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Os principais fatores limitantes encontrados no sistema produtivo das hortas comunitárias são:

1. As relações informais sobre o uso da terra e sua característica urbana limitam o acesso às políticas públicas de produção existentes voltadas para o apoio da agricultura familiar com respeito ao crédito, a assistência técnica e comercialização de alimentos;

2. As despesas com a água não são arcadas pelos agricultores e os baixos rendimentos atuais da atividade sugerem não haver sustentabilidade econômica;

3. As tecnologias de cultivo e manejo das hortaliças caracterizam-se como pouco tecnificada e inadequadas em relação ao espaçamento, qualidade e quantidade de sementes utilizadas no plantio, compostagem, adubação e manejo de fitopatógenos;

4. Os principais problemas fitopatológicos estão relacionados à tospovirose na alface ocasionada pelo Groudnut ring spot vírus – GRSV e ao tombamento de plântulas de coentro causado por fungos trazidos pelas sementes não certificadas, principalmente Alternaria spp. e Aspergillus sp.

Os potenciais encontrados nessas hortas que permitem vislumbrar um planejamento para fomentar a produção agroecológica são:

1. O trabalho comunitárias nas hortas de Juazeiro – BA e Petrolina – PE têm base familiar e se ajusta à produção agroecológica, dadas às evidências relativas ao trabalho familiar, grande diversidade de cultivos, baixa utilização de insumos externos e de energia;

2. Existe um interesse coletivo dos horticultores sobre o modo de produção sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos;

3. Existem iniciativas de grupos de horticultores que definiram o modelo de produção agroecológico como prioridade;

4. Existem sementes de coentro produzidas na região com relativa qualidade e que são comercializadas sem o uso de fungicidas e não oferece riscos no seu manuseio e favorece a produção agroecológica;

5. Em Juazeiro – BA e Petrolina – PE existem diversos órgãos públicos com capacidade técnica e política e, interessados na agricultura, que podem incluir nas suas pautas a assistência à agricultura familiar urbana com base na agroecologia.

AGRADECIMENTOS

A CAPES e à UNEB que apoiaram o desenvolvimento dessa pesquisa e viabilizaram sua execução e, aos horticultores urbanos, beneficiários desse trabalho que deram colaboração fundamental.

REFERÊNCIAS

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CAPÍTULO III

Qualidade de sementes de coentro utilizadas por horticultores urbanos de Juazeiro – BA e Petrolina – PE

Artigo formatado com base nas normas para publicação do periódico “Horticultura Brasileira”, para o qual será submetido.

RESUMO

Com o objetivo de conhecer a qualidade das sementes utilizadas pelos horticultores urbanos em Juazeiro-BA e Petrolina-PE foram estudadas quatro amostras de sementes originadas de feiras públicas, uma proveniente de um produtor e uma composta por semente certificada comercial, que serviu como testemunha. Foi conduzido um teste de sanidade pelo método de incubação em papel de filtro. Utilizando 400 sementes por amostra, 50 sementes por gerbox, as quais foram incubadas à temperatura ambiente e fotoperíodo de 12 horas durante 7 dias. O delineamento estatístico foi inteiramente ao acaso com oito repetições por amostra. Na maioria das amostras examinadas verificou-se germinação abaixo de 70%, constatou-se 40,4% e 32% de incidência de Alternaria spp. e Aspergillus sp., respectivamente. Encontrou-se uma correlação inversa e significativa entre Aspergillus sp. e a germinação no valor de – 0,59. A opção arriscada dos horticultores deve-se aos preços mais baixos das sementes não certificadas, menores riscos de contaminação com os fungicidas. O fato evidencia a necessidade de maior apoio técnico aos horticultores, e os produtores de sementes.

