O objetivo do presente estudo, tal como referido na introdução do mesmo, é consciencializar as entidades patronais a promover a formação contínua dos seus trabalhadores, como instrumento para a competitividade e imagem da empresa, bem como para a valorização e atualização profissional. Nesse sentido, foi elaborado um folheto de sensibilização (anexo 3) para ser entregue nas empresas.
Através dos resultados obtidos no presente estudo, verificou-se que 35% dos acidentes de trabalho são sofridos por trabalhadores na faixa dos 26-35 anos e 27% na faixa dos 36-45 anos e 21% por trabalhadores na faixa dos 46-55 anos. É provável que, por um lado os mais jovens na faixa dos 26 acham que sabem tudo e facilitam e, por outro, os mais velhos, descuram a proteção, ou seja, a idade pode ser um fator de risco.
No inquérito enviado constatou-se que apenas 2% dos 17 trabalhadores que tiveram acidentes de trabalho tinham habilitações ao nível da Licenciatura. Pode-se concluir que, o facto de os trabalhadores terem menos qualificações é um fator de risco.
A falta de formação e qualificação dos trabalhadores, pode colocar em causa o próprio trabalhador, assim como a empresa e até o próprio País, através das estatísticas nacionais e internacionais, criando consequentemente uma má imagem do País.
Constatou-se que 85% dos 17 trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho, têm um contrato de trabalho a termo certo, o que pode ser um fator de risco. Hoje em dia verifica-se com frequência que a instabilidade profissional e o emprego precário, são fatores de risco que podem criar problemas de foro psicológico, económico e social aos trabalhadores, o que leva a distrações e erros cometidos pelos mesmos. Por outro lado, o pouco tempo que passam em cada emprego, não lhes permite que a entidade patronal lhes proporcione a devida formação para a função que exerce temporariamente.
No inquérito enviado, dos 17 trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho constatou-se que 97% trabalha entre 8 a 9 horas diárias, os restantes 3% trabalha entre 10 a 11 horas. O facto de terem longas jornadas diariamente potencia a que haja acidentes de trabalho, devido ao cansaço do trabalhador, o que é um fator de risco para a segurança do mesmo.
Constatou-se que 94% dos 17 trabalhadores que já sofreram acidentes de trabalho, afirma que a empresa proporciona formação apenas uma vez por ano, e 2% afirma que só tem formação de 2 em 2 anos, o que constitui um fator de risco. As empresas devem promover de forma mais amiúde formação, de forma a evitar acidentes de trabalho.
O facto de os trabalhadores trabalharem há muito tempo na mesma área pode lavar a algum facilitismo por parte do trabalhador, uma vez que acha sabe tudo sobre a área e que não precisa de formação, é um fator de risco. Por outro lado, os trabalhadores que trabalham há menos de 5 anos na mesma área, constatou-se que 75% deles respondeu que já teve formação sobre higiene e segurança no trabalho. No entanto, não referem formação específica sobre a sua área
profissional. Pode concluir-se que o facilitismo e a falta de formação específica são fatores de risco para os trabalhadores.
No presente estudo verificou-se que 49% dos 17 trabalhadores que já tiveram acidentes de trabalho, trabalham há mais de 15 anos na mesma área. Por outro lado, 51% dos trabalhadores trabalham há menos de 5 anos na mesma área e não tiveram qualquer acidente de trabalho. Pode-se concluir que a constante mudança de empresa e de área profissional pode ser fator de risco, uma vez que os trabalhadores levam algum tempo a adaptar-se a novas regras e metodologias de trabalho, assim como tem que aprender a trabalhar em outras áreas, aumentando a possibilidade de acidentes de trabalho.
No estudo efetuado, constatou-se que 5% dos 17 trabalhadores que já sofreram acidentes de trabalho, não utiliza qualquer equipamento de proteção individual e/ou coletivo, criando assim condições favoráveis a acidentes de trabalho, criando assim fatores de risco para a segurança. O facto de não terem formação específica sobre a importância da utilização de equipamentos de proteção é um fator de risco, uma vez que não foram sensibilizados para tal.
Dos 17 trabalhadores que já sofreram acidentes de trabalho, 100% refere que a empresa promove ações de formação, informação e/ou sensibilização em termos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho. Conclui-se então que a formação pode não ter sido a mais adequada e eficaz, constituindo um fator de risco. Quando questionados sobre o tipo de documentação que lhes é facultada, os mesmos responderam “informação” e não formação específica e de forma mais formal e rigorosa.
Este via de comunicação pode não ser a mais eficaz, uma vez que pode não existir evidências da mesma e por lapso, pode não ser dada a todos os colaboradores, não havendo forma de posteriormente confirmar se foi dada a todos os colaboradores, o que constitui um fator de risco. No estudo efetuado, verificou-se também que os trabalhadores que não utilizam os devidos equipamentos de proteção, não sofrem qualquer tipo de penalização por parte dos superiores hierárquicos, ou seja, não são chamados à atenção, o que nos leva a concluir que estão a proceder mal e podem continuar a fazê-lo, uma vez que ninguém os alerta para tal facto e para a importância do cumprimento de regras de higiene e segurança no trabalho e quais as possíveis consequências derivadas da sua não utilização.
Ao longo deste estudo, verificou-se que a falta de formação e qualificação são fatores de risco e potenciam acidentes de trabalho. Assim sendo, as empresas devem promover de forma mais amiúde formação geral e específica aos seus trabalhadores, de forma a prevenir e/ou minimizar e, se possível, evitar acidentes de trabalho. A formação deve ser contínua. Devem também ter em conta, se as qualificações dos seus trabalhadores estão de acordo com as suas responsabilidades.
As entidades patronais devem ponderar a hipótese de implementarem sistemas de gestão de higiene e segurança no trabalho, de forma a assegurarem uma melhor gestão e política de segurança das suas organizações. Esses sistemas permitir-lhe-iam ter uma gestão mais eficaz no que diz respeito à segurança dos seus trabalhadores e podem ser uma garantia para o cumprimento da legislação aplicável às empresas e a cada setor e local de trabalho.
Em Portugal, à semelhança do que se passa noutros países da União Europeia, as empresas, seja qual for a sua dimensão ou o número de trabalhadores empregados, estão obrigadas a organizar serviços de segurança e saúde no trabalho. Assim e tendo presente a análise desenvolvida no presente estudo, urge refletir sobre toda esta problemática.
Um dos fatores que podem ajudar as empresas a evitar ou pelo menos minimizar alguns potenciais acidentes de trabalho, é a realização de uma matriz de identificação e avaliação de riscos. Além de ser um cumprimento legal, tal ajuda a empresa a identificar todos os aspetos que potenciam acidentes de trabalho, bem como as respetivas medidas preventivas. Esta matriz deve ser elaborada em conjunto com os próprios trabalhadores e não apenas pelos responsáveis pela segurança. Nesse sentido, propõe-se que as entidades patronais tenham mais atenção e cuidado à forma como são elaboradas as matrizes de identificação e avaliação de riscos e quem são os seus intervenientes mais diretos.
Finalmente, quanto à formação dos trabalhadores com funções no âmbito da atividade de segurança, propõe-se que as empresas ponderem sobre as metodologias formativas no sentido de possibilitar que profissionais de diversas áreas sejam designados pelo empregador para receberem formação específica naquela atividade, em módulos formativos programados e adaptados à realidade do Setor.
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