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CONFERÊNCIA DA NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E

NOSSO FUTURO COMUM DE 1987

3.2 CONFERÊNCIA DA NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E

DESENVOLVIMENTO – ECO-92

Tendo várias questões urgentes sobre a degradação da natureza, é convocada uma nova reunião a ser realizada no ano de 1992 na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como ECO 92. Este é considerado o evento mais importante sobre o tema, além de comemorar os 20 de Estocolmo era preciso

debater os resultados do Relatório Nosso Futuro Comum e, sobretudo, discutir os rumos do desenvolvimento sustentável. De acordo com dados da ONU compareçam representantes de 179 países que assumiram o compromisso com os 27 princípios deliberados nessa conferência. Abaixo listamos estes princípios que reforçam a importância da elaboração de legislação que proteja o meio ambiente da devastação (ONU, 1992; RADIMD, RIBEIRO, 1992; IPHAN, 1995).

3.2.1 PriNCÍPioS DA ECO – 92

• Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza.

• De acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional, os Estados têm o direito supremo de aproveitar seus próprios recursos segundo suas peculiaridades políticas, ambientais e de desenvolvimento e é responsável por zelar pelas atividades realizadas dentro de sua jurisdição, ou sob seu controle para que não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de zonas que estejam fora dos limites da jurisdição.

• O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas equitativamente as necessidades ambientais e de desenvolvimento das gerais presentes e futuras.

• O desenvolvimento sustentável será alcançado quando a proteção ambiental for parte integrante do processo de desenvolvimento, e não pode ser considerada isoladamente deste.

• Todos os Estados e todos os indivíduos, como requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável, devem cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza de forma a reduzir as disparidades nos padrões de vida e melhor atender às necessidades dos povos do mundo.

• A situação e necessidades especiais dos países em desenvolvimento, em particular dos países menos desenvolvidos relativo e daqueles ambientalmente mais vulneráveis, devem receber prioridade especial.

Ações internacionais no campo do meio ambiente e do desenvolvimento devem, também, atender aos interesses e necessidades de todos os países.

• Os Estados devem cooperar em espirito de solidariedade mundial para conservar, proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da Terra. Na medida em que tenham contribuído em graus variados para a degradação do meio ambiente mundial, os Estados têm responsabilidade comuns, mas diferenciadas. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional

do desenvolvimento sustentável, em vista das pressões que suas sociedades exercem no meio ambiente mundial, das tecnologias e dos recursos fi nanceiros de que dispõem.

• Os Estados devem reduzir e eliminar as modalidades de produção e consumo insustentável e fomentar apropriadas políticas demográfi cas para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado e consequentemente a melhoria na qualidade de vida de todas as pessoas.

• Os Estados devem cooperar com vistas ao fortalecimento da capacitação endógena para o desenvolvimento sustentável, pelo aprimoramento da compreensão científi ca por meio do intercâmbio de conhecimento científi co e tecnológico e, pela intensifi cação do desenvolvimento, adaptação, difusão e transferência de tecnologia, inclusive tecnologias novas e inovadoras.

• O melhor modo de tratar as questões ambientais é assegurar a participação de todos os cidadãos interessados no nível correspondente.

No nível nacional, cada indivíduo deve ter acesso adequado a informações relativas ao meio ambiente de que disponham as autoridades públicas, inclusive informações sobre materiais e atividades perigosas em suas comunidades, bem como a oportunidade de participar de processos de tomada de decisões. Os Estados devem facilitar e estimular a conscientização e a participação pública, colocando a informação à disposição de todos. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos, entre os quais o ressarcimento de danos e os recursos pertinentes.

• Os Estados devem promulgar leis efi cazes sobre o meio ambiente. As normas, os objetivos de planejamento e as prioridades ambientais devem refl etir o contexto ambiental e de desenvolvimento a que se aplicam.

As normas utilizadas por alguns países podem resultar inadequadas e representar um custo social e econômico injustifi cado para outros, particularmente para os países em desenvolvimento.

• Os Estados devem cooperar na promoção de um sistema econômico internacional favorável e aberto que conduza ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável de todos os países, a fi m de abordar da melhor forma os problemas da degradação ambiental. As medidas de política comercial com fi ns ambientais não deveriam constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustifi cável, nem uma restrição velada ao comércio internacional. Deve-se evitar a adoção de medidas unilaterais para solucionar os problemas ambientais que se produzem fora da jurisdição do país importador. As medidas destinadas a tratar dos problemas ambientais transfronteiriços ou mundiais, na medida do possível, devem basear-se em um consenso internacional.

• Os Estados devem desenvolver legislação nacional relativa à responsabilidade e indenização das vítimas de poluição e outros danos

ambientais. Os Estados devem, ainda, cooperar de forma expedita e determinada para o desenvolvimento de normas de direito internacional ambiental relativa à responsabilidade e indenização por efeitos adversos de danos ambientais causados, em áreas fora de sua jurisdição, por atividades dentro de sua jurisdição ou sob seu controle.

• Os Estados devem cooperar de modo efetivo para desestimular ou prevenir a mudança ou transferência para outros Estados de quaisquer atividades ou substâncias que causem degradação ambiental grave ou que sejam prejudicais à saúde humana.

