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De forma geral, podemos afirmar que:

O IBAMA tem se mostrado incapaz de gerir um Sistema Nacional de Unidades de Conservação e isto se reflete nos estados brasileiros.

Santa Catarina não é exceção, pois a FATMA, entre outras mazelas administrativas, sequer prevê em sua estrutura administrativa o cargo de Chefe ou Gerente de Unidade de Conservação, deixando-as à cargo da sorte, sem a presença do Estado, que poderia sem dúvida fazer a diferença, nem que seja para controlar os ataques que a diversidade biológica existente nelas, sofrem sem seu reconhecimento oficial.

As questões fundiárias das Unidades de Conservação, tanto federais como estaduais se agravam e se solidificam negativamente sem as previsões legais, quanto mais o tempo passa.

A FATMA está com uma perspectiva importante de ver parte dos problemas que afetam as Unidades de Conservação, desde a parte fundiária, demarcação, estruturação com equipamentos, através do Projeto de Proteção da Mata Atlântica no Estado de Santa Catarina, que é uma proposta de cooperação financeira com o Banco Alemão de Reconstrução (Kreditanstalf für Wiederaufbau - KFW), a ser executado num prazo de cinco anos.

Os recursos financeiros para este Projeto, porém, somente serão liberados condicionados à contrapartida estadual de contratação de servidores, para atuarem nas Unidades de Conservação, o que até o presente momento não ocorreu.

A centralização das decisões técnicas no IBAMA de Brasília é um dos fatores mais inibidores das soluções locais; sua interferência é tão absurda que verificamos entre as consultas públicas em andamento, uma para expandir a área do Parque Nacional de São Joaquim, o que se reveste de puro histrionismo de técnicos desconectados da realidade de sua massa de trabalho.

178 meios ou seja, para custeio da máquina administrativa, ou ainda, de uma para outra Unidade de Conservação, evidentemente sem o conhecimento dos seus responsáveis.

O relacionamento com a área administrativa do IBAMA catarinense foi apontado quase unanimemente pelos chefes de Unidades de Conservação, como um entrave para o cumprimento de metas de planejamento e execução orçamentária dos recursos liberados, pois a lentidão e a demora no atendimento dos pedidos de compras e solicitação de serviços é marca registrada, muito embora tenham havido ponderações de que parte da responsabilidade deva ser depositada nas amarras burocráticas da legislação vigente.

A indisposição da Procuradoria Jurídica do IBAMA a nível nacional para tratar das questões fundiárias das Unidades de Conservação é tão notória, que, citando o exemplo de Santa Catarina, mesmo com a lotação de dez Procuradores Federais, não gerou até hoje nenhum palmo de terra incorporado ao patrimônio ambiental público, ao contrário, perdeu na justiça, uma propriedade doada ao IBAMA no município de Chapecó, que fazia parte daquela Floresta Nacional.

Guardando o tema para uma discussão posterior, a própria Lei do SNUC, ao optar por dividir as áreas que o país precisa proteger da ação do homem, em grupos e categorias, materializou a dualidade da questão ambiental em Unidades de Conservação, com ou sem presença humana, não tendo sido capaz ainda de criar Unidades de Conservação em mosaico de categorias ou mesmo grupos, de forma a conciliar os interesses de ambas correntes.

Finalmente, percebeu-se ao longo desta pesquisa, que existe um sem número de oportunidades para desenvolvimento de trabalhos científicos que podem ser feitos e muitas Unidades de Conservação estão estruturadas para receber pesquisadores, faltando, entre outras coisas, o estabelecimento de um canal de diálogo com as instituições de ensino que levem a transformá-las em laboratórios de campo, incorporando às suas atividades curriculares inclusive.

Evidente que, este trabalho pretende apenas ser uma modesta colaboração ao processo de sistematização de informações e gerenciamento das Unidades de Conservação. A avaliação do Sistema de Unidades de Conservação e a visão da sociedade por ele envolvida e sua contribuição do ponto de vista biótico, deverá ser objeto de estudos mais aprofundados, incorporando em sua estrutura, uma proposta de funcionamento sistêmico

real, onde as complementaridades sejam apontadas e, medidas de implantação e consolidação do Sistema, seja uma tese à ser defendida.

6.2 - RECOMENDAÇÕES DE CARÁTER ADMINISTRATIVO

Não se resolvem as questões que envolvem o sistema de Unidades de Conservação existentes em Santa Catarina, com medidas pontuais, isoladas e costumeiras , haja vista a magnitude dos seus problemas e a incapacidade administrativa das instituições públicas responsáveis por sua gestão.

