O objetivo geral deste estudo de caso consistiu em investigar as contribuições do
Balanced Scorecard e do modelo de gestão estratégica adotados pelo MPPE, no período 2013-
2016, em relação aos objetivos estratégicos estabelecidos pela instituição. Para tanto, a coleta de informações foi feita por meio da pesquisa documental e entrevista semiestruturada, para analisá-las, utilizou-se a análise de conteúdo.
Em relação ao primeiro objetivo específico, descrever o planejamento estratégico adotado pelo MPPE para o período 2013-2016, os resultados indicaram que o padrão adotado pelo MPPE para a implantação do planejamento estratégico, não seguiu a sequência utilizada na literatura estudada. Isto permitiu que a consultoria contratada entendesse a realidade do MPPE e, assim adquirisse melhores condições para conduzir o processo de escolha dos objetivos de longo prazo, assim como, da estratégia necessária para alcançá-lo. Outro fato relacionado à consultoria utilizada pelo MPPE, revela que esta, não negligenciou os aspectos culturais e organizacionais da instituição, contrariando os críticos do planejamento estratégico. Para o segundo objetivo específico deste trabalho, analisar se as práticas estratégicas implantadas no MPPE estão em consonância com o modelo planejado, é possível destacar alguns achados. Inicialmente, pode-se afirmar que o modelo de gestão adotado pelo MPPE conseguiu alinhar o planejamento estratégico às medidas, metas e iniciativas institucionais. Este fato foi confirmado nas entrevistas realizadas com os integrantes da equipe de planejamento da instituição.
Sobre os entendimentos acerca da aplicação da metodologia BSC, as entrevistas realizadas com a equipe de planejamento, permitiram entender que, no MPPE, a utilização do BSC foi como ferramenta de avaliação de desempenho e como sistema de gestão estratégica. Pois, de acordo com a gerência de estatística, a metodologia adotada permitiu avaliar o desempenho e auxiliou na tomada de decisão.
Também foi possível perceber, ainda tratando do segundo objetivo estratégico, que a adaptação do mapa estratégico à realidade do setor público foi exitosa, no MPPE. Já que nas entrevistas com a equipe de planejamento, quando questionados acerca desta adaptação, os respondentes afirmaram ter sido esta realizada com sucesso. Apesar de verem espaço para uma evolução, nos próximos ciclos estratégicos.
Os resultados permitiram identificar que, a comunicação da estratégia por toda organização foi realizada de forma intensa, pois o MPPE utilizou diversos meios de comunicação (portal da internet, blog do planejamento, intranet e banners). Mesmo com esta
diversidade de meios de comunicação, a equipe de planejamento afirmou, nas entrevistas que, foi preciso um esforço contínuo na divulgação do modelo de gestão adotado e sua evolução, porque, em algumas ocasiões surgiram servidores do quadro do MPPE que afirmaram desconhecer o planejamento estratégico da instituição.
Um achado importante, relacionado com o segundo objetivo específico deste estudo, trata das revisões estratégicas periódicas e sistemáticas, realizadas, no modelo de gestão adotado pelo MPPE, pelas Reuniões de Avaliação da Estratégia (RAE). De acordo com o Manual de Gestão estratégica 2013/2016, as RAEs representam a forma mais clara de utilização da metodologia BSC.
A falta de apoio da alta administração das organizações tem sido destacada, por diversos pesquisadores, como uma das principais razões para o insucesso na implantação do BSC. No MPPE, mesmo passando por 3 (três) Procuradores Gerais diferentes, durante o ciclo 2013-2016, a execução da estratégia não foi prejudicada. A assessoria de planejamento, ao ser questionada, na entrevista, por este fato, afirmou que, os impactos causados pelas mudanças na direção da organização foram positivos.
Por fim, para encerrar os principais achados relacionados com o segundo objetivo específico, foram identificadas outras ferramentas que auxiliaram o MPPE a alcançar a sua missão. Para a equipe de planejamento, os projetos estratégicos, o painel de contribuição, o QlikView e o Arquimedes tiveram uma grande parcela de contribuição para o avanço que a organização obteve no ciclo estratégico 2013-2017.
