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Conhecendo P1 – 1º ano 87

No documento MESTRADO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (páginas 87-175)

CAPÍTULO 4: O USO DE MATERIAIS CURRICULARES DE ESPAÇO E

4.1 Recursos dos professores 87

4.1.1 Conhecendo P1 – 1º ano 87

está organizada. Desse modo, levantamos os recursos do material citados por Brown (2009) que podem contribuir para a prática do professor.

Por fim, reunimos nossas percepções dos recursos do material e dos recursos do professor para compreender tal relação. Para isso, organizamos os dados em quadros que articulam os dois lados da relação, baseando-se no quadro Design Capacity for Enactment de Brown (2009).

Cada quadro corresponde a uma aula (ou dobradinha). Na primeira coluna, destacamos os recursos do material; na segunda coluna, a descrição da aula em que o professor coloca em prática seus recursos, chamados por Brown (2009) de resultados instrucionais; e na última coluna, nossos comentários sobre os recursos do professor em relação ao material disponibilizado.

Os quadros completos, disponíveis nos anexos D, E e F deste trabalho, foram fundamentais para que pudéssemos olhar para os dois lados da relação. A partir desses quadros e do referencial teórico (BROWN, 2009), apresentamos no final desse capítulo a articulação entre os recursos do professor e os recursos do material do EMAI organizadas em três categorias: reprodução, adaptação e criação.

4.1 Recursos dos professores

4.1.1 Conhecendo P1 – 1º ano  

A entrevista de P1 durou cerca de 20 minutos. No primeiro momento, destinado à caracterização do sujeito, P1 foi sucinta e objetiva. A professora, de 32 anos, nos contou que primeiro graduou-se em Letras e, posteriormente, em Pedagogia.

Relatou que durante seus 11 anos de atuação em sala de aula, trabalhou com maior frequência com o 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, também lecionou algumas aulas para os anos finais do Ensino Fundamental na disciplina de Língua Portuguesa. Em 2013, assumiu um grupo de 1º ano do Ensino Fundamental.

Ao ser questionada sobre sua relação com a Matemática, P1 disse que na vida escolar nunca sentiu grandes dificuldade e ainda ressaltou: “O pessoal acha que quem faz Letras teve problemas com a Matemática”.

Em relação ao ensino, relembrou que em virtude de sua formação tem maior facilidade com área de Língua Portuguesa. Mas, também nos contou que a Matemática nunca foi um problema para ela, embora tenha que estudar um pouco mais para conseguir lecionar a disciplina.

Seu relato deixa claro que embora não tenha vivenciado dificuldades na sua vida escolar, P1 acredita que seus conhecimentos matemáticos não são suficientes para o ensino, assim, sente a necessidade de estudar Matemática para melhorar a qualidade das aulas.

No segundo momento, quando discutimos sobre os materiais curriculares de modo geral e também especificamente do Projeto EMAI, P1 parece entender que materiais curriculares abrangem os livros didáticos, os materiais elaborados pelas secretarias de Educação e também os materiais “concretos”/manipulativo.

De acordo com a caracterização de Brown (2009), os materiais “concretos”/manipulativos podem ser considerados materiais curriculares, desde que carreguem intenções e forneçam elementos para alcançar objetivos. O autor defende que os materiais curriculares são artefatos, ou seja, instrumentos que representam e transmitem modos de ação, auxiliando o planejamento e a prática docente.

Ao ser indagada sobre os materiais curriculares que utiliza em sala de aula, o primeiro a ser apontado por P1 foi o material dourado e posteriormente os livros didáticos e o material do EMAI.

A professora também relatou que além do livro adotado e do material do EMAI, utiliza diversos livros didáticos para apoiar sua prática. Comenta que no ano de 2013, ano em que realizamos a observação, todos os alunos receberam o livro adotado e que o livro era consumível. P1 trouxe este comentário de forma positiva, demonstrando ter conseguido fazer um bom trabalho com material devido ao fato de todos os alunos terem o seu e, principalmente, por serem consumíveis.

