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FACTORIAL VALIDITY OF THE MASLACH BURNOUT INVENTORY (MBI-HSS) AMONG PORTUGUESE PROFESSIONALS

III. Conflitos Conflitos disfuncionais repetitivos

4. Conflito de Autoestima (n = 5)

Misto mas Ativo – 1

Predominantemente Passivo – 1

(n = 2)

Predominantemente Ativo –1 Misto mas Ativo – 1

Misto mas Passivo – 1 (n = 3)

A segunda questão de investigação colocada prendia-se com o compreender qual o nível de integração estrutural que contribui para o aparecimento do burnout. De acordo com os resultados observa-se que no grupo com critérios de burnout verifica-

se a existência de dois perfis, um primeiro que se refere ao nível de integração moderado a baixo (n = 4) e um segundo perfil, referente ao baixo nível de integração estrutural (n = 3). Ao passo que no grupo com índices de elevada exaustão emocional poderão ser considerados três perfis: elevado a moderado (n =1), moderado (n = 2) e moderado a baixo (n = 5).

No que se refere ao Eixo I - vivências e pré-requisitos para o tratamento, optou- se por incluir, em virtude de proporcionar informação adicional para a interpretação dos resultados e respectiva comparação entre grupos. A gravidade dos sintomas (1.1) é mais acentuada no grupo com critérios de burnout (n = 6), situando-se no moderado a elevado, na medida em que os sintomas são tanto físicos, como no domínio

emocional. No que se refere ao sofrimento subjectivo (3.1), embora esteja presente no grupo com elevados índices de exaustão emocional (n = 5), é mais acentuado no grupo com critérios de burnout (n = 7). Porém, há a salientar que os problemas sociais (3.4) apresentam maior expressão no grupo com critérios de burnout (n = 5). No item referente ao Apoio Psico(Social) (6.2) observam-se diferenças, na medida em que no grupo com critérios de burnout, se torna evidente a existência de uma reduzida rede de suporte emocional e instrumental, fator que não é tão evidente no grupo com índices elevados de exaustão emocional.

Discussão

Do ponto de vista psicodinâmico, o burnout tem vindo a ser compreendido como: processo gradual de exaustão; anulação do ideal do ego em relação a um outro significativo e como o resultado da inibição de impulsos incompatíveis. Sustentado nestes modelos teóricos, revelou-se pertinente perceber de que forma o nível de integração estrutural e que tipos de conflitos contribuem para o aparecimento do burnout.

Nesta investigação, os resultados obtidos indiciam que um nível de integração estrutural moderado a baixo, parece tornar os profissionais mais propensos a

desenvolverem índices elevados de exaustão emocional e burnout. Quer isto dizer, que são indivíduos que se caracterizam por um Superego severo e externalizado, bem como um ideal do ego exagerado. Os conflitos situam-se ao nível interpessoal,

reflectindo-se nas várias áreas da sua vida. Ao nível das funções estruturais como a auto-percepção, a percepção do Self é voltada para o Ego, tendo uma capacidade limitada de diferenciar os seus afetos. No que se refere à percepção do objecto, interlocutor na relação, é visto como um objecto que satisfaz as necessidades do próprio, ocorrendo processos de idealização e desvalorização do Outro. Portanto, poderá inferir-se que os resultados aqui expostos confirmam a teoria no sentido de que o desgaste deste profissionais advem do negar da sua própria fragilidade, sendo o investimento excessivo no trabalho uma via de encontrar um sentimento de identidade e satisfação. Estes profissionais demonstram que perante uma experiência de

insucesso experimentam uma frustração de conteúdo depressivo, que se manifesta através da sua auto-depreciação. À semelhança do proferido por Grosch e Olsen (1994), verifica-se que os participantes parecem necessitar do Outro apenas numa função específica, no nosso entender necessidade de ser admirado e reconhecido quer pelos utentes, quer pelos colegas.

Em relação aos conflitos observa-se uma maior predominância da necessidade de ser cuidado vs auto-suficiência e individuação vs dependência. Verifica-se que as descrições que os participantes fazem da interacção com o Outro, remetem para o sentimento de uma enorme disponibilidade face ao Outro. O seu comportamento poderá ser descrito como uma atitude altruísta que remete para, ao nível inconsciente, a necessidade de ser cuidado.

No entanto, o segundo conflito remete para uma necessidade exagerada de independência emocional das relações interpessoais, havendo uma forte convicção de não precisar de ninguém. Daí a excessiva necessidade de autonomia. No outro

extremo observa-se que os seus próprios desejos se encontram subordinados ao dos outros, de modo a não comprometer a relação.

Deste modo, os nossos resultados parecem ir no sentido do sugerido pela literatura, na medida em que se verifica que a devoção ilimitada dos participantes conduz a um sentimento, em que percepcionam uma maior dificuldade em distanciar- se do Outro, reflexo desta atitude altruísta, que inconscientemente remete para a necessidade de ser cuidado, reconhecido e apreciado. No entanto, a necessidade exagerada de automonia e independência face ao Outro, conduz a uma atitude de desvinculação perante os colegas e utentes.

