6.2 Património Edificado
CAPÍTULO 7- Conclusões e Recomendações
7.1- Conclusões
Neste capítulo será efectuada uma síntese dos resultados obtidos neste trabalho.
As captações pertencentes ao Sistema Cretácico de Aveiro são do tipo 1 (sistema aquífero confinado cujo suporte litológico é constituído por formações porosas). De acordo com os resultados obtidos verifica-se que, de uma maneira geral, as águas cumprem os requisitos exigidos por lei, não se observando a presença de substâncias potencialmente poluidoras.
De referir que, apesar de um modo geral os valores de amónio se enquadrarem dentro dos limites estabelecidos por lei, os teores nas captações da Lagoa, apresentam-se um pouco elevados, devendo por isso ser monitorizados com frequência.
As captações pertencentes ao sistema Cretácico de Aveiro apresentam uma fácies do tipo sulfatada bicarbonatada sódico cálcica, com excepção da captação dos Leitões que apresenta uma fácies do tipo sulfatada bicarbonatada sódica.
Devido às suas características de confinamento e de acordo com os cálculos efectuados, propõe-se que os perímetros de protecção apenas abranjam a zona de protecção imediata imposto pelo Dec-Lei 382/99, com o valor de 20 m.
O confinamento protege o aquífero de possíveis contaminações, deste modo a existência de focos de poluição só poderão ser potencialmente perigosos em áreas de afloramento de camadas permeáveis.
Relativamente às quatro captações pertencentes ao Sistema Quaternário, conclui- se que estas provêm de um sistema aquífero semi-confinado do tipo 3 (aquífero semi-confinado cujo suporte litológico é constituído por formações porosas).
As águas pertencentes ao Sistema Quaternário, mais superficiais, (furo AC4 e Olhos da Fervença) apresentam uma fácies do tipo bicarbonatada cálcica.
A qualidade da água é aceitável. Os maiores valores de condutividade ocorrem a norte e a sudoeste, nas localidades dos Leitões e Lentisqueira. Relativamente aos valores de nitritos e amónio verifica-se que os maiores valores se encontram nos poços 55 e 57 com 230 e 290 ppb respectivamente. De uma maneira geral todos os
poços possuem amónio, destacando-se o poço 35 com um teor de 630 ppb. O maior valor de nitrato encontra-se no poço 57 com um teor de 217 ppm.
Das amostras de água tratadas, verifica-se que o valor do pH se encontra entre 6.6 e 10. Pontualmente ocorrem valores de pH superiores a 9, registando-se os valores maiores mais elevados nos sectores NE e SW. Os valores de temperatura oscilaram, no período em análise, entre os 12.8 e 21.5 ºC e os valores de condutividade entre 397 e 956 PS/cm.
Da análise dos diagramas de Stiff e Piper foi possível concluir que a água existente nos poços 35, 39, 55 e 60 apresentam uma fácies bicarbonatada cálcica enquanto a amostra de água recolhida no poço 40 apresenta uma fácies sulfatada bicarbonatada sódico cálcica e no poço 57 uma fácies sulfatada cloretada cálcica.
No que respeita aos perímetros de protecção, conclui-se:
De acordo com os resultados obtidos pelo modelo de Bear & Jacob (1965), foram determinados os valores para a protecção imediata, imposta pelo Decreto-Lei 382/99, tendo-se obtido um valor de 30 m. Pela fórmula expressa no Decreto- Lei nº 382/99 obtiveram-se os seguintes resultados dos raios de protecção intermédia e alargada para os furos:
Furo AC1: Protecção Intermédia - 189 m; Protecção Alargada - 1580 m Furo AC2: Protecção Intermédia - 172 m; Protecção Alargada - 1442 m Furo AC3: Protecção Intermédia ² 148 m; Protecção Alargada ² 1238 m Furo AC4: Protecção Intermédia ² 78 m; Protecção Alargada ² 634 m
De acordo com os resultados obtidos conclui-se que os valores obtidos para os raios de protecção pela fórmula expressa no Decreto - Lei nº 382/99 e pelo método de Bear e Jacob são semelhantes ou mesmo iguais.
No estudo das argilas verificou-se que as amostras possuem granulometria muito fina.
O índice de abrasividade é baixo em ambas as amostras, devido à presença de esmectite com valores de respectivamente 32.79 g/m2 e 45.90 g/m2. As duas
amostras são altamente plásticas e possuem um índice de plasticidade de (23.64 e 38.67), o limite de liquidez é 59.79% (amostra 2) e 74.65% (na amostra3).
Os valores de expansibilidade relativamente próximos, apesar da presença de esmectite a tornar mais expansiva já que a amostra 2 apresenta um valor de 21.73% enquanto que a amostra 3 apresenta um valor de16.67%.
Ambas as amostras não cumprem os requisitos para fins terapêuticos visto não manterem a temperatura, o tempo necessário ao tratamento.
A análise mineralógica permitiu constatar que as duas amostras de argila analisadas possuem uma composição mineralógica idêntica, revelando a presença filossilicatos (esmectite, mica/ilite, caulinite), quartzo, feldspato K, plagioclase, não tendo sido possível realizar uma análise quantitativa em cada uma das amostras.
7.2 - Recomendações
Como já foi referido anteriormente, é importante gerir as águas subterrâneas no Concelho de Mira de maneira a limitar-se a construção de novas explorações no aquífero, deverá existir uma maior fiscalização das captações abandonadas e ilegais (focos de possíveis contaminações).
Todos os proprietários de captações de água subterrânea do Cretácico deverão comunicar à Administração da Região Hidrográfica do Centro os dados mensais de níveis hidrostáticos e de volumes captados, preservar este recurso de água como uma reserva estratégica para toda a região para momentos de crise.
Além dos cuidados mencionados, também será de salientar a importância do saneamento, uma vez que apenas cerca de 20% da população tem acesso ao mesmo. O alargamento deste poderá proporcionar uma maior protecção tanto do solo como das águas subterrâneas.
Os problemas relacionados com o mau funcionamento das fossas sépticas também deverão ser analisados, a existência de uma maior intervenção por parte do Município, insistindo numa fiscalização mais intensa e interveniente poderá de igual modo ajudar a proteger o solo e a água subterrânea.