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DESENVOLVIMENTO MUNICIPAL

3. Conceitos relevantes e o PPA

Em 1998, por meio do Decreto no 2.829, o governo federal estruturou um

modelo padrão para a elaboração e a gestão do PPA de 2000-2003. Ressalta-se que tal modelo, até os dias de hoje, serve de base para a formulação dos planos em diversas esferas (federal, estadual e municipal). Por meio desse decreto, é possível identificar algumas características relevantes e que devem permear a estruturação e a execução do PPA, a saber:

• É um plano programático: o PPA organiza em programas todas as ações a serem desenvolvidas pela administração pública, assegurando a conver- gência destes com o planejamento estratégico do chefe do poder.

• É um plano pautado na transparência: prevê a divulgação das informa- ções de execução dos programas do governo, permitindo maior controle quanto à aplicação dos recursos e possibilitando maior participação da sociedade no processo de alocação de recursos.

• É um plano que estimula as parcerias: o plano deve prever e estimular a participação de outras esferas de governo (estadual e federal) e da inicia- tiva privada como alternativas para o financiamento dos programas. • É um plano que deve ser amparado por um sistema de gerenciamento:

dotar os gestores públicos de um sistema gerencial estruturado, de forma a auxiliar no processo de tomada de decisão e direcionar a aplicação de recursos para o alcance dos resultados pretendidos. Entre outras coisas, tal sistema visa promover a transparência no acompanhamento e exe- cução dos programas, conforme já mencionado.

• É um plano que deve ser avaliado: criar condições para a mensuração de indicadores de avaliação e, a partir disso, compatibilizar a alocação de re- cursos com a capacidade de execução e geração de resultados.

É importante mencionar que esses programas devem ser definidos a partir dos problemas e prioridades a serem atendidos, além de ressaltar os objetivos que devem ser alcançados no atendimento dessas demandas. Esses programas devem conter as ações que deverão ser postas em prática para que se alcancem os objetivos estabelecidos.

Em termos mais formalizados, a estruturação de um PPA deve seguir al- gumas fases, tais como: a) análise socioeconômica (diagnóstico da situação atual, que servirá como referência para a definição de aonde se quer chegar); b) defi- nição de diretrizes, prioridades de governo e objetivos; c) previsão de recursos orçamentários e distribuição entre os programas.

Partindo do princípio da elaboração de um PPA, é de suma relevância o en- tendimento consensual do conceito de prioridades. Uma das definições do con- ceito, segundo o dicionário eletrônico Houaiss (Houaiss, Villar & Franco, 2009) é a seguinte: “condição do que está em primeiro lugar em importância, urgência, necessidade, premência etc.”. Extrapolando tal conceito para o contexto do desenvolvimento de um plano de direcionamento de recursos públicos, estamos falando da eleição de investimentos de necessidade premente. Assim sendo, tal direcionamento de recursos deve seguir exatamente o que é definido como prio- ridade.

Caminhando paralelamente à definição dessas prioridades, dois outros con- ceitos devem estar presentes na elaboração do PPA: coletividade e universali- dade. As prioridades devem, necessariamente, ser coletivas, ou seja, partilhadas pela totalidade ou maior parte dos cidadãos, de forma que seus resultados sejam refletidos de forma universal.

No entanto, também atrelado a esse processo de confecção do plano pluria- nual, há um fator limitador, que obrigatoriamente restringe a ação pública: a es- cassez de recursos. Não há recursos suficientes para atender a todas as demandas individuais e, também, a todas as prioridades coletivas. Tal fato não é exclusivo do município de Araraquara, sendo observado em qualquer nível governamental, seja municipal, estadual ou federal. O resultado de tal restrição é a eleição do que chamamos “prioridades das prioridades”, que nada mais é do que a especificação das áreas mais carentes de investimentos, entre tantas que já possuem essa mesma demanda por recursos.

Para a elaboração do PPA, ao se considerar as restrições orçamentárias exis- tentes e vencer a etapa de definição das prioridades, a fase seguinte faz referência ao planejamento do gasto público.

Quando falamos em planejamento, podemos e devemos resgatar os conheci- mentos adquiridos nos bancos das universidades. O ato de planejar engloba o curto, o médio e o longo prazo. E o que significa isso, pensando em gestão pú-

blica? Significa que, definido o horizonte de planejamento, compreendidas as restrições orçamentárias e filtrados os projetos prioritários, cabe a incorporação desses últimos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), já que é essa lei que estabelece as diretrizes para a elaboração do orçamento anual.

O ideal é ter a visão de longo prazo primeiro, momento em que possa ser es- tabelecida “a meta” ou “o nível de desenvolvimento almejado” e em quanto tempo alcançaremos esse resultado. Dentre os passos para alcançar tal objetivo, encontra-se a execução dos projetos prioritários, estabelecidos a partir das de- mandas coletivas e universais. E, para a execução dos mesmos, eles devem constar nos orçamentos anualizados.

Nesse sentido, de suma relevância é a postura do gestor, que pode ser proa- tiva ou reativa (Maximiano, 2000). De acordo com Maximiano, quando a reação do gestor é proativa, ele é capaz de avaliar o processo de execução e visualizar as mudanças necessárias, valendo-se das informações obtidas no ambiente externo. Já a atitude reativa ocorre quando o gestor espera algo acontecer para agir e cor- rigir o que se distanciou do planejado. O processo de planejamento e a postura do gestor representam fatores importantes para a execução de projetos de inves- timentos públicos.

Nos parágrafos anteriores foi feita uma caracterização do PPA enquanto ins- trumento que pode resultar no desenvolvimento socioeconômico de um local e, também, foram desenvolvidos alguns pontos importantes para a elaboração e execução de um PPA. Na seção seguinte, discorreremos um pouco sobre o atual Plano Plurianual do município de Araraquara (2010 a 2013), apontando a origem dos recursos do Plano e os principais investimentos do mesmo.