E garantir direitos não é uma tarefa apenas do Estado. Se todos visam, igualmente, à sobrevivência biossocial, todos precisam ser chamados a recriar esta ordem (im)positiva,
promovendo a soberania humana: o micronú-cleo familiar, a escola, as regras de bem viver, as imposições morais, as igrejas, a etiqueta, o Direito.
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Ten. MOnIQUe AnTUnes de sOUzA ChelMInskI BArreTO Fonoaudióloga da Policlínica Militar da Praia Vermelha (PMPV), formada pela UFSM-RS, pós-graduada em Fonoaudiologia pela UFSM-RS, em Psicopedagogia pela UFRJ-RJ/CEP-EB e em Audiologia pela UFPE-PE nikebarr@terra.
com.br
Reabilitação Auditiva no Idoso: Seleção e
Adaptação de Aparelho
de Amplificação Sonora
Individual
Abstract
Hearing is essential for the communication, because it unites the people, allowing socialization, exchange information, feelings and intentions.
The elderly, by the aging process, shows a physiological loss in many skills, among then the hearing.
Hearing dysfunction, by aging, is called presbycusis, and may cause sensorineural hearing loss, mainly at acute frequencies, what makes more difficult the hearing discrimination.
That fact causes more difficult to distinguish consonant songs, especially at noisely environments, which reduces the communications ways for these individuals, and therefore their whole biopsychosocial aspects.
Presbycusis is commonly characterized as a bilateral hearing loss for high frequencies songs, due to degenerative and physiological changes at hearing system by the aging, causing a partial loss of communication ability, which may cause serious damages at these people lives.
According to the importance of reintegration of these aged people with presbycusis to the communication environment, this bibliographical research aimed to correlate hearing loss and hearing rehabilitation of elderly, emphasizing the choosing and adaptation of hearing aid.
Keywords: elderly, hearing loss, presbycusis, hearing rehabilitation, hearing aid
Resumo
A audição é imprescindível para a co-municação, pois integra os seres humanos, per-mitindo a socialização, a troca de informações, sentimentos e aspirações. O idoso, no processo de envelhecimento, apresenta um decréscimo fisioló-gico em diversas habilidades, sendo uma destas a habilidade auditiva.
A alteração na função auditiva, decorrente da idade, é chamada de presbiacusia, podendo ocasionar perdas auditivas do tipo sensório-neu-ral, principalmente nas freqüências agudas, o que dificulta a discriminação auditiva.
Tal fato faz com que ocorra uma dificulda-de maior na percepção dos sons consonantais, es-pecialmente em ambientes ruidosos, acarretando assim uma redução nas possibilidades comunica-tivas desses indivíduos, e conseqüentemente, em um sentido mais amplo, no seu comportamento biopsicossocial.
A presbiacusia é tipicamente caracteriza-da por uma percaracteriza-da auditiva bilateral para sons de alta freqüência, em razão de mudanças dege-nerativas e fisiológicas no sistema auditivo com o aumento da idade, ocorrendo perda parcial da ca-pacidade de comunicar-se com os outros e podendo produzir um impacto profundo e devastador na vida dessas pessoas (CORSO, 1977).
Em virtude da relevância de se reintegrar o idoso portador de presbiacusia ao ambiente de comunicação, esta pesquisa de cunho bibliográfico teve o objetivo de correlacionar a perda auditiva em idosos e a reabilitação auditiva destes, com enfoque no processo de seleção e adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI).
Palavras chave: idoso, perda auditiva, presbia-cusia, reabilitação auditiva, aparelho de ampli-ficação sonora individual (AASI)
Introdução
Entre as deficiências sensoriais ocorridas em conseqüência do processo de envelhecimen-to, a mais devastadora parece ser a da função auditiva, também chamada de presbiacusia.
A presbiacusia, não raramente, é o fator que declara a chegada da velhice, acarretan-do dificuldades na comunicação, bem como no dia-a-dia dos indivíduos acometidos por tal alteração, gerando seqüelas importantes de natureza emocional, social e ocupacional (RUSSO, 1999).
Nos idosos, os sentidos tornam-se menos apurados e a velocidade de processamento declina, e como resultado desse declínio pode haver ou não déficits sensoriais, dependendo dos mecanismos de compensação utilizados (ANDRADE, 1996).
O envelhecimento do ouvido humano é o resultado dos efeitos cumulativos de vários fato-res extrínsecos etiológicos somados ao modelo de envelhecimento geneticamente determinado:
exposição a ruídos ocupacionais e não-ocupacio-nais, nutrição, estresse, uso de medicamentos, entre outros (GILAD ; GLORIG, 1979).
Conforme Katz (1989), a presbiacusia está associada a outras mudanças físicas obser-vadas na pessoa em processo de envelhecimento, sendo que a escala temporal do envelhecimento de cada pessoa é diferente em seus efeitos físicos, sociais e econômicos. O autor refere ainda que a incapacidade de se comunicar de maneira efi-ciente é um dos maiores problemas com que as pessoas idosas se defrontam ao tentar enfrentar o mundo à sua volta.
Do ponto de vista audiológico, todo indi-víduo portador de uma perda auditiva pode ser considerado um candidato ao uso de aparelho de amplificação sonora individual. Na
popula-ção adulta são dois os aspectos que determinam a procura de ajuda: a autopercepção das difi-culdades relatadas pelo indivíduo (handicap auditivo) e o grau da perda de audição (RUSSO et al., 2003).
A identificação e a intervenção precoce da perda auditiva são consideradas uma estra-tégia de reabilitação importante para o idoso deficiente auditivo, evidenciando que, embora indiretamente, quanto mais precocemente a perda auditiva é identificada, e se inicia a reabilitação com a prótese auditiva, maior é o potencial de sucesso desta seleção e adaptação (BESS et al., 2001).
Em virtude da importância da seleção e adaptação do aparelho de amplificação so-nora individual (AASI), para esta população, surgiu o interesse de desenvolver tal pesquisa de cunho bibliográfico com o objetivo de es-tabelecer uma relação entre a presbiacusia e a reabilitação auditiva, com ênfase na seleção e adaptação da prótese auditiva, descreven-do estratégias de motivação para o uso desta como uma forma de reinserir o indivíduo no convívio dos familiares e amigos, saindo do isolamento imposto pela deficiência auditiva, e conseqüentemente utilizando as suas pos-sibilidades comunicativas de forma global e se “envolvendo” com o mundo como um ser humano “normal”.