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CONCLUSÕES

No documento LEANDRO RAFAEL DE ABREU (páginas 117-120)

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

5.1 CONCLUSÕES

A inovação é tida como um fator relevante do desempenho organizacional. Nesse sentido, alguns textos, como Alvarenga Neto (2004), Cirani, Esteves e Ribeiro (2014), Dosi (1982), Freeman (1987), Pereira et al. (2012), Puffal, Ruffoni e Schaeffer (2012), Rosenberg (1982) e Schumpeter (1988) enfatizam esta relevância.

A cooperação U-E para a inovação também é considerada fator relevante para o desenvolvimento das organizações. Nesse sentido textos, como Balestrin, Verschoore e Reyes Junior (2010), Etzkowitz (1998, 2003), Etzkowitz e Leydesdorff (2000), Gomes (2001), Kuhl (2012) e Plonski (1999), tratam desta relevância. Entretanto, percebe-se que dentre os estudos encontrados referentes ao assunto, existem algumas lacunas e oportunidades de estudo no sentido de buscar entender como ocorrem os processos de cooperação U-E e, inclusive, criar um modelo para verificar como ocorre o processo de cooperação U-E, neste caso, de forma mais específica, no interior do Estado do Paraná.

Neste sentido, esta dissertação tem como base a seguinte questão: como ocorre o processo de cooperação universidade-empresa para a inovação em uma instituição pública do interior do Estado do Paraná? A partir desta questão, foi definido como objetivo analisar o processo de cooperação universidade-empresa para inovação em uma instituição pública do interior do Paraná, a partir da perspectiva dos envolvidos, pesquisadores e representantes das empresas.

A partir do referencial teórico foi proposto um modelo (Figura 10), que advém da fusão dos modelos de Noveli (2006), Bonaccorsi e Piccaluga (1994) e Plonski (1999), dividindo o processo de cooperação em três fases. Esta já uma contribuição teórica deste estudo.

Considerando os aspectos relevantes ao processo de cooperação U-E identificados na literatura e incluídos no modelo proposto, foi elaborado um conjunto de perguntas que formataram um modelo de entrevista semiestruturada (Apêndice A), avaliado e aprovado por dois docentes com conhecimento no assunto. As entrevistas foram realizadas junto a três

pesquisadores que participaram de processos de cooperação U–E, bem como com três empresas que também participaram destes mesmos processos. Além destes seis indivíduos, o Gestor da Agência de Inovação também foi entrevistado, seguindo o mesmo roteiro.

As entrevistas foram transcritas, analisadas, trianguladas entre si e com a entrevista do Gestor da Agência de Inovação e trianguladas com dados obtidos de documentos e por observação. Após todo processo de análise, alguns aspectos se destacam no processo e são destacados na sequência, resumindo o que foi elencado na seção anterior, referente aos resultados.

Na primeira parte do modelo (Fase 1 - aspectos que antecedem os processos), destacam-se alguns aspectos que são convergentes para ambos os agentes (pesquisadores e empresas).

No caso dos motivadores são: possibilidade de gerar patentes; possibilidade de recebimento de royalties; contribuir com a sociedade; alavancar a relação público-privada; geração de inovação. Por outro lado, existem motivadores que são indicados por apenas um dos lados do processo. Por parte das empresas se destacam a capacitação dos colaboradores, a redução de custos e a possibilidade de resolução de problemas ambientais. Já para os pesquisadores, se destaca a possibilidade de conseguir recursos, a experiência em processos de cooperação com a ampliação do leque de possibilidades de pesquisa e a possibilidade de efetiva aplicação prática das pesquisas.

No caso dos entraves, os aspectos comuns são: falta de conhecimento sobre o processo de cooperação; burocracia elevada; direito de propriedade intelectual; diferenças de expectativas entre os atores. Também neste caso aspectos dicotômicos são identificados. Por parte dos pesquisadores, a carência de divulgação das possibilidades de pesquisa a partir de processos de cooperação por parte da universidade e a resistência de alguns pesquisadores por considerarem que a cooperação não é uma das funções da universidade. Por parte das empresas, a diferença de perspectiva temporal entre os atores (pesquisa = longo prazo; empresa = curto prazo), o custo do processo, se considerado o risco associado, principalmente quando relacionados a inovação radical, e quando relacionado a capacidade da empresa em dispor destes recursos.

Na segunda parte do modelo (Fase 2 - aspectos encontrados durante o processo de cooperação), também são identificados aspectos que são convergentes para ambos os agentes (pesquisadores e empresas).

