Capítulo 3 Base de dados: Isolamentos Microbianos
3.4 Conclusão
Neste Capítulo, a base de dados sobre a qual o caso de estudo incide foi descrita. Através de uma análise exploratória em que foram calculadas as principais medidas de localização e dispersão das variáveis, identificaram-se as estirpes de microrganismos mais frequentemente detetadas no hospital, sendo estas constituídas pelos géneros Staphylococcus, Escherichia, Pseudomonas, Candida, Enterococcus, Klebsiella e Proteus; e pelas espécies Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Enterococcus faecalis, Candida albicans e Staphylococcus epidermidis.
Dada a sua importância na representatividade da base de dados, as variáveis género Staphylococcus e espécie Escherichia coli foram alvo de uma análise exploratória mais
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meticulosa. No entanto, é possível estender analogamente aos restantes géneros e espécies de microrganismos uma análise semelhante. A análise univariada desenvolvida procurou identificar quais os microrganismos e serviços hospitalares onde a utilização de cartas de controlo poderá trazer mais valor numa perspetiva de melhoria contínua. A identificação dos microrganismos mais frequentes no hospital vai orientar a construção de novas variáveis, tais como a evolução temporal do número de isolamentos de determinados microrganismos quer na globalidade do hospital quer em determinados serviços. De notar que, apesar das variáveis terem sido destacadas pela sua relevância estatística, poderão existir microrganismos que, mesmo não sendo muito frequentes, tenham grande relevância médica. Para a seleção de variáveis cujos parâmetros se pretendem monitorizar, deve existir uma grande articulação com os profissionais de saúde para que seja possível atingir um bom equilíbrio entre relevância estatística e médica.
A Análise em Componentes Principais permitiu identificar não só os serviços hospitalares onde o número de isolamentos dos principais microrganismos causadores de infeções hospitalares é maior, como também quais os agentes. Sendo responsável por 49% da inércia total, a primeira componente principal permitiu identificar os serviços S24, S29, S4, S12, S2, S31, S13 e S22 como os serviços com o maior número de isolamentos de microrganismos dos géneros Enterobacter, Pseudomonas, Candida, Klebsiella, Enterococcus, Acinetobacter, Staphylococcus e Escherichia, alguns dos principais agentes causadores de infeções hospitalares.
Por outro lado, permitiu ainda identificar os serviços S30, S9, S10 e S8 como serviços com poucos isolamentos destes microrganismos.
De referir que os resultados estão de acordo com a informação prestada em diálogo com as supervisoras do núcleo executivo da Comissão de Controlo de Infeção de que em determinados serviços, pela sua natureza, existe um maior número de microrganismos detetados.
Em diálogo com as supervisoras do núcleo executivo da Comissão de Controlo de Infeção foi referido que a existência de um maior número de microrganismos em certos serviços depende também da própria natureza do serviço e das suas práticas. Desta forma, a interpretação de um maior número de isolamentos de microrganismos em certos serviços
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deve ser feita de uma forma cuidadosa. Nas Unidades de Cuidados Intensivos, geralmente existe um maior número de microrganismos detetados, estando tal facto diretamente relacionado com o estado de saúde dos doentes ser mais débil e a gravidade das doenças maior, o que torna os indivíduos mais susceptíveis de contraírem uma infeção hospitalar. Assim, nestes serviços são realizadas mais colheitas, o que conduz a que sejam detetados mais microrganismos. Acresce ainda o facto de Unidades de Cuidados Intensivos serem serviços onde se procede a técnicas mais invasivas, sendo que o risco de contrair uma infeção é maior.
No caso dos serviços de Medicina, o número de doentes internados é bastante superior ao número de internamentos nas Unidades de Cuidados Intensivos, por exemplo. O estado de saúde dos doentes internados nestes serviços provoca também debilidade dos indivíduos, sendo estes internados já doentes e portanto mais frágeis. Assim, consequência do maior número de doentes e da sua fragilidade, procede-se a um maior número de colheitas o que conduz igualmente a aumentos no número de isolamentos.
Em diálogo com as supervisoras do núcleo executivo da Comissão de Controlo de Infeção, foi ainda referido que existe grande interesse no conhecimento da prevalência histórica dos microrganismos nos diversos serviços hospitalares. Face a uma suspeita de infeção hospitalar, são realizadas colheitas ao doente de forma a procurar identificar um agente causador de infeção. No entanto, os resultados da análise microbiológica não são imediatos. Para que o doente possa começar a ser imediatamente medicado e não tenha de aguardar pelo resultado das análises com um possível agravamento da infeção, o conhecimento dos microrganismos que são mais frequentes no serviço onde está internado pode impedir uma evolução negativa do seu estado de saúde ao permitir a prescrição empírica de antibióticos de acordo com a maior probabilidade de se tratar de um microrganismo mais habitual no serviço.
Reitera-se assim que a interpretação dos valores deve ser sempre enquadrada no âmbito da vigilância epidemiológica e nas características dos serviços, existindo assim uma série de condicionantes que têm de ser considerados. Relembra-se ainda que os microrganismos fazem parte da vida humana, não sendo a sua mera existência preocupante.
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Face aos serviços hospitalares, foi possível identificar aqueles onde foram detetados mais microrganismos causadores de infeções hospitalares. Relembre-se que estes são constituídos pelos serviços S24, S12, S13, S29, S31, S2, S22 e S4.
A construção de uma matriz de correlações entre os pares de microrganismos permitiu evidenciar a existência de correlação linear entre algumas estirpes, tendo-se constatado que o género Pseudomonas apresentou forte correlação linear com bastantes outros géneros.
Por fim, a construção de componentes principais permitiu reduzir o número de variáveis, evidenciando os microrganismos responsáveis pela maior parte da variabilidade dos dados.
O presente Capítulo teve como objetivo evidenciar os microrganismos de maior interesse não só pela sua representatividade no hospital mas também pela sua relação com os demais. Paralelamente procurou-se evidenciar também quais os serviços onde o número de isolamentos de microrganismos causadores de infeções hospitalares é maior. Será face a estes microrganismos e serviços que a construção de cartas de controlo se revela mais pertinente.
No Capítulo 4, será analisada a evolução ao longo de todo o período em estudo do número de isolamentos dos géneros de microrganismos destacados na análise univariada. Da mesma forma, será igualmente analisada a evolução do número de isolamentos nos serviços onde se registaram mais isolamentos durante o período em estudo.
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