6.1 MÉTODO
6.1.8 Concordância interobservadores
No decorrer do desenvolvimento da pesquisa foi utilizado o protocolo de registro de eventos. Para que os dados obtidos por meio deste instrumento fossem fidedignos, foi verificada a porcentagem de concordância interobservadores em 25% dos registros realizados em cada fase experimental para cada atividade ensinada com cada participante. As datas de registro foram escolhidas de acordo com a disponibilidade do observador auxiliar.
O observador principal foi a própria pesquisadora, e o observador auxiliar foi uma aluna do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial cursando o segundo semestre do mestrado. A observadora auxiliar passou por um período de duas semanas de treinamento e orientação que envolveu explicação da metodologia utilizada e leituras sobre o tema do trabalho. As orientações foram realizadas pela pesquisadora.
Durante o teste de ambientação à observação realizada pela pesquisadora com as participantes, foram realizados registros simultâneos com a observadora auxiliar para que fosse possível calcular a concordância interobservadores e garantir que ao se iniciar as intervenções e implementação do programa de capacitação, as observações obtivessem porcentagem de concordância superior a 70%.
A concordância foi analisada ponto a ponto, ou seja, a pesquisadora verificou o registro de cada comportamento, assim como o registro do nível de ajuda necessário para realização da atividade durante as situações de ensino. Desta forma, foi calculada a porcentagem de concordância de cada registro.
A porcentagem de concordância foi obtida dividindo-se o número de concordâncias pelo número de concordâncias somado ao de discordâncias e o resultado multiplicado por 100, por meio da seguinte fórmula:
Concordância
X 100 = Porcentagem de concordância Concordância + Discordância
A seguir será apresentado um exemplo para se chegar a média de porcentagem de concordância dos registros. Inicialmente foi calculada a porcentagem de concordância de cada registro, separados por participante e atividade ensinada.
Ao observarmos o registro 3 da fase de intervenção com a participante A1 durante a atividade “enxugar-se” (Tabela 19), verificou-se qual seria o total de registros realizados pela pesquisadora, que neste caso foi de 29. Foram somados o total de elos da cadeia da atividade (“enxugar-se” possui seis elos) às ocorrências de comportamentos funcionais e disfuncionais (15 registros) assim como a não ocorrência, que valeria como um registro (oito registros).
Em seguida pôde ser realizado o cálculo, verificando, nos registros realizados pela pesquisadora e auxiliar de pesquisa com relação aos níveis de ajuda e ocorrência de comportamentos funcionais e disfuncionais, quantos destes comportamentos estavam em concordância e quantos estavam em discordância. Verifica-se que de um total de 29 comportamentos, 27 encontram-se em concordância e 2 em discordância, perfazendo 93,1% de porcentagem de concordância entre os registros.
Este procedimento foi realizado com os demais registros realizados. Ao serem calculadas as porcentagens de concordância de cada registro separadamente, estas foram somadas e divididas pela quantidade total de registros (dez registros) realizados para fidedignidade interobservadores, dando um valor médio de 95,8% de concordância. Também foi apresentada a variação obtida no cálculo da porcentagem, que no exemplo apresentado variou entre 90,8% e 100% de concordância entre os registros realizados pela pesquisadora e auxiliar de pesquisa.
(Fonte: Base de dados da pesquisa)
Comportamentos da cadeia da atividade “enxugar-se” A B C D E F A B C D E F
Níveis de ajuda 4 4 4 - 4 4 4 4 4 - 4 4
CFA – COMPORTAMENTO FUNCIONAL DO ATENDENTE Número de ocorrências do comportamento Número de ocorrências do comportamento 1 - Apresentar instruções, uma de cada vez
6 6
2 - Esperar por cinco segundos pela resposta do residente após apresentação de uma instrução ou da realização de algum nível de ajuda
6 5
3 - Auxiliar o residente na execução da instrução 2 2 4 - Apontar em direção ao material necessário para a realização do
comportamento que está sendo ensinado 1 1
5 - Dar funcionalidade para o uso de materiais que estão sendo manipulados de forma inadequada pelo residente e que são necessários para a realização do comportamento que está sendo ensinado
- -
6 - Retirar algum material desnecessário que interfira de forma
negativa na realização do comportamento que está sendo ensinado - -
CDA – COMPORTAMENTO DISFUNCIONAL DO ATENDENTE Número de ocorrências do comportamento Número de ocorrências do comportamento 1 - Retirar das mãos ou do alcance do residente objetos necessários
para a realização do comportamento que está sendo ensinado - - 2 - Executar o comportamento pelo residente sem a apresentação
prévia de uma instrução ou de algum nível de ajuda. - - 3 - Executar o comportamento pelo residente com apresentação prévia
de uma instrução - -
4 - Apressar o residente durante a execução de um comportamento que
está sendo ensinado de forma inadequada - -
5 - Apresentar mais de uma instrução ao mesmo tempo - 1 6 - Não esperar por cinco segundos pela resposta do residente após
apresentação prévia de uma instrução ou de algum nível de ajuda - -
A cadeia de comportamentos da atividade “enxugar-se” foi representada por letras, sendo A. pegar a toalha; B. secar a cabeça; C. secar tronco e braços; D. secar os genitais; E. secar pernas e pés F. devolver a toalha.
