CAPÍTULO 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.2. Conhecimento Docente
Como descrito anteriormente, este trabalho buscou evidenciar as contribuições do Pibid na construção do Conhecimento Docente de bolsistas desse programa institucional. Para tanto, foram selecionados e coletados materiais referentes às ações dos bolsistas durante suas atividades nesse subprojeto. Contudo, durante a coleta de dados foi observado que nem todos os bolsistas estavam caminhando com a finalidade de trabalhar o conteúdo redox, o que nos levou a selecionar apenas os bolsistas que trabalharam com este conteúdo programático. Nesse sentido, foram coletados os dados referentes a três pibidianos, que por razões éticas receberam nomes fictícios, a saber:
Melissa, Antônio e Mateus. Os bolsistas atuaram em uma escola estadual na região sul da cidade de São Paulo sob a supervisão de Luiza e coordenação de Maria. Suas ações no Pibid foram executadas em dupla, Melissa e Antônio, e em trio, Mateus, Elder e Clara.
Desses pibidianos analisou-se o Conhecimento Docente de Melissa, Antônio e Mateus, por serem os bolsistas que estavam no subprojeto desde o início da coleta de dados, e por terem estruturado as aulas que implementaram.
Para identificar o possível reflexo do Pibid na construção do Conhecimento Docente dos pibidianos, buscou-se entrelaçar momentos temporais que levem a vislumbrar essa influência. Posteriormente, foi descrito os resultados relacionados aos possíveis impactos do Pibid na formação das tutoras Maria e Luiza.
Partindo-se do pressuposto que a prática oportunizada pelo Pibid e as orientações recebidas das professoras tutoras poderiam refletir no Conhecimento
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Docente dos pibidianos, buscou-se desvelar os reflexos do Pibid na prática pedagógica dos licenciando em química participantes deste estudo. Em consonância com os objetivos de pesquisa traçados, apresentam-se como resultados inicialmente a análise do perfil socioeconômico e cultural dos bolsistas atuantes na escola sede da região sul da cidade de São Paulo e o perfil individual dos pibidianos. Na sequência, foi esquematizado o resumo das aulas desenvolvidas pela dupla Antônio e Melissa, seguido das análises de seus respectivos conhecimentos docentes.
Subsequentemente, delineia-se as aulas implementadas por Mateus, e o seu Conhecimento Docente de Mateus.
Perfil dos pibidianos
No intuito de traçar os perfis individuais dos três bolsistas investigados, as respostas obtidas ao instrumento (apêndice 5) foram tabuladas segundo a variação percentual.
O grupo de pibidianos era constituído por uma discente do sexo feminino tinha 18 anos. Outros dois bolsistas eram do sexo masculino, sendo que dois deles tinham idade entre 16 a 20 anos, solteiros, e o terceiro com idade entre 21 a 24 anos, casado.
Os bolsistas ao concluírem o ensino médio, ingressaram no ensino superior.
Nesse grupo de pibidianos, dois concluíram a educação básica em escolas públicas e apenas um em instituição privada. Dentre os bolsistas, dois cursaram o ensino médio concomitantemente com o técnico em química.Em relação ao número de vestibulares prestados para ingressar na licenciatura os três pibidianos responderam que fizeram três processos seletivos diferentes.
Quanto à escolaridade dos pais dos bolsistas, foi observada uma variação no nível de formação das mães, onde duas tinham formação em nível superior e outra era analfabeta. Em relação ao grau de escolaridade dos pais, dois tinham formação em nível superior e um o ensino fundamental incompleto.
Todos os pibidianos revelaram que a atividade remunerada que exerciam era o Pibid e contribuíam parcialmente na renda familiar.
Outras duas questões tratavam sobre o conhecimento em língua inglesa e espanhola. O conhecimento era nulo em língua estrangeira por dois pibidianos, um em inglês e outro em espanhol. Por outro lado, dois pibidianos sinalizaram que lêem, mas não escrevem e nem falam, espanhol e inglês.
Segundo alguns referenciais teóricos (VALLE, 2003; PRIMI et al., 2000; BOTTI;
MEZZAROBA, 2007) são diversos os fatores que influenciam na escolha profissional, dentre eles a experiência de vida, a família, os professores, entre outros. Nesse sentido, para um dos pibidianos a escolha pela carreira docente foi influenciada pela baixa
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relação candidato e vaga. Quanto à certeza de escolha pela licenciatura em química, dois dos pibidianos estavam absolutamente decididos, e os demais tinham dúvida.
Talvez a indecisão de um dos pibidianos seja reflexo de suas idades, entre 18 e 20 anos, pois a decisão precoce por uma profissão logo ao término do ensino médio leva muitos jovens a optarem por uma carreira como se a fossem exercer para a vida toda, não os levando a escolhas racionais (BRAGA et al.,1997; VELOSO; ALMEIDA, 2001; ARAÚJO et al., 2007; BOUDAN, 1997; JESUS; VIANNA, 2014). Essa incerteza em cursar licenciatura por um dos três pibidianos é um dado preocupante, em virtude da grande evasão nas licenciaturas, e por não ser a primeira opção dos candidatos em nível superior (TARTUCE; CARDEAL, 1997; CUNHA; TUNES; SILVA, 2001; ALMEIDA, 2010). Segundo dois bolsistas, o tempo destinado aos estudos está em torno de quatro horas e para outro, em oito horas, sugerindo que os pibidianos mantêm uma rotina dedicada aos estudos. Os graduandos residem em diferentes regiões da cidade de São Paulo, sendo um na zona leste e dois na sul. O tempo de translado de suas residências à Instituição de Ensino varia de 30 a 90 minutos. Os principais meios de transporte utilizados são o metrô e ônibus.
