4. CONHECENDO A PROPOSTA E SEUS PROTAGONISTAS
4.5 Conhecendo os protagonistas da pesquisa
A professora pesquisadora encontra-se no cargo de Professora Efetiva em uma escola municipal da cidade de Uberlândia/MG, desde o final do ano de 2012. Essa escola situa-se na zona rural da cidade. Sua comunidade é composta por famílias que ali residem buscando um local para constituírem seus lares onde, por serem afastados do perímetro urbano, os lotes podem ser adquiridos por um valor monetário mais acessível. As famílias, em sua maioria, 24
24 A denominação de zona rural deve-se pelo fato da escola contemplar estudantes que residem em chácaras, não há nesse setor loteamento, assim como os moradores ainda não foram comtemplados com a infraestrutura presente nos bairros urbanos.
são formadas por produtores rurais, mas que produzem apenas para o próprio consumo, muitos dos pais são chefes de família que antes do amanhecer do dia deixam suas casas rumo à “cidade”, como eles mesmos se referem, para mais um dia de trabalho e retornam apenas ao anoitecer para seus lares.
A escola é a única do bairro. No turno da manhã funcionam quatro turmas do ensino fundamental I (5° ano) e dezesseis turmas do ensino fundamental II (6° ao 9° anos); no turno da tarde, vinte turmas do ensino fundamental I (1° ao 4° anos) e, no noturno, quatro turmas da Educação de Jovens e Adultos do 6° ao 9° anos. Além das turmas regulares, existe, nos três turnos, uma pequena sala onde se desenvolve o atendimento especializado a estudantes que possuem algum tipo de deficiência física ou psicológica.
A realidade da escola é constituída por uma alta rotatividade dos estudantes. Infelizmente uma característica das famílias é o alto índice de separação entre os cônjuges ou a tomada de guarda das crianças, feita por avós ou outros parentes que a justiça julga estarem mais aptos a educar do que os próprios pais, assim, muitos estudantes são transferidos no decorrer do ano letivo, interferindo em seu sucesso escolar.
No ano de 2014, a professora pesquisadora encontrava-se responsável por ministrar aulas de matemática para os estudantes do 7° ano do ensino fundamental, sendo assim, a proposta foi desenvolvida com quatro turmas compostas em média por 30 estudantes. Contudo, devido o alto número de protagonistas, fez-se necessário, utilizarmos o conceito de isolado, proposto por Caraça (1951), para que pudéssemos refinar o número de sujeitos de nossa pesquisa. Na perspectiva de Caraça (1951), o isolado se explica pela “impossibilidade de abraçar, num único golpe, a totalidade do Universo [realidade observada], o observador recorta, destaca, dessa totalidade, um conjunto de seres e fatos, abstraindo de todos os outros que com eles estão relacionados” (CARAÇA, 1951, p. 105). Refletimos muito até que conseguíssemos chegar ao nosso isolado, que apresentaremos a seguir.
Como a proposta aconteceu no segundo semestre de 2014, devido a algumas festividades realizadas na escola e recessos escolares, o número de aulas em uma das turmas acabou sendo reduzido bruscamente, o que alterou o fluxo da proposta, impossibilitando que a mesma pudesse ocorrer de forma integral, isto é, algumas atividades não puderam ser realizadas.
Em outra turma se fizeram presentes dois conflitos: o alto número de rotatividade de estudantes e a baixa frequência. Iniciamos o ano letivo com 35 estudantes matriculados e findamos com apenas 25 estudantes, sendo que cinco destes ingressam em meados do mês de
novembro, ou seja, a proposta já estava em andamento. Além disso, alguns estudantes da turma moravam em chácaras afastadas da escola, em locais onde, quando chovia, não se fazia possível que o ônibus escolar transitasse. Assim, infelizmente, os estudantes não conseguiam comparecer as aulas, sendo necessário que frequentassem a escola no contra turno para reporem a carga horária, feita com outra professora, específica para esta finalidade. Mais uma vez, vemos a impossibilidade de esses serem sujeitos de nossa pesquisa, devido à falta de fluência da proposta, já que alguns estudantes não acompanharam seu início e outros participaram de algumas poucas atividades, não vivenciando a proposta como um todo.
Na terceira turma, tínhamos também problemas com a frequência dos estudantes, advindos de dois motivos: o primeiro, como descrito no parágrafo anterior, os estudantes nem sempre conseguiam chegar à escola devido às chuvas da época e, o segundo, em uma turma de 30 estudantes composta por doze repetentes, onde dois deles repetiam o 7° ano pela segunda vez. Esses doze estudantes se encontravam fora da faixa etária (entre 14 e 16 anos) e manifestavam o desejo de serem transferidos para o noturno, pois assim poderiam ingressar na turma de Jovens e Adultos. Contudo, não havia vagas naquele ano no noturno, então, os mesmos, por seguidas semanas, não frequentavam as aulas, mantinham o hábito de assistir de duas a seis aulas por mês apenas para garantirem a matrícula para o ano seguinte. Mais uma vez, esse não poderia ser nosso isolado.