ABSTRACT

With the objective to know the seed quality used by urban farmers in Juazeiro – BA e Petrolina – PE, four samples of seeds were studied from open markets. One sample came from a seed producer and the control was a commercial brand. A seed health test through the incubation with filter paper method was carried out, with 400 seeds per sample and 50 seeds per gerbox. They were incubated at room temperature with a photoperiod of 12 hours for 7 days. The statistical design was entirely randomized with eight replication per sample. For the majority of the samples the germination was under 70%. It was observed 40,4% and 32% incidence of Alternaria spp. and Aspergillus sp. respectively. An inverse correlation between Aspergillus sp. and germination was found with the value of - 0.59. The risky choice of farmers come from the lower prices of non-certified seeds and the lower risk of contamination from seed pesticides. The results express the necessity of a bigger technical support for farmers and seed producers.

1 INTRODUÇÃO

A agricultura urbana e periurbana produzem alimentos para

aproximadamente 700 milhões de pessoas que moram nas cidades, significa um quarto da população urbana do mundo (FAO, 2002). A produção urbana mundial em grande parte é constituída de hortaliças e frutas. Um levantamento prévio feito pelo autor em Juazeiro – BA e Petrolina – PE mostrou que na maioria das hortas urbanas, o coentro (Coriandrum sativum L.) está entre as três principais plantas cultivadas, ao lado da alface (Lactuca sativa L.) e cebolinho (Allium fistulosum L.), gerando trabalho e renda para mais de 300 agricultores familiares urbanos espalhados em 16 hortas nas duas cidades.

O coentro é cultivado na maioria dos estados do Norte e Nordeste do Brasil, é a hortaliça folhosa condimentar de maior consumo, crua ou cozida, especialmente no Nordeste (OLIVEIRA et al., 2007), presente na alimentação diária (MARQUES & LORENCETTI, 1999). No estado da Paraíba, é cultivado em quase todas as micro-regiões por pequenos agricultores, sem nenhuma orientação técnica, o que tem proporcionado baixa produtividade (OLIVEIRA et al., 2004).

É uma espécie da família das Apiaceae, cuja origem seja provavelmente a Europa, região do Mediterrâneo, é também considerada uma espécie subutilizada ou negligenciada, embora tenha grande popularidade na mesa dos brasileiros nortistas e nordestinos, no entanto poucas, pesquisas têm sido realizadas com essa cultura (DIEDERICHSEN, 1996). As sementes de coentro formam um diaquênio, um fruto/semente formado de dois aquênios, que normalmente são comercializados juntos.

No Brasil algumas pesquisas vêm se reportando aos problemas de qualidade da semente de coentro correlacionando com fungos que se disseminam através destas, provocando baixo vigor e dificultando o estabelecimento das

Groves & Skolko e Alternaria alternata (Fr.:Fr.) Keissl (PEREIRA et al., 2005; REIS et al., 2006;).

As sementes de coentro utilizadas nos plantios de Juazeiro – BA e Petrolina – PE não têm certificação nem tratamento antifúngico, provêm de fornecedores da própria região e são vendidas nas feiras de bairro. O fato das sementes de coentro serem produzidas localmente para a horticultura urbana também foi verificada em São Luiz – MA por Santos et al., (2003).

Os horticultores justificam o uso dessas sementes devido ao alto custo das sementes comerciais certificadas, visto que as não certificadas custam quase 50% menos, e tentam reverter as perdas da qualidade com o aumento da quantidade de sementes no plantio. Essas sementes também não têm tratamento químico, argumento também utilizado pelos agricultores urbanos devido ao sistema produtivo ser dependente da mão de obra familiar, sendo o armazenamento e a semeadura caseiro e manual respectivamente, conferindo certa segurança contra intoxicações.

O objetivo deste trabalho foi estudar da qualidade de seis lotes de sementes de coentro provenientes de feiras livres, de produtor e de sementes comerciais certificadas, bem como identificar os fitopatógenos presentes nas mesmas, correlacionando com os percentuais de germinação entre sementes comerciais tratadas e as sementes produzidas localmente.