A seguir, apresenta-se o perfil dos três pibidianos Antônio, Melissa e Mateus, delineado pelas narrativas construídas ao longo da entrevista semiestruturada (apêndice 2).
O pibidiano Antônio
Antônio nasceu em 1992 no estado do Rio de Janeiro. Cursou o ensino médio em escola pública e fez curso técnico em química. Seu ingresso em nível superior foi no ano de 2012 no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ). A sua primeira opção era a Engenharia Química, contudo a alta concorrência no curso desejado o levou a prestar o vestibular para licenciatura.
O bolsista revelou que ao iniciar a graduação “[...] pretendia no futuro continuar fazendo vestibular, e eliminar matéria da Engenharia Química. Com o tempo eu fui gostando da licenciatura, e decidi terminar o curso” (Entrevista semiestruturada, Antônio - turno 10). Apesar de estar decidido a concluir a licenciatura em química e considerar que ensinar é prazeroso, tem dúvidas se atuará ou não como professor.
A motivação inicial de Antônio em participar do Pibid “[...] foi a possibilidade de receber uma bolsa, depois eu fui vendo que é um trabalho sério, e que podia me agregar algum tipo de capacitação” (Entrevista semiestruturada, Antônio – turno 24). Na fala de Antônio é importante perceber a valorização que passa a atribuir ao Pibid para a sua formação como futuro professor. Apesar de na entrevista não ter deixado claro a necessidade de receber uma bolsa, durante as conversas com a pesquisadora ao longo
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do processo de coleta de dados, Antônio revela que em virtude de sua mudança do Rio de Janeiro para São Paulo sua esposa era a única provedora das despesas familiares.
Em outros trechos, argumenta que a sua atuação no programa contribuiu para o estudo de metodologias de ensino, além de propiciar a elaboração e aplicação dos planos de ensino (Entrevista semiestruturada - Antônio).
Antônio no ano da coleta de dados (2014) estava cursando o sexto semestre e algumas disciplinas do sétimo. Esse ano foi o ano de seu ingresso no Pibid. É um aluno sem reprovações e uma vida acadêmica como graduando marcada pelo desenvolvimento de pesquisas como aluno de iniciação científica e iniciação à docência.
A pibidiana Melissa
A pibidiana Melissa nasceu em 1997 no estado de São Paulo. Sua formação na educação básica foi realizada em instituição particular. Seu ingresso na licenciatura ocorreu no ano de 2014 aos 17 anos e a carreira docente sempre foi seu desejo.
Segundo a bolsista, no ensino médio habitualmente ajudava os seus amigos de classe que tinham dificuldades com conceitos químicos, pois era a disciplina que mais gostava (Entrevista semiestruturada, Melissa).
As motivações de Melissa em participar do Pibid podem ser compreendidas no trecho: “Na verdade, eu tive uma intimação para trabalhar no Pibid, e falaram pra mim:
‘Ah, é bom, vai lá, né? Você vai gostar’ E eu vim meio que de paraquedas, eu não fazia muita ideia do que ia acontecer, ah, vai lá que é bom” (Entrevista semiestruturada, Melissa - turno 19). Em sua fala, sugere que não conhecia o programa institucional, mas mesmo assim decidiu fazer a sua inscrição na seleção de bolsistas.
Melissa ingressou no Pibid no mesmo ano de seu ingresso na licenciatura, isto pode ter sido um fator limitante para o desenvolvimento de suas aulas em decorrência da pouca familiaridade com disciplinas pedagógicas e de conteúdo específico. Até o momento da entrevista não teve reprovações na graduação, sendo considerada pelos docentes da licenciatura uma graduanda comprometida com a sua formação.
O pibidiano Mateus
Mateus nasceu na cidade de São Paulo em 1996. No ensino médio cursou concomitantemente o curso técnico em química, em instituições públicas. Aos dezessete anos, ingressou na licenciatura em química, e assim como Antônio, a licenciatura não era a sua primeira opção, uma vez que seu grande desejo era ser matemático. Contudo, por influência de uma professora de química, amiga de sua mãe, decidiu optar pela licenciatura e pelo curso técnico em química. Segundo Mateus seu principal desejo em ensinar tinha por motivação “[...] formar um cidadão que seja crítico,
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um cidadão que consiga formar as suas decisões conscientemente, né” (Entrevista semiestruturada, Mateus - turno 20).
Segundo o bolsista a possibilidade de ter experiência em sala de aula e ser tutorado por professores experientes o motivaram a participar do Pibid.
No ano de 2014 o pibidiano estava no quarto semestre do curso e em seu segundo ano como bolsista do Pibid.