CAPÍTULO 2: AGREGADOS CERÂMICOS
3.4 CONCRETO E ARGAMASSA COM CERÂMICA
Frente aos novos materiais encontrados como substitutos dos recursos naturais a indústria cerâmica possui uma elevada porcentagem de descarte de seus materiais, englobando aqueles que não atendem as especificações técnicas e os materiais substituídos. Uma diferença da cerâmica frente aos outros materiais alternativos é sua composição química e mineralógica, que muitas vezes é conhecida e controlada, também sua queima elimina qualquer material orgânico, prejudicial aos concretos e argamassas.
O tijolo cerâmico se moído for é um material alternativo a utilização dos agregados comuns em concretos, destacando suas massas específica e unitária menores que a areia e a brita, conferindo maior leveza ao concreto, Passos; Pinto Júnior (2007). Porém, este resíduo cerâmico apresenta grande capacidade de absorção de água em decorrência de sua elevada porosidade (CABRAL; DAL MOLIN; SCHALCH, 2005, FAVINI; COSTA, 2008), chegando a até 12%, conforme dados de Pereira et al (2002) e Brito; Pereira; Correia (2005).
Entretanto, este problema é contornado com uma pré-saturação da cerâmica antes de sua utilização, pré-saturação com água, variando de 30 minutos, segundo Pereira et al. (2002), a até 24 horas antes da moldagem do traço, conforme Mansur, Wee, Cheran (1999), evitando assim, a absorção da água de amassamento do concreto por este agregado.
Esta maior absorção de água da cerâmica interfere também no abatimento do concreto, atingindo os concretos com cerâmica, valores superiores aos traços com os agregados comuns, segundo Pereira et al. (2002), e explicado por Mansur, Wee, Cheran (1999), devido a textura da
47
superfície do tijolo. Porém, Binici (2007) verificou abatimento menor que a referência para os concretos com cerâmica moída miúda.
Quanto aos ensaios mecânicos realizados em concretos com rejeitos cerâmicos substituindo os agregados, graúdo ou miúdo, comuns, os autores Pereira et al. (2002), Brito; Pereira; Correia (2005), Correia; Brito; Pereira (2006), Passos; Pinto Júnior (2007) e Favini; Costa (2008) observaram queda nos valores dos ensaios de resistências à compressão simples, de tração na flexão e à abrasão com o aumento do teor de material cerâmico substituído. Já em Binici (2007) tem-se aumento da resistência dos concretos com cerâmica miúda frente ao traço referência, entretanto quanto a resistência à abrasão este também observou queda na resistência, conforme os demais autores.
Quanto aos ensaios de absorção de água por capilaridade e imersão, as maiores absorções foram medidas nos concretos com maiores de teores de cerâmica, devido a absorção de água pela cerâmica moída, fator este que pode comprometer o concreto quando em contato com uma água com agentes agressivos, segundo Brito; Pereira; Correia (2005) e Correia; Brito; Pereira (2006).
Outro fator que beneficia a utilização da cerâmica é em relação a penetração de cloretos em menor intensidade que o traço com agregados comuns (BICINI, 2007). Comparando a resistência de um concreto comum com um agregado proveniente de telha cerâmica, Dias; Silva; Silva (2008) destacam a maior resistência deste agregado frente ao concreto, dependendo de seu consumo de cimento e traço.
Em relação a utilização de rejeitos de pisos cerâmicos esmaltados estes apresentam menor capacidade de absorção que os demais tipos de cerâmica vermelha, Luzardo; Costa (2008). Nos ensaios mecânicos Costa et al. (2005a) notaram aumentos de valores nos ensaios de resistência à compressão simples e à compressão diametral atribuído ao melhor empacotamento do concreto ou pela atividade pozolânica da cerâmica, fato não observado quando substituído ambos os agregados por piso cerâmico, segundo Luzardo; Costa (2008).
48
Também foram realizadas análises microscópicas dos concretos para observação de sua cura. Com estas análises os autores observaram que o esmalte de revestimento da cerâmica não alterou a hidratação do concreto (COSTA et al., 2005a).
3.4.2 Argamassa com Cerâmica
Na construção civil o emprego de resíduos cerâmicos não fica restrito ao concreto devido a facilidade de moagem da cerâmica em granulometria similar ao agregado comum miúdo, além do que a areia pode conter materiais orgânicos e sua substituição pelos rejeitos cerâmicos é benéfica pelo fato que após a queima, o material orgânico da cerâmica se extingui, Costa; Martins; Baldo (2006a).
Assim, como no agregado graúdo, o miúdo também possui maior capacidade de absorção de água, Costa et al. (2005b), tendo muitas vezes que aumentar a relação água/cimento para manter a consistência próxima do traço referência, Santana; Lima; Costa (2007). Mantendo a mesma relação água/cimento as argamassas com cerâmica apresentam consistência inferior a referência.
Conforme os ensaios de resistência à compressão simples de argamassas com resíduos cerâmicos realizados por Costa et al. (2005b), Costa; Martins; Baldo (2005), Costa; Martins; Baldo (2006a), Santana; Lima; Costa (2007), Costa; Martins; Baldo (2008) as argamassas com cerâmica apresentaram valores superiores a referência, isto pode ser explicado pelo melhor empacotamento dos grãos e pela atividade pozolânica deste material com a presença do cimento/cal, Costa; Martins; Baldo (2007), Silva; Brito; Veiga (2007), diminuindo assim, o índice de vazios, o teor de ar e a retenção de água, Costa; Martins; Baldo (2008).
Em relação a capacidade de aderência da argamassa com resíduos cerâmicos esta aumenta com o aumento da idade de ensaios, além de apresentar maior aderência que as argamassas referência, segundo Costa et al. (2005b), Costa; Martins; Baldo (2006b), Silva; Brito; Veiga (2007)
49
A face vidrada do material cerâmico utilizado não apresentou nenhum efeito negativo tanto em relação a resistência de aderência como a resistência à compressão, podendo ser utilizado, segundo a metodologia dos autores Costa et al. (2005b), Costa; Martins; Baldo (2005), Costa; Martins; Baldo (2007), Costa; Martins; Baldo (2008).
Quanto a capacidade de absorção de água por imersão, quanto maior a idade, menor o índice de absorção, Costa; Martins; Baldo (2005), Silva; Brito; Veiga (2007), entretanto, argamassas produzidas com cerâmica vermelha apresentam absorções superiores ao traço referência fato explicado pela maior porosidade da cerâmica vermelha frente ao outros tipos de cerâmicas e ao agregado comum (COSTA; MARTINS; BALDO, 2006b).
Outro material cerâmico utilizado em argamassas é a fibra cerâmica, conforme pesquisa de Ma; Zhu; Tan (2005). Esta fibra cerâmica tem alto módulo de elasticidade e é utilizada em fornos do tipo arco e de olaria, pois é um ótimo isolador térmico, podendo também ser utilizada em argamassas convencionais.
50