A INTERTEXTUALIDADE NA FORMAÇÃO E NO CONHECIMENTO DO LEITOR
2 CONCEITOS HISTÓRICOS E TEÓRICOS DA INTERTEXTUALIDADE
A intertextualidade está presente em nossa sociedade de uma maneira muito notável, e este assunto é de extrema importância para a formação e o conhecimento do leitor. Para que assim ele possa saber reconhecer ou identificar quando há um diálogo entre os textos, ou melhor, onde a intertextualidade se encontra presente. Quando falamos em intertextualidade, podemos entender o Inter, como entre, quando um texto entra em outro, ou melhor quando um texto se relaciona dialogando com outro.
A descoberta da intertextualidade, foi no ano de 1969, por uma filosofa, escritora chamada Júlia Kristeva (1984), junto com os estudos de Mikhail Bakhtin (1981). O conceito da palavra intertextualidade, já podemos decifrar na sua própria escrita, aonde o termo Inter, quer dizer entre, ou seja, quando um texto entra em outro texto existente, dialogando um com o outro, ou melhor a intertextualidade e a influência de um texto sobre o outro, valorizando não só a forma, mas a função do texto original, sem perder a sua ideia principal, assim como declara Júlia Kristeva (1984) que:
Mas essa falta de rigor é, antes, uma descoberta que Bakhtin foi o primeiro a introduzir na teoria literária: todo texto é construído como um mosaico de citações; todo texto é absorção e transformação de outro. A noção de intertextualidade substitui aquela subjetividade, e a linguagem poética é lida pelo menos como dupla. (KRISTEVA, 1984, p. 66).
Mikhail Bakhtin (1981) foi o primeiro escritor que introduziu esse fenômeno na teoria literária, e no mundo, mais foi Júlia Kristeva, que se aprofundou no conteúdo, se aperfeiçoando e criando assim, o termo intertextualidade, fazendo várias pesquisas, e entendo melhor o que era a intertextualidade, através de estudos de Bakhtin. O recurso da intertextualidade é utilizado entre os textos, e é um fenômeno que faz referência explícita ou implícita, aprimorando os elementos existentes em algum texto, podendo acontecer não apenas só nos textos, mais também em outros tipos, como por exemplo, na música, na pintura, em filmes, novelas, entre outros.
A referência explícita ocorre quando, ficam claras as ideias e as fontes nas quais o texto se baseou, acontecendo de uma maneira intencional. Assim, como foi mencionado que: “a intertextualidade será explícita quando, no próprio texto, é feita menção à fonte do intertexto, isto é quando um outro texto ou um fragmento é citado, é atribuído a outro enunciado. ” (KOCK; ELIAS, 2008, p. 28).
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Mas a referência explícita exige que o leitor tenha um bom conhecimento de contexto textual, e um conhecimento prévio de mundo para que ele possa compreender e identificar aonde intertextualidade se encontra presente no texto. De acordo com Meserani (1995, p. 72) “a intertextualidade implícita fundamenta-se no pressuposto segundo o qual todo texto literário entra numa relação de assimilação e de transformação ou de transgressão. ” Assim na referência implícita exigirá um pouco mais de atenção e compreensão textual, pois ela não é fácil de se identificar no texto, não apresenta elementos que possa reconhecer logo de cara o texto base. Meserani (1995, p.72), declara que, tanto para o escritor ou para o leitor, o texto sempre terá um código a ser decifrado, descodificado, sendo assim o leitor terá que ter um conhecimento prévio de contexto textual para que possa identificar e assimilar a intertextualidade implícita.
A intertextualidade é muito ampla, há pelo menos 7 tipos de intertextualidade, a primeira delas e a paráfrase, que é considerada um recurso que ajuda a decifrar alguns textos, ajudando a melhorar alguns termos ou expressões, de uma maneira mais simples. Para que a paráfrase possa existir, é necessário que um texto se dialoga com outro texto, servindo como alusão para a produção de um novo conteúdo. A paráfrase na intertextualidade nada mais é do que um recurso de interpretação textual, que consiste na reformulação de um novo texto, aonde o novo autor troca algumas palavras ou expressões do texto original sem perder a ideia central da informação, assim como afirma José Gaston Hilgert, (1989) que a:
Atividade linguística de reformulação por meio da qual se estabelece, entre um enunciado de origem e um enunciado reformulado, uma relação de equivalência semântica responsável por deslocamento de sentido que impulsiona a progressividade textual. (HILGERT, 1989, p. 114).
