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CONHECIMENTO E CONCEPÇÃO FORMATIVA

2.1. Fundamentos do projeto formativo

2.1.2. Conhecimento e praxis

No sentido de abordar a práxis, utilizamos as leituras de Lefebvre (1978) sobre uma Sociologia Marxista onde essa noção permite estudar o homem social. Assim, Lefebvre começa das relações sociais que podem nos levar a entender as formas políticas. As relações sociais tem uma base material, isto é, as forças produtivas. Os instrumentos e técnicas que organizam os meios e a organização do trabalho, só se tornam eficazes a partir da divisão social do trabalho, ou seja, em relação direta com as relações sociais de produção e de propriedade, com os grupos ou as classes em presença. O conjunto dessas relações ativas possibilita atingir a noção de práxis (prática social).

O homem possui uma “essência”, mas ela não é dada; ela se desenvolve. Essa essência humana é o resumo, a condensação atual e viva, do desenvolvimento histórico. A relação do homem com o que nasce de seus atos é dupla – por um lado, ele se realiza com o seu trabalho, por outro, ele se perde em suas obras, que se voltam contra ele. Se é que podemos resumir, para Lefebvre, a relação do homem com os objetos é alteridade e alienação, realização e perda. Assim sendo, para Marx, a superação da alienação em que os homens se

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Para Vygotsky, segundo Smolka, a significação, quer dizer, a criação e o uso de signos, é a atividade mais geral e fundamental do ser humano, a que diferencia em primeiro lugar o homem dos animais do ponto de vista psicológico. Nos níveis mais altos de desenvolvimento, emergem relações mediadas entre pessoas. A característica essencial dessas relações é o signo... um signo é sempre, originariamente, um meio/modo de articulação das funções em nós mesmos, e poderemos demonstrar que, sem esse signo, o cérebro e suas conexões iniciais não poderiam se transformar nas complexas relações, o que ocorre graças à linguagem. (Smolka, 2004, pp. 40-41)

51 encontram só pode ser atingida no curso das lutas reais, práticas. A teoria não passa de meio necessário e insuficiente nessas lutas. A alienação só se define, para Marx, em face da possibilidade da desalienação.

Para discutir a noção de práxis, Lefebvre mobiliza a concepção de Marx da História como ciência. A história como a ciência do ser humano. O entendimento da ênfase dada por Marx à história necessita da compreensão do que vem a ser a realidade histórica. Segundo Lefebvre, a realidade histórica é tomada pelo inteiro devir do ser humano, sua produção, em sua atividade prática. O vir a ser do homem social dá lugar a equilíbrios momentâneos, gera estruturas dotadas de estabilidade provisória.

Desse modo, o homem é também um ser histórico. A “essência” humana se desenvolve na história; o homem se constitui, cria-se, define-se, produz-se na práxis. Na leitura de Lefebvre, nada existe que não seja obra, resultante da interação dos indivíduos, dos grupos, das classes, das sociedades.

A ciência histórica que Marx concebeu, teria escapado às limitações de uma história dos acontecimentos, das instituições. Essa ciência devia, em colaboração com outras, atingir o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos, em todos os níveis de sua atividade prática. Portanto, o “materialismo histórico” designa a gênese do homem total, objeto de toda ciência da realidade humana e objetivo da ação.

A noção de práxis surge em Marx nos Manuscritos de 1844, como práxis revolucionária. Nos Manuscritos, Marx empreende uma crítica às noções fundamentais da filosofia, inclusive os conceitos de materialismo e idealismo e propõe que esses conceitos, na verdade duas interpretações do mundo, sejam superados pela práxis revolucionária. Como explicita Lefebvre, o marxismo que teoricamente esclarece a situação da classe operária e lhe fornece uma consciência de classe elevada ao nível da teoria, não é uma filosofia materialista, porque já não é uma filosofia, mas é essencialmente histórica.

O materialismo histórico se justifica pela ânsia em restituir ao pensamento humano sua força ativa – força que ele possuía antes da divisão social do trabalho,

52 quando estava ligado à prática - e em assumir uma nova posição frente ao conhecimento.

Em Marx, a noção de práxis se define por oposição a filosofia contemplativa, à atitude especulativa do filósofo. O materialismo filosófico ao contrário do materialismo histórico exclui a práxis negando que as mudanças do homem se ligam a mudanças nas circunstâncias e na educação, esquecendo que é o homem que muda as circunstâncias e que os educadores têm necessidade de serem educados. (Lefebvre, 1978)

“A questão de saber se o pensamento humano pode atingir uma verdade objetiva não é uma questão teórica, mas uma questão prática. É na práxis que o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade, a precisão, o poder de seu pensamento. A controvérsia sobre a realidade ou não realidade do pensamento, isolada da práxis, é uma questão puramente escolástica.” (Tese II )

A essência do ser humano é social, explica o autor, e a essência da sociedade é práxis. A práxis é, antes de tudo, ato; relação dialética entre a natureza e o homem, as coisas e a consciência (que não se tem o direito de separar). Se toda práxis é conteúdo, este cria formas; ele só é conteúdo devido à forma, que nasce de suas contradições, que as resolve de maneira geralmente imperfeita e se volta para o conteúdo a fim de impor-lhe uma coerência.

É na práxis que o pensamento reencontra a unidade com o ser, a consciência com a natureza sensível ou “material”, o espírito com a espontaneidade. (Lefebvre, 1978)