Em relação ao material do EMAI, disse: “o EMAI é o currículo”. Segundo P1, o material auxilia seu planejamento e norteia suas escolhas. Relatou ter

dificuldade para priorizar conteúdos e que o EMAI a ajuda na seleção. Desse modo, confirmamos uma das características apontadas por Brown (2009), de que o material além de possibilitar elementos para alcançar objetivos também delimita a ação do professor, explicitando suas escolhas (do material) diante da gama de conteúdos que podem ser trabalhados.

Também podemos perceber que é o material curricular que influencia as escolhas de P1. Ao relatar sua dificuldade em priorizar conteúdos ou em como apresentá-los, não se refere em nenhum momento aos currículos prescritos.

Buscando compreender como P1 utiliza todos os materiais citados, questionamos sobre como concilia os diferentes materiais para atender aos objetivos pretendidos. P1 contou que o EMAI norteia suas escolhas, mas que sente falta de mais atividades sobre alguns assuntos, especialmente em Geometria, assim utiliza os livros didáticos para complementar o trabalho com estes conteúdos.

Ainda afirma que sente dificuldade em seguir a ordem dos conteúdos propostos nos livros didáticos e que as sequências (THAs) do EMAI auxiliam o seu planejamento.

Também procuramos entender como aconteceram as escolhas dos livros didáticos e como P1 recebeu a proposta do EMAI. Em relação aos livros didáticos, comentou a existência do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e disse que todos os professores participam desta escolha, que selecionam a mesma coleção para todos os anos do Ensino Fundamental I, baseando-se nos livros disponibilizados no PNLD.

Em relação ao EMAI, P1 entrou em contato com o material e com a formação de professores nos momentos de ATPC no início de 2013, no mesmo ano em que observamos as aulas e realizamos a entrevista. Afirmou que no ano anterior, 2012, ano em que o Projeto foi apresentado, estava afastada da escola. Desse modo, ainda estava se familiarizando com as propostas do EMAI.

Embora a coordenadora da Escola tenha afirmado que nem todas as salas utilizavam o EMAI, defendendo a autonomia dos professores, P1 contou que entende o material como obrigatório, assim como o programa Ler e Escrever, “tem que trabalhar o EMAI, assim como o Ler e Escrever, é programa do Governo. Para mim é obrigatório.”.

Seu relato traz indícios sobre as influências do contexto institucional. A Coordenadora defende a autonomia, tornando o professor em autoridade educacional. Entretanto, esta relação não é clara, pois P1 recebe a orientação de que o material é obrigatório e em sua prática, relatada nos próximos tópicos, não transparece a autoridade educacional (MCCLAIN et al., 2009) pretendida pela coordenadora.

Relatou que primeiro teve contato com a formação e que depois, em março, chegaram os materiais on-line. Também nos contou que utilizou algumas unidades do ano anterior, que foram cedidas por uma professora da mesma escola. Disse que percebeu mudanças no material de 2012 para o de 2013.

Quanto às contribuições do material para o seu planejamento, P1 novamente relatou que o EMAI norteia suas escolhas. “O EMAI traz miudinho esses conteúdos, traz esse norte. Então ajuda muito.”

P1 percebe que há uma sequência na apresentação dos conteúdos e acredita que as sequências didáticas facilitam o trabalho. Também percebe a progressão nos conteúdos. Entretanto, em diversos momentos da entrevista, ressaltou que as sequências e atividades não são suficientes para a compressão dos conteúdos, que precisa complementar com mais materiais, transparecendo concepções sobre como deve ser o ensino da Matemática.

Ao perguntarmos se identificava a concepção do material, P1 referiu-se ao material como construtivista, afirmando que há situações que possibilitam ao aluno a construção do conhecimento, complementa que o material procura relacionar os conteúdos com a prática. Mesmo que os textos reflexivos transpareçam as fundamentações teóricas e concepções acerca da Geometria e dos outros blocos de conteúdos, P1 não as cita na entrevista.

P1 exemplifica uma atividade em que há relação com a prática, uma atividade com álbum de figurinhas. Entretanto, relata sua dificuldade com tal atividade ao perceber que os alunos não conheciam álbuns de figurinhas. Para P1 era óbvio que os alunos conhecessem álbuns, assim relatou que era necessário um trabalho anterior para explorar o álbum, mas que não teve essa percepção quando propôs a atividade.