No caso das contingências do processo de cooperação U-E, dois aspectos não puderam ser divulgados, natureza dos atores e conteúdo transacional, devido a solicitação de sigilo por

parte das empresas, tendo em vista que os produtos/processos gerados a partir do processo então em fase de registro. Mesmo assim, em termos de conteúdo é possível destacar que em um dos casos se trata de uma inovação radical, pelo desenvolvimento de um novo produto, e nos outros dois casos se tratam de inovações em produto e/ou processo que visam resolver problemas ambientais relacionados, principalmente, ao final do processo (end-of-pipe), estas podendo ser caracterizadas como ecoinovações.

Já os outros dois aspectos, formas de cooperação e estrutura da interface, se destaca a disponibilidade da universidade, via Agência de Inovação, em disponibilizar sua estrutura para viabilização do projeto, no caso da estrutura de interface, e no caso das formas de cooperação, se destaca a bilateralidade do processo, bem como as características peculiares de cada projeto, tornando cada um deles um evento único.

No caso do relacionamento, se destaca a possibilidade de adquirir experiência em projetos de cooperação, a aproximação, até mesmo a cumplicidade, entre os atores, a possibilidade de entendimento (por ambos) de que o timing é diferente e deve ser compreendido e ajustado por ambos, e também evolução no processo de comunicação.

Quanto as barreiras, os aspectos comuns são: diferenças de perfis; burocracia; falta de aproximação dos pesquisadores com as empresas; necessidade de consenso para definição de objetivos. Já aspectos considerados apenas pelos pesquisadores estão a utilização da estrutura financeira das universidades, cobrança por diferentes expectativas e pouca participação de alunos nos projetos de cooperação, enquanto que os aspectos destacados apenas pelas empresas estão o tempo de pesquisa e a dificuldade de convencimento da alta gestão das empresas.

Por fim, no que se refere aos facilitadores, se destaca a experiência adquirida no processo de cooperação, citado por ambos. Os pesquisadores destacam a possibilidade de obtenção de materiais e equipamentos com recursos privados, a possibilidade de participação de alunos nos projetos e a maior proximidade com os representantes das empresas. Já as empresas destacam como aspecto facilitador a atualização da indústria, a utilização de pesquisa de ponta, a motivação de funcionários da empresa em qualificarem-se e a possibilidade de utilização de incentivos fiscais.

Na terceira parte do modelo (Fase 3 - aspectos posteriores ao processo), também são identificados aspectos que são convergentes para ambos os agentes (pesquisadores e empresas). Estes aspectos são divididos em resultados tangíveis e intangíveis e contribuições externas.

No caso dos resultados tangíveis e intangíveis, percebe-se que são poucos os pontos indicados por ambos, limitando-se a troca de experiências e intercâmbio de conhecimento e possibilidade de obtenção de patentes. Os resultados indicados apenas pelos pesquisadores

foram: geração de trabalhos acadêmicos importantes; perspectiva de novas linhas de pesquisa; experiência em gestão de projetos; aprendizado dos alunos; estímulo aos alunos a continuar na área de inovação; oportunidade de incentivo a novos docentes para a área de inovação e projetos em cooperação; recebimento de bolsas; possibilidade de aquisição de materiais e equipamentos. Já para as empresas: otimização de processos de produção; redução de perdas e reaproveitamento de materiais; retorno financeiro de investimentos; incentivo aos funcionários em qualificar-se; geração e novos projetos de inovação na empresa.

Como relação as contribuições externas, foram identificadas quatro áreas: ambientais; sociais; econômicas; teóricas, se destacando a área ambiental, por ser o foco de dois projetos, a área econômica, por ser um dos principais focos de ambos os atores, principalmente as empresas, e área teórica, por ser foco principal para os pesquisadores.

Por fim, percebe-se que uma das grandes contribuições deste trabalho é a proposta do modelo teórico, como forma de análise qualitativa para casos específicos de projetos que pode ser aplicado em outros casos no Brasil, com o intuito de gerar conhecimento, avaliação e entendimento de projetos de natureza cooperativa entre universidade e empresa. Além disso, demonstrou uma forma de análise a aspectos que permeiam todas as fases dos projetos, como é o caso da possibilidade de acesso a recursos, o aprendizado, a capacitação, a burocracia, o custo e a possibilidade de contribuir com a sociedade. Desta forma, aspectos identificados como motivações e/ou entraves no início do processo, também são identificados como aspectos intermediários ao processo (barreiras/facilitadores) e são relatados nos resultados.

No documento LEANDRO RAFAEL DE ABREU (páginas 117-120)