Nas Tabelas 20 e 21 pode-se observar a média de porcentagem de concordância dos registros obtidos para cada participante, assim como a variação.
TABELA 20. Média e variação da porcentagem de concordância interobservadores obtida em 25% das observações realizadas por meio do protocolo de registro de eventos durante todas as fases experimentais do estudo.
Participante Atividade Média da
Porcentagem de Concordância Variação da Porcentagem de Concordância A1 Despir-se 98,4% 93,1% a 100% A1 Enxugar-se 95,8% 90,8% a 100% A1 Vestir-se 95,2% 89% a 100% A2 Despir-se 96,3% 93,5% a 100% A2 Enxugar-se 92,9% 91,5% a 100% A2 Vestir-se 96,1% 93,9% a 100% A3 Despir-se 97% 92,6% a 100% A3 Enxugar-se 98,1% 95,4% a 100% A3 Vestir-se 95% 93,3% a 100% A4 Banhar-se 91,5% 86,7% a 100% A5 Banhar-se 92,8% 88,6% a 100% R1 Despir-se 96,6% 93,7% a 100% R1 Enxugar-se 94,9% 90,3% a 100% R1 Vestir-se 97,1% 93,2% a 100% R2 Despir-se 96,2% 91,6% a 100% R2 Enxugar-se 94,6% 90,9% a 100% R2 Vestir-se 92,9% 88,8% a 100% R3 Despir-se 97% 93,9% a 100% R3 Enxugar-se 94,4% 88,7% a 100% R3 Vestir-se 90,4% 85,9% a 100% R4 Banhar-se 93,1% 83,5% a 100% R5 Banhar-se 94% 85,1% a 100%
(Fonte: Base de dados da pesquisa)
TABELA 21. Média e variação da porcentagem de concordância interobservadores obtida em 25% das observações realizadas por meio do protocolo de registro da generalização dos comportamentos funcionais e disfuncionais dos atendentes durante todas as fases experimentais do estudo.
Participante Média da Porcentagem de
Concordância Variação da Porcentagem de Concordância
A1 88,9% 84,5% a 100%
A2 95,4% 90,3% a 100%
A3 97,7% 92,3% a 100%
A4 90,9% 88,9% a 100%
A5 98% 95,1% a 100%
6.2 RESULTADO
Serão apresentados os resultados obtidos por meio da aplicação do protocolo de registro de eventos, realizada durante as intervenções descritas no Programa Educacional (PE), com intuito de mostrar a porcentagem de independência para realização da atividade que estava sendo ensinada de cada díade envolvida na pesquisa. Sendo, em seguida, apresentados os dados de freqüência dos níveis de ajuda obtidos nas observações realizadas. Também será realizada uma descrição da ocorrência dos comportamentos funcionais e disfuncionais dos atendentes e residentes, assim como a descrição dos resultados obtidos por meio do protocolo de generalização. A apresentação destes dados possibilitará demonstrar se houve aprendizagem das atendentes com relação ao ensino de atividades instrumentais de vida diária aos jovens com deficiência intelectual institucionalizados.
Para finalizar, serão apresentados os dados obtidos por meio dos diários de campo e sessões teóricas desenvolvidas com as participantes, o que possibilitará analisar o desempenho nas sessões teóricas, o discurso das atendentes com relação à aprendizagem dos residentes e as modificações obtidas na rotina de trabalho após a implementação do PE.