O segundo tipo de intertextualidade é a paródia, que hoje é muito comum em nosso país. Quando uma pessoa pega uma música, de algum cantor e faz uma nova versão, mudando algumas palavras ou expressões, estamos falando da intertextualidade na música. Isto é, aonde alguém pega uma música preexistente e dá um novo sentido para ela, sem perder suas raízes principais. Segundo Barros e Fiorin (1999, p. 49) “paródia significa canto paralelo (de para = ao lado de e ode = canto), incorporando a ideia de uma canção cantada ao lado de outra, como espécie de contracanto”. Já para Aristóteles (1964, p. 85), a paródia era considera como uma arte aos homens para eles serem inseridos na vida cotidiana.
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alguma reprodução ou referência direta de algum trecho de um autor, para dar ênfase ao seu próprio texto, usando as mesmas palavras e ideias que o autor utilizou, para dar credibilidade ao seu novo conteúdo, um exemplo de citação e essa monografia que está sendo escrita. O outro tipo de intertextualidade é a referência ou alusão, que segundo Rogério Covaleski, (2009):
De forma mais sutil que a citação, a alusão é outro processo de relação intertextual, que remete a uma obra anterior, mas sem fazer uso de fragmentos dela. Utiliza somente uma construção equivalente, substituindo determinadas figuras por outras. (COVALESKI, 2009, p. 43).
Ou seja, ela não se apresentada de uma forma direta na intertextualidade, e sim, através de fatos históricos ou características simbólicas.
A epígrafe é o quinto tipo de intertextualidade, que foi criada para fazer uma pequena fragmentação de texto, que é colocada em uma página única, ou no começo do capítulo, para preparar melhor o leitor, para ler o que vem em seguida. Essa pequena extensão, que foi tirada de algum autor não irá se misturar com o texto que será produzido, assim o novo escritor, pega um conceito filosófico de outra obra para sintetizar seu novo texto, criando sua própria identidade.
Já à pastiche é considerada uma obra artística ou literária que tem a técnica de mesclar os estilos, fazendo uma colagem ou imitação de outras obras, sejam elas de escritores, pintores ou músicos, fazendo pequenas passagens de vários textos em um só.
E por fim, o último tipo de intertextualidade é a tradução, que é um recurso muito utilizado, para uma recriação original de alguma obra, escrita em língua estrangeira, para a língua nativa, preservando as palavras, os sentidos e o estilo do autor. Ela é caracterizada como um tipo de intertextualidade, por estimular várias interpretações e novas expressões, ajustando os textos para a língua alvo do leitor.
Analisando-se os conceitos teóricos da intertextualidade compreende-se que, o seu significado, é quando um texto entra em outro texto, ou seja quando há um diálogo entre um texto existente, com outro texto pré existente, aonde essa nova criação tem como base as ideias do autor da obra já existente, criando assim uma nova versão, de novos textos, sem perder a ideia central ou principal do texto existente, tendo assim, novas formas e um novo contexto textual, sem perder a referência principal do fragmento de origem. Entretanto, a intertextualidade pode acontecer de uma maneira intencional ou não, podendo acontecer dentro desses 7 tipos de Intertextualidade, basta que o leitor possa reconhece-la.
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Já no conceito histórico, afirma-se que, a intertextualidade é um contexto dialogismo que entende-se, que todo texto precisa se dialogar com outros textos, ou seja, um texto sempre estará relacionado com outros textos já existentes. O termo intertextualidade foi criado na década de 60, por Júlia Kristeva, dizendo que qualquer texto é um intertexto, ou seja, que um texto existente dá origem a outro texto que irá ser criado. Assim como afirma Bentes e Magalhães (2008, p. 09) que: “Todo texto revela uma relação radical do seu interior com seu exterior e dele fazem parte outros textos que lhe dão origem, que o predeterminam, com os quais dialoga que ele retoma a que ele alude ou aos quais se opõe. ”
Sendo assim todo texto é uma alusão de outros textos existentes podendo ser mais aprimorado, aperfeiçoado e compreendido melhor nessa nova criação, de um novo autor, tendo como base as referências culturais e históricas de outros textos, que serão servidos como base, nessa nova versão, aonde o leitor poderá entender, conhecer e identificar a referência que o novo texto utilizou. Afirma-se que: “O texto, então é tomado como um evento no qual os sujeitos são vistos como agentes sociais que levam em consideração o contexto sociocomunicativo, histórico e cultural para construção dos sentidos e das referências dos textos. ” (CAVALCANTE,2013, p.19).