O terceiro e último objetivo específico deste estudo foi examinar a participação do modelo de gestão adotado no monitoramento do desempenho da instituição para o período 2013-2016. Nesse processo, foi possível identificar duas ocorrências: a primeira, a análise documental demonstrou que a quantidade de objetivos estratégicos pertencentes à perspectiva Resultados Institucionais, do mapa da instituição, parecia estar elevada. Pois, dos onze objetivos elencados, dois não foram acompanhados pelo MPPE. Ao serem questionados, os integrantes da equipe de planejamento confirmaram esta realidade do modelo implantado e, sugeriram uma possível redução de dois ou três objetivos.
A segunda, o MPPE utilizou 72 (setenta e dois) indicadores para acompanhar o desempenho da instituição. Desta forma, este tema foi levado para as entrevistas com a equipe de planejamento que, justificou esta quantidade por causa da complexidade em se medir desempenho no setor público. Mas, também acrescentou que este número está ligado à atuação diversificada do MPPE, como instituição pública. No entanto, para o próximo ciclo estratégico,
a equipe pretende reduzir esta quantidade, por reconhecerem o excesso de indicadores utilizados no ciclo 2013-2016.
Os achados relativos aos três objetivos propostos neste trabalho e sintetizados acima permitiram que este trabalho atingisse seu objetivo geral de investigar as contribuições do
Balanced Scorecard e do modelo de gestão estratégica adotados pelo MPPE, no período 2013-
2016, em relação aos objetivos estratégicos estabelecidos pela instituição. Desta forma, a pergunta de pesquisa foi respondida, pois se identificou que, o modelo de gestão adotado pelo MPPE utilizou não só a metodologia BSC para alinhar o seu planejamento estratégico às metas e medidas da instituição. Além deste, o painel de contribuição, o Arquimedes, o QlikView, as RAEs e os projetos estratégicos foram relevantes para que o MPPE alcançasse a sua missão de longo prazo. Neste sentido, a adaptação do BSC e da gestão estratégica pode ser considerada exitosa no ciclo estratégico 2013-2016, do MPPE.
No que tange às dificuldades encontradas para realizar este trabalho, pode-se citar a classificação na documentação a que se teve acesso, para definir o que seria relevante para o estudo. Encontrar tempo disponível na agenda das pessoas que colaboraram para a pesquisa. Definir quais projetos estratégicos seriam utilizados no estudo, com base no critério quantidade de dados, verso relevância no desempenho da organização. Outro fato que causou dificuldade na pesquisa foi o acréscimo de mais um ano no ciclo estratégico 2013-2016.
Em relação à contribuição deste estudo, pode-se afirmar que ele demonstrou que o MPPE utilizou para efetivar a relação, entre o BSC e o modelo de gestão adotados, com os objetivos estratégicos estabelecidos: o painel de contribuição; o Arquimedes, o QlikView, as RAEs e, os projetos estratégicos.
Para a instituição, a contribuição deixada foi a realização de uma análise completa de seu planejamento estratégico, desde a construção até a execução. Para o meio acadêmico, o estudo contribui por se debruçar sobre o tema desempenho no setor público. E, por fim, a contribuição deste trabalho para a sociedade pernambucana, consiste em fornecer a oportunidade desta entender como o MPPE planejou e executou suas atividades, com a finalidade de atender ao seu cliente final, o cidadão.
No que se refere aos desdobramentos deste estudo, algumas opções seriam. Realizar um estudo de caso, utilizando todos os 6 (seis) projetos estratégicos executados pela instituição em todo estado. Analisar o desempenho do MPPE, durante o ciclo 2013-2016, com base nos indicadores de desempenho utilizados. Fazer um estudo comparado entre o MPPE e qualquer outra unidade do Ministério Público brasileiro. Analisar a evolução do planejamento estratégico do MPPE, utilizando os ciclos 2005-2008, 2009-2012 e, 2013-2016. Finalmente, é certo que o
estudo possui suas limitações por ser um estudo de caso em uma única organização, mas pode servir de base para novas análises em outras realidades, especialmente no tocante ao estudo do planejamento estratégico em organizações públicas, utilizando diversas ferramentas, com destaque para o uso do BSC.