Esses fatores auxiliaram-nos a eleger os critérios de seleção dos sujeitos da pesquisa: frequência constante nas aulas; ter apresentado suas reflexões nos registros escritos e socialização na turma; ter vivenciado as atividades propostas, ou seja, ter participado da maior parte do movimento da proposta de atividades de ensino.
Assim, nosso isolado ficou determinado por uma turma do 7° ano composta por 27 estudantes com faixa etária de 12 a 15 anos, regularmente frequentes de uma escola municipal da cidade de Uberlândia.
Lançamos mão da dinâmica, indivíduo-grupo-classe (LANNER DE MOURA et al., 2003) objetivando o compartilhamento de sentimentos, experiências, significados e conhecimentos em que, num primeiro momento, o indivíduo está no movimento do pensar individual sobre a situação-problema a qual está inserido e atribuir significados próprios a ela; posteriormente, em pequenos grupos, poderá discutir suas ideias a fim de elaborar uma síntese coletiva que represente este grupo e, por fim, termos a discussão grupo-classe para encontrar uma possível solução ou a mais adequada - e que ocorre mediada pelo professor. Adaptando o esquema de Marco (2009), podemos representar essa dinâmica no seguinte mapa conceitual:
Figura 8: Movimento entre estudantes ao vivenciar uma atividade de ensino
Pelo que tratamos no Capítulo 1, dos fundamentos da Teoria da Atividade, vemos que os sujeitos em coletividade e sob as ações desencadeadas pela professora pesquisadora podem colocar-se em atividade construindo significados e apreendendo os conceitos, foco da intencionalidade da professora pesquisadora.
Para a realização das atividades de ensino propostas, a composição de integrantes em
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duplas, trios, quartetos ou equipes, em diferentes momentos, ficaram assim determinadas : 25
25 As configurações apresentadas para duplas, trios e quartetos se deram mediante as afinidades existentes entres os integrantes. Apenas para a composição das equipes, os estudantes estabeleceram como critério sua localização da sala de aula, isto é, uniram carteiras próximas umas das outras. Reiteramos mais uma vez, que os nomes fictícios, preservando assim, a identidade dos estudantes.
Quadro 9: Descrição da Composição dos Grupos Discriminação
Duplas
(como a classe era composta de 27 estudantes, houve necessidade da
composição de um trio)
Trios
Quartetos
(como a classe era composta de 27 estudantes, houve a necessidade da
composição de um trio)
Equipes
(como neste dia, havia faltado a estudante Lilian, ambas as equipes foram compostas por 13 integrantes)
Nomes dos Integrantes Ana Clara e Nayra;
Ana Paula e Vanessa; Bruna e Érica;
Carlos, Fabiana e Pedro Henrique; Davi e Rafael; Fernanda e Pamela; Gabriela e Lilian; Jéssica e Regislaine; Junior e Thaís; Layla e Marina; Leandro e Matheus; Marcos Paulo e Natanael; Otávio e Rian.
Ana Clara, Regislaine e Rian; Ana Paula, Thaís e Vanessa; Bruna, Otávio e Pamela;
Carlos, Junior e Pedro Henrique; Davi, Fabiana e Rafael;
Érika, Fernanda e Natanael; Gabriela, Jéssica e Layla; Leandro, Marina e Nayra; Lilian, Marcos Paulo e Matheus. Ana Clara, Layla, Marina e Nayra; Ana Paula, Davi, Junior e Thaís; Bruna, Leandro e Matheus;
Carlos, Fabiana, Pedro Henrique e Rafael; Érika, Jéssica, Otávio e Regislaine;
Fernanda, Marcos Paulo, Natanael e Pamela; Gabriela, Lilian, Rian e Vanessa.
I: Ana Clara, Carlos, Fabiana, Junior, Layla, Marina, Marcos Paulo, Natanael, Nayra, Pamela, Pedro Henrique, Thaís, Vanessa.
II: Ana Paula, Bruna, Davi, Érika, Fernanda, Gabriela, Jéssica, Leandro, Matheus, Otávio, Rafael, Regislaine, Rian.
Fonte: Sistematização da pesquisadora
Trazemos, na próxima seção, as atividades de ensino que foram propostas aos estudantes.