O presente trabalho salienta, que existe uma significativa massa crítica no Estado, capaz de gerir as Unidades de conservação e um seleto grupo de Organizações Não Governamentais capazes de atuar diretamente na implantação e consolidação deste sistema, especialmente, somando-se intelectualmente na geração de programas e projetos técnicos, bastando para tanto, abrirem-se os canais de comunicação, estabelecerem-se as bases de um diálogo que deixe definitivamente para trás o discurso do incapaz diante da enormidade da tarefa.

Assim, como macro-política, pode-se recomendar:

- Criação de um Fórum de Unidades de Conservação Federais e Estaduais de Santa Catarina, com a Coordenação Geral do Gerente Executivo do IBAMA/SC e Diretor Geral da FATMA.

- Este Fórum seria composto a nível local, pelos Chefes de Unidades de Conservação, Instituições de Pesquisa e Ensino, ONG's Ambientalistas, Instituições de Meio Ambiente Municipais e de segmentos sociais representativos das áreas de influência das UC's.

- Este Fórum criaria de imediato um Conselho Técnico, encarregado de gerar as condições para a retomada da Gestão Integradas das Unidades de Conservação em Santa Catarina e, a elaboração de Projetos para submeter a financiamentos nacionais e internacionais e definição de uso dos recursos financeiros oriundos das compensações ambientais, conforme previsto na Lei d o SNUC e SEUC.

180 ambientalistas, em relação à sociedade e o que as Unidades de Conservação representam para o povo catarinense e brasileiro em termos de patrimônio ambiental. Há uma alarmante falta de comunicação entre estes atores e isto, resulta na insipiência administrativa, operacional, científica e técnica em que se encontram as Unidades de Conservação.

Existe um vasto território de pesquisa à ser percorrido que pode alcançar desde o aprofundamento dos diversos aspectos itemizados (situação fundiária, gestão, fiscalização, integridade patrimonial, atualização cadastral....) em cada uma das Unidades de Conservação, trazendo à luz, em profundidade, aspectos diferenciados de um mesmo problema.

No ramo da biologia, os estudos de fauna e flora que compõem o patrimônio genético das Unidades de Conservação, não foram condizentemente estudados e, os dados existentes são de pesquisas realizadas normalmente fora das áreas protegidas e em épocas passadas.

As ciências que utilizam o sensoreamento remoto, encontram em todas as Unidades de Conservação, oportunidades para desenvolvimento de tecnologias que possam auxiliar não somente na definição dos limites exatos delas mas principalmente, como ferramenta indispensável para a realização da urgente regularização fundiária de que a esmagadora maioria é carente.

O Direito Ambiental Agrário é fundamental para a análise e validação dos diferentes interesses e titularidades existentes sobre as áreas das Unidades de Conservação, que as colocam nas mãos de particulares que cada dia precisam provar seu domínio e liberdade de usufruto ou, retirar definitivamente de seus direitos qualquer pretensão ou autoridade sobre elas.

O estudo da sinergia entre as Unidades de Conservação, nos aspectos relacionados ao funcionamento de um Sistema Estadual de Unidades de Conservação, com retroalimentação técnica e financeira entre elas, é fundamental para analisar a viabilidade do que está posto e do que se propôe, cada vez que se cria uma nova Unidade de Conservação, especialmente do ponto de vista das populações atingidas por estes atos institucionais, mas que considere também uma visão de conjunto dos ecossistemas estaduais protegidos ou que necessitam desta condição.

A importância das Unidades de Conservação para a manutenção dos regimes hídricos dos rios catarinenses, precisa ser dimensionado, como fator agregador de insumos ao atingimento de seus objetivos finalísticos.

Nas ciências sociais, merecem ser pesquisados os fatores e as conseqüências do despreparo administrativo dos gestores ambientais públicos em lidar com a sociedade, revelando as causas do distanciamento existente entre eles.

De caráter polêmico, as próprias Leis do Sistema Nacional e Estadual de Unidades de Conservação, merecem reflexão filosófica e pesquisa de alternativas para discutir os conceitos de Unidades de Conservação e o de áreas protegidas, pois não há exemplos palpáveis, em Santa Catarina e no país, de administração e manejo de mosaicos territoriais com diferentes graus de restrições de caráter ambiental, com o envolvimento comunitário na condução da gestão dos espaços geográficos, construindo alternativas de cidadania, onde a vertente ambiental seja a grande aliada do desenvolvimento social, com exceção das Áreas de Proteção Ambiental, mas nestas a questão da dominialidade territorial, deixa os interesses difusos da população descobertos e o poder público limitado em sua capacidade administrativa.

Seria muito mais eficiente se, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação fosse interpretado efetivamente como tal: é sistêmico nas profundezas e, proporciona a vida das partes periféricas, assumindo que sua parcela de contribuição a solução dos problemas ambientais nacionais, deixe de ser o isolamento em ilhas de preservação que assistimos hoje, e comece a abrigar também pensamentos e atitudes produtivas de homens, mulheres e crianças, para os quais protege-se o meio ambiente.

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