Embora não tenhamos observado essa aula com o álbum de figurinhas, por não estar relacionada ao tema Espaço e Forma, percebemos no relato que

P1 não explorou a conversa inicial para identificar os conhecimentos prévios dos alunos e adaptar a atividade de acordo com as necessidades do grupo. A própria professora relatou sua dificuldade em perceber tais necessidades antes da atividade, “precisava de um trabalho antes, e eu não tive essa percepção”. Entretanto, após sua percepção P1 contou que levou álbuns para sala para que pudessem fazer as próximas atividades da sequência.

P1 disse que procura incluir o EMAI todos os dias no planejamento, mas quando percebe que os alunos não compreendem o assunto ou quando o material não propõe atividades suficientes, intercala seu uso com outras atividades, baseadas em diferentes livros didáticos.

P1 nos contou que normalmente utiliza a atividade exatamente como é proposta no material, que suas adaptações acontecem com a complementação de outro material, antes ou depois da atividade do EMAI, quando acha importante.

A professora também acredita que o material colabora para que os alunos compreendam os conceitos, mas pensa que o material ajuda na sistematização, disse que às vezes falta um “primeiro raciocínio”. Tentou exemplificar com a atividade do álbum, disse sentir falta de trabalhar algum conceito anterior para realizar as contagens.

Parece que a maneira que o material propõe a construção do conceito, sem trazê-lo pronto, como em alguns livros didáticos, possa ir de encontro às concepções de P1, gerando obstáculos no uso do material, por isso a necessidade de apresentar algum conceito anterior à atividade do álbum.

Em relação às orientações ao professor propostas no material, P1 valoriza as intervenções apresentadas, desde a conversa inicial até as intervenções. Relata que muitas vezes, ao olhar apenas para a atividade, não imagina os aspectos que podem ser explorados.

Quanto à maneira que a Geometria é apresentada no material, a professora aponta que as atividades são muito boas, mas que a quantidade não é suficiente. Também sente falta de mais atividades que explorem sequência numérica.

Retomando nossa análise do material, relembramos que a quantidade de atividades de Espaço e Forma no 1º ano realmente é menor do que nos outros anos, o que não acontece com a “sequência numérica”. Entretanto,

também relembramos que o material defende que as atividades sejam apresentadas em uma sequência coerente, e não apenas disponibilizar atividades isoladas em cada unidade para que a Geometria simplesmente apareça. Também relembramos que o próprio material cita a importância de complementar com livros didáticos.

Ao pedirmos que descrevesse atividades, P1 disse que precisaria olhar o material com mais cuidado para descrever uma atividade que tenha contribuído ou não para aprendizagem dos alunos em relação ao tema Espaço e Forma.

No primeiro momento, P1 disse não ter críticas ou sugestões para o material, mas depois relatou alguns incômodos.

A primeira crítica refere-se à distribuição do material. Disse que seria muito melhor se pudesse analisar, planejar, conhecer o material antes do início das aulas, para organizar o ano. E que em 2013 os materiais começaram a chegaram março, portanto não tiveram o tempo para olhar com atenção. Vale relembrar que, em 2013 os materiais foram disponibilizados na forma digital, pois ainda estavam em processo de construção, assim não era possível ter o material em mãos com antecedência.

Ainda, nos contou que não conseguiu utilizar todo o material do EMAI durante o ano, que utilizou as atividades até a Unidade 5, disse sentir o material muito extenso.

Ao ouvirmos o relato e percebendo incoerência sobre a exigência de mais atividades e ao mesmo tempo a caracterização de um material extenso, relembramos P1 de seus comentários sobre a falta de atividades ao longo da entrevista.

Então P1, refletindo melhor, afirma que o material não é extenso, e sim que o fato de não tê-lo em mãos para planejar no início do ano contribuiu para que não conseguisse utilizar todas as unidades do material.

Outra crítica de P1 refere-se ao fato do material ser disponibilizado no formato digital. Informamos P1 que no ano seguinte receberia o material impresso, que a disponibilização digital aconteceu, pois estava em processo de construção. Embora P1 participe das formações do EMAI, pareceu não ter essa informação.

