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Contingências do Processo de Cooperação U-E

No documento LEANDRO RAFAEL DE ABREU (páginas 51-55)

2.5 COMPONENTES DO PROCESSO DE COOPERAÇÃO U-E

2.5.2 Contingências do Processo de Cooperação U-E

Como parte do modelo de entendimento de estudo do processo de cooperação U-E, a caracterização de alguns pontos específicos são muito importantes. As contingências do processo de cooperação U-E estão na fase 2 do modelo de análise e estão agrupadas nas quatro dimensões adaptadas de Plonski (1999), sendo a natureza dos sujeitos da cooperação, conteúdo transacional, forma e estrutura de interface.

A primeira dimensão, natureza dos sujeitos, pode ser melhor visualizada no Quadro 10, que trata da caracterização dos envolvidos na cooperação a partir do descobrimento de variáveis, como a natureza legal, o porte das instituições, o setor e a área de atuação do lado da empresa e o tipo, a natureza legal e a finalidade do lado da universidade.

Quadro 10: Natureza dos Sujeitos da Cooperação U-E NATUR E Z A DO S SUJ E IT O S Empresa Pessoa Jurídica

De uma transnacional de grande porte e tecnologia sofisticada na área de comunicações

A uma microempresa que produz e comercializa velas decorativas artesanais para um mercado local

Pessoa Física

Um empreendedor potencial carente de apoio tecnológico e gerencial Uma empresa informal, isto é, um negócio que opera sem estar registrado na forma da lei

Universidade Qualquer instituição de ensino superior Pública Comunitária

Privada Com fins lucrativos

Sem fins lucrativos Instituições de pesquisa não pertencentes a uma universidade

Fundações de direito privado conveniadas com uma instituição de ensino superior Empresas juniores

Docentes que se prestam a dar consultoria individual Fonte: Adaptado de Plonski (1999).

Tais aspectos contingenciais, descritos no Quadro 10, permitem realizar uma primeira aproximação do objeto de estudo, analisar essas características e delimitar cada caso de cooperação estudado de acordo com suas especificidades. Contudo, para o escopo desta pesquisa, faz-se necessário o aprofundamento do conhecimento sobre outros aspectos da relação de cooperação U-E, como a formalidade ou informalidade do âmbito em que a relação ocorre.

O conteúdo transacional envolve o alcance dos objetivos essenciais à cooperação, ou seja, o tipo de projeto a ser desenvolvido em conjunto, e pode ser melhor observado no Quadro 11. Essa dimensão corresponde aos tipos de ações em que o conteúdo de transação será desenvolvido, envolvendo, portanto, o alcance dos objetivos inerentes à cooperação (PLONSKI, 1999).

Quadro 11: Conteúdo Transacional da Cooperação U-E

CO NT E ÚDO T RANS ACIO NA L

Trabalho de conclusão de curso supervisionado em empresa, elaborado por estudante último anistas Patrocínio de cátedra por empresas

Cursos de extensão Fechados (in company)

Abertos Apoio e participação de empresas em eventos acadêmicos

Ensaios e análises

Consultoria técnica ou gerencial Pesquisa contratada

Desenvolvimento tecnológico conjunto

Participação de docentes em conselhos empresariais ou de empresários em conselhos acadêmicos Formação de quadro para as empresas pelas universidades

Fonte: Adaptado de Plonski (1999).

O conteúdo transacional pode ser observado por meio das atividades e objetivos propostos para a cooperação. Podem ser incluídos cursos de extensão desenvolvidos pela

universidade para as empresas para transferir conhecimento, consultoria de pesquisadores docentes às empresas, pesquisa contratada de situações pontuais para a empresa, ou seja, não está envolvida ao seu processo, mas sim ao seu objeto e ao conteúdo de transação.

Essa diversidade institucional, já citada anteriormente gera diferentes possibilidades de arranjos no processo de cooperação, como os observados na tipologia proposta por Bonaccorsi e Piccaluga (1994), detalhada no Quadro 12. São distinguidas seis modalidades de cooperação, que variam conforme o grau do relacionamento e formalização dos acordos. Pode- se observar que a cooperação U-E pode ser estudada tanto no âmbito formal quanto informal. Em relação a cooperação U-E informal, Sutz (2000, p. 280) diz que, “a implicação que os contatos informais estão entre uma das mais significantes formas de relacionamento universidade-indústria é válida mundialmente”.