• Com a fi nalidade de proteger o meio ambiente, os Estados deverão aplicar amplamente o critério de precaução, de acordo com suas capacidades. Quando houver perigo de dano grave ou irreversível, a falta de certeza cientifi camente absoluta não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas e efi cazes, em função dos custos, para impedir a degradação do meio ambiente.

• As autoridades nacionais devem procurar incentivar a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos, tendo em consideração o critério de que o que contamina deve, em princípio, arcar com os custos da contaminação, levando devidamente em conta o interesse público e sem distorcer o comércio nem os investimentos internacionais.

• A avalição do impacto ambiental, como instrumento nacional, deve ser empreendida para atividades planejadas que possam vir a ter impacto negativo considerável sobre o meio ambiente, e que dependam de uma decisão de autoridade nacional.

• Os Estados devem notifi car imediatamente outros Estados de quaisquer desastres naturais ou outras emergências que possam gerar efeitos nocivos súbitos sobre o meio ambiente destes últimos. Todos os esforços devem ser empreendidos pela comunidade internacional para auxiliar os Estados afetados.

• Os Estados devem prover oportunamente, a Estados que possam ser afetados, notifi cação previa e informações relevantes sobre atividades potencialmente causadoras de considerável impacto transfronteiriços negativo sobre o meio ambiente e, devem consultar-se com estes tão logo quanto possível e de boa fé.

• As mulheres desempenham papel fundamental na gestão do meio ambiente e no desenvolvimento. Sua participação plena é, portanto, essencial para a promoção do desenvolvimento sustentável.

• Devem ser mobilizados a criatividade, os ideais e a valor dos jovens do mundo para forjar uma aliança mundial orientada a obter o desenvolvimento sustentável e assegurar um futuro melhor para todos.

• As populações indígenas e suas comunidades, assim como outras comunidades locais desempenham um papel fundamental no

planejamento do meio ambiente e no desenvolvimento, graças aos seus conhecimentos e práticas tradicionais. Os Estados devem reconhecer e aprovar devidamente sua identidade, cultura e interesses e tornar possível sua participação na obtenção do desenvolvimento sustentável.

• O meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos à opressão, dominação e ocupação devem ser protegidos.

• A guerra é, por sua natureza, contrária ao desenvolvimento sustentável.

Os Estados devem, por conseguinte, respeitar o direito internacional aplicável à proteção do meio ambiente em tempos de confl ito armado e, cooperar para seu desenvolvimento progressivo, quando necessário.

• A paz, o desenvolvimento e a proteção ambiental são interdependentes e indivisíveis.

• Os Estados devem solucionar todas as suas controvérsias ambientais de forma pacífi ca, utilizando-se dos meios apropriados, de conformidade com a Carta das Nações Unidas.

• Os Estados e os povos devem cooperar de boa fé e imbuídos de um espírito de parceria para a realização dos princípios consubstanciados nesta Declaração e, para o desenvolvimento progressivo do direito internacional no campo do desenvolvimento sustentável.

A partir da promulgação desses princípios a Organização das Nações Unidas fi rma um pacto mundial em defesa do meio ambiente visando o desenvolvimento sustentável e ao mesmo tempo alertando todas as nações do mundo da urgência em se criar leis em suas jurisprudências que garantam a preservação, conservação e resiliência dos recursos naturais, além de convocar os Estados da importância do cumprimento dos acordos internacionais e, consequente sanções para aqueles que não respeitarem e/ou descumprirem as normas ambientais internacionais.

A ECO 92 foi de extrema importância para a consolidação de um plano de desenvolvimento sustentável, além dos princípios foi elaborado um plano de ação de desenvolvimento econômico e social aliado ao meio ambiente embasado em uma série de estudos de governos e organizações internacionais denominada de Agenda 21. Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Brasil a Agenda 21 Global Constitui a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, denominado “desenvolvimento sustentável”. O termo “Agenda 21” foi usado no sentido de intenções, desejo de mudança para esse novo modelo de desenvolvimento para o século XXI. A Agenda 21 pode ser defi nida como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográfi cas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e efi ciência econômica (MMA, 2020).

A partir das metas estabelecidas na Agenda 21 os Estados/Nações poderiam traçar seus próprios planos de desenvolvimento sustentável embasados em pelos três pilares: o ambiental, o econômico e social. Para tanto, a interação e cooperação entre os países, regidas pelos acordos internacionais, são fundamentais para o sucesso da Agenda 21, sobretudo, no que se refere a ajuda dos países ricos para os países pobres.

A Rio 92 foi de grande magnitude ao mesmo tempo abrigou, ainda, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e a Convenção sobre a Diversidade Biológicas, além de produzir a Declaração de Princípios para o Manejo Sustentável de Florestas. As conquistas dessa conferência foram signifi cativas e deu origem a diversos outros encontros internacionais a fi m de discutir os rumos do desenvolvimento sustentável e o futuro do planeta, bem como estimulando os países a formularem legislações específi cas em seus territórios resguardando os recursos naturais e ao mesmo tempo garantindo o desenvolvimento sustentável.