2 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Laboratório de Fitopatologia do Departamento de Ciência e Tecnologia Social (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Campus III, Juazeiro – BA, entre os meses de julho e setembro de 2007, (Figura 13).

Previamente foram pesquisados os principais locais de compra de sementes por parte dos agricultores, sendo identificadas oito feiras públicas, além

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de estabelecimentos comerciais que vendem sementes certificadas e um produtor de sementes, totalizando 18 amostras. Dentre os lotes de sementes das feiras, para ter uma amostra menor, foram sorteadas quatro e consideradas a amostra do produtor e da casa comercial, perfazendo seis amostras ao todo. De cada amostra, foi considerada uma quantia de 250g.

Em todos os lotes testados as sementes estavam inteiras, com o diaquênio unido, para manter condições iguais, vez que, Pereira et al. (2005) testaram a germinação com as “sementes partidas” e verificaram aumento na velocidade de germinação sem, contudo alterar a germinação total, por esta razão, neste trabalho, as sementes não foram divididas.

O teste de sanidade dos lotes de sementes seguiu a metodologia descrita em Brasil (1992) e Pavan (1997). Separaram-se oito amostras contendo 400 sementes inteiras para cada lote, representados por oito repetições com 50 sementes cada. As sementes foram plaqueadas em caixas gerbox, com auxílio de pinça flambada, sobre papel de filtro previamente esterilizado em autoclave a

120ºC por 20 min. e, em seguida, umedecido com água destilada e esterilizada

para favorecer o desenvolvimento dos fungos e a germinação das sementes. As caixas foram colocadas sobre bancada e submetidas à temperatura ambiente, entre 25oC e 30oC, sob alternância luminosa composta por fotoperíodo com 12h de luz e 12h de escuro, favorecido por lâmpada incandescente de 100 watts, durante sete dias.

Para identificação dos patógenos, seis dias após o plaqueamento, prepararam-se lâminas com corante azul de Amann e utilizou-se literatura especializada para identificação (BARNNET & HUNTER, 1972) e em seguida foi

procedida a contagem das sementes com os dois principais

sintomas/fitopatógenos encontrados com auxílio de uma lupa (Figura 13 d). O percentual de germinação foi determinado em primeira contagem aos sete dias após o plaqueamento.

O delineamento foi inteiramente casualizado. As análises estatísticas foram realizadas com auxílio do Programa SISVAR, com o teste de médias utilizando Tukey a 5% de probabilidade e do SAS, para calcular a correlação entre a germinação e a incidência dos fungos.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nas seis amostras de sementes avaliadas, foram identificadas Alternaria spp. e Aspergillus sp. (Tabela 2). Ocorreram ainda Fusarium sp. e crescimento bacteriano em quantidades insignificantes, portanto foram desprezadas. A incidência de fungos em 100% das amostras revela um quadro relativamente preocupante. As amostras da feira livre de Juazeiro – BA e do produtor apresentaram as maiores taxas de germinação, uma das menores taxas de infecção dos dois fungos.

Nas amostras de sementes sem certificação, constatou-se alta incidência de fitopatógenos, que atingiu até 40,45% de infecção de Alternaria spp. e 32,00% de Aspergillus sp.. O lote de sementes comerciais tratadas com captan apresentou os dois fungos, porém com incidência de 9,25% e 0,25% respectivamente (Tabela 2), embora a germinação tenha sido de apenas 51,12%. Esses resultados concordam com o relato de Pereira et al., (2005) e Reis et al., (2006), que mostraram que mesmo as sementes comerciais com tratamento fungicida não estão livres de patógenos, especialmente aquelas tratadas com captam, pois, a localização da A. dauci (Kuhn) Groves & Skolko, é mais provável no embrião e/ou endosperma das mesmas, como foi observado por Muniz & Porto (1998 citado por REIS et al., 2006).

