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Como se observa na Tabela 1 foi constatado nas hortas pesquisadas no município de Juazeiro - BA trabalham 122 horticultores distribuídos em 4,7 hectares e no município de Petrolina – PE trabalham 182 em 6,28 hectares, totalizando 304 horticultores que utilizam aproximadamente 10,98 hectares. A maioria das hortas tem mais de 10 anos de implantação, sendo que, 56,2% foram implantadas nos anos 90 e 31,2% nos anos 80. Apenas duas foram implantadas nos últimos sete anos.

O surgimento dessas hortas, na maioria dos casos se deu por iniciativas das escolas públicas localizadas em bairros periféricos daqueles municípios, que a partir da década de 80 incluíam no currículo escolar a disciplina práticas agrícolas, iniciando os trabalhos com finalidades pedagógicas, e ao mesmo tempo atraindo pais dos alunos para trabalharem naqueles espaços, com o objetivo de promover alternativa de geração de renda e melhorar a alimentação para famílias de baixa renda, oferecendo o espaço físico com a segurança dos muros da escola e água a partir dos sistemas que abastecem as escolas. Essas iniciativas, no município de Petrolina, foram apoiadas por professores e alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Petrolina - CEFET Petrolina, e lideranças políticas, que contribuíram inicialmente com insumos, ferramentas, instalações hidráulicas, capacitações e assistência técnica.

Diferentemente de Petrolina, em Juazeiro as hortas foram apoiadas inicialmente por religiosas da Igreja Católica, mas também por escolas do Estado. No caso do Bairro João Paulo II, em Juazeiro, o terreno foi cedido pela Diocese e, com apoio de uma empresa de mineração foi assegurado o fornecimento de água

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bruta diretamente do Rio São Francisco, a partir de uma adutora que passa nas proximidades. Denota-se, portanto, que os terrenos onde são implantadas as hortas não pertencem aos horticultores, caracterizando as relações de uso da terra como informais em 100% dos casos, uma vez que não existe mecanismo de arrendamento, Tabela 1.

Por outro lado, os horticultores vêm sustentando e se auto-sustentando com o funcionamento dessas hortas, mantendo ao longo desses anos uma importante relação de mútuos benefícios com as escolas conforme Quadro 1, que embora informal, demonstra-se estável pela sua durabilidade, existindo algumas hortas com 24 anos de funcionamento, como pode ser visto na Tabela 1. Na visão dos horticultores a escola ganha muito com a presença diária das famílias de

agricultores, evitando roubos e a ocupação desses espaços por vândalos e usuários de drogas, assegurando um uso funcional das adjacências das escolas, além dos horticultores fornecerem, sem ônus para a escola, parte da produção para a merenda escolar, a qual fica enriquecida com verduras e temperos. Por outro lado, embora pontuais, observou-se a existência de conflitos sobre o uso da água, a Diretoria de duas escolas questionam a quantidade de água utilizada na horta.

No cômputo do total da mão-de-obra, tem-se que 71% trabalham em família e que a maioria são mulheres, correspondendo a 61% do total. Em relação

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à faixa etária, a maioria são pessoas adultas acima de 31 anos perfazendo 96%, sendo que 42% desses têm mais de 60 anos, Figuras 3a, b e c.

Sobre a escolaridade, 84% têm nível fundamental ou não tem instrução e, com relação às origens, a maioria dos agricultores representada por 97% são migrantes vindos de outros municípios nordestinos, Figuras 3 d), e).

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A renda de uma parcela de 42% das famílias fica entre um e dois salários mínimos em média, sendo que a renda proveniente exclusivamente das hortas é menor, apenas 29% arrecadam de um a dois salários mínimos. A maioria, 65% dos horticultores, arrecada menos que um salário mínimo na atividade, o que evidencia que a horticultura rende pouco, mas funciona como importante fonte de renda complementar para as famílias, Figuras: 4 b e c.

Embora as receitas individuais permitam inferir positivamente, ela caracteriza-se por ser bruta, uma vez que não há informações sobre o cômputo dos custos com insumos, e tampouco dos custos de água e da terra que não fazem parte da análise, o que sugere serem pequenas as margens de lucro na atividade.

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Em relação às outras fontes de renda, 56% dos entrevistados recebem algum benefício social ou têm pessoas na família com outras atividades, 38% têm recursos da aposentadoria em casa e 6% recebem pensão, Figura 4 a.

O destino da produção das hortaliças comestíveis e das plantas medicinais é o autoconsumo, venda e doações, sendo que apenas 6% horticultores não utilizam a própria produção para consumo. Do total da produção de hortaliças 45% é comercializada no próprio local, 14% é vendida de porta em porta e, o restante segue para feiras livres e mercadinhos de bairro para onde vai uma parcela de 37%, Figuras 5 a e b.

Sobre as oportunidades de capacitação 55% dos agricultores receberam capacitações técnicas, sendo 63% sobre manejo das hortaliças, oferecidas através de cursos por parte do CEFET Petrolina, Prefeitura, Igreja ou da EMBRAPA, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR ou Governo do Estado, sendo que 14% já tiveram capacitação sobre uso de agrotóxicos, pois muitos dos agricultores são pessoas que já trabalharam nas áreas irrigadas, Figura 6.

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Em relação à assistência técnica, 94% afirmaram que não recebem qualquer tipo de assistência técnica, 100% dos entrevistados financiam a produção com recursos próprios, normalmente para compra de esterco, sementes e ferramentas. Os depoimentos apontaram para o desinteresse pelo financiamento a partir do crédito oficial, com receio dos encargos e juros das operações. A produção ocorre com a utilização de baixos níveis de insumos externos, usam principalmente esterco de caprino ou bovino 48% e uréia 30%. Estão dispostos a produzir somente produtos orgânicos 97% dos entrevistados, Figura 7.

Sobre o aspecto organizacional, em apenas uma das hortas, no Bairro João Paulo II em Juazeiro - BA, registrou-se a existência de uma associação legalmente constituída, a qual chama a atenção por conter uma orientação para o cultivo orgânico com apoio da Diocese de Juazeiro, do Instituto Regional da Agropecuária Apropriada – IRPAA e da Cooperativa da Agropecuária Familiar Orgânica do Semi-Árido – COOPERVIDA. Nas demais hortas observaram-se

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agrupamentos informais e temporários para organização do uso do espaço coletivo ou comprar insumos coletivamente. Contudo, 35% dos entrevistados disseram participar de associações dos bairros, grupos onde residem, grupos de mulheres e idosos e grupos ligados as igrejas.

Cabe destacar que em uma das hortas, do CEMIC, em Petrolina, fica evidente um maior grau de organização motivado por um agente externo ao grupo, uma funcionária pública municipal responsável pelo acompanhamento da horta através de reuniões periódicas e organizando um rateio mensal dos custos de parte das despesas coletivas. Em todas as hortas, porém, foi expresso o desejo de que houvesse no futuro uma organização que representasse o conjunto dos horticultores para defendê-los e conseguir melhorias em diversos aspectos

No documento UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB) (páginas 44-51)

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