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CONHECENDO UMA UNIDADE DO PROGRAMA PROINFÂNCIA: LIMITES E POSSIBILIDADES

4. O PERCURSO METODOLÓGICO E OS DESDOBRAMENTOS DA PESQUISA

4.2 CONHECENDO UMA UNIDADE DO PROGRAMA PROINFÂNCIA: LIMITES E POSSIBILIDADES

Em outro contexto pesquisado, uma unidade do projeto Proinfância, deparei-me com uma realidade bastante diferente da anterior. Por tomar conhecimento de que esse projeto dispõe de projeto arquitetônico padrão e assessoramento técnico–pedagógico do MEC a alguns municípios do nosso estado, com a finalidade de alcançar uma educação de qualidade, motivei-me a conhecer esta escola e investigar se seus espaços estão sendo aproveitados de acordo com o que eles possibilitam.

A unidade que visitei maravilha os olhos de quem chega. Possui estacionamento fechado, sala de direção e coordenação na entrada, gramado ao redor, da rua se tem vista das salas de aula, sala para professores, banheiros feminino e masculino, biblioteca, lactário, cozinha, parque, um mini auditório ao ar livre e o que mais chamou a minha atenção, um enorme pátio coberto no centro da escola.

Fotografia 03- Vista de fora da escola, com visão das salas de aula.

A primeira vista, tudo parece perfeitamente pensado para crianças, paredes coloridas, mobiliário adequado, brinquedos seguros. Porém, com um olhar mais crítico e atento, percebo que apesar deste projeto ser um importante passo no que se refere à planejar uma escola para crianças atentando-se a construir espaços variados para que elas possam circular, ainda existem adequações que precisam ser feitas.

O pátio centralizado oportuniza atividades coletivas de grupos, atividades por turmas de crianças, alimentação, ou simplesmente área de circulação. Porém, será preciso executar ajustes na cobertura, pois em dias de chuva, ela invade o interior do mesmo. Diante disso, é preciso considerar que o projeto arquitetônico padrão destas escolas independe da região do país em que será construído, e a região sul é uma região de clima frio, então faz-se necessário um prédio flexível ás situações de chuva, vento, frio e calor ( Fochi, Barbosa, 2015). A turma de bebês que observei e convivi por alguns dias, utiliza com maior frequência este pátio ao invés do pátio menor que possui saída da sala de aula e que é utilizado por duas turmas, devido ao piso áspero que pode machucar o corpo daqueles que ainda não caminham e deslocam-se apenas engatinhando. Abaixo, imagens dos dois pátios:

Fotografia 04- Pátio anexo á sala do berçário.

A professora regente desta turma de bebês é graduada em Pedagogia e define criança como “Ser histórico e social dotado de muitas habilidades cognitivas que necessita de carinho, atenção e estímulos para o seu pleno desenvolvimento.” E relata que os espaços da escola alargam as situações de aprendizagem, pois, de acordo com ela, “Ampliam as possibilidades do pedagogo conduzir seu trabalho alcançando os objetivos e atingindo a plenitude no desenvolvimento dos educandos”. Perante tais respostas da professora, percebi que ela reconhece que cada criança é um sujeito que traz consigo uma história e que necessita da intervenção dela para crescer e se desenvolver. Bem como, concordo com ela que a escola possui espaços que oportunizam e desencadeiam uma série de intencionalidades pedagógicas, cabendo então, á professora pensar e organizar de forma planejada e intencional os tempos e espaços de acordo com as características da sua turma de bebês. Barbosa (2006), ao tratar dos espaços escolares complementa que

O espaço físico é o lugar do desenvolvimento de múltiplas habilidades e sensações e, a partir da sua riqueza e diversidade, ele desafia permanentemente aqueles que o ocupam. Esse desafio constrói-se pelos símbolos e pelas linguagens que o transformam e o recriam continuamente.(p.120)

Então, os espaços não são neutros, pois eles emitem mensagens das intencionalidades do adulto que os pensou e organizou, podendo ser um lugar para disciplinar ou para instigar e aguçar a curiosidade infantil, e também desenvolver a criatividade ao reorganizar, recriar e ressignificá-lo.