A intertextualidade está ligada a produção e recepção de textos, mas para que o leitor tenha um bom desempenho é necessário que ele tenha conhecimentos prévios de conceitos culturais, e também de questões relacionadas a outros textos de diferentes tipos de autores, tendo assim um conhecimento prévio de saberes de mundo, para que possa compreender, reconhecer e identificar quando a intertextualidade se encontra presente. Assim conclui Bakhtin (1929) que “ um texto está sempre relacionado com outros textos”. Para que ocorra um melhor entendimento da intertextualidade o leitor deverá aprimorar e aperfeiçoar os seus conhecimentos prévios, para que então, ele possa decifrar aonde a intertextualidade se encontra presente, não apenas nos textos, mais também em músicas, novelas, pinturas, filmes, cinemas entre outros.
Para ter um melhor entendimento da intertextualidade devemos primeiramente conhecer os conceitos históricos e teóricos da mesma. Entretanto, no conceito histórico da Intertextualidade é analisada como “stricto sensu”, ou seja a intertextualidade necessita da presença de outros textos, para que ela possa existir, assim como afirma Bentes e Magalhães (2008, p.17) que: “se tratando de
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intertextualidade stricto sensu, é necessário que o texto remeta a outros textos ou fragmentos de textos efetivamente produzidos, com os quais estabelecem algum tipo de relação”.
Segundo Koch; Elias (2009):
Todos nós já conhecemos o princípio segundo o qual todo texto remete sempre a outro ou a outros, constituindo-se como uma “resposta” ao qual foi dito ou, em termos de potencialidades, ao que ainda será dito, considerando que a intertextualidade se encontra na base da constituição de todo e qualquer dizer. Em sentido restrito, todo texto faz remissão a outro (s) efetivamente já produzido (s) e que faz (em) parte da memória social dos leitores(...). (KOCH; ELIAS, 2009, p.101).
Portela (1999) conclui que:
O termo intertextualidade designa essa transposição de um (ou de vários) sistema (s) de signos noutro(...) “num sistema significativo, o qual exige uma nova articulação do tético da personalidade enunciativa e denotativa”. Quando ocorre um diálogo entre os muitos textos de uma (ou várias) cultura(s) que se instala no interior de cada texto e o define, tem-se o fenômeno da intertextualidade, um ponto de intersecção de muitos diálogos, cruzamento de vozes oriundas de práticas da linguagem socialmente diversificada, que têm no texto sua realização. (PORTELA, 1999, p. 69). Entende-se que para ter uma melhor compreensão da Intertextualidade e essencial e indispensável que o leitor tenha a ativação de conhecimentos prévios, pois é através desses conhecimentos, que o mesmo irá aprimorar e enriquecer seus contextos textuais, conhecendo e aperfeiçoando seus entendimentos históricos e teóricos sobre a Intertextualidade. Sendo assim o leitor terá a capacidade de conhecer diferentes obras de diversos autores lhe permitido fazer referências necessárias para que assim o mesmo possa relacionar ou descodificar diferentes partes de diversos textos, tendo como base a coerência e perfeição. Para que assim o leitor possa ter um olhar mais crítico enriquecendo os seus contextos textuais. Retomando os conceitos históricos da intertextualidade, Júlia Kristeva (1984), analisou a teoria de Bakhtin (1981), relatando assim, que havia no formalismo um caráter construtivo, ou melhor, uma crítica de como um texto poderia ser construído. Assim como afirma Júlia Kristeva (1984) que:
A formalização axiomática, mesmo sendo prática semiótica simbólica, não é um sistema fechado; está, consequentemente, aberta a toda atividade significante a ideologia que a impregna é a única à qual não escapará, pois, essa ideologia constitui toda explicação (todo grama e toda ciência, logo, toda sociedade); trata-se da ideologia do conhecimento (de uma diferença que tende a se aproximar daquilo de que, originariamente, foi diferenciada). Ela é ideologia ainda na medida em que deixa ao semanticista a liberdade de escolher seu objeto e de orientar sua partilha de acordo com sua posição na história. (KRISTEVA, 1984, p.130). ”
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começou a perceber que os textos poderia ser tornar cada vez mais eficaz, mais amplo, mais aberto, analisando o texto em um todo, não só em suas formas, mas também em suas funções. Então suas ideias, e de Bakthin fugia dos formalismos, tomando novos rumos, novas experiências, aonde descobriram que todo discurso se torna um diálogo. Assim como afirma Bakthin (1981) que:
Em toda parte é o cruzamento, a consonância ou dissonância de réplicas do diálogo aberto com as réplicas do diálogo interior dos heróis. Em toda parte, um determinado conjunto de ideias, pensamentos e palavras passa por várias vozes imiscíveis, soando em cada um de modo diferente (BAKHTIN, 1981: 235).