P1 nos contou que a impressão das atividades para os alunos é um problema na escola e que muitas vezes imprimiu as atividades em casa. Mas que a qualidade da impressão não ficava boa, exemplificou as dificuldades que podem ser geradas com a atividade que observamos em sala, pois apresentava uma imagem (croqui) e que os alunos tinham dificuldade em identificar os elementos e em ler a legenda. Disse ter tentado de tudo para melhorar a impressão, mas não conseguiu. Ainda afirmou “aquela atividade é o retrato da necessidade do material impresso”.

Novamente, percebemos as influências dos aspectos externos, pois P1 atribuiu à escola um dos pontos que dificulta a qualidade da aula. O difícil acesso à impressão de atividades contribuiu para a má visualização da atividade pelos alunos. Entretanto, P1 utiliza recursos próprios, esforçando-se para apresentar o melhor trabalho possível.

Retomando as ideias de Mcclain et al. (2009), lembramos que o contexto local pode colaborar ou restringir a realização dos objetivos educacionais. Nesse caso, identificamos a restrição, que contribui para a construção da realidade educacional percebida por P1.

Em relação à Geometria, tratada no terceiro bloco da entrevista, P1 relatou sua dificuldade com o tema, disse que, apesar de estudar, ainda surgem perguntas de alunos que não havia pensado e não consegue responder.

Explica que tanto na Educação Básica como na sua formação de professora a Geometria foi pouco discutida. Acredita que o EMAI “obriga” os professores a estudar mais.

Quanto aos recursos didáticos, P1 acredita que os têm suficiente, mas o que falta são os conceitos sobre o tema.

P1 acredita que o trabalho com Espaço e Forma deve iniciar-se com o espaço em que os alunos vivem, complementa dizendo que é importante para o aluno perceber como o espaço está organizado, incluindo questões relacionadas às medidas e dimensões dos objetos. Também acredita que os alunos precisam realizar construções com formas, justificando com a presença de formas em todos os lugares.

Embora P1 reconheça a importância do trabalho com as relações espaciais, ao indagarmos sobre o que os alunos sabem sobre Geometria, P1

relatou a identificação de forma planas, como o quadrado, círculo, triângulo e retângulo. Depois contou que trabalhou superficialmente a Geometria Espacial, disse que apresentou a ideia de cubo, paralelepípedo, esfera e pirâmide. Que os alunos buscaram identificar estas formas no espaço.

Só depois relatou que, devido a uma falha sua, os alunos exploram pouco o espaço. Então, questionamos se ela estava se referindo às relações espaciais, P1 confirmou. Disse “é de movimentação mesmo, aquela atividade que você presenciou, você viu a dificuldade que eles tinham, não de ler a legenda, mas de achar a legenda, de localização das coisas”.

Neste momento, percebemos confusões entre conceitos importantes, já que a atividade observada tinha como expectativa a leitura de croquis e a indicação de posições de objetos, e não movimentação. O trabalho de movimentação foi proposto por P1 e não pelo material, como será descrito nos próximos tópicos.

Ao questionarmos sobre as noções de direita e esquerda (lateralização), P1 conta que os alunos só conseguem identificar a direita e esquerda no próprio corpo e que apresentam dúvidas quando precisam utilizar os termos para localizar-se no espaço. Sente que os alunos terminam o ano com dificuldades em relação às noções espaciais. P1 assume que, embora saiba da importância do trabalho com as relações espaciais, poderia ter explorado mais o assunto.

Quanto à frequência das aulas de Espaço e Forma, P1 iniciou o ano propondo duas aulas de 50 minutos a cada quinze dias, entretanto, não conseguiu manter ao longo do ano. Justifica que, ao utilizar o EMAI como referência, outros conteúdos foram priorizados, já que há poucas atividades de Espaço e Forma, como havia citado anteriormente.

Novamente, expôs sua dificuldade na escolha de conteúdos no planejamento: “... eu acabava priorizando outras coisas, que é um pecado porque eu sei dessa necessidade, acabei de relatar que eu acho super importante, mas o currículo é extremamente extenso, acabei não priorizando.”

Finalizou a entrevista comentando que, para ela, o EMAI representa um grande avanço para melhorar os índices do ensino de Matemática, mas sente que o material ainda está distante da sala de aula.