Outro dado a ter em consideração prende com o fato de 66.7% dos

participantes apresentar um quadro clínico de depressão (reativa ou endógena), o que nos leva a refletir acerca da sua contribuição para o burnout ou, se pelo contrário o aparecimento da depressão decorre de estar em burnout. Embora se reconheça a dificuldade em fazer o diagnóstico, na medida em que o burnout não é reconhecido como “doença”, sendo frequentemente diagnosticado como depressão, por ser mais facilmente admissível perante as convenções de saúde, tem sido unânime considerar que os sintomas de depressão e do burnout apesar de muitas vezes semelhantes, provem de causas diferentes (Delbrouck, 2006). No entanto, existem autores que acreditam que a depressão precederia o burnout, sendo que os elevados índices de exaustão emocional corresponderiam a um dos factores que contribuem para o aparecimento desta sintomatologia. Porém, subsistem dúvidas entre a associação depressão e as restantes dimensões, o que contraria a ideia de que o burnout é uma forma de depressão relacionada com o trabalho (Brenninkmeijer, VanYperen e Buunk, 2001; Kiersy et al. 2007). Porém, concordamos com a visão de Delbrouck (2006), que considera que o burnout constitui “uma porta de entrada para outras patologias mais graves, nomeadamente a depressão, a ansiedade, as doenças somáticas”.

No decorrer das entrevistas fizeram-se sentir alguns constrangimentos. A primeira limitação, poderia estar associada à gravação áudio, na medida este método de recolha de dados, apenas permite capturar o diálogo entre duas pessoas não reproduzindo aspetos da dinâmica relacional entre dois intervenientes (entrevistada e

investigadora). No entanto, ao delinear-se a investigação houve a preocupação de ter este aspeto em consideração, tendo-se para o efeito procedido ao posterior registo de notas relevantes para que outros investigadores tivessem um retrato mais aproximado do conteúdo da interação entre entrevistado e investigadora, não se cingindo apenas à transcrição da entrevista. A entrevista foi conduzida sob os constrangimentos práticos usualmente associados à existência de um tempo limitado para a sua realização, dado que foram realizadas durante o período laboral dos participantes.

Para futuras investigações sugere-se a replicação deste estudo, numa amostra de maior dimensão, sendo recomendável que as entrevistas sejam efetuadas pelo menos por dois investigadores. Por outro lado, propõe-se a realização de estudos qualitativos em que seja controlada a variável depressão, de modo a perceber a sua influência no desenvolvimento do burnout.

Esta investigação constitui um importante contributo para a compreensão das dinâmicas intrapsíquicas no fenómeno burnout, permitindo clarificar processos

inconscientes a ele associados, sobretudo a escolha da profissão, assim como a forma como se estabelece a relação entre o prestador de cuidados e os vários intervenientes do seu contexto profissional. Permitindo, assim, elações directivas para a prevenção e tratamento.

Com este estudo podemos perceber que dos 15 sujeitos, sete com burnout e oito com índices elevados de exaustão emocional, avaliados numa amostra de 265, o:

1) Conflito necessidade de ser cuidado vs auto-suficiência, modo ativo – remete, ainda que de uma forma inconsciente, para um desejo de obter cuidado e segurança. Os afectos direcionam-se para se preocupar com os outros, verificando-se sentimentos latentes de depressão. Na sua vida profissional, as descrições remetem para colaboradores insubstituíveis, que vivenciam com intensidade o seu trabalho, revelando muitas das vezes pouca tolerância para com o ritmo e postura dos outros.

2) Conflito individuação vs dependência, no modo ativo – pressupõe-se que a sua satisfação pessoal, a sua auto-estima e concretização é obtida por intermédio do

trabalho. Daí que fique implícito que a sua satisfação e gratificação a nível pessoal advém do trabalho que realizam.

3) Nível de integração estrutural moderado a baixo - remete para um espaço mental interno e subestruturas pouco desenvolvidas, onde as funções regulatórias são claramente reduzidas. A coerência da auto-imagem é influenciada por situações indutoras de stress. Demonstram dificuldade em precisar o que os outros pensam deles, sendo as suas descrições uma projecção do que eles próprios sentem. O outro é visto como um objecto que satisfaz as necessidades do próprio

(desvalorização/idealização).

Assim, considera-se como proferido por Dejours (in press) que a retribuição que mobiliza a maioria dos trabalhadores não é a retribuição material, mas antes de tudo uma retribuição simbólica. A retribuição simbólica esperada sob a forma de: reconhecimento no sentido de gratidão pelo serviço prestado; e reconhecimento no sentido de apreciação sobre a qualidade do trabalho realizado (Dejours, in press). Ora, o reconhecimento tem um impacto considerável sobre a identidade, sendo graças a ele que uma parte essencial do sofrimento é transformada em prazer no trabalho (Dejours, in press). Desta forma, aqueles que são mais vulneráveis encontram-se entre os profissionais mais implicados nas suas tarefas e que põem mais empenho no serviço prestado (Dejours, in press; Lambie, 2006; Pines, 2002).

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VI. DISCUSSÃO

6.1 Objetivos e Questões de Investigação do Estudo

Os estudos aqui apresentados inserem-se num, mais amplo, sobre a “Para a

compreensão do fenómeno Burnout nos prestadores de cuidados a idosos doentes crónicos”, cujo objectivo visa compreender que tipo de conflitos internos e nível de

integração estrutural estão mais relacionados com o desenvolvimento do Burnout, nos profissionais que lidam diariamente com pacientes em situação de vulnerabilidade física, mental e social (Vicente et al., in press).

No global foi possível concretizar todos os objectivos e responder às questões de investigação inicialmente propostas, os quais serão explanados e reflectidos de seguida.

Estudo 1 - Prevalência da Síndrome de Burnout em Prestadores de Cuidados

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