Quadro 12: Modalidades de Relacionamento U-E

Tipos de Relação Descrição

Relações pessoais informais (A universidade não é envolvida)

Ocorrem quando a empresa e uma pessoa da universidade efetuam trocas sem que qualquer acordo formal, que envolva a universidade, seja elaborado.

Relações pessoais formais

(Convênios entre a universidade e a empresa)

São como as relações pessoais informais, mas com a existência de acordos formalizados entre a universidade e a empresa.

Envolvimento de uma instituição de intermediação

Surge um grupo intermediário. As associações que intermediarão as relações podem estar dentro da universidade, ser completamente externas ou, ainda, estar em uma posição intermediária.

Convênios formais com objetivo definido

Relações em que ocorrem, desde o início, tanto a formalização do acordo como a definição dos objetivos específicos de colaboração.

Convênios formais sem objetivos definidos

Acordos formalizados como no caso anterior, mas as relações possuem maior amplitude, com objetivos estratégicos e de longo prazo.

Criação de estruturas próprias para a interação

São as iniciativas de pesquisa conjuntamente conduzidas pela indústria e pela universidade em estruturas permanentes e específicas criadas para tal propósito, entre outros. Fonte: Adaptado de Bonaccorsi e Piccaluga (1994).

Os graus de interação da academia com as empresas são variados, podendo ocorrer vários tipos de relações. Cabe ressaltar que a escolha da modalidade de cooperação mais adequada dependerá, principalmente, da posição e dos objetivos dos participantes no processo, contemplando, para tanto, a flexibilidade e a adequação correspondente ao tipo de relação a ser estabelecida (SEGATTO, 1996).

Já as formas, estabelecem como o processo de cooperação é realizado e podem ser observadas no Quadro 13, com a proposição de Plonski (1999) para o estudo da cooperação U-

E. As formas de cooperação podem ser muito diferentes e incluir singularidades, conforme cada cooperação e cada instituição envolvida, por isso a importância de sua análise.

Quadro 13: Formas de Cooperação U-E

F O RM A Bilateral Multilateral

Ocorre em uma mesma microrregião Envolve cooperação internacional É pontual

Constitui um programa de parceria estratégica de longo prazo Envolve transferência de recursos financeiros

Não envolve transações financeiras mais escambo (ex. pesquisa por materiais e equipamentos) Dá-se de forma espontânea e sem recursos externos

É estimulada por mecanismos como programas de financiamento ou incentivos fiscais Fonte: Adaptado de Plonski (1999).

A forma irá definir se a cooperação é bilateral, ou seja, quando uma empresa coopera com uma universidade, ou pode ser multilateral, mais de uma empresa e/ou mais de uma universidade. Também consiste em como pode ocorrer em uma mesma região ou envolve cooperação internacional; se é pontual, para um período ou questão específica ou constitui uma parceria de longo prazo; se envolve alguma forma de escambo, de conhecimento ou de estrutura; e se a cooperação envolve ou não recursos financeiros externos.

Por fim, as estruturas de interface, apresentadas no Quadro 14, constituem os mecanismos intermediários, que visam promover e facilitar a relação de cooperação. As estruturas de interface são, em geral, vinculadas às universidades (PLONSKI, 1999), como os escritórios de transferência de tecnologia, núcleos e agências de inovação que constituem mecanismos institucionais de apoio a negociações relativas à transferência de tecnologia proveniente de cooperações U-E (CUNHA; FISCHMANN, 2003).

Quadro 14: Estrutura de Interface da Cooperação U-E

E S T RUT URA D E INT E RF AC E

Escritórios de transferência de tecnologia Fundações conveniadas

Associações de ex-alunos

Estruturas empresariais com a missão de interagir com o segmento acadêmico Entidades de pesquisa sem fins lucrativos

Entidades tecnológicas Entidades terceiras

Espaços institucionais diferenciados Fonte: Adaptado de Plonski (1999).

As estruturas de interface se caracterizam por mecanismos institucionais desenvolvidos para promover e facilitar a cooperação. Geralmente estão localizadas no ambiente acadêmico, como parte da própria universidade ou como entes distintos, tais como os

escritórios de transferência de tecnologia, associações de ex-alunos e fundações conveniadas (PLONSKI, 1999).

No documento LEANDRO RAFAEL DE ABREU (páginas 51-55)