Por outro lado, diferentemente dos resultados de Reis et al. (2006), foram encontrados níveis significantes de Aspergillus sp, indicando que nas condições de Juazeiro – BA e Petrolina – PE esse fitopatógeno merece novos estudos.

A A. alternata, é encontrada constantemente associada às sementes de cenoura, embora seja considerado contaminante saprófita (CUNHA et al., 1987 e

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STRANDBERG, 1984 citados por REIS et al., 2006), quando associado com A. dauci, pode causar danos à qualidade fisiológica das sementes e tombamento de plântulas (MUNIZ & PORTO, 1998 citado por REIS et al., 2006). A relação entre esses fungos e suas conseqüências no tombamento de plântulas de cenoura poderá ser semelhante com os sintomas encontrados com o tombamento e falhas nas fileiras de coentro nas condições de Juazeiro – BA e Petrolina – PE. Porém, testes com plântulas provenientes de sementes infectadas devem ser posteriormente realizados, como também a identificação da espécie de Alternaria.

Por outro lado, os resultados desse experimento permitem afirmar que existem dois lotes de sementes não certificadas, lotes 4 e 5, com qualidades fisiológica e fitopatológica superiores às certificadas, o que pode ser explicado porque a qualidade da semente é determinada na área de produção das mesmas, sendo nessa etapa onde os cuidados devem ser redobrados, porque se ocorrer incidência de doenças no campo elas poderão ser transmitidas por sementes, e será difícil corrigir, mesmo com tratamentos fitossanitários, com demonstraram Pereira et al., (2005) e Reis et al., (2006).

Houve correlação no valor de – 0,59, significativa a 1% e inversamente proporcional entre a incidência de Aspergillus sp. e a germinação. O que pode ser constatado observando os dois lotes que tiveram maior percentual de germinação e menor incidência de patógenos, confirmando novamente as informações de Reis et al., (2006) e Pereira et al., (2005) sobre o prejuízo devido a esses fungos no estabelecimento dessa cultura. No entanto apesar de ser significativa a correlação, ela só explica apenas parte das causas das perdas na germinação, sendo provável que outras características influenciem no decréscimo da germinação, provavelmente resultante do processo de produção das sementes.

Os resultados de germinação mais promissores, 69,5% e 65,5%, obtidos nos lotes provenientes da feira de Juazeiro e do produtor respectivamente,

considerando as condições de temperatura do experimento, acima de 25oC, estão

próximos do valor obtido por Pereira et al. (2006) que encontraram 64% de germinação nessa temperatura. Segundo esses autores, a faixa de temperatura

utilizada no presente experimento induz a uma termo-inibição, um processo reversível, uma vez que a semente germina quando a temperatura decresce para um nível adequado, ou à termo-dormência (ou dormência secundária), onde as sementes não germinam mesmo após a diminuição da temperatura.

Existem pesquisas recentes que indicam métodos de colheita e armazenamento de sementes de coentro (NASCIMENTO, 2006), portanto os resultados encontrados nesse trabalho sugerem que as prováveis causas dos resultados encontrados em sementes não certificadas devem-se ao processo de produção das sementes, o que não foi possível verificar nesse trabalho, e poderá ser feito posteriormente.

Devido o alto custo das sementes comerciais certificadas para esse segmento produtivo, visto que as não certificadas custam quase 50% menos, com base nos resultados encontrados nesse experimento, podem ser compreendidos os motivos da opção desses horticultores urbanos, assumindo grandes riscos de contaminarem seus solos já escassos e perdendo produtividade. Esse fato evidencia a necessidade de maior apoio a esses horticultores, como também aos produtores de sementes, dada a importância cultural, social e econômica traduzido no consumo diário do coentro pela população.

AGRADECIMENTOS

A CAPES e à UNEB que apoiaram o desenvolvimento dessa pesquisa e viabilizaram sua execução e, aos horticultores urbanos, beneficiários desse trabalho que deram colaboração fundamental.

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No documento UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB) (páginas 82-117)

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