de inteligência, onde há uma única resposta ou solução correta para uma questão ou problema. O conhecimento do convergente é organizado de tal modo que, através do raciocínio hipotético-dedutivo, ele consegue manter o foco em problemas específicos. Pesquisas realizadas indicam que os convergentes são racionais (relativamente sem emoção), preferindo lidar com coisas em vez de pessoas. Eles tendem a ter interesses técnicos restritos e escolhem se especializar em ciências físicas.
Acomodadores: as pessoas com estilo acomodador têm características de aprendizagem opostas ao estilo assimilador, e são melhores na Experimentação Ativa (EA) e na Experiência Concreta (EC). Seu maior potencial (força) é fazer coisas, realizar planos e experiências, e envolver-se em novas experiências. Eles tendem a aceitar mais os riscos das decisões, que as pessoas dos outros três estilos. Este estilo recebe também o nome “adaptador” porque as pessoas deste tipo adaptam-se a circunstâncias imediatas específicas. Em circunstâncias onde a teoria ou os planos não se ajustam aos fatos, eles provavelmente rejeitarão o plano ou a teoria. As pessoas com estilo oposto, “assimilador”, terão maior propensão a descartar ou reexaminar os fatos. O acomodador é de fácil relacionamento, mas algumas vezes parece impaciente e exagerado “cobrador de resultados”. O acomodador normalmente vem de campos técnicos ou práticos, empresariais.
3. Regra de Ouro
Não há um modo único que descreva completamente o estilo de aprendizagem de uma pessoa. Na realidade, o estilo de aprendizagem de cada pessoa combina alguns, ou todos, esses modos de aprender (Kolb,1985).
Todo professor deve usar diferentes estratégias de aprendizagem mesmo que exista um modo de aprendizagem dominante entre os alunos, seja na modalidade presencial, seja na modalidade a distância. A retenção pode ser incrementada quando um professor utiliza diversas estratégias de aprendizagem. Stice (1987) encontrou uma similaridade entre o aumento da retenção do aprendizado proveniente do movimento através dos quatro quadrantes, e o incremento da retenção quando métodos instrucionais visuais, verbais e globais foram empregados conjuntamente.
Da mesma forma que a articulação entre apreender e compreender é essencial à elaboração de conhecimentos concretos e abstratos, os processos de transformação (operações mentais para refletir e agir) são mutuamente complementares e imprescindíveis para o desenvolvimento psicológico. A figura 3 destaca o modelo de aprendizagem de Kolb, onde se visualiza o ciclo de aprendizagem proposto pelo cientista, e as características de cada perfil.
Na proposição de Kolb, experiência concreta, observação e reflexão, formação de conceitos abstratos e, finalmente, teste de hipóteses e conceitos em situações novas constituem os pilares do vínculo cíclico e dialético entre experiência vivida, construção de conhecimento e projeção de aprendizagem em experiências futuras.
Esse ciclo de quatro quadrantes de aprendizagem pode iniciar a partir de quaisquer das modalidades, resultando em formas distintas de intervir na realidade e aprender com a experiência. Supondo-se o início pela experiência concreta, segue-se a observação sobre as condições da experiência, sua meta e as ações erigidas. Nessa etapa, o exemplo advindo da experiência imediata é compreendido, propiciando o exame e a seleção de ações que possam ser aplicadas a circunstâncias semelhantes, a fim de antecipar novas experiências e projetar ações plausíveis no futuro. Finalmente, os conhecimentos e desenvolvimento resultantes podem ser testados, na experiência ativa, a partir da qual o ciclo se renova de modo ascendente e contínuo.
FIGURA 2B: Ciclo de Aprendizagem de Kolb OSERVAÇÃO REFLEXIVA CONCEITOS ABSTRATOS EXPERIÊNCIA ATIVA
EXPERIÊNCIA ATIVA OBSERVAÇÃO
RELEXIVA CONCEITOS ABSTRATOS ACOMODADOR DIVERGENTES CONVERGENTE ASSIMILADOR EXPERIÊNCIA CONCRETA