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CONCEITOS GERAIS E PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DAS

3. CAPÍTULO 3

4.1 CONCEITOS GERAIS E PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DAS

Este capítulo tem por objetivo apresentar conceitos gerais e princípios de interpretação aplicados à avaliação psicológica, para a fundamentação e compreensão dos resultados obtidos no presente estudo.

Medir um determinado fenômeno significa descrevê-lo em termos quantitativos ou numéricos como escores, graduações ou classificações. Para este fim, na psicologia são desenvolvidos testes que, mediante procedimentos sistemáticos e padronizados, são empregados para observar e descrever os comportamentos utilizando-se de escalas numéricas ou de categorias fixas (CRONBACH, 1996; WOOLFOLK, 2000).

Avaliação é um conceito mais amplo que o de testagem e por isso, às vezes, considera os resultados de testes junto com outros procedimentos. Um levantamento de informações na psicologia pode caminhar de um extremo psicométrico, com todo seu rigor e objetividade nos procedimentos, a outro extremo, chamado por Cronbach (1996) de impressionista, baseado em interpretações subjetivas.

Para Cronbach (1996), existem dois pressupostos que embasam a psicometria: “Se uma coisa existe, ela existe em certa quantidade. Se ela existe em certa quantidade, ela pode ser medida.” A importância desse tipo de mensuração acentua-se quando o problema a ser investigado pode ser bem definido por uma pergunta a ser respondida e o pesquisador tem conhecimento e experiência na área para interpretar os resultados obtidos. Sendo demonstrada a validade da interpretação e das regras para tomada de decisão, as informações provenientes da aplicação de um teste tendem a se refinar de modo mais regular, comparadas às obtidas através de outros tipos de avaliação.

As principais características da abordagem psicométrica são: a definição da tarefa, a objetividade dos registros, o rigor da avaliação e a ênfase na precisão e validação de seus instrumentos. Nos testes padronizados, a administração das provas,

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os procedimentos de avaliação e interpretação devem ser minuciosamente seguidos, visando condições de controle máximo para assegurar a semelhança da experiência para todos os participantes. A padronização é a exigência de que as informações que o participante recebe, os aparelhos (quando utilizados) e as normas para a avaliação foram pré-determinados. Esses cuidados buscam assegurar a comparação de resultados obtidos em diferentes situações

Nenhum teste psicológico retrata um quadro exato das características individuais. Na verdade, eles podem oferecer uma pequena amostra do comportamento, crenças ou conhecimentos com fidedgnidade, permitindo reprodução e explicitação de seus resultados (CRONBACH, 1996; WOOLFOLK, 2000).

Um teste pode ter os escores de todos seus itens computados em um único total ou, em outros casos, ser composto por resultados parciais, subtestes, que podem ser interpretados separadamente e comparados, possibilitando a identificação de um “perfil” de desempenho, assim como analisar as características pessoais em aspectos específicos que compõem o constructo.

O uso de testes teve seu início em 1900 aproximadamente, com as primeiras publicações de livros sobre procedimentos de testagem. As experiências iniciais foram informais ou casuais, principalmente envolvendo observação em situações de atendimento clínico. Na primeira guerra mundial, a seleção de recrutas foi baseada em testes psicológicos e, a partir desse fato, a produção e publicação desse tipo de avaliação teve um incremento considerável, despertando interesse de psicólogos clínicos, administradores escolares e do sistema escolar de modo geral, principalmente nos Estados Unidos. Sem rigor nos critérios para sua oferta, os testes eram simplesmente criados por profissionais da área e lançados no mercado. Com o grande volume de publicações anuais, a produção de testes escolares e industriais passou a ser de responsabilidade de grandes editoras e de empresas especializadas.

Após o entusiasmo inicial e da proliferação de diferentes tipos de testes, esforços foram despendidos para que sua utilização fosse centralizada e houve maior exigência quanto ao refinamento dos procedimentos como, por exemplo, na elaboração de itens, na experimentação, no exame dos resultados, na montagem, na impressão, distribuição e administração. Além disso, a avaliação dos testes passou a ser exigida, assim como o

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retorno de seus resultados às pessoas envolvidas (CRONBACH, 1996).

Pesquisadores, professores e profissionais da área de psicologia utilizam amplamente a avaliação, o diagnóstico e diversas formas de medida em seu cotidiano, seja para embasar tomadas de decisão, para conhecer determinado contexto ou para verificar a eficácia de programas de intervenção. No entanto, é reconhecida a falta de instrumentos voltados para a realidade social e cultural brasileira e, mesmo assim, pouca atenção tem sido dada para a avaliação dos instrumentos disponíveis ou para o desenvolvimento de novas tecnologias (SISTO; SBARDELINI; PRIMI, 2001).

O surgimento da profissão de psicólogo no Brasil nos anos sessenta foi atrelado ao trabalho com testes, sendo este período seguido por um descrédito geral na possibilidade de se medir as manifestações do psiquismo humano. Sem dados sistemáticos sobre o problema, pode-se perceber atualmente um crescimento, em nossa realidade, da pesquisa voltada à avaliação psicológica. Especificamente na educação, a avaliação tem recebido grande destaque, fortalecendo a necessidade de se desenvolver instrumentos que atendam satisfatoriamente as necessidades da área. Além disso, ressalta-se a prioridade que foi atribuída à subárea de “Fundamentos e Medidas em Psicologia” pelo Conselho Assessor de Psicologia no CNPq, colocando-a como uma das cinco, entre dez, que mereceriam maior apoio (BARIANI; SISTO; SANTOS, 2001).

Segundo Noronha et al. (2002), um dos problemas ligados ao uso de testes no Brasil é que, geralmente, eles são apenas traduzidos, sem a realização de estudos prévios sobre sua validade. Na literatura nacional são escassos estudos sobre validade de testes psicológicos, fato este que contrasta com o crescente interesse por parte dos pesquisadores pelos instrumentos de avaliação. A resolução nº 25/2001 do Conselho Federal de Psicologia gerou uma expectativa de que ocorra um aumento de pesquisas na área de avaliação psicológica. O conteúdo da Resolução trata principalmente dos requisitos mínimos e obrigatórios para a apresentação e utilização de instrumentos de avaliação psicológica, destacando a necessidade de explicitar a fundamentação teórica do instrumento, definir o constructo avaliado em seu aspecto constitutivo e operacional; apresentar evidências empíricas de validade e precisão das interpretações propostas para os escores do teste, apresentar dados empíricos sobre as propriedades

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psicométricas dos itens e, finalmente, a necessidade de evidência da validade e precisão, para o ambiente cultural brasileiro, dos testes estrangeiros traduzidos para o português. De modo geral, as diretrizes contidas na Resolução visam assegurar a confiabilidade dos instrumentos de avaliação psicológica e, para alcançar esse objetivo, contribuem para a valorização estudos de validação.

4.2 CONCEITOS CHAVE PARA INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS DA