A sala de aula destas crianças de até dois anos de idade possui espaços bem demarcados, o que entendo que facilita a identificação e significação deles por parte das crianças. Há um espaço de maior circulação onde se desenvolvem as atividades e brincadeiras, junto, sem paredes ou divisórias, há um certo espaço organizado para as refeições. Separados por divisórias com vidro na parte superior, mas anexos á sala de aula, estão a sala para dormir, com berços; e uma sala para higienização, com fraldário e chuveiro.

Fotografia 06- Sala para dormir.

Fotografia 08- Sala do berçário com visão dos demais espaços.

Fotografia 09- Visão da sala dos berços em relação aos demais espaços da sala.

A sala é organizada de modo que as crianças identifiquem os diferentes lugares que ela abriga e que elas possam circular entre eles,

optando por permanecer no local com mais crianças ou procurando ficar sozinho. Segundo Zabalza (1998)

A Educação Infantil possui características muito particulares no que se refere à organização dos espaços: precisa de espaços amplos, bem diferenciados, de fácil acesso e especializados (facilmente identificáveis pelas crianças tanto do ponto de vista da sua função como das atividades que se realizam nos mesmos).(p.50)

Assim como através do uso dos espaços da sala, a professora busca favorecer a autonomia das crianças, ela também o faz através de sua prática docente quando disponibiliza aos bebês uma grande variedade de materiais para eles manusearem e explorarem. Abaixo, alguns exemplos:

Fotografia 11- Brinquedos de plástico e emborrachados, mordedores.

Fotografia 12- Brinquedos de pano e pelúcia.

São oferecidos brinquedos emborrachados, carrinhos, bonecas, sementes, revistas, túneis, materiais de madeira, brinquedos que produzem

sons e luzes, bolas, embalagens, caixas, enfim, uma infinidade de objetos encontram-se nesta sala.

Além do contato com um vasto acervo de materiais as crianças também tem contato com a natureza, brincam no gramado e podem dirigir-se até uma pequena horta com chás, temperos e outras plantas que não são nocivas ás crianças, localizada próximo a cozinha.

Fotografia 13- Horta com chás e temperos.

Também podem visualizar a natureza que as circula, através das janelas da sala, as quais possuem vidros á altura das crianças. Contudo, referindo-me novamente aos materiais e brinquedos, apesar de serem disponibilizados as crianças sem seguir critérios de classificação por material ou textura, os mesmos ficam guardados em prateleiras fora do alcance das crianças. Na entrada da sala está uma prateleira em altura, que abriga as caixas com os diferentes objetos, sem que as crianças possam alcançá-los. Esta seria mais uma possível adequação das escolas: colocar as prateleiras á altura das crianças. Assim, elas poderiam escolher com o que brincar e quando querem brincar com determinado objeto.

O tempo nesta escola gira em torno das necessidades das crianças. O horário de descanso, por exemplo, acontece quando a criança dá sinais de que

está com sono, não havendo um horário definido para isto. O almoço acontece mais próximo do horário do meio dia. E as atividades pedagógicas tem início e fim de acordo com os interesses que as crianças demonstram. Quero exemplificar isto, com o que observei em uma das minhas idas á esta escola. Enquanto as crianças brincavam e a professora cantava com eles, um bebê encontrou um livro e entregou-o a professora. Sem pensar se isto estava ou não no seu plano de aula para aquele dia, a professora disse para a turma que iria contar uma história. Então, aquelas crianças que estavam dispersas pela sala dirigiram-se ao tapete para ouvir, assim também, os bebês menores que ainda não caminham miraram seu olhar ao livro que ela tinha em mãos.

A história foi contada com especial atenção dos ouvintes, que quando chegou ao fim, voltaram a atentar-se aos seus brinquedos. Percebo que a professora valorizou a curiosidade do aluno que lhe trouxe o livro, como também considerou que as crianças manifestaram interesse quando ela mencionou a história. E foi assim que as crianças transformaram parte do tempo de brincar, em tempo de apreciar uma história.

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