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Estudo 3 Compreensão das dinâmicas intrapsíquicas na síndrome de burnout.

2.1. A Síndrome de Burnout nas profissões de relação de ajuda: Revisão A Síndrome de Burnout nas profissões de ajuda: Revisão

2.1.3. Resultados 1 Constructo

2.1.3.4. Potenciais Correlações

Nas últimas décadas têm-se assistido à proliferação de estudos empíricos que procuram apurar a existência de correlações entre as variáveis sociodemográficas, laborais e organizacionais e as três dimensões do burnout, exaustão emocional, despersonalização e realização pessoal.

No que se refere às variáveis associadas ao contexto profissional verifica-se que os estudos sustentam que a sobrecarga laboral constitui um preditor significativo para a exaustão emocional, mas não para a realização pessoal quer seja em homens quer em mulheres (Glasberg, Erihsson & Norberg, 2007; Kareaga et al., 2008; Zamora et al., 2008). Outro dado assinalável relaciona-se com a falta de reciprocidade que aparece como preditor significativo da exaustão emocional para ambos os sexos,

embora apenas tenha resultado como preditor na dimensão realização pessoal nas mulheres (Gil-Monte et al., 2005) Para além disso, o apoio social e os conflitos

interpessoais foram considerados preditores significativos da exaustão emocional e da realização pessoal (Gil-Monte et al., 2005; Lyod, King & Chenoweth, 2002; Souza & Silva, 2002). Para Kareaga et al. (2008) variáveis como a falta de expectativas profissionais e de reconhecimento, assim como uma supervisão deficiente podem constituir-se preditores da Síndrome de Burnout (Grau, et al., 2005; Lloyd et al., 2002; Varoli et al., 2004). Por outro lado, os estudos, ainda, evidenciam que a variável exaustão emocional aparece regularmente correlacionada com variáveis como a pressão de tempo, conflitos e ambiguidade de papel profissional enquanto as dimensões despersonalização e diminuição da realização pessoal aparecem

regularmente correlacionadas à baixa autonomia e poder de decisão e falta de suporte de colegas e chefias. (Gil-Monte, et al., 2005; Gisbert et al., 2008; Glasberg, et al., 2007; Kareaga, et al., 2008; Varoli et al., 2004; Zamora et al., 2008).

No âmbito dos fatores relacionados com o indivíduo, verifica-se que as investigações têm dado particular relevância, a variáveis como: o género, a idade, o estado civil, características da personalidade e com particular destaque para as estratégias de coping (Pera et al., 2002; Zamora et al., 2008).

No que se refere ao género, verifica-se que as investigações diferem na medida em que nalguns infere-se que as mulheres obtêm valores mais elevados na dimensão exaustão emocional e baixa realização pessoal ao passo que nos homens as maiores elevações verificam-se na dimensão despersonalização. (Carlotto, 2011; Dias, et al., 2010; Ebling & Carlotto, 2012; Glasberg, et al., 2007; Gomes, Cabanelas, Macedo, Pinto & Pinheiro, 2008; Gomes, et al., 2009; Grau; Flichtentrei; Suñer; Prats & Braga, 2009; Jimenez, Lara, Muñoz, Chavez & Loo, 2006; Vicente et al., 2011).

Contudo, noutros estudos essas diferenças de pontuações não são tão evidentes ou há uma maior prevalência nos homens (Ebling et al., 2012; Gil-Monte, et al., 2005; Gisbert, et al., 2008; Grau, et al., 2005; Lyod & King, 2004; Sos et al., 2002).

Noutro estudo realizado com profissionais de saúde, os resultados sugerem que as variáveis idade e tempo de profissão não influenciam significativamente as três dimensões do burnout, embora salientem que o burnout foi mais acentuado nos primeiros anos de profissão (Souza, et al., 2002). Discordante com estes resultados, surgem os estudos de Sos Tena, et al. (2002), Dias, et al. (2010) que verificaram que a idade parece desempenhar um papel moderador, de maneira que os profissionais com mais idade evidenciam menores níveis de burnout, o que leva a considerar que a experiência de burnout, ocorre com maior frequência nos profissionais mais jovens.

Outras investigações sugerem que as pessoas com maior grau académico estão mais propensas a desenvolver a síndrome de burnout, na medida em que se observa que com o aumento das habilitações literárias também é evidente um aumento progressivo da exaustão emocional, mais do que das outras dimensões. (Jiménez et al., 2006; Silva & Carlotto, 2008).

Estudos ao procurarem apurar a relação entre os fatores de personalidade e o burnout, como o de Souza e Silva (2002) verificaram que o padrão de personalidade tipo A mostrou-se um preditor significativo do burnout, da exaustão emocional e da despersonalização. No entanto, Zamora e Castejón (2004) reforçam estes dados, embora tenham observado uma relação positiva entre este tipo de personalidade e a dimensão realização pessoal. Por sua vez, tem sido referenciado que o traço de ansiedade é um preditor significativo do burnout e de todas as suas dimensões exceto na dimensão realização pessoal. Deste modo inferem que os indivíduos com um alto traço de ansiedade são mais vulneráveis ao stress ocupacional e ao burnout (Glasberg

et al., 2007; Grau, et al., 2009; Souza et al., 2002).

Para além disso, os estudos revelam que profissionais com maiores índices de neuroticismo parecem apresentar menores índices de exaustão emocional e

despersonalização. Contudo, num estudo realizado no Irão verifica-se o neuroticísmo apresenta uma relação positiva com a exaustão emocional ao passo que a

2009). Relativamente à dimensão despersonalização constatou-se que o neuroticismo tem uma relação positiva enquanto a agradabilidade uma relação negativa com esta dimensão. Por outro lado, referir que variáveis como a extroversão e agradabilidade tem uma relação negativa com a reduzida realização pessoal (Jahanbakhsh, et al., 2009). Além disso, os estudos sugerem a existência de relações positivas entre o locus de controlo externo e a despersonalização (Shimizutani et al., 2008; Zamora et al., 2004).

Quanto à possível relação entre as estratégias de coping e o posterior desenvolvimento do burnout, os estudos sugerem que determinadas estratégias de coping, nomeadamente estratégias mais defensivas, como de evitação ou negação, influenciam positivamente o burnout (Zamora, Castejón & Fernandez, 2004). Por sua vez, as estratégias de coping centradas na resolução do problema ou no controlo influenciam negativamente o burnout. (Kareaga, et al., 2008; Zamora, et al., 2004).

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