Disse que os professores deveriam fazer parte da elaboração do material. Mesmo ao lembrá-la que durante o processo de elaboração aconteceram encontros/momentos de formação que contaram com as sugestões de professores e coordenadores, P1 continuou afirmando a distância com sala de aula. Acredita que é preciso encontrar as “falhas” no ensino, para tratá-las.

Ao longo da entrevista, percebemos que P1 valoriza o material elaborado pelo Projeto EMAI e que acredita que ele possa contribuir tanto para a formação dos professores como para a aprendizagem dos alunos. Entretanto, em seus relatos parece não se reconhecer como agente ativa do projeto e como protagonista no uso do material, conforme o Projeto EMAI sugere.

Além disso, P1 apresenta em seus relatos alguns indícios de que algumas de suas concepções não correspondem às concepções do material. Embora valorize a forma que o material propõe a construção dos conceitos, sente necessidade elementos anteriores – talvez conceitos prontos – para realizar as atividades. Do mesmo modo, sente necessidade de grande quantidade de atividades para que a aprendizagem aconteça.

Em suas concepções também percebemos a importância dada aos materiais concretos/manipulativos para que os alunos construam conceitos.

P1 reconhece que não possui conhecimentos necessários para o ensino de Geometria, pudemos constatar essas lacunas em seus relatos. Ficou evidente a confusão entre os conceitos acerca das relações espaciais.

4.1.2 Conhecendo P5 – 5º ano

A entrevista de P5 durou aproximadamente 17 minutos. No primeiro momento da nossa conversa, a professora de 32 anos nos contou que cursou quatro anos da Graduação em Engenharia da Computação, e não chegou a concluí-la. Mesmo sem terminar o curso, realizou alguns trabalhos nesta área. Entretanto, durante o curso tornou-se monitora de “Lógica”, o que desencadeou seu interesse por dar aulas.

Relatou gostar bastante de Matemática, disse que “respirou” Matemática desde muito pequena, pois seus pais e tios são professores de Matemática. Mesmo assim, optou por fazer o curso de Pedagogia, pois queria trabalhar com

os anos iniciais. Assim, está 7 anos trabalhando em sala de aula, sendo a maioria deles com 4º e 5º ano do Ensino Fundamental. Em 2013, assumiu uma sala de 5º ano.

Com este relato, P5 demonstra boa relação com a Matemática. Ao questionarmos sobre como se avalia ensinando Matemática, a professora afirmou que seu maior desejo é que seus alunos sintam o mesmo prazer que ela em relação à disciplina, ainda complementa “se eu conseguir fazê-los se apaixonar por isso, eu já fiz um bom trabalho”.

Embora tenha relatado um bom conhecimento de Matemática, afirmou que seus conhecimentos nunca são suficientes, assim, busca se atualizar tanto em relação aos conceitos como em relação aos recursos didáticos.

No segundo momento da entrevista, em que fizemos questões relacionadas ao uso dos materiais curriculares, P5, assim como P1, trouxe o uso de outros materiais além dos livros didáticos e do material do EMAI.

Comentou que procura ao máximo variar os tipos de materiais. Exemplificou com a sala de multimídia, em que usa o Datashow com frequência; com a sala de informática, em que cada aluno pode trabalhar em um computador e também com os materiais “concretos”, incluindo os construídos pelos alunos e os que ela apresenta prontos.

Conforme destacamos anteriormente, tais materiais podem ser considerados materiais curriculares, na perspectiva de Brown (2009), se carregarem intenções e auxiliarem a prática docente.

A professora relatou que utiliza um livro adotado, aprovado pelo PNLD e o material do EMAI. Segundo P5, o livro didático é um material de apoio e o EMAI é seu “norte” na organização das aulas.

Disse que utiliza o livro principalmente quando o material do EMAI não chega a tempo, devido à disponibilização on-line, em 2013. P5 comentou que procura contemplar todos os eixos da Matemática durante a semana, mas quando não consegue utilizar o EMAI, utiliza as atividades do livro didático para garantir o trabalho com os eixos.

Embora P5 tenha reconhecido o EMAI como instrumento norteador de suas aulas, mostrou-se incomodada com as datas em que recebeu cada unidade, relatando dificuldade em encaixar as atividades no planejamento já

No documento MESTRADO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA (páginas 87-175)