E para ter uma melhor compreensão de textos, e preciso que o leitor, tenha o hábito da repetição de leituras, aonde o mesmo possa aprimorar e aperfeiçoar cada vez mais o seu entendimento, compreendendo melhor o que se está lendo, e qual o foco que o autor pretende atingir, e para que isso aconteça, e necessário que o leitor leia várias vezes a mesma história, incluindo outras obras, para que assim, consiga fazer comparações, tendo seu olhar mais crítico, aonde poderá dar suas opiniões positivas e negativas em relação aos textos. Assim como afirma Carvalhal (2001) que:
No entanto, quando a comparação é empregada como recurso preferencial no estudo crítico, convertendo-se na operação fundamental da análise, ela passa a tomar ares de método- e começamos a pensar que tal investigação é um estudo comparado. Pode dizer então que a literatura comparada compara não pelo procedimento em si, mas porque, como recurso analítico e interpretativo, a comparação possibilita a este tipo de recurso literário uma exploração adequada de seus campos de trabalho e o alcance dos objetivos a que se propõe. (CARVALHAL, 2001, p. 10-16).
O leitor deve também ter o hábito de ler obras diversificadas, fazendo assim, diversas comparações com diferentes tipos de autores, aonde poderá ter uma melhor dimensão de contexto textual, e um enriquecimento de suma importância, não apenas para a sua leitura, mais também para o seu vocabulário, tendo assim diferentes conhecimentos, para ter novas críticas no mundo dos textos. Júlia Kristeva (1984) conclui que:
Desse modo, a cada vez, a repetição introduz uma nova dimensão que encaminha o leitor mais e mais para um verossímil perfeito: dos sememas justapostos passamos (através da conexão sujeito-predicado) a sintagmas nominais e sintagma verbal. A sequência repetição não o é jamais mecanicamente: um aumento do verossímil segue seu curso até que a conexão sujeito-predicado enfeixa todos os sememas. O leitor não iniciado descobre, então, nessa repetição corretiva, uma motivação (o silogismo) e um tempo (a linearidade: origem-fim) e, com isso, nela reconhece o princípio natural. (KRISTEVA 1984), p.158).
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no carnaval, (como ele dizia “A visão carnavalesca do mundo”). Para ele, todo texto deveria ser situado na história. Naqueles tempos, Bakthin despertava a curiosidade do leitor, para que assim, o mesmo pudesse ter uma visão mais crítica do mundo da leitura e da escrita. Criando assim, novas perguntas sobre fragmentos que foram usados para formular algumas teorias naquela época. Assim como afirma Kristeva (1984) que:
A história e a moral escrevem-se e leem-se na infra-estrutura dos textos (...) é consequentemente no carnaval que Bakhtin irá buscar as raízes dessa lógica, sendo assim o primeiro a estudá-la. O discurso carnavalesco quebra as leis da linguagem censurada pela gramática e pela semântica, sendo, por esse motivo, uma contestação social e política: não se trata de equivalência, mas de identidade entre a contestação do código linguístico oficial e a contestação da lei oficial (KRISTEVA, 1984, p.67)
Concluímos que:
O texto está, pois, duplamente orientado: para o sistema significante no qual se produz (a língua e a linguagem de uma época e de uma sociedade precisa) e para o processo social do qual participa enquanto discurso. Seus dois registros, de funcionamento autônomo, podem se separar em prática menores, onde um remanejamento do sistema significante deixa intacta a representação ideológica que ele se transporta, ou, inversamente, eles se reúnem nos textos marcando blocos históricos. (KRISTEVA, 1984, p.13) A partir dessas novas ideias e curiosidades, Júlia Kristeva, direcionou seus estudos e pesquisas nas teorias de Bakthin, aonde redirecionou seus estudos para a produtividade do texto. Compreendendo e analisando, as origens de um texto, aonde o mesmo poderia influenciar outras histórias, em uma mesma forma, mas com funções diferentes, sem perder a ideia central do texto de origem. De acordo com Samoyault (2008):
Todas as palavras abrem-se assim às palavras do outro, o outro podendo corresponder ao conjunto da literatura existente: os textos literários abrem sem cessar o diálogo da literatura com sua própria historicidade, e a noção tem todo o interesse em tornar a crítica sensível à consideração da complexa relação que a literatura estabelece entre si e o outro, entre o gênio individual singular e o aporte intertextual e não puramente psicológico do outro. (SAMOYAULT, 2008: 21-22).
Assim Júlia Kristeva, a partir dos estudos e teorias de Bakthin, criou o termo intertextualidade, divulgando-o primeiramente em uma revista muito famosa da época. Reforçando que, em todos os tempos, os textos surgiram em relação com outros textos anteriores ou contemporâneos, ou seja, um determinado fragmento sempre fará citações, diretas ou indiretas, de outras obras já existentes, entrelaçando as relações temáticas e formais de diferentes textos, que influenciam essas novas ideias e pensamentos, de diferentes tipos de autores. Determinando um
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conjuntos de ideias e saberes, aprofundados e diferenciados, tendo como base outros trabalhos, de autores diferentes, para que assim, sua nova criação ou nova versão de um novo trabalho, seja inovado, tornando-se uma composição inovadora influenciada por estudos e referência anteriores, sendo que, cada texto, é de um modo diferente, mas tem os mesmos pensamentos e objetivos, para se passar ao leitor, de diferentes pontos de vistas e entendimentos, mas com o mesmo foco principal. Como afirma Genette (2010) que:
Um palimpsesto é um pergaminho cuja primeira inscrição foi raspada para se traçar outra, que não a esconde de fato, de modo que se pode lê-la por transparência, o antigo sob o novo. Assim, no sentido figurado, entenderemos por palimpsestos (mais literalmente: hipertextos) todas as obras derivadas de uma obra anterior, por transformação ou por imitação. Dessa literatura de segunda mão, que se escreve através de leitura, o lugar e a ação no campo literário geralmente, e lamentavelmente, não são reconhecidos. Tentamos aqui explorar esse território. Um texto pode sempre ler um outro, e assim por diante, até o fim dos textos (GENETTE, 2010, p. 5).
Genette (2010) ainda afirma que:
(...) todo texto pode ser citado e, portanto, tornar-se citação, mas a citação é uma prática literária definida, que transcende evidentemente cada uma de suas performances e que tem suas características gerais; todo enunciado pode ser investido de uma função para textual, mas o prefácio (diríamos de bom grado o mesmo do título) é um gênero; a crítica (metatexto) é evidentemente um gênero; somente o arquitexto, certamente, não é uma categoria, pois ele é, se ouso dizer, a própria classificação (literária) (...) (GENETTE, 2010, p. 21)
Júlia Kristeva (1984) conclui que:
(...) todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto. Em lugar da noção de intersubjetividade instala-se a de intertextualidade, e a linguagem poética lê-se pelo menos como dupla” (KRISTEVA, 1984, p. 68).
Entende-se, que os fragmentos existentes, serviram de alguma forma como referência ou como base, para que o novo escritor, tenha uma nova visão, podendo assim fazer críticas construtivas, sobre os textos bases, para que assim, o mesmo, com o seu novo entendimento, posso transferi-lo para o leitor, tendo então, um sentido captado, somente quando compreendemos a relação do texto lido com outras versões dele. Todas as obras, sejam elas literárias ou não, pertencem a um